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Pigossi muda toda a equipe e treina na Espanha
08/03/2017 às 16h37

Laura Pigossi vem treinando na Espanha desde setembro do ano passado

Foto: Éric Visintainer/Divulgação
por Mário Sérgio Cruz

São Paulo (SP) - Disposta a dar um salto qualitativo em seu nível de tênis e visando entrar nos principais torneios do circuito, Laura Pigossi aposta em uma mudança significativa em sua carreira. Desde setembro último, a paulistana de 22 anos vem treinando em Barcelona depois de trocar toda sua equipe de trabalho, agora coordenada pelo técnico Martin Vilar e que conta com a colaboração do preparador físico Toni Martinez, o mesmo de Tommy Robredo.

Em entrevista ao TenisBrasil, concedida durante o Circuito Feminino Future, em São Paulo, Pigossi contou sobre a decisão de ir para Barcelona e os benefícios que a mudança trouxe para o seu tênis e sua confiança. "Comecei a trabalhar com o Martin em 1º de setembro. Queria mudar um pouco as coisas e treinar com gente que tivesse os mesmos objetivos que eu, então acabei mudando técnico, preparador físico, nutricionista... Mudei tudo".

"Estou morando sozinha, principalmente para crescer como pessoa. Você tem que resolver vários problemas e sinto que está isso fazendo muita diferença também na quadra, porque eu consigo resolver os meus problemas e dar a volta por cima mesmo quando eu não estou jogando muito bem", afirmou a paulista que é 419ª no ranking de simples e já esteve no 247º lugar em 2014. Em duplas ela é 149ª colocada.

A jovem jogadora comentou sobre as principais mudanças que jogo teve desde que ela começou a treinar no Tênis Clube de Barcelona. "Eu acho que estou mais sólida, estou conseguindo ser mais agressiva e minha intensidade subiu muito graças ao ambiente de lá. Treino com a minha parceira de dupla [a canhota suíça Jil Teichmann] e muitas vezes e com a Paula Badosa e com a [Maria Teresa] Torró Flor, que já ganhou WTA e foi 47 do mundo. É aquela frase, se você quer jogar bem treine com as melhores".

"Na pré-temporada eu via os caras treinando. Eu treinava do lado da [Carla Suárez] Navarro, ex-número 6 e atual 24ª do ranking e a velocidade da bola era a mesma da minha. Você olha para o lado e vê o Feliciano López, [Tommy] Robredo, [Andrey] Rublev... posso te falar uns trinta. Os caras estão se matando na quadra e você pensa 'Ele é 20 do mundo, eu também posso ser'". 

A ida para a Espanha também significa o fim da longa relação profissional com o técnico Renato Messias, que a treinava desde que ela tinha 12 anos e por quem ainda tem muita gratidão. "Foi uma decisão bem difícil, porque ele é como um pai para mim é. Sou muito grata a ele, por tudo o que ele fez por mim e por tudo que ele me ajudou", afirma. "Ele me formou tanto como pessoa como quanto jogadora, mas a vida é feita de mudanças. Chega um ponto em que a gente tem que arriscar para conseguir coisas melhores. Isso era uma coisa que eu não tinha aqui, eu não conseguia morar sozinha e não tinha essa responsabilidade. Tive que abrir mão disso indo para lá".

O início de temporada animou a jogadora de 22 anos que já disputou uma semi e um vice-campeonato em torneios de US$ 15 mil no saibro tunisiano de Hammamet e ainda venceu dois torneios de duplas. Desde 2015, ela já soma 15 títulos nas duplas e tenta transmitir essa confiança para as competições individuais. "A gente vem trabalhando nisso para que eu consiga jogar os torneios WTA, porque eu não consigo subir muito o meu ranking de duplas nesses torneios, mas ao mesmo tempo eu não consigo entrar no quali de simples dos torneios grandes. Então eu trabalho para jogar os menores de simples para depois jogar os WTA que é onde eu posso realmente subir na dupla e entrar no top 100, mas para isso eu preciso focar um pouco mais em simples primeiro".

"Quero jogar o quali dos Grand Slam, só que focada na performance. Quero me sentir bem em quadra e sentir que sou competitiva jogando contra qualquer pessoa. Isso é o principal. Quando você está confiante no seu jogo, você começa a ganhar e não se pergunta por que está ganhando, você simplesmente vai vencendo os jogos".

Embora esteja atualmente apenas com fornecedor de raquete e de patrocínio em forma de apoio educacional, Laura tem conseguido manter um calendário junto com seu treinador. "Consigo viajar com o Martin em todos os torneios. Com o físio não, estou usando o daqui do torneio. Graças a Deus eu tenho boa relação com todos e é sempre bom deixar as portas abertas. Só tenho Babolat, mas eu tenho uma ajuda graças ao meu treinador, e um patrocínio da Estácio que me ajuda com os estudos [em administração]".

Nas próximas semanas, Laura voltará à Espanha e treina por dez dias, antes de jogar mais um ITF na Tunísia e vir para a América do Sul disputar o WTA de Bogotá. "Vou tentar o quali de simples e jogar dupla. Eu preciso jogar pelo menos um torneio grande de duplas para poder manter meu ranking".

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