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Tênis brasileiro vive sua realidade
Por Chiquinho Leite Moreira
março 9, 2015 às 8:22 pm

O Brasil esteve muito perto de ver o fim do jejum de 14 anos de conquistas no Grupo Mundial da Davis. Mesmo jogando fora de casa, onde são raras as vitórias nesta competição, a equipe liderada por João Zwetsch alimentou fortes esperanças. E sem um otimismo exagerado não acredito que seja hora de atirar pedras. A Argentina, na verdade, era favorita e confirmou.

O cenário do tênis brasileiro leva a esta realidade: a de jogar playoffs, segunda divisão e algumas aparições no Grupo Mundial. As esperanças cresceram com a vitória, ano passado, sobre a Espanha. Thomaz Bellucci foi o herói no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com atuações brilhantes. Mas a sua realidade é esta demonstrada na partida diante de Federico Delbonis. Cobrar mais o quê?

Sem olhos otimistas, mas buscando um fato real, João Souza, o Feijão, surpreendeu. Revelou estar num outro patamar. E, o mais legal, é que os brasileiros ganharam um tenista para torcer. Afinal, mesmo com sua derrota em jogo épico, acredito que o público tenha ficado satisfeito com sua atuação, luta, determinação e carisma.

O Brasil agora vai, mais uma vez, para a repescagem. O adversário ainda é desconhecido. Mas já é sabido que o time brasileiro ganhou respeito, com a vitória sobre a Espanha e o equilíbrio diante da Argentina. Mas para muitos o que vale mesmo é o resultado atual. O tênis é isso… como diria John McEnroe um esporte para perdedores. Afinal, na semana em que não se perde torna-se campeão.


Comentários
  1. Marco

    Chiquinho, gosto muito dos seus comentários porém esta de “Mas a sua realidade é esta demonstrada na partida diante de Federico Delbonis. Cobrar mais o quê?” não dá. Se é assim, então vamos buscar jogadores que tenham estrutura mental, cabedal técnico (com talento aí seria ótimo, mas não vamos a tanto) e desenvolvê-los.
    Não dá para continuar desta forma, alguém precisa deixar claro para esse moço que ele pode e deve fazer de sua carreira pessoal oque bem entender, mas comprometer resultados coletivos é diferente. Quem o convoca também precisa trabalhar essas questões.
    Entendo que quando a cabeça (falo da CBT e Federações) está comprometida com outros resultados tudo fica mais difícil, ainda mais num esporte individual com egos inflados (jogadores, técnicos, imprensa, etc), porém desistir não é o caminho.

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      1. Marco

        Chiquinho, neste momento não temos ninguém, entendo quando comenta sobre a nossa realidade, porém já acontece há algum tempo e ninguém, responsável pelo tennis nacional, estabeleceu novas metas a serem atingidas.
        A vitória sobre a Espanha foi uma voz no deserto, mas todos sabíamos que não haveria eco, pois foi no pico da capacidade, então porque não fazemos um trabalho efetivo sem contar com esse moço. Quando, e, se ele se resolver terá, sem dúvida, chances na equipe. Considero que precisamos atuar com outros jogadores e seus técnicos, mesmo que isto signifique algumas derrotas, mas criaremos capacidade para enfrentar o futuro.

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Marco não acho que seja hora de se atirar pedras. É a mesma história de trancar a casa depois de arrombada.
          Só depois de um resultados destes é que aparecem os críticos, as cobranças. Mas quando as coisas caminham normalmente não se ouvem estas pessoas. O dia a dia do tênis, do trabalho e da vida é duro.

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          1. Marco

            É esporte de alto rendimento e individual. A pressão é grande e vem de todos os lados.
            Os posicionamentos sobre esta questão já são feitos há um certo tempo, em outras oportunidades não havia um número dois que formasse um bom time nas simples.
            Neste duelo contra a Argentina ocorreu um crescimento do João Souza que poucos esperavam, então oque estava latente veio à tona. Sentimos pela primeira vez, desde Guga e Meligeni, que poderíamos ter uma equipe que competisse em todos os jogos (a dupla é inquestionável, tem sido nosso ponto praticamente garantido).
            Meu comentário foi no sentido de se olhar com firmeza para o assunto, tratá-lo profissionalmente, para, em primeiro lugar, o bem do próprio atleta (como pessoa e jogador) e consequentemente pensando em futuras competições. Sei que o assunto é complexo e que muitas mudanças, em todos os níveis da estrutura, precisam ser feitas.
            Também concordo que o dia a dia é duro para aqueles que batalham honestamente em seus mais diversos trabalhos, isto não invalida os comentários, pois em nenhum momento foi dito que houve falta de empenho, dedicação, amor ao que faz, etc.

