Candiotto: “Parte financeira foi a maior dificuldade na transição”

Ana Candiotto (Foto: João Pires)

Tornar a carreira de tenista viável financeiramente é um desafio para muitos jogadores em todo mundo, especialmente para aqueles em fase de transição para o circuito profissional e que disputam os torneios menores. Não foi diferente para Ana Candiotto, sexta melhor do Brasil e 483ª do mundo.

A jovem paulista de 22 anos conta que precisou enfrentar esse cenário logo no início da carreira. Em sua primeira temporada completa como profissional, viajou sozinha durante 34 das 36 semanas de competição, sem treinador, e ainda conciliava a rotina de treinos em São Paulo com os deslocamentos diários saindo de Jundiaí. Segundo ela, a questão financeira foi o principal obstáculo para conseguir evoluir no circuito.

“Era difícil melhorar tenisticamente. E também era mentalmente muito pesado. E aos poucos fui achando patrocinadores sensacionais que me ajudaram muito. E antes eu saía de Jundiaí, pegava ônibus e metrô, demorava cerca de duas horas no trajeto. Agora moro a 15 minutos do clube. As coisas foram se ajeitando. Ao mesmo tempo isso me trouxe muita bagagem e fiquei muito mais madura”, disse Candiotto a TenisBrasil durante o W35 de São Paulo, na última semana.

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A situação mudou gradualmente nos últimos anos. Com novos patrocinadores, Candiotto passou a viajar acompanhada do técnico Kim Wasem, com quem trabalha desde o início da temporada, e também conseguiu se mudar para São Paulo, reduzindo o tempo de deslocamento até os treinos. Recentemente, ela conquistou seu segundo título profissional de simples, em Assunção, além de dois troféus de duplas, em Rio Claro e Luque.

Os resultados vieram após um período complicado, em que precisou interromper a temporada por conta de uma lesão muscular na região abdominal. A tenista admite que nunca havia enfrentado um problema físico tão sério, mas destaca que a recuperação foi mais rápida do que imaginava e permitiu uma volta consistente ao circuito, aproveitando a sequência de torneios disputados no Brasil.

No ano passado, Candiotto também viveu um momento marcante ao conquistar sua primeira vitória em uma chave principal de WTA, diante da ucraniana Valeriya Strakhova, no SP Open. Ela acredita que a experiência de dividir a quadra com Beatriz Haddad Maia nas duplas ajudou a aumentar sua confiança: “Estar na quadra com ela me ajudou a acreditar mais em mim. Feliz de ter jogado a dupla antes e aí comecei a pensar um pouco fora da caixinha e acreditar que eu poderia vencer na WTA”.

Confira a entrevista com Ana Candiotto

Você conquistou três títulos nas últimas semanas, dois nas duplas e um em simples. O que pode falar desse momento?
Venho trabalhando bem desde o começo do ano, mas os resultados não estavam vindo. Nessas últimas semanas consegui aproveitar muito bem o meu tempo em quadra, inclusive nas duplas, e melhorar muitas coisas do meu jogo que eu queria evoluir.

Esse foi um ano que você teve uma lesão no abdome. Como foi ficar esse tempo afastada e passar pela recuperação, hoje você já está sem dor e ter uma rotina normal? Como foi lidar com esse afastamento?
Nunca tinha tido uma lesão mais grave, fiquei jogando com dor por um tempo e foi bem difícil. Queria estar jogando, mas ao mesmo tempo era uma coisa que não estava tanto no meu controle. Estava viajando e tive que voltar antes, mas consegui tratar super bem e foi até melhor do que eu esperava. Tratei lá na Care Club e muita gente fez parte da minha recuperação e realmente deu saudade. Foram semanas ali chatinhas, mas até me fez valorizar mais o tempo em quadra.

E nas primeiras semanas, você demora um pouquinho para pegar o ritmo antes de embalar uma sequência de resultados.
Pois é, até comentei com o meu médico que não esperava voltar a jogar bem tão rápido. No começo do semestre eu fiquei muito tempo fora, porque não teve muito torneio, mas consegui fazer a recuperação e voltar para os torneios no Brasil, o que me facilitou estar com meus treinadores e ter esse suporte. E aos poucos eu consegui ir evoluindo e a lesão zerou.

Você passou recentemente por uma troca na equipe. Consegue hoje viajar com o treinador?
Fiquei dez anos na Rede Tênis, é um lugar que eu tenho muito carinho. Cheguei lá com 12 anos e me moldaram muito. Só tenho a agradecer para eles. E desde o começo do ano estou com o Kim Wasem de treinador, a gente está viajando junto no circuito. Em um torneio ou outro, a gente acaba tendo que dar uma adaptada, mas só tenho a agradecer todo mundo da minha equipe que tem me dado força para a gente estar junto nos torneios.

