Mudança de piso do Rio Open parece inevitável e jogadores estão resignados

Quadra Guga Kuerten (Foto: Fotojump)

Felipe Priante
Especial para TenisBrasil

O principal assunto neste Rio Open, que conta com a visita de Andrea Gaudenzi, presidente da ATP, é a possível mudança não apenas de piso, mas também de data que o torneio pode assumir nos próximos anos. Embora a América do Sul esteja intimamente ligada ao saibro, tudo indica que os eventos sobre esse piso por aqui estão com os dias contados e a alteração já é tomada como certa nos bastidores.

Tanto tenistas como jornalistas e pessoas envolvidas com o circuito parecem resignadas com a mudança, que acontecerá como reflexo da entrada do Masters 1000 árabe. O novo torneio saudita está planejado para entrar no calendário em 2028, porém há possibilidade de que essa mudança seja adiada em um ano e dê mais tempo para a ATP acomodar o reformulado calendário.

Antes mesmo de o Rio Open começar, ainda no fim de semana do quali, o tenista da casa João Fonseca garantiu que a mudança de piso é essencial para o crescimento do Rio Open. “Muitos gostariam de visitar o Brasil, mas é difícil, porque o circuito atualmente está predominante na quadra rápida. Acho que, se futuramente o torneio tiver a possibilidade de trocar de piso, seria muito benéfico”, disse.

A possibilidade de trazer mais nomes de peso com a mudança do piso é algo que o argentino Juan Manuel Cerúndolo considera, embora não esconda sua preferência pelo saibro. “Para o público seria muito bom, mas eu prefiro que seja no saibro, foi neste piso que joguei a vida inteira e quero continuar a jogar. Com certeza o público iria gostar de atrair estrelas”.

Fernando Meligeni é outro que aposta em um torneio com nomes mais fortes em um piso diferente. “O Rio Open poderia ter um monte de top 10 como em Acapulco, mas está no saibro e afunilado entre o Australian Open e os Masters 1000 de Indian Wells e Miami”.

Defesa dos torneios sul-americanos

O italiano Matteo Berrettini defendeu a temporada sul-americana e destacou a importância dos eventos no continente. “A experiência e a atmosfera que temos aqui no Rio e em Buenos Aires são muito legais, os fãs comparecem mesmo no qualificatório. A América do Sul merece esses torneios e precisamos ter o máximo possível de torneios aqui”, comentou.

Confortável com as condições no Rio, com piso mais lento e tempo mais úmido, o chileno Alejandro Tabilo se mostra um tanto indiferente à mudança do piso e da data. “Desde que a temporada siga na América do Sul, qualquer coisa ajuda muito. Para nós sul-americanos, jogar torneios aqui é uma coisa que vale muito e é  importante”, ponderou o atual número 68 do mundo, que tem dois títulos na quadra dura e um na grama.

Tabilo acredita que a mudança de data seja algo pior para os tenistas sul-americanos do que a troca de piso. “O calendário já está organizado, espero que possam deixar assim. O mais importante é manter (a temporada da América do Sul). Necessitamos de uma gira aqui, porque nunca vão tirar um torneio da Europa ou dos Estados Unidos. O mais provável é que sigam os mesmos jogadores aqui, mas talvez os resultados mudem um pouco”.

Grana árabe e calendário novo

A visita de Gaudenzi e a entrada firme dos árabes na ATP deixam claro que mudanças irão acontecer e tudo indica que o Masters 1000 saudita acontecerá em fevereiro junto com os ATP 500 de Doha e Dubai, fazendo com que os torneios sul-americanos acabem mudando de data. Essa realocação poderia ser utilizada pelo Rio Open para mudar o piso, um sonho antigo do evento carioca.

Precisando abrir datas no calendário, os torneios de Buenos Aires e Santiago, que são ATP 250 e possuem menos margem de manobra, correm risco maior. O dinheiro saudita, que não conseguiu comprar os ATP suíços, coloca em risco ambos os eventos, uma vez que houve conversas podendo oferecer aos donos dos torneios até seis vezes o valor de mercado.

Se a temporada sul-americana vira uma incógnita a respeito de quantos serão os torneios e quando acontecerão, a permanência do Rio Open no calendário é a única certeza que se tem. O mais provável é que a reformulação do calendário vá mudar o torneio de data e com isso a organização deve barganhar a sonhada mudança de piso, com a ATP abrindo mão do saibro e o Rio Open de sua data atual.

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Haroldo
Haroldo
23 dias atrás

Uma pena, vai perder o charme do saibro. Só porque o Fonseca falou. Que nem Interlagos… é infelizmente o dinheiro manda nos esportes

Paulo A.
Paulo A.
23 dias atrás
Responder para  Haroldo

Bom para o João, que joga melhor na rápida – mas a grande maioria do circuito também.

