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O papel dos técnicos nesta final do US Open
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2014 às 4:49 pm

Que final é esta hein? Estranha aos olhos do torcedor. Os finalistas transformaram-se em vilões das esperanças de Novak Djokovic e ainda mais do 18. troféu de Grand Slam de Roger Federer. Por mais que se possa lamentar, ninguém, porém,  duvida do talento de tenistas como Kei Nishikori ou Marin Cilic. O segredo está em saber tirar proveito do potencial destes jogadores e faze-los jogar tudo que sabem. Aí entra o papel dos técnicos.

Um fato curioso neste US Open aconteceu nas semifinais. Nos boxes dos jogadores estavam nomes como Boris Becker, Stefan Edberg, Michael Chang e Goran Ivanisevic. Todos grandes do tênis, ganhadores de Grand Slam. Não tenho como não destacar o papel de Ivan Lendl na carreira de Andy Murray. Fez a diferença. Assim como repetiu-se com Nishikori e Cilic.

Para quem não se lembra de Michael Chang, que eu chamava de ‘Chinesinho’, nos tempos do Estadão, ele foi um dos mais precoces campeões de Grand Slam. Ganhou Roland Garros com apenas 17 anos. Baixinho, embora o livro da ATP desse sua altura perto dos 1,80 metro, compensava a pequena estatura com um invejável trabalho de pernas. Era também arrojado. Como então entender seu saque de ‘colherada’. É isso mesmo sacou por baixo diante do gigante Ivan Lendl nas semifinais de Roland Garros, para vencer o jogo e desafiar Stefan Edberg na decisão.

Seu enorme sucesso não impediu que ele caísse quase no esquecimento. A ponto de em 2010, a USTA (a Associação Americana de Tênis) organizar um desafio caça níquel de Chang com Todd Martin em pleno US Open. O Chinesinho estava prestes a casar e ficou feliz com a ‘homenagem’.

Goran Ivanisevic, assim como Chang, também só ganhou um Slam – se é que se pode dizer só… para um Slam, mas serve como ponto de informação apenas – , mas o croata ficou milionário. Sempre foi muito talentoso e, apesar de seu bom jogo de fundo, ficou famoso pela potência de seu saque. Certa vez em Wimbledon reclamavam da pouca duração dos pontos. Quase não havia trocas de bolas. Saque e voleio e pronto. Perguntado sobre o assunto e, em especial, aos apelos dos torcedores, o croata respondeu: “se querem me ver jogar organizem uma exibição… aqui no campeonato vou sacar forte o primeiro e o segundo”, disse o tenista que também marcou era pelo número de aces de segundo saque.

Estas histórias servem para exemplificar de como é importante a experiência adquirida nos Slams. De como estes torneios têm suas peculiaridades. Tanto Chang como Ivanisevic viveram momentos em que falharam nestas competições. Mas também aprenderam a triunfar. E, o mais importante, levaram a seus pupilos um ingrediente imprescindível para superar os grandes adversários: o acreditar. Assim como fez o baixinho Chang a vencer Lendl… de colherada.


Comentários
  1. Jurandir Santos

    Chiquinho, concordo plenamente, a chegada de tecnicos vencedores veio agregar em muito para os quatro semifinalistas, nao somente no plano tatico e tecnico, mas principalmente no psicologico, no qual ficou configurado que tenistas no top 20 ou mais como foi o caso do Guga, tem possibilidade de vencer um GS , tem que acreditar que e possivel. Tanto Nishikori, quanto Cilic fizeram por merecer essa final. Esperamos um excelente jogo amanha e que venca o melhor

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  2. JOSÉ EDSON ALVES

    0lá Chiquinho! brilhante sua analogia em relação, tanto dos finalistas ( Cilic e Nishikori), quanto dos seus técnicos.
    Quanto ao resultados que esses atuais treinadores obtiveram no passado, e agora estão trazendo aos seus pupilos,
    parabéns pela capacidade de enxergar em cada um deles, o que eles tem de melhor para oferecer.
    Também, deixo aqui minha gratidão em relação aoS comentários sobre o Michael Chang, brilhante jogador , sou admirador deste ser humano.

    SOU PROFESSOR E TREINADOR DE TÊNIS HÁ TRINTA ANOS. PARA POTENCIALIZAR MINHA CAPACIDADE, ESTOU CURSANDO A FACULDADE EM ADMINISTRAÇÃO – TERCEIRO ANO.

    GRANDE ABRAÇO…..

    KAFÚ

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  3. El loco

    Chiquinho, a meu ver, para além do nervosismo que envolve os finalistas, tenho que a partida será resolvida pelo saque dos tenistas. É que Nishikori possui todos os golpes de fundo e é regular na rede — esses atributos melhores que os do Cilic.
    Todavia, aquilo que o Cilic tem de melhor, é o ponto fraco do japonês: saque.
    De modo que se o Cilic devolver como devolveu contra Federer terá muitas chances de aplicar vários winners e, por conseguinte, quebrar o Nishikori. E basta confirmar seus serviços e ele fatura.
    Todavia, se começar a ter trocas de bolas e o jogo se prolongar, Nishikori leva.
    abs!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Acho que ele contribui para manter a motivação da tenista em alta, nos momentos em que estão bem… e em baixa quando não estão bem. O emocional esta diretamente ligado ao desempenho dela.

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  4. Marcos Ribeiro

    Por outro lado, parece que a parceria do Djoko com o Becker não deu liga e não está fazendo bem a nenhum dos 2. O Djoko está impaciente e a aparência do Becker passou de um cara relaxado para a de um cara travadão. Até a explicação do Becker para a atuação abaixo da média do Djoko, cansaço, é indício de problemas neste casamento.

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  5. Antonildo S Costa

    pertinente esse seu texto Chiquinho, além das presenças de quatro ex-tenistas na semi de Nova York,e da força que veio dos treinadores finalistas, vale salientar também o feito de Wawrinka no aberto da Austrália, essa conquista do suíço mostrou não só para Nishikori e Cilic, que apesar de muito difícil, com dedicação aos treinos e confiança no seu próprio jogo é passível ganhar dos tops. Agora mudando de assunto Chiquinho, assim como a Renata eu também fiquei triste com a derrota do Roger, mas acredito que ainda esse ano ele conquistará grandes torneios, abraços pra vc, pro Sareta e pra Renata, estarei ligado no ACE BAND SPORTS, Valeu!

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