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Nem só o glamou conta a história de Maria
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 26, 2020 às 8:10 pm

Por trás do glamour das vitórias, do  sucesso, da fama e fortuna, a vida de Maria Sharapova conta uma história de superação, sacrifícios e muita luta. Aos 32 anos, com 28 dedicados ao tênis, ela deixa as quadras, mas jamais deixará de existir como uma grande campeã, uma vencedora em todos os aspectos.

Tive a sorte e o privilégio de acompanhar por alguns bons anos a carreira de Maria. E um dos momentos mais marcantes aconteceu já há muito tempo no torneio de Miami. Ela surpreendeu a todos ao abrir seu coração e  contar fatos de sua luta solitária para vencer no esporte e os episódios quase que diários de perseguição e discriminação.

Tudo começou muito cedo. E a cena é daquelas de filmes em que uma criança é deixada numa cesta à porta de uma família para ser criada. Com seis para sete anos, Maria embarcou com seu pai, Yuri, para a América. Ambos chegaram a Flórida em um ônibus da famosa companhia de transportes rodoviários Greyhound e foram a uma das mais conceituadas academias de tênis dos Estados Unidos. Sem falarem inglês e com apenas 700 dólares no bolso, pai e filha convenceram Nick Bolletieri e treinar a garota magrela, desengonçada, mas com apelos talentosos. Em outros tempos, a menina russa não foi bem recebida e iniciou um longo período longe da família.

Para quem começou a jogar com apenas 4 anos, com uma raquete quase do tamanho da garota, o sucesso de Maria veio precoce. Aos 17 anos, ela celebrou o primeiro dos 5 títulos de Grand Slam, em Wimbledon 2004. Sem entender muito bem a magnitude do que havia conquistado, a jovem campeã quebrou o protocolo do conservador All England Club, pegou um celular e ligou para sua mãe Yelena, a quem há muito nem sequer via. Já na época, a cena foi interpretada como uma jogada de marketing. Verdade ou não, meses depois a tenista russa assinou contrato de patrocínio com uma marca de celulares, que inclusive disponibilizou aparelho com toques de chamadas com os gritinhos típicos de Sharapova nas quadras.

Enfim, para uma garota que ainda tinha como uma de suas maiores preferências a coleção de selos, o sucesso estava garantido com o troféu de Wimbledon. Mas não parou por aí. Seguiu ganhando títulos e inclusive completou o Slam de carreira, com conquistas nos quatro maiores torneios do planeta.

Seu sucesso incomodou. Por muitos anos faturou muito mais fora das quadras, em publicidade e licenciamentos, do que com a  premiação dos vários torneios. As vitórias seguiam até surgir o primeiro grande impacto: a punição por doping. Aliado a isso, uma série de lesões. A primeira cirurgia foi ainda em 2008 e último no ano passado. Foram incontáveis os meses que passou em sessões de fisioterapia.

A consequência chegou agora aos 32 anos de idade. Maria Sharapova pede perdão ao tênis, mas anunciou o fim de sua carreira. Garante que tem outras montanhas íngremes a escalar, mas sem mais uma raquete na mão.

 

Emoções da temporada 2020 chegam ao Brasil com Rio Open
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 16, 2020 às 10:24 pm

O ano de 2020 começou como uma das mais vibrantes temporadas do tênis. O ATP Cup deu novas cores e, sem dúvida, é um evento que veio para ficar. Novak Djokovic aumentou seu domínio e com o 17. troféu de Grand Slam deixa ainda mais impressionante a lista dos maiores campeões, em que Rafael Nadal aproximou-se de Roger Federer, com o título do US Open. O Big 3 continua big.

Em praticamente todos os torneios até agora sobraram emoções. A nova geração ainda não conquistou nenhum Grand Slam, mas não se pode negar que são tenistas talentosos e carismáticos. E um dos principais representantes do chamado Next Gen, Dominic Thiem, está no Rio em busca do segundo título deste torneio.