  2. Wallace Barros

    Olá Chiquinho

    Boa noite

    Vou tocar num assunto que poucas pessoas sequer comentaram ainda: os tenistas brasileiros, começando da base, precisam jogar mais em piso hard. Aqui se joga muito no saibro e acaba perdendo o poder ofensivo durante os jogos. A CBT precisa construir quadras rápidas indoor (de preferência piso greenset) para que os brasileiros tbm serem especialistas em piso rápido. No saibro já dominamos. Acredito que ainda falta esse equilibrio. Esse é um dos problemas

    Grande abraço

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Caro Wallace sinto nao concordar. Murray foi para o saibro para ser o q eh. Na America querem ter mais saibro para reviver os
      bons tempos. Enfim acredito q a questao nao seja esta
      abs

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  3. joao sawao ando

    ou vc e ganhador ou perdedor o tomas e perdedor ,se o guga estivesse jogando teríamos ganho,o tênis e um esporte para vencedores,nao concordo com o mcenroe

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      1. joao sawao ando

        Chiquinho o guga ganhou 3 grand slams ,maria ester 19 ,afinal eles são vencedores ou não,o tomas ganhou quantos slams ….

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Poxa João… o funil do tênis é tão apertado que participar de um Grand Slam já é uma honra. Quantas pessoas não correm uma maratona para chegar ao final. Quantos ganham uma maratona. O esporte tem dessas coisas, diferente da torcida.

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  4. eduardo

    Pois é, Chiquinhio, nossa realidade é esta mesma. Tivemos duas dádivas chamadas Maria Esther Bueno e Guga em mais de meio século. Nem vou considerar o Thomas Koch, que foi um bom tenista mas ganhou só 3 títulos na carreira e teve como melhor ranking o 60º lugar, me parece. Quem mais? Essa geração pode ser esforçada, mas é só. E nosso Bellucci é, como diria um antigo ministro, “intorcível”. Enquanto os argentinos e o Feijão pareciam querer comer o saibro, o rapaz , a meu ver, parecia que estava fazendo algo por simples obrigação. Ele não tem gana de vencer, não tem carisma e até seu pouco talento o está abandonando. Fazer o quê? Sua resposta ao comentário anterior sintetiza tudo: “Marco, quem você colocaria?” Triste realidade…

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  5. Felipe Pacheco

    Boa noite, Chiquinho! Concordo que a realidade do Bellucci é esta que foi demonstrada na partida de hoje. Sinceramente, não espero mais nada grandioso da carreira dele, que começou tão promissora. Nunca vi um atleta profissional em qualquer esporte com um poder mental tão baixo. No entanto, realmente, quem poderíamos levar como segundo jogador de simples para o confronto contra a Argentina? A curto prazo teremos que continuar contando com o Bellucci nos confrontos da Davis. Afinal, a carreira do Clezar não engrena, o Ghem já é veterano e o Fabiano de Paula é uma incógnita. Vamos esperar que as expectativas sobre o Orlandinho, o Zormann e o João Menezes se confirmem no profissional, e quem sabe a médio e longo prazo possamos voltar a ter uma equipe competitiva na Davis como na época de Guga, Meligeni e Oncins.

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  6. Fernando Petrolina

    Concordo contigo Chiquinho. A realidade é essa, pois Guilherme Clezar, André Ghem e outros não ostentam predicados para termos esperanças em melhores resultados. Agora pergunto: Qual trabalho foi feito para nossos duplistas evoluírem tanto? Nas duplas a realidade é de top 10. Como explicar?

