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US Open sempre inovador
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 2, 2015 às 2:42 pm

interview

Na foto acima a tenista CoCo Vandeweghe aparece dando entrevista para a ex-tenista americana Pam Shriver e hoje repórter de TV. Nada a se estranhar, não fosse que a cena aconteceu durante um jogo do US Open. Mais uma inovação do Grand Slam americano, que como tantas outras causa polêmica no começo e depois transforma-se em mais uma atração da vanguarda nova-iorquina.

Não é de hoje que o US Open apresenta novidades. Uma das mais marcantes foi a revolucionária mudança de sede. Saiu de uma zona sofisticada como Forest Hills e instalou-se no Queens. Foi para um reduto bem mais popular, repleto de imigrantes. Na época os mais conservadores acharam ousada demais a iniciativa. Os resultados, porém, foram incontestáveis. Afinal, não há torneio no mundo que reúna tanto público e disponha de instalações tão grandiosas.

O respeito a media – ou mídia – nos Estados Unidos vem desde a sua constituição com a “First Amendment”, que estabelece logo no primeiro artigo a liberdade de imprensa, entre outras importantes questões. Dentro disso, o US Open manteve-se por muito tempo fiel às tradições dos jornalistas do país. Os vestiários, por exemplo, como em outros esportes dentro dos Estados Unidos, era aberto. Neste tempo, costumava entrar para procurar jogadores brasileiros, falar com treinadores e até mesmo, confesso, jogar conversa fora. Tive a honra até de ao lado de Guga Kuerten e Larri Passos ser um dos primeiros a conhecer as instalações do Arthur Ashe, com lindos armários de madeiras. Só para ilustrar, aconteceu de Guga ser o primeiro tenista e treinar no novo estádio, antes da inauguração oficial. Como ele havia sido eliminado no torneio de Long Island, seu técnico resolveu leva-lo para Flushing Meadows para ele adaptar-se ao novo ambiente.

Enfim, tudo caminhava bem, com respeito de ambos os lados. Jornalistas entravam nos vestiários, mas não incomodavam os tenistas, nem avançavam linhas. Enquanto jogadores eram amistosos, entendendo os costumes americanos. Até que um idiota do Leste Europeu entrou no feminino, passou a sala de estar que antecede os chuveiros e, é claro, diversas meninas ficaram incomodadas. A USTA sugeriu então mudanças para a ITWA (International Tennis Writers’s Association) da qual faço parte. Como os não membros desta associação não poderiam ser controlados,  resolveu-se pelo impedimento de acesso aos vestiários, o que enfureceu os jornalistas americanos, com entrada somente ao players lounge.

Talvez tenha me estendido neste assunto, mas acredito que histórias de bastidores servem para definir bem como é o relacionamento com a media nos Estados Unidos. E agora surge a novidade destas entrevistas entre os sets. No caso de CoCo Vandeweghe, curiosamente ela disse que nem se lembrava das perguntas. Serena Williams comentou se considera ‘das antigas’ e espera que não se torne algo obrigatório. Roger Federer afirmou que não se preocupa. Lembrou que há algum tempo não se dava entrevista antes do jogo e agora isso é normal.

A ideia é boa, dá ainda maior dinamismo às transmissões de tevê e torna-se uma outra atração para o público presente que pode ouvir a jogadora. Tem tudo para dar certo, mas estará baseado no respeito mútuo.

 


Comentários
  1. Gavroche Fukuma

    Ótimo texto Chiquinho. Eu como jornalista vejo a liberdade de imprensa com os mesmos bons olhos que você enxerga, mas tenho dúvidas sobre entrevistas durante a partida. Quem joga sabe o quanto é importante aquele momento de concentração, entre um set e outro, de pensar consigo mesmo, de ler o jogo, ou até mesmo de buscar o olhar do treinador para ver se surge alguma dica valiosa.
    Além disso, acho que vai ser difícil impor esse tipo de concessão entre todos os tenistas, diferentemente do que já é feito pela obrigação de participar da coletiva ao final da partida. Ontem, por exemplo, no jogo entre Kyrgios e Murray, o bad boy australiano fingiu que estava dormindo entre o primeiro e segundo set. Com certeza a experiência de tentar uma pergunta naquele momento seria frustrada.
    Você é o cara do tênis no Brasil! Parabéns pelo trabalho! Abração!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Valeu Fukuma… sem dúvida será difícil para alguns, fácil para outros e impossível em certos momentos, como vc bem descreveu no caso do Kyrgios. Sinto que, é claro, dependendo do momento Djokovic pode render uma boa conversa, talvez tb o Federer. Será mais difícil para Nadal… não sobraria tempo para arrumar as garrafinhas. Enfim, um prazer em vê-lo por aqui…

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  2. Beto Toledo

    Fala primo, tudo bem com vc? Ontem estava em Peruíbe e pude assistir seu programa e dar uma atualizada no que rola no tênis, e incrível como o trio infernal Nole, Federer e Nadal ainda sobram nos torneios, apesar da idade, principalmente o Federer e continuam jogando um tênis avassalador. E no feminino a Serena quer bater todos os recordes, inclusive com chance de fechar o grand slan, que acho que que o último foi da Stef Graf há bons anos atrás. Enfim, o tênis continua apaixonante e cada vez mais rápido e técnico, com jogadas mirabolantes. Vamos combinar um encontro em Itú para matarmos as saudades e botarmos o papo em dia. Saque e voleio!!! Abração!!! Beto Toledo.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Boa primo continua por dentro do apaixonante mundo do tênis. Prazer em receber notícias suas. Vamos combinar sim um encontro em Itu ou mesmo no Damha, como for mais fácil pra vc. Saque e voleio e abração e estou acompanhando seu sucesso no boka da mata.

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