Porém, o sorteio da chave do Rio Open pode não ter sido muito generoso aos organizadores, pelo menos ao meu ver. Ter o Thiem na primeira rodada com Felipe Meligeni pode, por um lado, ser uma boa experiência para o nosso ex-juvenil, mas, por outro, não lhe dá muitas esperanças de seguir na competição.

Os outros brasileiros na competição também irão encarar grandes desafios, aliás o que é comum em torneios da série ATP 500. Thiago Monteiro enfrenta o argentino Guido Pella, em duelo de canhotos. O convidado Thiago Wild vai ter pela frente um revelação da Espanha Alejandro Fokina. Mas se o brasileiro jogar tudo que sabe tem boas chances de avançar no torneio.

Vejo que o sorteio também não coloca outro wild card com muitas chances. É o caso Carlos Alcaraz, considerado um futuro grande campeão. Só que terá pela frente um jogador experiente e perigoso como Albert Ramos Vinolas.

Outro duelo que vai tirar um grande nome logo na primeira rodada reúne o cabeça de chave número 2 Dusan Lajovic e Marco Cecchinato. O também italiano Lorenzo Sonego fará um encontro difícil contra Leonardo Mayer.

A emoção da atual temporada também tomou conta do feminino. Sofia Kenin foi mais uma inédita campeã de Grand Slam, na Austrália, vinda depois de Bianca Andrescu, Ashleigh Barty e Naomi Osaka. A modalidade também verá nesta semana a volta de uma grande campeã, a belga Kim Clijsters. Sem jogar desde 2012, ela estreou no WTA de Dubai diante de Garbiñe Muguruza e perdeu em dois sets, mas levando o segundo para o tie break. O ano promete.

Next Gen dá as caras, mas falta um Grand Slam
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 19, 2019 às 1:31 pm

É claro que esta nova geração é bem vinda. Ainda mais com tenistas de grande talento e de um tênis bonito, como apresentaram Stefano Tsitsipas e Dominic Thiem, nesta decisão do ATP Finals de Londres. Mas em uma recente análise às repercussões da mídia internacional, ainda é forte a cobrança por um título de Grand Slam da chamada Next Gen.

Roger Federer, o recordista de títulos de Grand Slam, confessou em recente entrevista, em Buenos Aires, que prevê uma próxima temporada bastante exigente. É claro que confia em mais um troféu. Esteve muito perto disso, em Wimbledon. Mas vê o amadurecimento da nova geração, como ficou evidente no Finals de Londres. Aos 38 anos e três meses, o suíço foi o representante do “Big 3″ nas semifinais.

Campeão do Finals, Tsitsipas tem opinião diferente dá de Federer. O jovem tenista grego diz que que o formato dos Slams, com jogos em melhor de cinco sets, favorece aos jogadores do Big 3. E neste aspecto ele tem razão. Afinal, são poucas as oportunidades atualmente de se disputar partidas nesta condição. Até mesmo a Copa Davis agora está em melhor de três.

Ainda assim, sou de opinião que um título de Slam para o Next Gen está muito próximo e pode acontecer em 2020. Recentemente, no US Open vi de perto Daniil Medvedev reagir a dois sets abaixo para sonhar com a vitória em Nova York. Rafael Nadal, como sempre, renasceu das cinzas e levantou mais um troféu, em emocionante decisão.

Não se pode esquecer também que Thiem esteve por duas vezes na decisão de Roland Garros. E jogadores da nova geração conseguiram em Londres resultados brilhantes, como, por exemplo, Alexander Zverev que marcou sua primeira vitória sobre Nadal. Tudo isso prova que este grupo de tenistas realiza uma transição de sucesso para o mais alto patamar do circuito profissional.

O ranking ainda reflete o domínio dos trintões. A lista dos top ten tem Nadal, Djokovic e Federer. A seguir aparecem Thiem, Medevev, Tsitsipas, Zverev, Matteo Berretini e o sempre bem vindo intruso Gael Monfils.

Não há dúvidas de 2020 promete ser um ano repleto de emoções. E talvez com boas novidades também nos torneios do Grand Slam. Por sorte temos o privilégio de sermos contemporâneo de Nadal, Djokovic e Federer e ainda ter a oportunidade de ver o aparecimento de uma nova geração de talento e carisma.

