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Bellucci destaca 'pneu' em Djoko e campanha olímpica
07/12/2016 às 08h00

Bellucci foi até as quartas de final nos Jogos do Rio

Foto: Cristiano Andujar/CBT
Felipe Priante

A temporada de 2016 não foi das melhores para o paulista Thomaz Bellucci e o próprio jogador reconhece que os resultados deste ano ficaram aquém do seu potencial. Mesmo assim, ele teve momentos destacáveis na temporada, como o vice-campeonato no ATP 250 de Quito, a boa campanha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e até um "pneu" para cima do então número 1 do mundo Novak Djokovic.

Recém-casado, o canhoto de Tietê revelou ideias para o futuro e mostrou querer devolver o que o tênis lhe deu trabalhando com crianças. Não à toa a entrevista concedida para TenisBrasil, que será dividia em duas partes, aconteceu logo após um evento voltado para crianças de 7 a 10 anos, no Alphaville Tênis Clube, no último sábado. 

Bellucci inclusive lembrou uma passagem sua quando era pequeno em que conseguiu tirar uma foto ao lado de Fernando Meligeni, reforçando a importância que os principais nomes do esporte podem ter junto a uma criança. "Quando era pequeno não tinha contato com nenhum jogador", rememorou o atual número 1 do Brasil.

Veja o que falou Bellucci nesta primeira parte da conversa.

Por saberem de seu potencial, muitos cobram resultados melhores seus. Como é a sua cobrança interna para que eles aconteçam?

Com o tempo você vai sabendo lidar melhor com as derrotas, no começo minha cabeça funcionava um pouco diferente e eu me frustrava demais com as derrotas, pois o tênis era minha vida e tudo que me importava. Depois de um tempo você vai começando a abrir a cabeça e vendo que não é o fim do mundo perder uma primeira rodada de Grand Slam ou um jogo que estava na mão, você sabe que o mais importante é seguir trabalhando, entrar na quadra no dia seguinte para treinar e seguir motivado. A motivação tem que estar sempre em alta. No tênis você joga 30 torneios por ano e se não tiver motivado vi acabar não colhendo os resultados.

Qual o balanço que você faz de 2016? 

Acho que foi um ano não tão positivo em termos de resultados, mas foi um ano de aprendizado como sempre. O começo do ano foi bem mais difícil do que o final, em que comecei a jogar melhor e passei a alcançar resultados melhores. No primeiro semestre eu não me encontrei dentro de quadra, passei por um trabalho de reencontrar a confiança e reestruturar minha parte física. Foi um período delicado e acredito que os frutos serão colhidos no ano que vem.

Este ano você chegou a anotar um "pneu" sobre Djokovic no Masters 1000 de Roma. Passou alguma coisa pela cabeça naquele momento ou o foco estava todo na partida?

Para acontecer isso de novo com ele vai ser difícil. Acho que é inesperado você dar 6/0 no número 1 do mundo e não me lembro de outra vez que isso aconteceu. É algo que acontece muito esporadicamente e foi até estranho olhar no placar e ver que estava 6/0, é uma coisa que não dá para planejar: 'vou entrar com tudo no primeiro set e fazer 6/0'. Não é assim, você acredita que possa ganhar, mas em um jogo duro. Minha cabeça estava focada em continuar fazendo o que estava dando certo e não deixar a peteca cair. Acredito que tenha conseguido fazer isso, mas ele é um grande jogador e conseguiu reverter uma situação totalmente negativa, mudou algumas coisas em seu jogo que me prejudicaram um pouco e eu não consegui impedir isso. Apesar de tudo foi uma experiência legal. 

Outro jogo seu de destaque foi contra o Nadal nos Jogos Olímpicos do Rio, que teve uma história até que parecida. O que você lembra desta partida?

