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Djokovic, um exemplo de campeão
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 1, 2015 às 9:17 pm

Um dos capítulos que mais me chamaram atenção na biografia – não autorizada – de Novak Djokovic foi o de sua determinação pelo aprendizado e esperteza em tirar o melhor do tempo. Certa vez teve a oportunidade de participar de um estágio de treinamentos na Alemanha, na academia de Niki Pilic.  Um ex-jogador da antiga Iugoslávia e também um dos pioneiros em cruzar a Cortina de Ferro para jogar tênis. Foi finalista em Roland Garros, em 1973 e ao encerrar a carreira fixou residência em Munique. Treinou nomes como Michael Stich, Goran Ivanisevic e Boris Becker. Daí, na minha opinião, a razão da atual parceria do tenista sérvio com o alemão.

Enfim, o então menino Novak tinha apenas cerca de uma hora com Pilic em quadra. Ora, como otimizar este tempo? Sem que ninguém lhe orientasse decidiu chegar para o treinamento já aquecido. Corria, fazia alongamentos e já entrava em quadra pronto e disposto a aproveitar o pouco tempo que teria para aprender importantes dicas técnicas. E não pensem que era só isso. Também corria para pegar as bolas e tirava o máximo que podia do genial treinador. Talvez isso sirva de exemplo para meninas e meninas que chegam para os treinamentos sonolentos, precisando de tempo para aquecer. Novak Djokovic dormia com a raquete debaixo do travesseiro.

Não há dúvidas de que Djokovic aprendeu todas as lições. Ouso dizer que não o vejo como um dos mais talentosos jogadores do circuito. Joga pela determinação. E assim venceu neste domingo em Melbourne e seguira vencendo em sua vida.

Esta final em Melbourne refletiu o seu estilo. Foi jogada diante da seguinte regra. A número um… correr em todas as bolas. A número dois… veja a regra número um.

Em alguns momentos, e acredito até o 3 a 3 do terceiro set, Djokovic e Murray estiveram beirando a perfeição. A ponto de suscitar um comentário do talentoso tenista brasileiro Márcio Carlsson. “Assistindo a final do Aus Open, esses dois ignoram qualquer velocidade de bola, ângulos, mudanças de direção, físico e mental. Parece que já não é o mesmo esporte que conheci… Demais.” E realmente este catarinense tem razão. Não é tênis é muito mais.

Uma pena que ao final, Murray tenha baixado a intensidade. Sentiu o golpe. Bateu sem equilíbrio e começou a deixar a bola na rede e cometer erros que não vinha apresentando. Mas, ainda assim, seria condescendente: não merecia levar um pneu.

No feminino também acho que o jogo merecia um terceiro set. Incrível como Maria Sharapova lutou e acreditou. Serena  não deixou dúvidas de ser a número um. E fiquei feliz em ouvir seu discurso. Lembrou de sua origem e chegar ao 19. troféu de Slam era algo que jamais sonharia. Revelou seu lado beneficente e, para encurtar a conversa, elogiou a rival Maria Sharapova.

As duas alimentavam uma certa rivalidade. Depois das declarações de Serena acredito que tenha ficado para trás. Grigor Dimitrov está com a russa e a americana vem vencendo com Patrick Mouratoglou. Além disso, como disse Martina Navratilova para existir uma rivalidade é preciso que as duas vençam. O que não é o caso de Sharapova. Com esta final da Austrália a russa perdeu 16 jogos seguidos para a americana. E talvez tenha chegado o momento Vitas Gerulaitis para ela.

Gerulaitis era um dos mais divertidos jogadores do circuito. E foi autor de uma frase histórica no Masters de 1980. Ao chegar no vestiário depois de vencer Jimmy Connors ele disse: “And let be a lesson to you all. Nobody beats Vitas Gerulaitis 17 times in a row”.  Ele tinha perdido 16…

Aviso aos navegantes II – Sigo com problemas com o servidor. Já consigo postar, mas ainda não dá para ver as mensagens. Peço desculpas e paciência.


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