 

 

Nova façanha de Federer, outra virada de Nadal e Zverev joga de vilão
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 15, 2019 às 10:17 pm

Aos 38 anos, Roger Federer coloca-se como único representante do ‘Big 3′ nas semifinais do ATP Finals de Londres. Resultado de mais uma façanha do incrível tenista suíço. Derrotou o favorito Novak Djokovic colocando fim a uma duradoura série de insucessos diante do sérvio. E agora, o que para muitos é o GOAT, ou seja, o melhor de todos os tempos, irá desafiar um dos mais jovens promissores do tênis mundial, o grego Stefano Tsitsipas.

A classificação de Federer no Finals, depois de estrear com derrota diante de Dominic Thiem, responde a uma frequente questão dos atuais tempos: a aposentadoria. Tenho em mente que o pendurar das raquetes irá caminhar de acordo com os resultados. Enquanto ele conseguir vitórias brilhantes como esta sobre Djokovic, indo as semifinais de uma competição acirrada como esta de Londres, não faltará motivação, nem mesmo razões para deixar as quadras. Acredito sim, se, por acaso, Federer começar a parar em primeiras rodadas, não conseguir viver os grandes momentos, seria então a hora de pensar em deixar o tour profissional. Embora, o também genial Pete Sampras tenha mostrado o contrário. O norte americano passou praticamente dois anos sem resultados expressivos e então ao conquistar mais um título do US Open viu que era o momento de se despedir no auge.

Por isso, não sei se Federer vai dizer adeus na Olimpíada, se irá despedir-se com mais um título de Slam. Acho, sinceramente, que também ele pensa em deixar o tempo correr e os resultados irão determinar seu destino.

Café da manhã – Em um passeio pelo rio Tâmisa, a BBC de Londres reuniu o “Big 3″ para um breakfast. Um dos assuntos foi aposentadoria, com a reporter inglesa diante de três jogadores com mais de 30 anos. E a pergunta de quanto pendurar a raquete surgiu de primeira, com a apresentadora olhando direto para Novak Djokovic, o que surpreendeu. O sérvio saiu-se pela ala diplomática, correspondendo a uma hipótese que invadiu os corredores do tênis, em que ele teria ironizado ao falar que só deixaria as quadras depois de Federer e Nadal. Elegante, como sempre, o tenista suíço assumiu a postura de principal alvo da pergunta e tomou conta do assunto. Legal a forma como argumentou. Disse estar em novo momento. Viajar em família, viver grandes emoções no tênis são ingredientes que alimentam sua alma e o fazem estar motivado para seguir em frente.

De repente, já que Federer falou em família, a reporter virou o assunto para Nadal, recém casado, e sobre a possibilidade de ser pai. Meio surpreso, o espanhol concordou que talvez agora seja um bom momento. Quem sabe um novo Nadalzinho ou Nadalzinha deva chegar em breve.

Em quadra “Daddy Rafa” certamente deixaria seus pimpolhos orgulhosos. Em mais uma virada sensacional no Finals de Londres, derrotou o grego Stefano Tsitsipas. Em clima de glória recebeu o troféu comemorativo por terminar o ano na liderança do ranking. Sentiu o peso desta façanha, ao recolocar o troféu no pedestal – é um pouco pesado demais, disse – e revelou o segredo de seu sucesso: muito trabalho.

Apesar dessa vitória, Nadal não ganhou vaga nas semifinais. E como deve ter sido duro para Alexander Zverev jogar de vilão. Seu adversário Daniil Medvedev até tentou tirar proveito desta situação, ao chamar a torcida para seu lado, em momentos vibrantes do jogo. Mas, ao final, prevaleceu o bom momento do alemão. E vamos combinar, Zverev mereceu este status. Em confronto direto com Nadal, ele venceu com categoria.

