Circuito de veteranos no Brasil vive agora de torneios internacionais

João Soares (Foto: Gustavo Werneck)

José Nilton Dalcim

Foram-se os tempos em que o tênis brasileiro organizava seu circuito nacional de veteranos, agora chamados de seniores, onde um bom calendário regional e nacional, repleto de competições concorridas e bem disputadas, motivava a luta por posições no ranking das diversas categorias, dando lugar aos times que iam a alguns dos grandes torneios mundiais.

Hoje, o tênis para veteranos no Brasil praticamente se limita aos campeoantos internacionais autorizados pela Federação Internacional, com uma ou outra ação de federações regionais ou da Fenaset, uma organização paralela que tenta organizar calendários. “Há um bom tempo a Confederação Brasileira deixou de ter seu Departamento de Seniores e assim o circuito e o ranking sumiram”, conta Luiz Fernandes, uma das pessoas mais ligadas ao tênis veterano no país, que administra o site seniorsbrasil.com.br.

A alternativa para o tenista amador é se cadastrar diretamente no site da ITF, se registrar e ganhar um IPIN e, a partir daí, inscrever-se em qualquer torneio oficial da entidade, não importando currículo, experiência ou nível técnico. E aí encontrará um bom calendário no país. “O Brasil está bem servido de torneios de nível 100 e 200, que são os melhores para os seniores e portanto exigem estrutura mais simples dos organizadores”, explica Fernandes. “Existem ainda os 400, 700 e os de nível 1000, mas estes estão limitados aos Mundiais e continentais”. O Brasil tem hoje de 10 a 12 torneios e três deles são de nível 700, realizados em Brasília, São Paulo e Porto Alegre.

Tem sido com base nesses torneios ITF que a Confederação tenta manter um ranking ativo. “Estamos há alguns meses conversando com promotores e com as federações e vamos discutir esse assunto na Copa das Federações de Fortaleza”, afirma o presidente Alexandre Farias, que assumiu o cargo em março. “A ideia é retomar o ano que vem, mas precisamos que as federações abracem a ideia. De nada adianta montarmos um calendário e abrirmos inscrições se elas não estiveram juntas para colocarem os atletas para jogar. Em Santa Catarina, quando sentimos a queda de participações, criamos uma categoria única, a “50 mais”, com formato de equipes, com simples e duplas, e foi um sucesso”.

O maior problema dos seniores é o alto custo de participação. Incluem transporte, hospedagem, alimentação e inscrições, sendo 10 dólares para a ITF e também a taxa nacional, que varia conforme o tamanho do torneio. “A categoria mais jovem é a de 30 anos e daí vai subindo de cinco em cinco anos até chegar aos 90”, explica Fernandes, que calcula o universo dos jogadores “veteranos” entre 7 e 10 mil praticantes no país. “Nada desprezível”, salienta.

Porto Alegre contorna dificuldades

A semana passada assistiu a um dos mais tradicionais torneios do calendário mundial e o mais antigo do país em atividade, mesmo entre juvenis e profissionais: a Copa Yone Borba Dias, que chegou a 40 anos de realização e a sua 39ª edição, prejudicada apenas pelo período da pandemia, em 2020. “Começamos como Seniors Internacional de Porto Alegre e, a partir do falecimento da Yone, demos seu nome à competição, porque ela foi uma enorme incentivadora do tênis veterano, tanto como tenista como na ajuda na promoção de torneios”, explica Ennio Moreira, principal executivo da promotora Protênis.

“Não existe torneio no Brasil com essa longevidade”, destaca o experiente Moreira, que também foi jogador. “No ano passado, recebemos um prêmio da Federação Internacional, que homenageou todos seus eventos com mais de 25 anos. Era para ter recebido a placa em Wimbledon, mas não pude ir lá”. A Protênis também organizou por 35 anos a inesquecível Copa Gerdau juvenil.

Apesar desse tremendo histórico, Ennio teve dificuldade para conseguir patrocínio para a Copa deste ano sem contar com os benefícios da Lei de Incentivo ao Esporte. “A Estadual reduziu verba desde a catástrofe das enchentes”. Ainda assim, o torneio obteve rara verba direta de marketing da construtora Cyrella e da cooperativa gaúcha Unicred. “Temos o cuidado de dar a melhor estrutura possível, com bolas novas em todos os jogos, arbitragem de primeira linha e as quadras impecáveis da Associação Leopoldina Juvenil, além de oferecer fisioterapia em quadra e pós-jogo. Ainda indicamos como hotel oficial o Master Cosmopolitan, a cinco minutos a pé do clube”.

A Copa Yone Borba Dias sempre traz ex-profissionais de renome e o destaque desta edição foi o campineiro João Soares, que foi número 74 do mundo, com vitórias sobre gente como Mats Wilander e Stefan Edberg. Ele decidiu este ano entrar para o circuito de veteranos, conquistou os 700 pontos pelo título em Porto Alegre e com isso está mais perto da meta, que é disputar o Mundial para a faixa dos 75 anos na próxima temporada.

“Voltei a competir, a sentir o peso de jogar os games importantes, de conquistar um título”, comemorou Soares, que na campanha eliminou o top 10 da categoria, o francês Serge Gresy. “A ideia de disputar o Mundial da Grécia é o que está me puxando. Quero me preparar para competir com vontade e confiança. Sei que tem jogadores que já enfrentei no passado, bem competitivos. Ir meia-boca não vai dar, não”, brinca, sempre alegre.

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