Uma coisa que sempre me dificultava na transição para o profissional era a questão financeira, porque precisava viajar sozinha durante muitas semanas. Era difícil melhorar tenisticamente. E também era mentalmente muito pesado. E aos poucos fui achando patrocinadores sensacionais que me ajudaram muito. No meu primeiro ano profissional, viajei 36 semanas, mas apenas duas com treinador. E antes eu saía de Jundiaí, pegava ônibus e metrô, demorava cerca de duas horas no trajeto. Agora moro a 15 minutos do clube. As coisas foram se ajeitando. Ao mesmo tempo isso me trouxe muita bagagem e fiquei muito mais madura.

Ano passado você teve a oportunidade de ganhar um jogo na WTA e a gente viu o quanto você se emocionou, junto com todo mundo que estava lá com você. O quanto aquele ambiente e a vitória te dão confiança para buscar objetivos maiores?
O SP Open foi uma experiência incrível para mim. E ao longo da semana, fui ganhando confiança. Primeiro por jogar duplas com a Bia, que era um sonho. Estar na quadra com ela me ajudou a acreditar mais em mim. Feliz de ter jogado a dupla antes e aí comecei a pensar um pouco fora da caixinha e acreditar que eu poderia vencer na WTA.

No momento estou pensando muito em melhorar o meu tênis, porque a gente sabe que desse ranking é complicadinho de sair. O principal é pensar no meu nível. Mais do que ponto, vai ser uma consequência para sair dessa fase de torneios menores.

E até o ano passado ainda você precisava equilibrar um pouco o seu calendário com interclubes, aqui e na Itália. Agora que subiu um pouco no ranking, ainda segue jogando ou pode manter um calendário mais focado no circuito profissional mesmo?
Acho que eu joguei três anos seguidos na Itália, que tenho cidadania. E financeiramente me ajudou muito. E também no nível. Quando estou jogando na Europa, sinto que o meu nível melhora, mesmo sem tantos resultados. Nesse ano, as datas não bateram por causa dos torneios no Brasil, mas ainda vou jogar um interclubes da Federação Paranaense, em Maringá.

E o quanto vocês nos torneios menores conseguem acompanhar da primeira prateleira, de nuances do jogo, de estilos…. De ver que o circuito está mudando. Vocês conseguem ver ou se fecham mais nos torneios de vocês?
Acho que nos torneios menores é muito mais focar na gente, em jogar no nosso melhor nível. É realmente gastar mais tempo pensando em melhorar o nosso nível e não tanto para outro lado, mas acredito que nos torneios maiores já tenha um pouco desse lado também.

Como você acompanha esse momento do tênis feminino brasileiro, ainda mais com as jovens jogadoras surgindo?
É muito bom ter essas meninas mais experientes como a Bia, a Luísa que jogou a final de Wimbledon ou a Gabizinha. Ela estão sempre muito disponíveis e me ensinam muito. Querem que o tênis feminino evolua. Ainda mais com essas meninas chegando. Com a Naná eu tive um pouco mais de contato na Rede Tenis e também com a Victorinha, que a gente também conhece desde pequena. São meninas super trabalhadoras, que gostam muito de jogar. E fico muito feliz de ver todo mundo jogando bem.

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Marcelo
Marcelo
28 dias atrás

Parabéns—- Boa Sorte na Carreira
Muita Raça

Carlos Alberto Ribeiro da Silv
Carlos Alberto Ribeiro da Silv
29 dias atrás

Parabéns para a Ana Candiotto pela persistência e muita força para a sequência da carreira. E a Candiotto mostrando um lado que o pessoal da crítica fácil não consegue perceber que é o quanto a Beatriz Haddad Maia, mesmo não estando em boa fase, traz de inspiração para as gerações mais novas que ela. Só o fato de jogar duplas ao lado da Bia trouxe confiança para a Ana Candiotto acreditar mais no jogo dela. O grande multicampeão Rafael Nadal uma vez falou que o tênis é um esporte de perdedor. Todas as semanas, nos torneios, apenas um jogador ou jogadora consegue ganhar todos os jogos, os outros perdem. E tem muita gente que já tem o discurso pronto esperando as derrotas acontecerem pra publicarem as suas críticas.

Ronildo
Ronildo
29 dias atrás

Parabéns para a Ana Candiotto!

Renato dos santos Pachecocong
Renato dos santos Pachecocong
29 dias atrás

Poxa, tomara que deslanche na carreira!

Lucas Miranda Faria
Lucas Miranda Faria
29 dias atrás

Legal, Aninha C. : muito bem!!!!!

Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.
Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.

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