Nadal vira a página como tenista e não descarta ser capitão da Davis

Foto: FFT

Madri (Espanha) – Pouco mais de um ano após encerrar sua carreira de tenista profissional, o espanhol Rafael Nadal concedeu uma longa entrevista ao AS, na qual não apenas falou sobre o que tem feito desde a aposentadoria, mas também relembrou algumas situações de quando estava competindo pelo circuito, algo que ele garante ser uma página virada.

“Não vivo pensando que sou ou fui tenista. Esse capítulo está encerrado. Não vivo meu dia a dia pensando em tênis, exceto em momentos específicos em que me dá vontade de assistir a alguma coisa ou, obviamente, por causa da Academia, onde vivencio o tênis um pouco mais diariamente, mas de uma perspectiva completamente diferente”, disse Nadal.

O espanhol admite que a aposentadoria lhe trouxe uma mudança de vida, mas que não acabou sentindo tanto. “Sempre achei que ficaria bem depois e honestamente, é assim que está sendo. É verdade que faz apenas um ano, que não parei muito, que fiz bastante coisas, mas sem nenhum problema em momento algum. Tenho aceitado a nova vida e aproveitado cada momento”.

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Sem seguir uma rotina fixa, o canhoto de Mallorca observa que atualmente sua vida é um pouco mais aleatória do que antes. “Agora trabalho em meus próprios projetos, tenho reuniões em muitas manhãs, viajo a trabalho e geralmente tento deixar as tardes mais livres para ficar com minha família”, pontuou o ex-número 1 do mundo.

Nadal descartou a possibilidade de trabalhar como treinador no futuro próximo, mas se animou ao se imaginar como capitão na Copa Davis. “Viajar constantemente? Não me vejo fazendo isso. Ser treinador exigiria isso, e agora não se encaixa na minha vida. Ser capitão da Copa Davis algum dia? Por que não? Eu poderia gostar mas acabei de me aposentar, é muito cedo para pensar nisso”.

Relembrando os duelos com Federer e Djokovic

Ao falar do passado, não poderia faltar relembrar os duelos com seus dois maiores rivais, o suíço Roger Federer e o sérvio Novak Djokovic. O espanhol contou que não tinha armas a esconder para poder vencê-los. “Dei tudo de mim, sem segredos. Sempre tentei encontrar soluções. Se algo funcionava, eu tentava repetir; se não funcionava, eu tentava mudar”.

Ele também comentou sobre as estratégias usadas contra cada um. “Com Federer, o plano era claro, principalmente no início: pressionar seu backhand com bolas altas repetidamente, até que ele parasse, esperando o próximo golpe, e então eu poderia mudar para o seu forehand. Com Novak, era mais imprevisível”, pontuou o espanhol.

“No saibro, era um pouco mais imprevisível do que nas quadras duras. Nas quadras duras, nos meus últimos anos, quando meu corpo já não aguentava certos esforços, era muito mais difícil.  Eu tinha que encurtar os pontos e vencer Novak em dois ou três golpes era muito difícil. No saibro, eu encontrava soluções, e na grama, também tive chances, embora tenha perdido nas semifinais (Wimbledon 2018)”, acrescentou.

Diferente de Alcaraz e Sinner

As inevitáveis comparações são coisas que Nadal prefere deixar de lado, principalmente quando o assunto são os dois melhores jogadores do momento, o compatriota Carlos Alcaraz e o italiano Jannik Sinner. “Não me identifico com nenhum dos dois. São jogadores diferentes de mim”, destacou o canhoto de Mallorca.

“Acho que Carlos é mais imprevisível: comete mais erros, joga pontos mais espetaculares e, às vezes, não tem um estilo de jogo tão definido, o que o torna imprevisível e divertido para o espectador. Jannik é um jogador mais metódico e focado, com um estilo de jogo mais definido, e vai adicionando coisas aos poucos, por isso é tão sólido e perde tão poucas partidas”, analisou.

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SDR
SDR
17 dias atrás

Um dos maiores do tênis, o melhor no saibro. E o que disse sobre Alcaraz e Sinner me pareceu acertado demais.

Cazuza
Cazuza
16 dias atrás
Responder para  SDR

Fenômeno. Dentro e fora das quadras.

Nei Costa
Nei Costa
16 dias atrás

Djokovic foi o grande adversário da carreira de Nadal, não fosse ele o espanhol seria o Goat geral. Note-se que Nadal tinha muito mais receio de enfrentar Djokovic do que a qualquer outro jogador.

Última edição 16 dias atrás by Nei Costa

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