Eu lembro de muitas coisas, foi um dos torneios mais especiais que eu joguei. Acho que naquela semana não estava muito me dando conta da repercussão que podia dar aquele resultado. Também porque tento não ficar vendo muita televisão ou olhar o celular quando estou em uma semana boa, para não me distrair. Podia falar que já estava bom, pois ganhei do Goffin e do Cuevas. Naquele jogo eu tive quase certeza que iria ganhar, pois estava muito confiante, jogando com a torcida e o ambiente estava muito favorável para mim. Só que de novo o Nadal conseguiu mudar algumas coisas que não estavam funcionando, tirou vários slices que usou bastante para tirar o meu ritmo. Foi uma semana incrível, uma das mais especiais da minha carreira e ou guardar com muito carinho. 

Além destes dois jogos há outras lembranças de destaque deste ano que passou?

A Copa Davis contra o Equador foi uma coisa legal, um confronto difícil que a gente tinha a responsabilidade de ganhar porque estava em casa, enquanto eles não tinham responsabilidade alguma e acabaram indo super bem, melhor do que esperávamos e conseguimos segurar a onda, mostrando que a gente era superior. Foi um momento importante no ano, mesmo sendo numa fase em que não vinha tão bem consegui vencer os dois pontos que disputei. 

Djokovic e Murray disseram que a vida de casado mudou muita coisa. Agora que está neste clube, acredita que possa ser uma coisa positiva para você também?

Espero que sim (risos). Eu sempre fui um cara bem tranquilo e acho que é uma evolução natural da vida. A gente cresce, sai da casa dos pais, casa e depois tem filho. Nunca fui muito de balada e sempre fui disciplinado. Estou muito feliz com meu casamento, é uma coisa nova na minha vida e acredito que depois disso o jogador acaba ficando mais motivado e um pouco mais forte. 

Você participou recentemente de alguns eventos com crianças. É um pouco devolver para o tênis aquilo que ele te deu?

É uma coisa muito legal ter esse contato com as crianças e poder passar minha experiência para elas, tudo o que eu já passei dentro de quadra. Tenho muito carinho com estes eventos, como fui no WimBelemDom, um projeto do Marcelo Ruschel muito legal. Hoje de manhã tive um evento com mais de 100 crianças e agora tive outro com 60 ou 70. É muito legal ver que elas estão se divertindo em uma quadra de tênis, aprendendo coisas novas e em um ambiente sadio. No futuro quero ter uma equipe para isso, para assessorar as crianças e os técnicos. Acho que falta um pouco isso no Brasil, temos bons técnicos, mas muitas vezes não conseguimos que os ex-jogadores passem suas experiências e isso fica perdido no meio do caminho. Sempre vivemos de jogadores que aparecem sozinhos. Isso que eu quero fazer no futuro, ter bons profissionais trabalhando com a gente para ajudar as crianças a ter um futuro no tênis, mesmo que não seja no profissional mas que seja uma bolsa para os Estados Unidos ou mesmo que o pai deixe o filho no clube para se divertir. 

Então já está se preparando para ser papai também convivendo com essa criançada?

Agora não, daqui uns dois ou três anos sim. Eu gosto desta parte, é cansativa e consome muita energia, mas este contato com as crianças é o que mais importa no tênis. Elas te olham com admiração e o que você fala para elas fica marcado pelo resto da vida. Eu quando era pequeno não tinha contato com nenhum jogador, o único contato que tive na minha vida foi com o (Fernando) Meligeni, que eu tirei uma foto com ele. Fico imaginando estas crianças tendo contato comigo e o quanto isso pode impulsioná-las no tênis. 

O que você lembra deste dia em que tirou a foto com o Meligeni?

Lembro que ele estava treinando lá em Angra dos Reis e eu estava passando o Natal lá. Aí minha mãe falou para ele: 'Meligeni, você pode tirar uma foto com meu filho?'. Então tiramos a foto e minha mãe guarda até hoje na casa dela, colocou em um porta-retratos e toda vez que eu passo na sala estou lá eu com meus 10 anos e o Meligeni. 

E o Meligeni sabe disso?

Sabe sim, até falei para ele na semana passada: 'Cara, tenho uma foto de 18 anos atrás com você lá em casa'.

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