Eduardo P.
Eduardo P.
23 dias atrás

Se vai mudar de data, então não precisa mudar de piso. A questão do piso é justamente por causa da data que fica entre o Australian Open e os Master 1000 de Indian Wells e Miami, todos torneios grandes e de quadra rápida.

Gabriel
Gabriel
23 dias atrás
Responder para  Eduardo P.

Vão mudar RIo para a semana de Washignton, o Gaudenzi quer que os 500 sejam sempre acompanhados de outro 500 na semana. Única semana que só tem um 500 e sem nenhum outro torneio junto é Washignton. Buenos Aires deve ganhar uma semana ali pós Wimbledon e antes do torneio do RIO, mas não sei se seria saibro ou hard, agora Santiago deve ir pro espaço.

Refaelov
Refaelov
23 dias atrás

O mais importante ao meu ver seria mudar a data -não vai conseguir competir com os endinheirados torneios do mundo arabe nunca, independente do piso-

Se conseguir colocar o torneio para após Miami, no começo da temporada de saibro da ATP, daria pra manter o piso e, seria o ideal ao meu ver..

Mas se for mudar a data para logo antes ou depois do USOpen, realmente vai precisar mudar o piso..

Última edição 23 dias atrás by Refaelov
Gabriel
Gabriel
23 dias atrás
Responder para  Refaelov

Também acho, o problema está no alongamento de todos os M1000. Enquanto eram de 1 semana, esses torneios eram apenas para os tenistas top 60 (realmente masters), todavia restavam semanas para torneios 250 no calendário, dos nove M1000, atualmente sete possuem 2 semanas, enquanto anteriormente eram apenas 2, ou seja, 5 semanas do circuito foram apropriadas para engordar tais torneios e supostamente aumentar as chances dos tenistas entre 50 e 100 do ranking (bem supostamente, visto que observamos maior esgotamento dos tenistas de elite e menos oportunidade de torneios 250 para os tenistas de baixo).

Dito isso, se não tivessem ocorrido tais alongamento e IW e Miami aceitassem começar uma semana mais cedo o Golden Swing poderia muito bem abrir a temporada de saibro antes de Monte Carlo, e definitivamente encerrar o circuito de saibro de fevereiro, bem como contemplar o 10º M1000 em fevereiro para os árabe. Poderia encerrar Miami na 12ª semana do ano; 13ª semana (250Buenos Aires e 250Houston); 14ª semana (500Rio, 250Bucareste e 250Marrakech); 15ª semana (250Santiago e 250 Estoril); 16ª semana (M1000Monte Carlo). Para compensar a “diminuída” de saibro no calendário, poderiam criar uma gira paralela, na américa do sul de 4 torneios, junto da temporada indoor do M1000 de Paris, Finals, poderiam ser torneios 250 ou vários 125 como já faz o feminino.

Outra possibilidade é no pós Wimbledon, de criar para além dos torneios europeus de saibro uma perna de saibro aqui na América do Sul, batendo 500 em hard de Washignton com 500 de saibro no Rio (antigamente essa temporada de saibro europeu era mais longa e chegava a ter torneios equivalentes a Washignton no mesmo período mas em saibro europeu), ou passar essa gira para quadras duras mesmo, mas nesse mesmo período para evitar concorrência com o M1000 Árabe.

Wanderson
Wanderson
23 dias atrás

Ou muda ou vai continuar com chaves nível challengers

Gilvan
Gilvan
23 dias atrás

Já falei aqui: o plano da ATP é a padronização máxima do circuito. O que vai levar a uma asfixia inclusive das giras de saibro e da grama.
Não fosse pela grana injetada pelos mercados emergentes (principalmente o mercado asiático e árabe), os jogadores nem se prontificariam a sair do circuito Europa-EUA.
Todos os jogos passarão a ser disputados no nível do mar, nos períodos mais agradáveis para o clima do hemisfério norte, com bolas iguais, quadras iguais (preferencialmente todas quadras rápidas), estádios climatizados, 64 cabeças de chave etc. Próximo passo é colocar os cabeças de chave jogando com 1 set de vantagem nos GS.

Mitzi
Mitzi
23 dias atrás
Responder para  Gilvan

Concordo com você. E quanto a jogadores “resignados” do título, não sei se é a palavra certa…

Gilvan
Gilvan
23 dias atrás

No mais, reforço que já passou da hora de o calendário ser revisto. Alguns M1000 deviam ser rebaixados para ATP 500 (em especial Monte Carlo, M1000 de Toronto/Montreal e Paris), mercados árabe, asiático e latino deveriam ser mais valorizados e o Australian Open deveria ser rediscutido (tanto no calendário, quanto no peso de um GS). Mas sei que sou minoria. A maior parte das pessoas quer que tudo continue como está pela simples preguiça de refletir.