 

 

Outra vitória mágica de Nadal; e Tsitsipas brilha
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 13, 2019 às 9:57 pm

Certa vez o genial tenista, e hoje comentarista, John McEnroe viveu um momento de como queimar a língua. O sempre enfático norte-americano, conhecido falastrão, via da cabine do então estádio central do US Open, a quadra Louis Amstrong, o holandês Richard Krakicek sacando um tie break com vantagem de 5 a 0. Como se tratava de um dos maiores serviços da época, Big Mac não hesitou: “Se ele perder este tie break vou comentar o próximo jogo de cabeça para baixo”.

Antes da construção do estádio Arthur Ashe, a Amstrong era também um gigante. Mais de 20 mil lugares. Só que tudo cresceu ao gosto da necessidade e improviso. A media impressa – da qual fazia parte – sentava em banquinhos redondos e altos, destes de bar, com uma longa barra de madeira à frente. Eram apenas três fileiras com uma vista lá de cima, através de vidro, da quadra. Na mesma altura, sem barreiras ou portas, ficavam as cabines de TV. E não é que fomos ver McEnroe usando uma almofada para comentar alguns momentos de um jogo da rodada seginte de cabeça para baixo! Sem ironias, mas certamente, depois do que se viu nesta quarta feira, muitos teriam de ‘plantar bananeira’ depois do que fez Rafael Nadal diante de Daniil Medvedev.

Curioso, já não é a primeira vez que o russo sente o gostinho de uma vitória importante em cima de Nadal. A final deste ano do US Open caminhava sem muitas emoções, com os 2 sets a 0 a favor do espanhol. De repente, a atmosfera na Arthur Ashe ganhou cores emocionantes e de muita vibração. Em muitas trocas de bolas no quinto set vi Nadal nas cordas, a beira do nocaute. Só que como Fênix renasceu das cinzas e celebrou o título.

Incrível, mas pouco tempo depois repetiu a cena, agora de maneira ainda mais enfática. E vindo de derrota poderia imaginar-se que Nadal não teria condições de reagir. Chegou ao Finals como dúvida, em razão de uma lesão no abdômen. A ponto de viajar para Londres com o seu médico e da Real Federação Espanhola de Tênis, Angel Gottorro. Mas como sempre a gente gosta de lembrar no Ace BandSports, o espanhol certa vez desistiu da disputa de Roland Garros, na segunda rodada, quando ainda poderia jogar mais um pouco. Só que na entrevista coletiva ele afirmou que o este mesmo médico havia advertido que não suportaria mais cinco jogos – numero que faltava para ser campeão-. Por isso, desistiu. Então, se agora está em Londres é por acreditar que pode levantar o primeiro troféu do Masters de sua já tão brilhante carreira.

Por falar em brilhantismo, Stefano Tsitsipas também tem duas vitórias no round robin, assim como Dominic Thiem. E os mais de 30, Novak Djokovic e Roger Federer jogam agora por uma vaga nas semifinais…

 

 

 

Next Gen brilha e 2 do big 3 tropeçam em Londres
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 11, 2019 às 10:59 pm

Nasceu uma nova estrela no Next Gen de Milão, o italiano Jannik Sinner. Com apenas 18 anos, recém completados, brilhou em quadra, mas ainda sem a mesma intensidade de outros jovens tenistas dos tempos de Boris Becker, Mats Wilander ou Maria Sharapova, que levaram troféus de Grand Slam na adolescência. Mas também não dá para menosprezar o enorme talento deste tenista italiano, dono de uma frieza e personalidade admiráveis.

Apesar do bem vindo aparecimento de Sinner, a pergunta que sempre se coloca é quem vai ser o primeiro a conquistar um Grand Slam, enquanto o ‘Big 3″ estiver em ação. Londres nestes primeiros dias apresentou dois resultados que frustram a maioria dos torcedores. Mas criam novas perspectivas para a modalidade. Dominic Thiem derrotou Roger Federer e Alexander Zverev bateu, com categoria, Rafael Nadal.

Mais uma vez sem menosprezar o novo, confesso que não lembro de ver Federer tão irregular e também Nadal com tantos erros. É claro que ambos podem se recuperar na competição, mas terão de reencontrar-se com o melhor nível técnico.