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  7. Rogério Rangel

    Estamos falando de um jogador de tênis ou de futebol? O cara chega a Top20 com o suor do próprio esforço, devolve o esporte ao patamar que sempre esteve (sim porque depois do Guga até pra 3a divisão fomos), e agora achamos que podemos criticar o cara? Ele é responsável por manter o tênis pôs Guga vivo. Só isso já valeu muito pro Brasil.

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  8. OTAVIO NEVES

    Caro Chiquinho: A realidade do TÊNIS no BRASIL tem um saldo positivo e, pra mim, o futuro é mesmo promissor. Quase ganhamos da Argentina na casa deles, foi por pouco, o Feijão jogou como um top 25, fez uma grande apresentação – pena que o Leo Mayer jogou nos dois primeiros Sets como um top 15 (sacando como um top 5!)… Não adianta ficar falando no nosso GRANDE GUGA, como no Futebol não adianta ficar falando do Pelé: A nossa realidade hoje é outra, mas ser top 80 num ranking de 2.200 profissionais não é pouca coisa! O Bellucci pode voltar a jogar bem, já foi 21 e pode ainda nos dar muitas alegrias, é um cara batalhador. E o Feijão: Parece que o melhor está por vir. Chega de ficar na defensiva Chiquinho, nada de perder tempo com quem só critica tudo do sofá e só entende de futebol. Abraço. Luis. PS: E estou esperançoso também com os nossos juvenis, c/ o Orlando Luz, p. ex. .

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  9. Claudio Guimaraes

    Na minha humilde opinião, esqueceram de dizer o quão importante foi a atuação do Orsanic frente ao time argentino.
    No jogão entre Feijão e Mayer, creio que foi ele quem “telegrafou” ao Mayer as devoluções decisivas (golpes compactos pegando na subida) no ultimo set.
    Já no quinto jogo escalou quem o Bellucci mais poderia temer: um canhoto!
    Pois é, para quem vem demonstrando insegurança, nada pior.
    O Daniel Orsanic é canhoto, foi treinador do Bellucci e teve sucesso como duplista.
    As devoluçoes do Mayer tiraram o tempo de reaçõo do Feijão; coisa de duplista. Escalar um canhoto contra quem desenvolveu o seu jogo contra destros; coisa de canhoto.

    Abs,

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  10. Roberto

    Em outras palavras: Torcer p/ Belucci é fácil; antes da partida começar, já sabemos o final…
    Agora…; esse FEIJÃO ! É feijão prá valer !!

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  11. Ricardo

    Não jogo pedras, não que os argentinos estejam num céu de brigadeiro, mas nosso nível é esse mesmo. Como falaram acima, Maria Esther Bueno e Guga foram pontos muito fora da curva. Não soubemos aproveitar o potencial midiático e o impulso que eles poderiam ter dado em termos de mais torneios, mais jogadores, mais mídia. Enfim, o jeito é esperar o próximo espasmo de Top Ten em uns 30 anos.

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  12. Jairo

    Cara vc ficou meio em cima do muro com a minha pergunta no tópico anterior rsrsrs… Mas sabe que eu vejo no Thomaz um incrível talento desperdiçado, não vou dizer que acompanho a carreira dele, mas vi muitos jogos, não sei se dei sorte em ver as melhores partidas do Bellucci, mas as que eu vi, algumas contra caras top 10 (inclusive um contra o Djoko naquela fase que o Sérvio tava com o capeta no couro, ganhando de todo mundo), e o Bellucci se saiu muito bem, perdendo as partidas nos detalhes… comparando porcamente, e evidente, guardadas as devidas proporções… acho que o Bellucci tá mais pra Guga (tem mais recursos e técnica) e o Feijão mais pra Meligeni (sangue, suor e lagrimas) srsrrs.

