Nadal: “Tento fazer as coisas de acordo com a minha ética e a educação que recebi”

Foto: Rafa Nadal Museum

Manacor (Espanha) – No novo Museu Rafa Nadal, há troféus, raquetes, tênis, imagens históricas, memórias da infância e inúmeros outros objetos que ajudaram a construir a trajetória memorável do ídolo espanhol. Mas esta é uma jornada que vai muito além das estatísticas. A frase final do vídeo que encerra a experiência dos visitantes não fala de recordes nem de vitórias, nem de torneios ou estatísticas, mas de algo muito mais simples, profundo, e mais importante para ele: “Quero ser lembrado não pelos meus troféus, mas por ser uma boa pessoa de Manacor.”

“No fim das contas, números são números. E os números estão aí. Não há necessidade de falar sobre eles”, explicou Nadal durante a inauguração oficial do novo museu, situado dentro da Academia Rafa Nadal. “Acredito que o importante, o que resta, são os aspectos intangíveis: quem você é como pessoa, a maneira como você tratou as pessoas ao seu redor.”

Por mais de duas décadas, Nadal esteve sob os holofotes, mas em seus discursos, ele frequentemente retomava um tema: a persona e a pessoa não são a mesma coisa. Uma era um jogador competindo diante de milhões, e a outra era um homem que, após deixar as quadras, queria permanecer o mesmo. “Nunca pensei que minha persona devesse superar quem eu sou como pessoa”, disse o ex-número 1 do mundo, ao ATP Tour.com.

“Nunca tentei ser perfeito, nem ser um exemplo a seguir, na verdade”, confessou. “Apenas tento fazer as coisas de acordo com a minha ética e a educação que recebi, da melhor maneira possível, e se isso for um bom exemplo para outras crianças e jovens, então é fantástico.” Nadal rejeita a ideia de que passou anos criando uma fachada pública artificial. Para ele, se os valores não fazem parte de você, cedo ou tarde desaparecem. “Você não pode continuar atuando ou fingindo ser alguém que não é por tantos anos da sua vida”, explicou.

“A única coisa que posso dizer que não foi normal, humildade à parte, foi jogar tênis. Jogando tênis, sim, eu era melhor do que a grande maioria. Não melhor do que todos, mas melhor do que a maioria. Mas na vida, sou tão normal quanto qualquer outra pessoa”, disse Nadal, que se aposentou com uma vantagem de 24 a 16 no confronto direto com Roger Federer.

Em quadra, ele era extraordinário. Fora dela, quis permanecer perto de seu povo, de Manacor, de sua família, amigos e daqueles com quem compartilhava o circuito diariamente, daqueles que nunca estiveram sob os holofotes, a equipe do torneio, os funcionários da ATP, aqueles que mantêm o circuito funcionando, aponta a reportagem da ATP. “Eles veem como você interage todos os dias com pessoas que são invisíveis no mundo dos torneios”, explicou. “Acredito que essas são as pessoas que podem ter uma opinião real sobre os jogadores em um nível pessoal”, comentou.

“Quando visito locais de competição, embora não vá a muitos, quando vou, vejo algo positivo; geralmente as pessoas ficam felizes em me ver”, disse Nadal. “Isso me deixa feliz, porque normalmente mantenho um bom relacionamento com todos que trabalham nos bastidores dos torneios.”

O novo museu permite conhecer a infância de Nadal, crescendo em Manacor, onde jogou futebol, começou a construir sua carreira, cercado por uma família unida, e que nunca perdeu o contato com suas raízes. No evento, Nadal falou sobre seu pai, sua influência e uma maneira de entender a vida longe dos holofotes.

“Minha família sempre foi decisiva, e meu pai, de toda a família, ele é a pessoa que mais influencia todos os outros”, explicou. “Nunca saí deste lugar, nunca fui morar em outro lugar. O mais importante para mim é a felicidade de ter meus entes queridos ao meu lado. Nunca me permiti tomar uma decisão de tamanha magnitude. O que mais me satisfaz é ter os mesmos amigos desde criança, ter feito alguns ao longo do tempo e poder ter uma vida muito normal”, explicou. “Minha vida real nunca mudou, e isso é o mais importante para mim.”

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Renato dos santos Pachecocong
Renato dos santos Pachecocong
16 dias atrás

Acredito que tenha razão.

Thiago
Thiago
17 dias atrás

Muita hipocrisia.

Valeria
Valeria
13 dias atrás
Responder para  Thiago

Pq?

Wanderson
Wanderson
17 dias atrás

O meu respeito por esse cara é indiscutível, pois quando Roger Federer estava no auge antes de contrair mono em 2008 Nadal foi o único que se opôs ao seu domínio, no saibro fez o suíço de gato e sapato já na grama só tomou surras, mas mesmo assim um grande campeão do nosso esporte que merece todo respeito.

Última edição 17 dias atrás by Wanderson
Rockton
Rockton
17 dias atrás

Esse sim tem carisma. Diferente do Sérvio, que tem números, mas será lembrado mais por ser ser um negacionista de vacinas do que por ser um jogador de tênis.

Rodrigues
Rodrigues
17 dias atrás

Por isso é o verdadeiro GOAT , junto com Federer . Não se trata apenas de números !

Realista
Realista
17 dias atrás

O cara que trapaceava a regra de tempo de saque até que colocaram um relógio, vem falar de ética? Kkk

Valeria
Valeria
13 dias atrás
Responder para  Realista

Sim, Nadal começou a jogar em 2001 e os relógios foram instalados em 2018 por causa dele kkkkkk

Luiz Henrique
Luiz Henrique
17 dias atrás

Nadal sempre foi e sempre será um grande campeão. Parabéns Rafa!!

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