Apesar da derrota destes dois ídolos, este Finals está repleto de atrações. Novak Djokovic precisa chegar a decisão do título para ter chance de terminar o ano na liderança do ranking mundial. Esta 50a. edição conta pela primeira vez com oito tenistas europeus de diferentes países. Quatro jogadores têm menos de 23 anos: Stefano Tsitsipas, com 21, Alexander Zverev, 22, e Matteo Berrettini e Daniel Medvedev estão com com 23.

E o inusitado este ano não só pegou Federer e Nadal. Também Tsitsipas comemorou a primeira vitória sobre Medvedev tirando um retrospecto que estava engasgado na garganta do grego. Afinal, não é segredo para ninguém que estes dois tenistas quase saíram no braço no torneio de Miami.

Vale lembrar – Séries de derrotas para um mesmo adversário, como esta de Tsitsipas para Medvedev sempre nos leva a recordar um dos fatos mais hilariantes da história do tênis. Aconteceu no Masters de Nova York de 1979, que foi jogado em janeiro de 80. O boa praça e talentoso Vitas Gerulaitis estava entre os 8 melhores da temporada. Fez uma campanha incrível, inclusive com vitória sobre John McEnroe no round robin. Classificou-se como primeiro do seu grupo e na semifinal cruzaria com o segundo colocado do grupo liderado por Bjorn Borg, o norte-americano Jimmy Connors. Um detalhe marcava este encontro. Gerulaitis vinha de 16 derrotas seguidas para “Jimbo” apelido de Connors. Mas o norte-americano de origem lituana vivia numa semana mágica e, finalmente, venceu. Enfático entrou para a conferência de imprensa após o jogo e disparou uma das mais criativas frases já ouvidas no tênis.

“Let that be a lesson to you all”, disse Gerulaitis com uma garrafa de champanhe em uma das mãos. “Nobody beats Vitas Gerulaitis 17 times in a row”.

Talvez vitimado pelo campanhe e comemoração, Gerulaitis perdeu o título do Masters para Borg por duplo 6/2. Mas jamais deixou a fama de playboy do tênis. Desfilava nos torneios com um Rolls-Royce amarelo e lutou contra as drogas, até ter um final trágico. A história conta que morreu por causa de um vazamento de gás no apartamento.

 

Drama e emoçāo marcam o 19. Grand Slam de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 9, 2019 às 4:01 am

O choro emocionado de Rafael Nadal ao final do jogo revelou que se trata de um ser humano. Afinal, o que ele fez em quadra nesta decisāo do US Open mostra que este tenista tem poderes de um super homem em quadra. O 19, troféu de Grand Slam conquistado na mais energética atmosfera do tênis mundial pode ser considerado como o mais dramático de toda sua brilhante carreira.

Nāo é novidade para ninguém que a torcida em Nova York é uma das mais participativas. E, mais uma vez, teve influência neste duelo entre Nadal e Daniil Medvedev. Depois de um inicio de jogo bem estudado, com quebras e cuidadosas trocas de bolas, o tenista espanhol se impôs e abriu a cômoda vantagem de 2 sets a 0. Tudo parecia caminhar para um jogo sem grandes emoções e vitória das mais tranquilas para o espanhol.

Só que Medvedev pode ser definido como o mais rápido dos que parecem lento. Dá para entender? Ele deixa a impressão de que não vai chegar na bola, aparenta que não esta nem ai e, de repente, começa uma sequência matadora de bolas, capaz de superar qualquer adversário. Nadal, com toda sua forca, viu sim o perigo bem de perto.

Para incrementar ainda mais esta dramaticidade, a torcida queria jogo. Os americanos comecaram a gritar pelo nome do russo. Mas o espanhol não se deixou abater. Soube reconquistar a sua plateia. Em certo momento dirigiu-se diretamente ao público, chamando a todos para incentivá-lo em quadra.

O resultado foi um jogo memorável, com quase cinco horas de duraçāo em que não dava para tirar o olho de uma só jogada sequer. E quem lamentou as precoces eliminações de Roger Federer ou Novak Djokovic, entre outros, deve ter se sentido recompensado pelo valor de cada ponto disputado por Medvedev. Um jogo digno do termo espetacular.

