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Finals no saibro? Pq não?
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 16, 2015 às 1:33 pm

Na sua já longa história, que começou em Tóquio no ano de 1970, o hoje chamado ATP Finals jamais foi disputado numa quadra de saibro. Estanho? Não… apenas uma tendência. Afinal, como é jogado ao final da temporada, quase sempre no hemisfério norte, o frio do outono inverno levam a um ginásio coberto, onde as quadras sintéticas são as mais comuns.

A grande maioria dos torneios foi jogado numa superfície já em desuso: o carpete. O principal fabricante era o Supreme. Uma espécie de borracha que era colocada em cima do piso original dos ginásios e o jogo era rápido. Curiosamente esta foi a superfície utilizada na única edição do Finals disputada na Espanha, em 1972, em Barcelona. A grama também chegou a ser usada apenas uma vez, em 1974, em Melbourne, no antigo parque que abrigava o Australian Open.

Indignado com o império das superfícies rápidas, o rei do saibro e nove vezes campeão de Roland Garros, Rafael Nadal reclamou com a mídia britânica. Disse que não considera justo sempre ter de jogar em condições adversas. As piores para seu estilo, definiu o espanhol. E não por acaso jamais conquistou o título desta competição.

Este ano o maior ídolo do tênis britânico Andy Murray ameaçou não participar do Finals, pois queria dar prioridade aos treinamentos no saibro, visando a decisão da Copa Davis, diante da Bélgica. O título seria uma conquista história… mais uma para a já brilhante carreira do escocês. E meio sem muitas explicações, Murray decidiu jogar na O2 Arena de Londres.

Para surpresa de muitos, o então rápido piso do Finals londrino apresentou-se lento… muito lento. E pelo menos nos dois primeiros jogos não se viu um tênis de alto nível. Nem na pouco emocionante partida de Novak Djokovic sobre Kei Nishikori, muito menos de Roger Federer sobre Tomas Berdych. Neste segundo jogo, especialmente, bolas curtas e quiques altos. Enfim, acredito que tentaram favorecer Murray, que espera um jogo muito lento diante dos belgas.

Esta decisão favorece a opinião de Nadal, ao meu ver. Por que não experimentar o saibro no Finals? A ATP caiu de amores com Londres e a O2 Arena. Não por acaso, mas sim pelos altos lucros nas últimas edições. Só que neste ano a história não parece ser a mesma.

A utilização do saibro em ginásios não é comum. Mas também não é impossível. Um exemplo bem próximo é o Brasil Open, há alguns anos disputado no Ginásio do Ibirapuera. E no ano passado, particularmente, a quadra estava em excelente condição.

 


Comentários
  1. Eddy Beutter

    Chamar o Brasil Open um sucesso e mais nacionalismo que opinão imparcial. Eu fui, lamentável a organização, o conforto do publica e o piso, Senhor Chiquinho

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  2. Ernesto

    Não entendi… se a questão é acréscimo de disputas no saibro, porque não GRAMA também? Meio ilógica essa discussão de acrescer somente Saibro, pois se esse fosse o caso, teria de acrescer disputas também na grama… iria acrescer saibro somente por causa de chilique de dois jogadores??

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  3. Christina Evertilova

    E por quê não fazer o Finals na grama? Há tão poucos torneios neste piso, e com a padronização das velocidades e quiques entre os pisos ficando mais lentos e com quique mais alto, uma quadra de grama rápida e de quique baixo seria uma forma de ter um torneio que apresente mais variações de estilos e que destoe um pouco da mesmice das trocas de bolas e dos contra-ataques que imperam no tênis atual.

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  4. Walter

    Chiquinho boa tarde!! Te acompanho e admiro desde os tempos do Estadão, em que vc era dos poucos a entender realmente de tênis!! Mas o finals no saibro estaria na contramão da temporada, em que 70% do circuito e jogado em quadra dura, algumas tão lentas quanto o saibro… Hoje não existem mais quadras rápidas e estariam atendendo ao bebê chorão espanhol… Grande abraço.