Tulio
Tulio
23 dias atrás
Responder para  Gilvan

AOpen? Ai vc falou m….

Andrei
Andrei
23 dias atrás
Responder para  Gilvan

Concordo, Australian Open jamais deveria ser considerado grand slam

SANDRO
SANDRO
23 dias atrás

A data do Rio Open é realmente péssima, em Fevereiro, no auge do calor carioca!!! Já o piso não, o saibro é uma marca de brasilidade do tênis nacional, Guga ganhou seus 3 Grand Slams no saibro, Guga desenhou o coração no saibro, isso está na memória afetiva do brasileiro, no cimento frio não teríamos a afetividade do saibro… Temos que lutar por mais torneios no saibro e não menos!!!

Evandro
Evandro
23 dias atrás
Responder para  SANDRO

Concordo com tudo, menos com a questão do calor. Tudo o que os tenistas e a comunidade do tênis querem é fugir do frio do norte nesse momento. E nem é tão quente quanto no AO.

SANDRO
SANDRO
23 dias atrás

Não será a mudança de piso que vai fazer os Top trocarem a grana, o luxo e o glamour dos torneios das Arábias pelo Brasil, não vai ser mesmo!!!

Paulo Justos
Paulo Justos
23 dias atrás

Larga disso, vamos tirar Doha e Dubai e vamos trazer as meninas também. Tenho certeza que elas adorariam ver o Carnaval, já consigo ver as dancinhas da Sabalenka.
Nem tudo é dinheiro ( kkkk)

Tem que manter porque seria muito ruim para os tenista sulamericanos não terem a possibilidade de jogar perto de casa. E parece que só Cerundolo e Tabilo são os únicos defensores do torneio na atualidade. Por que o Fonseca não tem opinião. O que for conveniente então esta bom. A verdade é que podem mudar o piso e a data que continuará sem as estrelas do tênis vindo jogar aqui. O calendário já é estressante e ainda irão adicionar mais um 1000.
Depois dizem: “Estamos preocupados com os jogadores, tanto físico e mental” Piada pronta!

Evandro
Evandro
23 dias atrás
Responder para  Paulo Justos

Acho que, se pudessem (e talvez possam!), eles sumiriam com nossos 3 torneios de uma vez, para por o das Arábias. E depois ainda podem argumentar que é pelo cuidado que estão tendo com o calendário estafante dos atletas.

Paulo Justos
Paulo Justos
22 dias atrás
Responder para  Evandro

Preocupante! Porém eles estão pensando apenas em quem esta no top da pirâmide. Torneios menores deveriam ser uma vitrine e se não tem tanto impacto e visibilidade é porque a ATP esta fazendo um trabalho ruim de divulgação do seu produto.

Antonio
Antonio
23 dias atrás

Grandes nomes nao vem e continuaram a nao vir..Nada a ver com o piso ou data. Tem receio do crime q domina.

Danilo Jeolás
Danilo Jeolás
23 dias atrás

Obviamente o saibro é muito mais a cara de Brasil e América do Sul.

Mas a realidade é que o nível do torneio piora ano após ano, mesmo se considerando apenas saibristas e os que jogam normalmente chegam cansados de Buenos Aires.

Em julho e em quadra duras tende a atrair mais gente boa em se considerando temperatura mais amena e o piso.

Fabio Narreto
Fabio Narreto
23 dias atrás

Nessa hipótese terá que sair do Joquei e talvez do Rio deixando então de ser “Rio Open”. Se for pra Barra único local pnde haveria área para construir 10 quadras (no mínimo), cairá o numero de espectadores. Portanto acho que não mudarão o piso.

luislisboaimoveis@gmail.com
luislisboaimoveis@gmail.com
23 dias atrás

Eu mudaria somente a data e continuaria no saibro, entrando o Rio Open no circuito dos torneios preparatórios pra Roland Garros.

Jader
Jader
23 dias atrás

cuidado para o tiro não sair pela culatra

Mitzi
Mitzi
22 dias atrás
Responder para  Jader

É isso que estou pensando. A coisa toda pode ser um tiro no pé. Na primeira oportunidade podem rifar o nosso único torneio atp 500…

Evandro
Evandro
23 dias atrás

Gaudenzi só veio aqui para afugentar jogadores. Acho que ninguém gosta dele.

André Aguiar
André Aguiar
22 dias atrás

Pelo que o Ricardo Acioly, diretor de relações do Rio Open, deixou transparecer hoje, haverá mudanças já no ano que vem, as quais serão anunciadas em poucos dias. Creio que a montagem de um estádio maior na vasta área do hipódromo da Gávea é certa.

Renato dos santos Pachecocong
Renato dos santos Pachecocong
22 dias atrás

Não vejo muito sentido um 1000 na MSM semana de dois 500.

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