 

Nadal e Medvedev fazem a final de dois melhores do ano
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2019 às 3:10 am

Se Rafael Nadal é o jogador que mais pontos acumulou no ano, Daniil Medvedev é o tenista que mais vitórias alcançou na temporada: 50, sendo 37 nas quadras duras. Isso acaba dando um tom de decisão entre favoritos, especialmente depois das eliminações de Novak Djokovic e Roger Federer. O espanhol luta pelo 19. Grand Slam, chegaria próximo dos 20 do suíço, e afastaria-se dos 16 do sérvio. O russo nunca havia passado de umas oitavas de final de um evento desta categoria e agora pode levantar o troféu mais pesado de sua vida.

Medvedev é a atual sensação do tênis, apesar de boa parte da torcida, especialmente a novaiorquina não curtir muito isso. Neste verão do hemisfério norte, ele é o jogador de maior sucesso. Chegou as finais de Washington e Montreal e ganhou o primeiro ATP 1000 em território americano, nas quadras de Cincinnati.

O incrível sucesso de Medvedev não está apenas ligado aos seus resultados. Mas também ao seu comportamento. Nestes dias em Nova York não soube lidar com o público e por pouco não se transforma em vilão do Grand Slam americano. Recebeu até o conselho de um colega, que disse: seria melhor Medvedev falar com a raquete, como fazem Federer e Nadal.

O russo, porém, redimiu-se numa bem articulada entrevista coletiva. Revelou que estes envolvimentos em polêmicas fazem parte de um aprendizado. E contou uma experiência importante para todos os tenistas, em especial aos mais jovens como ele. Falou que nos dias de hoje admite ser derrotado por ter jogado pior, mas jamais por ter perdido a cabeça, ou o foco na partida. Sem dúvida este ingrediente será dos mais necessários para quem terá pela frente o mais forte mentalmente jogador do circuito.

Esta característica de Nadal comprovou-se na semifinal diante de Matteo Berrettini. O italiano teve muitas e boas chances de ganhar o primeiro set. Se tivesse conseguido, o jogo muito provavelmente seria equilibrado e fatalmente longo. Mas em busca de seu quarto troféu do US Open, Nadal fez o jogo parecer fácil e em três sets garantiu presenca na 27a final de Grand Slam de sua carreira.

Mais uma vez Nadal segue como favorito. Mas como disse o ex-campeão americano John McEnroe, se existe alguém na atualidade a ameaçar o big 3, este é Daniil Medvedev.

O que esperar dessas semifinais masculinas do US Open
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 5, 2019 às 10:47 am

O US Open de 2019 apresenta uma das semifinais mais inesperadas dos últimos tempos. Dos quatro jogadores que ainda sonham com o título, apenas Rafael Nadal tem troféus de Grand Slam. Mas será que dá para contar com novas surpresas? Pelo que o espanhol vem jogando até agora vai ser difícil. Com uma campanha sem sets perdidos (com exceção para Cilic, estava em quadra nesse jogo, mas peço desculpas por deixar escapar, escrevi já na madrugada, depois de uma longa jornada, depois da partida contra Diego Schawtzman)… errata.

Dos quatro semifinalistas – Nadal vs Matteo Berretini e Daniil Medvedev vs Grigor Dimitrov – não dá para negar que, em teoria, o espanhol teve um caminho mais fácil. Ou, pelo menos, fez parecer tranquilo, dado a sua capacidade técnica  e experiência. Apesar de todo esforço de Diego Schawtzman, o obstáculo  mais difícil para o espanhol teria sido Marin Cilic. Mas ele passou com tranquilidade, apesar de ter perdido um set.

Matteo Berrettini vive um sonho. O tenista italiano tem talento. Nas transmissões do BandSport tive a oportunidade de conhecer seu jogo. Bate pesado e tem um saque dos mais poderosos. Comprovou toda sua força  nas quadras de Flushing Meadows. Passou por adversários difíceis como Richard Gasquet, Andrey Rublev e, em especial, Gael Monfils.