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    1. Marcos Ribeiro

      Na contramão da temporada como um todo e ainda mais do período da temporada em que ocorre. Depois de Wimb, é só quadra dura. Não vejo sentido em mudar totalmente o piso só em 1 único torneio, de uma só semana e dos mais importantes, sem nenhum período de adaptação.

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  5. Eric Magalhães

    Desculpe discordar, Chiquinho, mas quanta choradeira essa de Nadal. Não entendo como você pode entender e apoiar isso. O Finals não deve ser visto isoladamente, mas dentro de um contexto de torneios em quadras rápidas indoor. A temporada de saibro já é muito longa e contempla 3 ATP 1000, 1 ATP 500 (Barcelona) e RG. Além disso, tem 1 ATP 500 após o Australian Open (Rio Open) e 1 depois de Wimbledon (Hamburgo). Ainda tem os diversos ATP 250. Suficiente, não?! Jogadores do saibro, ou em decadência, como o rei Nadal, podem se sustentar no top 10 apenas com resultados nesses torneios. O Finals está ali, ao lado de 2 ATP 500 (Madrid e Basileia) e 1 ATP 1000 (Paris). Se existe algo injusto nas superfícies não será porque o Finals não é no saibro, mas porque a grama não tem 1 ou 2 ATP 1000 antes de Wimbledon. Abraço!

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  6. Luiz Fabriciano

    Chiquinho, já sabemos que Nadal sempre advoga em causa própria, haja vista a total ausência de um dos principais juízes do circuito em seus jogos – o brasileiro Bernardes (simplesmente por cumprir a regra). Outros saibristas de peso na história do tênis já conquistaram o Finals, em épocas mais rápidas até.
    Mas o Murray falou que a O2 não está tão lenta assim não e o japonês também afirmou que Paris estava mais lenta.
    Em minha opinião, o Finals deve continuar exatamente como está, com tendência de aumento de velocidade.
    Um abraço.

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  7. Gogo

    Caro Chiquinho, vejo a questão sob o seguinte aspecto: mais do que em qualquer outro tempo recente, hoje em dia não dá mais para falar que o piso “X” favorece o jogador “Y” e o piso “A” prejudica o desempenho do jogador “B”. Rafa Nadal deveria ser o primeiro a perceber isso e reconhecer que o saibro já não é mais seu habitat natural. É só olharmos para os resultados obtidos pelos tops (ND, RF, AM, RN, SW) nos últimos anos: RF e SW venceram RG, além de alguns M1000 no saibro; a ND só falta RG; até AM debutou na terra este ano! Rafa, por sua vez, já ganhou muitos torneios em quadras duras, além de outros na grama. Enfim, um jogador (referindo-me a RN) cujos adversários são igualmente vencedores e diversificados em sua técnica não deveria, ainda hoje, achar que conseguiria se sair melhor unicamente em função do piso de jogo. Ele seria engolido sem tempo de anotar a placa! Agora, muito mais do que visando agradar ou facilitar a vida de “A” ou “B”, mas o fazendo sobretudo em nome do entretenimento e da diversão, acho sim que o Finals deveria propor um rodízio de superfícies, independentemente se a cada ano ou a cada biênio. Acho até que poderia acontecer de haver 2 superfícies simultâneas, como numa das exibições entre RF e RN, em que a quadra era metade grama e metade saibro. Toda mudança é bem vinda. A ATP anda muito careta e engessada.

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  8. luis moniz

    Chiquinho o nadal queixa se muito tal igual ao federer nos últimos anos que não tem ganho muito«o resto dos tenistas não se queixam do saibro que favorece o nadal«o melhor para o nadal era fazer todos os torneios principalmente wiimbledon em saibro assim ele talvez comesasse a ganhar alguma coisa nos próximos anos

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  9. Ligia

    Se os torneios que antecedem o Finals e os que o seguem são jogados em quadras “duras”, você não acha que é sacrificar demais os jogadores?
    Os ingleses já deram um jeito de favorecer Murray e consequentemente o Nadal neste ano… É só combinar com eles a velocidade da quadra, dependendo dos interesses rsrsrs

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  10. Marco A.

