Monte Carlo il dolce far niente
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 12, 2013 às 5:50 pm

Primeiro Masters 1000 no saibro, Monte Carlo é conhecido como  Le Grand Début de la Saison sur Terre Battue. É, sem dúvida, a parte mais charmosa de todo o circuito. O clima da primavera europeia é agradável, os locais atraentes e as lembranças ainda melhores, por tudo que Guga Kuerten – e também Fernando Meligeni – fizeram em Monaco, Roma. Barcelona e na época Hamburgo, agora Madri.

O torneio de Monte Carlo tem enorme tradição (em 2006 completou cem anos). Não fosse por isso talvez estivesse ameaçado de perder sua condição de Masters 1000. Suas instalações estão longe do gigantismo dos Masters americanos como Indian Wells, Miami ou Cincinnati, até mesmo da Caja Magica de Madrid. Na verdade, o Principado é tão pequeno que o Country Club de Monte Carlo fica em território francês, em Roquebrune Cap Martin. De onde se tem uma deslumbrante vista do azul intenso do Mar Mediterrâneo. Do terraço do clube, de algumas janelas da sala de imprensa, ou das cadeiras em um dos fundos da quadra central, entre um ponto e outro, pode-se observar os luxuosos iates ao sabor das ondas no mais puro e clássico “dolce far niente”.

Para os tenistas esta tradição e ambiente são também importantes. Segundo o site oficial do torneio Novak Djokovic e Rafael Nadal irão jogar, apesar de ambos estarem sofrendo com dores e lesões. Djoko é residente. Aliás costumo dizer que se todos os esportistas que vivem no Principado fizessem parte da equipe olímpica, Mônaco facilmente superaria os Estados Unidos ou a China na lista de medalhas.

Existe uma verdade para quem escolhe o paraíso fiscal de Mônaco como residência. Não basta apenas comprar ou alugar um imóvel para ter os benefícios. É imprescindível usar a moradia. Dizem que há um rígido controle de frequência, observado nas contas de luz e tudo mais que comprove a moradia. Assim, não é difícil encontrar gente famosa andando tranquila, sem ser incomodada..

O monaguesco (nome também dado a lingua original) tem este tom discreto e cordial. Ninguém ousa estacionar na vaga do outro, pois sabe que não vai sobrar opção ao dono. Dizem também que no caso de um acidente de trânsito, a princípio a culpa é do estrangeiro. Sei lá… acho que isso já é exagero e faz parte do folclore. Mas, o melhor é tomar cuidado e respeitar as normas locais, não incomodar ninguém.

Há um cultuado respeito ao principe. Acho até que já contei esta história por aqui. Mas é tão hilária que vale repetir. Estávamos (um colega residente na vizinha Nice e eu) convidados para a festa dos jogadores, É o grande dinner show, com a presença do principe Albert. Pegamos o transporte do torneio para irmos até o meu hotel, em Beusoleil, para colocar paletó e gravata. O carro de meu colega ficou no estacionamento improvisado para o tênis, no meio de uma via, pois não há espaços apropriados. Ao chegarmos para o jantar, ele, que é extremamente cuidadoso quando está em Monaco, lembrou que precisaria pegar o carro. Poxa o que fazer? Fomos até o local já lamentando que teríamos de ir longe para deixar o veículo e voltar a pé. Mas, de repente, depois de uma rápida conversa com os guardas, fui surpreendido pela informação de que estávamos autorizados a deixar o carro onde estava parado. Fiquei curioso, pois não entendi o que falaram em francês. Meu colega contou-me, então, que avisou que iria ao jantar do torneio, onde estaria o principe Albert. A resposta foi:  “se vocês vão a um local onde está o principe, são amigos dele. Portanto, podem deixar o carro”.

Horas depois de um belo jantar, um show do ainda novato, mas já divertido Novak Djokovic, que subiu ao palco, chegamos de volta ao improvisado estacionamento.´E lá estava o velho e surrado Fiat Uno escoltado por quatro guardas, com os outros carros tendo de desviar a direção. Ora… melhor do que ser rei é ser amigo do rei, ou no caso, do principe.


Comentários
  1. Henrique Farinha

    Olá Chiquinho, tudo bem? O autor do livro do Djokovic, Blaza Popovic, estará em Monte Carlo a partir de amanhã. O livro deverá estar no mercado em 11/05, antes, portanto, de Roland Garros. Abs!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      legal Henrique…o livro vai revolucionar os conceitos. Estou ansioso para ver o produto final. Nao estarei em MC mas RG vamos repercurtir
      abs
      Chiquinho

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  2. MARIO CESAR RODRIGUES

    Acho prematuro..mas enfim..é para vender mesmo então..mas O Chiquinho por favor me fale quem vai comentar e narrar os jogos de RG..porque com todo respeito estes que estão ai o Orlando Rosa só fala o básico o narrador fica colocando apelidos ne jogador..um ponto importante está batendo papo o cara faz uma jogada genial ele nem comenta..espera ai..tem que ver isto na boa ok!

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    1. Jacques Petit

      Por acaso não é pra vender? Seria pra fazer caridade, então? O Agassi falou aquele monte de coisas no livro dele pra causar só polêmica ou por também querer vender? E qual é o pecado? Se for bom, vai vender, se não for, vai micar. Grande bobagem falar desse negócio de que deve escrever após terminar a carreira. Rod Laver, pra ficar só nesse caso de um mito do tênis, escreveu o dele sete anos antes de encerrar a carreira. Pelé teve um monte de biografias, escritas quando ele tinha 18, 19, 20 anos. O importante é ter o que dizer, o resto é puro preconceito bobo.

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    2. Chiquinho Leite Moreira

      Caro Mario não tenho ainda muitas informações, sinceramente. De minha parte o que posso dizer é que a transmissão de RG este ano vai revolucionar a maneira de se mostrar um Grand Slam. Fique no aguardo e eu fico na torcida para que todos os planos possam ser realizados.
      Abs
      Chiquinho

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  3. Carlos Alberto Seixas

    Olá Chiquinho, boa tarde!

    Achei muito interessante o ocorrido em seu jantar. Caso acontecesse em nossa “Santa Terra” as coisas serim
    bem diferentes. Lá as pessoas acreditam nas pessoas.

    Abraços,

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    1. Andréa

      Não, lá as pessoas são anacronicamente monarquistas!!!!!!!!!!!!! A “Família Real” (que ridículo isso) e seus amigos não são (ou não deveriam ser) “protegidos”. São cidadãos como todos os outros…

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    2. Andréa

      Não, lá as pessoas são anacronicamente monarquistas!!!!!!!!!!!!! A “Família Real” (que ridículo isso) e seus amigos não são (ou não deveriam ser) “protegidos”. São cidadãos como todos os outros…

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  4. renne bueno

    Chiquinho,

    muito legal o “causo” que postou.

    Mais ainda lembrar o quanto ao Guga jogou tenis nesses territórios. Lembo de eu ficar enrolando na TV, assistindo aos jogos do Guga, 7/8 horas da manhã, entre tomar o café da manha, um Set e outro, e sair para o trabalho…rs

    Abcs
    Renne bueno

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  5. Augusto Fiães

    “Vou-me embora para Pasárgada, pois lá, sou amigo do Rei….dormirei com minha amada, na cama que escolherei!!!” Boa história, Chiquinho

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