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Orlandinho corta refrigerante e foca parte física
22/02/2017 às 07h30

Orlandinho disputará seu primeiro ATP no Brasil Open

Foto: Fotojump
Felipe Priante

Rio de Janeiro (RJ) - Um dos nomes mais promissores do tênis brasileiro, o gaúcho Orlando Luz, natural de Carazinho, cidade que fica a quase 300 km de Porto Alegre, vai encarar em 2017 a sua primeira temporada exclusivamente entre os profissionais. O tenista de 19 anos, atual 541 do mundo, iniciou o ano jogando o quali do Rio Open, onde parou logo na primeira rodada.

Na próxima semana, Orlandinho terá sua primeira oportunidade em uma chave principal de ATP, já que recebeu convite para jogar no Brasil Open. Sua preparação não poderia ser mais forte do que seguindo no Rio para treinar com os principais nomes da chave, entre eles o austríaco Dominic Thiem, que o gaúcho revelou ter como espelho. 

Esta não é a primeira vez que ele tem uma oportunidade dessas, já que bateu bola com alguns dos principais nomes do circuito no ATP Finals do ano passado. Em fase de transição para o profissional, Orlandinho falou com o TenisBrasil e contou como tem se preparado para este novo desafio, com destaque para a preparação física. 

Veja o que disse o jovem gaúcho:

Qual a diferença na pré-temporada pensando num ano de juvenil para uma pensando no profissional?

Muda um pouquinho por causa da questão física, agora é bem mais puxado do que no juvenil. Acho que minha preparação foi bem mais focada no físico, mas claro que a parte técnica também foi bem trabalhada. Jogando com caras mais velhos eu preciso estar bem de físico para assim poder executar a técnica

Qual a principal diferença do juvenil para agora, em que você enfrenta jogadores mais velhos e mais experientes? 

A parte física é bem diferente, eles aguentam muito mais, conseguem manter o jogo deles por mais tempo. Tem também a questão mental, eles são muito bons de cabeça, independente das condições da partida. No juvenil via muito mais oscilação do que agora

Você lembra de algum jogo específico como profissional em que você viu bem essa diferença? 

Eu diria que o jogo aqui. Estava muito quente, o cara começou mal, melhorou no primeiro set ainda, eu ganhei e mesmo assim ele continuou com a cabeça boa. Foi no banheiro e voltou melhor ainda, fez uma mudança no plano de jogo e manteve assim até o final

O que dá para tirar de bater bola com os principais nomes do circuito (treinou com alguns no Rio Open e também no ATP Finals do ano passado)?

É diferente, não estou acostumado a treinar todo dia com pessoas desse nível. A bola deles é diferente e é bom que assim vou pegando o ritmo e o timing diferente. Fazer isso aqui (no Rio Open) está sendo bom porque na próxima semana eu vou entrar direto na chave (do Brasil Open) e vou enfrentar caras deste nível. 

Tento conversar com meu técnico para podermos impor no meu jogo coisas que eles fazem. É neles que eu tenho que me inspirar e copiar algumas coisas que fazem.O profissionalismo deles no treino é tão grande quanto no jogo e assim você vai adquirindo experiência para o futuro.

Tem alguma coisa diferente nesses treinos que te chamou a atenção? 

Tem várias coisas, principalmente o modo como eles treinam e a intensidade que colocam do princípio ao fim. A cabeça deles está sempre bem focada no torneio, que é diferente do que estou acostumado a ver, isso é uma coisa que me chamou a atenção. Mesmo quando o jogador não está se sentindo confiante ele continua até achar a melhor maneira de jogar.

Fotojump

Algum jogador te chamou a atenção em especial aqui no Rio? 

Só bati bola com quem já tinha treinado antes, então não tive novidades. O Thiem tem uma bola muito diferente do que o pessoal vê na TV, o pessoal às vezes não percebe o quanto a bola dele pinga e o quanto é rápida ao mesmo tempo. Acho isso bem diferente e as condições aqui são boas para ele, que assim consegue empurrar os adversários para trás e na TV muita gente não consegue identificar isso, acha que ele só acelera a bola.

Destes grandes nomes, há algum que sirva de inspiração para você por ter um jeito de jogar mais parecido com o seu? 

Gosto muito do (Dominic) Thiem e tento fazer parecido com ele. É muito legal o modo como ele joga, é um cara no qual tento me inspirar. Se conseguir fazer o que ele já fez já seria um grande feito.

Você ganhou um convite para jogar o Brasil Open na próxima semana. Muda alguma coisa na preparação? Há alguma expectativa a mais por disputar sua primeira chave principal de ATP? 

É muito bom, estou muito feliz com essa chance de jogar meu primeiro ATP em casa, aqui no Brasil. Não tenho nenhum motivo para jogar preso, a pressão é dos outros, uma vez que qualquer um que eu for pegar tem ranking melhor do que o meu. Espero fazer uma boa partida, conseguir me soltar e assim fazer um bom jogo. Se for assim tenho minhas chances de ganhar.

Você já é reconhecido na rua ou ainda só em torneios de tênis? 

Geralmente nos torneios o reconhecimento é maior, mas às vezes no aeroporto o pessoal dá uma paradinha para tirar foto.

E em Carazinho, como é? 

Lá eu paro a cada esquina, cresci lá e todo mundo me conhece. Muita gente me ajudou lá e em cada esquina eu paro para tirar foto e conversar. Saí de lá faz uns cinco anos e quando volto querem saber como eu estou, como estou me sentindo.

Qual sua relação com a cidade? Volta para lá sempre que dá? 

É difícil por causa dos treinos e das viagens, mas sempre que posso eu vou para lá. Tenho meus avós lá e então preciso dar uma passadinha. Minha família toda está lá, meus tios e meus primos, só meu pai e minha mãe é que moram comigo.

O que mudou na sua preparação do juvenil para o profissional? 

Comer desde pequeno a gente já tem uma dieta balanceada para estar bem com o corpo. Nos últimos tempos comecei a fazer mais exercício de força e atividades mais longas, treino de aceleração e pique mais longos. Tudo tem que aumentar para poder aguentar esse nível.

Teve algum hábito alimentar que você precisou mudar agora como profissional? 

Com certeza. Sou viciado em Coca-Cola e hoje praticamente não tomo. Tenho um pequeno trato com a nutricionista que de vez em quando no fim de semana eu posso tomar uma latinha para matar a vontade.

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