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  13. Jairo

    e outra, sobre alguns comentários aqui, só corrobora aquela velha máxima, a qual parece ser a mais pura verdade, Brasileiro não gosta de esporte, Brasileiro gosta de vencer rsrs…. as pessoas não gostavam de formula 1, gostavam de ver o Senna vencer, é só ver o quanto bons pilotos, (ok, não são espetaculares, mas são bons pilotos) como Massa e Barrichello são achincalhados por não conseguirem ser campeões… ninguém ta nem aí pros demais esportes além do futebol, das dificuldades e batalhas que os atletas de outras modalidades tem que enfrentar, mas é só chegar nas olimpíadas, os resultados não virem, e os engraçadinhos de plantão já chegam armados com as suas piadinhas do tipo “esse cara é amerelão” “Brasil só é bronze” e outras asneiras do tipo… é complicado.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Jairo é realmente complicado. O Bellucci tem os golpes, mas talvez a gente tenha de concordar com a entrevista do Guga no Rio Open, que ele não sabe ganhar jogos. O esporte é complexo, desde sua base até o de alto nível. Mesmo na Argentina não vi um público muito grande para apoiar seus jogadores (com exceção do dia em que foi de graça). Teria sido diferente se Del Potro teria jogado, por exemplo. O torcedor, não só o brasileiro, gosta de ganhar, dos ídolos vencedores. Mas é preciso aprender a gostar do esporte por ele próprio. Vejo bons jogos nas quadras secundárias dos maiores torneios do mundo. Assim posso ver a realidade do esporte. Quando estou diante de Federer, Nadal, Djokovic estou vendo semideuses em quadra, àqueles que atingiram um nível máximo. Mas, sinceramente, os convido a ver jogadores mortais em ação. Há muito a se admirar e a perceber o que faz a diferença.

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  14. Joap

    Pois é, Chiquinho, levar quem? Acho que tudo quanto é esporte aqui no Brasil começa primeiro pensando no resultado para depois pensar nos atletas. Vide o caso daquela judoca (Sara Meneses) que ganhou medalha logo no primeiro dia de olimpíadas. Aí já saiu o ministro sem noção do esporte dizendo que o “resultado” já era esperado. Bem, o que quero dizer é que, quando o trabalho é bem feito na base, o esportista “engrena” como alguém aqui disse, vide o caso da Croácia com um bom atleta (Borna Coric), ainda do Juvenil, disputando Davis.

    Responder
    1. Chiquinho Leite Moreira

      É isso aí João… não podemos esquecer que o Brasil só enfrentou a Argentina pq o Bellucci ajudou a superar a Espanha. Além disso, perder fora da casa na Davis é uma coisa normal. A diferença desta vez é que o Feijão nos fez aumentar as esperanças. Não se trata de conformismo meu, por favor, mas sim do que o tênis nos reserva em todos os cantos do planeta.

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  15. Luiz Henrique

    Boa tarde, Chiquinho (também conhecido como Petit François du Lait) !
    Muito consciente e realística sua análise da atual fase do tênis brasileiro, com enfoque na Copa Davis.
    Infelizmente, o “Efeito Gangorra”, mais uma vez, mostrou-se a tônica nacional visto que, enquanto Feijão subia seu jogo, Bellucci descia vertiginosamente.
    MAS SEMPRE FOI ASSIM !
    Já tivemos Kuerten, Koch, Tavares, Mota, Kyrmair, Góes, etc…., entretanto, sempre faltou 2º Tenista ou Duplistas.
    Salvo algum futuro acidente de percurso, sempre seremos um Time de 2a. Divisão, com eventuais aparições na Divisão Principal.
    Como você disse, não se trata de conformismo, e sim, observância dos acontecimentos de décadas.
    Salut

    Responder
    1. Chiquinho Leite Moreira

      Louis acho até que, certa vez, o Guga comentou que a nossa realidade é essa mesmo, a segunda divisão. E com este efeito gangorra ou io io que vc comentou.

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  16. Carlos

    Não concordo com essa agressividade da torcida com o Bellucci no circuito, creio que, como disse o Chiquinho no texto, não dá pra esperar mais do que ele apresenta normalmente, apesar de ter sido por um tempo considerado um tenista promissor e que poderia ser top qualquer coisa. Entretanto, entendo a fúria da torcida quando se trata de copa davis, pois nesse torneio os atletas representam o nosso país e o Bellucci, em muitos momentos, não demonstra o sangue nos olhos que demonstrou o Feijão, por exemplo. O esporte não é apenas técnica, é raça, determinação e superação, e nesse confronto em Buenos Aires apenas um tenista Brasileiro perdeu lutando, ao menos aparentemente.

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