    Acho que o mais justo seria um revezamento de superfícies. Hora, se para a classificação tem que se jogar no saibro, grama, carpete e quadra dura, então que faça cada edição com um piso diferente.

    Ok, a mudança de quadra para o fim do calendário seria dura, mas é o mais justo para todos.

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  11. Wilson

    Chiquinho, com todo o respeito, mas porque o senhor é tão “puxa saco” do Nadal? Primeiro foi aquela história sobre a posição dele como cabeça de chave em Roland Garros devido à sua péssima temporada, aliás, devemos nos lembrar que o sorteio de cabeças de chave em Roland Garros é diferente de Wimbledon que privilegia os recentes resultados na grama. Ademais, fora a enxurrada de justificativas para as derrotas, passando desde bolha na mão a apendicite. Por fim, agora essa conversa mole de mudar o piso de um torneio que desde 1970 nunca foi disputado no saibro, única e tão somente para privilegiar um jogador. Sendo assim, porque você não propõe Wimbledon no saibro, quem sabe ele teria ganho muito mais Slams não é verdade?

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  12. Fábio Moino

    O interessante seria um rodízio de pisos, entre rápida, saibro e grama. Ou mesmo apenas entre rápida e saibro, para variar os estilos. Se um piso não favorecesse um bom tenista em um ano, no ano seguinte, ele poderia ser “agraciado” com seu piso predileto. E mesmo assim, não precisaria sair do Ginásio O2, já que é um dos pontos positivos de Londres para a ATP. Mas o rodízio de sedes do Finals também seria algo bom para o esporte. Acho que o potencial do torneio nunca é concretizado plenamente. Parece que o torneio que reúne os 8 melhores tenistas do ano não demonstra uma alma nem próxima dos 4 Slams (e até alguns Masters 1000).

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  13. dickinsonjhn@yahoo.com

    Considerando que o “Finals” é um torneio comemorativo, reunindo os melhores do ano e que historicamente não tem um vínculo com uma sede específica, vejo muita lógica na solicitação do astro espanhol. Sabemos que no circuito do tênis existem jogadores que se adaptam melhor a tipos de piso específicos, nada mais justo que, dentro da rotatividade das sedes do torneio, se comtemplasse um rodízio incluindo o piso de saibro, e até ouso dizer, ocasionalmente, num prazo mais longo o piso de grama também. Exemplifico: rodizio anual entre piso duro e saibro e a cada período de 5 ou 6 anos um evento na grama. Já que o tênis é o esporte das estatísticas, teríamos mais parâmetros para enriquecer a já tão rica diversidade nas estatísticas do esporte.

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  14. Ramon

    Que besteira Chiquinho. Os jogadores já vem de um final de temporada inteira no indoor de quadra dura, pra que mudar? A única “justificativa” mesmo é pra dar um Finals pro espanhol balonero, não há outra.

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  15. Daniel Lira

    Como vc bem falou, Chiquinho, o Finals sempre foi disputado em quadras rápidas devido ao clima do hemisfério norte, mas, acima de tudo, porque se passa na temporada de quadras rápidas cobertas. Não faria sentido nenhum, na minha opinião, este torneio ser disputado no saibro em meio as giras asiática e européia em quadras rápidas. O sr. Nadal que se vire para superar as adversidades assim como o Guga e o Corretja, autênticos saibristas, superaram e venceram o Finals. Eu acho que ele tem jogo para vencer lá. O problema é que ele sempre chega com o físico desgastado para esse torneio.

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  16. Marcio

    Já basta qse a metade dos torneios de ponta serem no saibro.. O que explica o número de Master 1000 do Nadal. É preciso haver torneios em todos os tipos de quadra.. Lenta e rápida.. E não uma maioria esmagadora nas quadras rápidas. O que beneficia claramente o Nadal.

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