Paris (França) – Finalista de Roland Garros, a polonesa Maja Chwalinska tem a chance de conquistar seu primeiro título de Grand Slam neste sábado, quando enfrenta a russa Mirra Andreeva, número 8 do mundo, a partir das 10h (de Brasília). Vinda do quali e atual 114ª do ranking, a polonesa de 24 anos viveu um cenário muito diferente durante boa parte da carreira, enfrentando dificuldades financeiras para se manter nos torneios menores, uma realidade que mudará radicalmente graças à campanha histórica em Paris.
Independentemente do resultado deste sábado, Roland Garros já transformou sua vida. A tenista que há poucos anos lutava contra a depressão, precisava administrar despesas básicas do circuito e ainda buscava recursos para permanecer em Paris agora se tornou uma das grandes histórias do torneio.
Além de garantir estabilidade financeira para os próximos anos, ela assegurou ao menos 1,4 milhão de euros (US$ 1,61 milhão) como vice-campeã. Caso conquiste o título, receberá 2,8 milhões de euros (US$ 3,23 milhões) e 2.000 pontos no ranking. Antes desta edição do torneio, Chwalinska havia acumulado US$ 864 mil em premiações ao longo de toda a carreira profissional, na qual conquistou três títulos de WTA 125, mas ainda não levantou troféus na elite do circuito.
+ Clique aqui e siga o Canal do TenisBrasil no WhatsApp
Questionada sobre o fato de aparecer em quadra usando roupas de diferentes marcas, ela respondeu de forma direta. “Na verdade não existe nenhuma história. Eu não tenho patrocinador. Acho que essa é a história. Visto o que eu gosto”, disse a polonesa, explicando por que veste peças variadas ao longo do torneio.
“There’s no story, I’m not sponsored” 😅
Maja Chwalińska on her outfits during her run to the Roland-Garros final 👕 pic.twitter.com/p90UIPAI8O
— TNT Sports (@tntsports) June 4, 2026
A falta de recursos também trouxe dificuldades fora das quadras. Após a vitória sobre Maria Sakkari na terceira rodada, a polonesa revelou que chegou a enfrentar problemas para garantir sua hospedagem em Paris. “Eu tive dificuldades para pagar o hotel, porque recebemos o cheque da premiação apenas depois do torneio”, contou. A situação acabou sendo resolvida graças ao apoio da empresa polonesa de bebidas esportivas Oshee, uma das patrocinadoras de longa data de Iga Swiatek. “Foi uma situação engraçada. A Oshee decidiu me ajudar com isso, o que foi ótimo. Sou muito grata”, afirmou.
O caminho até a final, porém, esteve longe de ser simples. Em diversas entrevistas, a polonesa falou abertamente sobre os problemas emocionais que enfrentou nos últimos anos. Ela chegou a dizer que associava o tênis a “pressão, estresse e lágrimas”. Em 2021, ela anunciou uma pausa por tempo indeterminado na carreira, após conviver por cerca de dois anos com a depressão. “Eu simplesmente não conseguia mais sair da cama. Para ser sincera, estava sem vida”, revelou.
‘Maja Mania’ na Polônia rende maior interesse
O sucesso repentino em Paris também despertou o interesse do mercado. Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, seu agente Stéphane Gurov explicou que a situação mudou completamente nas últimas semanas. Segundo ele, Chwalinska tinha apenas pequenos patrocinadores locais porque a atenção do tênis polonês estava concentrada em Swiatek.
“O cenário mudou completamente com essa ‘Maja Mania’. Depois da vitória contra Diane Parry, nas oitavas, recebemos pelo menos vinte contatos. Mas é importante protegê-la neste momento. Com tantas propostas chegando, não podemos fazer qualquer coisa. Posso confirmar que ela não vai mais precisar pagar pelas próprias roupas”, disse Gurov.
O empresário revelou ainda que algumas marcas tentaram fechar acordo imediatamente antes da final, mas a equipe preferiu não alterar a rotina da jogadora em meio ao maior torneio de sua vida. “Houve patrocinadores que quiseram vê-la já na final usando seus produtos, mas nós dissemos que não. Este não é o momento para mudar hábitos. Ela sabe se desligar de tudo. É completamente impermeável à pressão, ao barulho e aos rumores externos”, afirmou.












Assim como Emma e Leylah ela tem tudo para garantir financeiramente o futuro, apenas jogando razoavelmente. Caso se destaque ainda mais com resultados expressivos na WTA aí irá garantir o futuro das próximas gerações. A combinação de bons resultados em quadra com a beleza física garante bons patrocínios deixando para trás momentos de dificuldades financeiras
Ai ven a pegunta: como que jogadores que vivem jogando ITF conseguem, se é que conseguem viver.
Pq a Maja, só este ano ja ganhou 110 mil dólares de prize money e está com essa dificuldade.
A Gabriela Cé e um expelo que praticamente só joga ITF.
Jogadores de nível Itf praticamente pagam pra jogar, ficam no máximo 0/0 e contam com apoiadores para continuarem jogando .
Os Grand Slams não pagam hospedagem?
Não
Obrigado!
Além da grande inesperada campanha, ainda tem um ótimo senso de humor. Tomara que continue nessa trajetória ascendente.
Eu a acho um tanto marrenta. Mas talvez seja timidez. Os poloneses são gelados em geral.
Sei o que é uma depressão assim. Mas, o bom de tudo que superou! Mostra que msm com tantos obstáculos é uma jogadora muito boa. Espero que ela continue se destacando no circuito.
Que situação, boa parte das atletas do circuito vivendo em situação de penúria. Deveria pelo menos existir um suporte da ATP e WTA com hospedagem para pelo menos que estiver disputando as qualificatorias. A elite ameaçou boicotar por achar os prêmios baixos, mas muitos atletas não tem grana para o básico.
Difícil de entender hein?
Ninguém ia boicotar por achar prêmios baixos e sim, o repasse aos jogadores (todos) bem menor que o aumento no percentual de arrecadação. O que é completamente diferente.
E todos, inclusive a Maja Chwalinska, iam ser beneficiados.
Noooosssa, que estória de dificuldades! Infelizmente, não é nada incomum, assim, no Tennis. Incomum, creio, foi essa bela campanha em RG 2026. Sucesso na final, amanhã. Maja X Mirra. Espero que seja um jogaço!