A outra semifinal coloca frente à frente dois vilões, pode-se dizer assim. Grigor Dimitrov por ter eliminado o preferido da torcida, Roger Federer, e Daniil Medvedev por sua polêmica  história  com os novaiorquinos,

O caso de Dimitrov é bem curioso. Quando ele se colocou a frente e deixou claro que poderia vencer o jogo diante de Federer, boa parte do público abandonou as arquibancadas. Afinal, queriam ver a permanência do suíço na competição. Mas quem seguiu foi o búlgaro, que vem passando por uma bela transformação. Desde que trocou de treinador e começou  a trabalhar com Radek Stepanek deu um outro rumo a sua carreira. O resultado disso veio numa campanha incrível em Nova York. Em seu caminho até a semifinal superou Alex de Minaur e, é claro, Roger Federer num jogo em que esteve impecável.

Medvedev, nos corredores do US Open, é apontado como a mais provavel surpresa. Dizem que quer o público  queira ou não, ele é o futuro do tênis. E o futuro pode vir agora neste domingo. O russo vem realizando uma temporada das mais brilhantes. Fez finais em Washington e Montreal e conquistou o primeiro 1000 da carreira em Cincinnati. Apesar de reclamar de problemas físicos, Medvedev não engana ninguém, Em Nova York voltou a jogar bem, tendo eliminado inclusive Stan Wawrinka.

Assim uma história  já conhecida, ou uma nova, poderá’ ser contada neste fim de semana em Nova York.

Arthur Ashe: onde as coisas acontecem
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 4, 2019 às 5:35 am

Se Nova York é conhecida como a  cidade que nunca dorme, o Arthur ashe é onde as coisas acontecem no tênis. A sessão noturna é sempre eletrizante, com uma atmosfera impressionante e festiva participação da torcida. Nesse cenário, a derrota de Roger Federer para Grigor Dimotrov foi um verdadeiro anti clima. Tudo estava preparado para mais uma festa ao suíço que deixou a quadra ainda ovacionado, apesar do resultado.

Em menos de dez minutos, Federer apresentou-se para a entrevista coletiva. Foi uma correria e tanto. Afinal, normalmente os tenistas demoram muito, entre banho e massagens. Mas desta vez, esteve em ação o velho apelido de Fedex. Logo tratou de explicar que sentiu as costas e as coisas pareciam cada vez piores para ele. Mesmo assim garantiu ter dado tudo o que tinha e que teve suas chances no quarto set.

Federer esteve calmo e elegante, como de costume. Só não gostou quando o assunto foi ter deixado escapar mais uma chace de ganhar um Grand Slam e se ainda tinha esperanças de aumentar o seu número  de troféus dessa categoria. O suíço respondeu apenas que, se a lesão não for grave, vai manter o seu calendário, com torneios na Ásia, Basileia, Paris e Londres.

Só que há um detalhe nessa história toda. Pelo fato de ter acontecido na Arthur Ashe não se trata apenas de uma derrota. A repercussão promete ser grande. E um mundo de especulações deve tomar conta do atual cenário.

Para ser mais claro no que representa um fato acontecido na Arthur Ashe, pode-se tomar como exemplo as famosas imitações de Novak Djokovic. O sérvio já havia feito os trejeitos de Rafael Nada, de Roger Federer ou de Maria Sharapova em outras ocasiões. Mas o munto do tênis  só tomou conhecimento, depois dele ter se apresentado numa sessão noturna do US Open.

Os exemplos da tremenda repercussão do US Open pode ser lembrado com um fato bem recente. O surpreendente russo Daniil Medvedev está enrolado com suas dúbias declarações. Ele não sabe pedir desculpas de uma forma clara e contundente e também não se sabe qual será a reação do público em seu próximo jogo.

Mas como o US Open conhece muito mais heróis do que viloes, não restam dúvidas de que a cena mais marcante, repleta e emoção, amizade e espírito esportivo veio de Naomi Osaka. Afinal, como não lembrar se sua atitude com Coco Gauf, numa lição de humanidade? É isso mesmo, as coisas acontecem no Arthur Ashe, na cidade que nunca dorme.