Federer reinventa o ‘Big Game’
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 24, 2014 às 3:22 pm

Roger Federer lançou o desafio; será que é ainda é possível nos dias de hoje jogar no estilo saque e voleio? O chamado ‘big game’ marcou uma época. Passou por nomes que fizeram história como Pete Sampras, Goran Ivanisevic, Pat Rafter, Stan Smith, Tony Trabert, entre vários outros que brilhavam com bons saques e belos voleios. Entre estes tantos, por coincidência ou não, está também Stefan Edberg, um dos raros suecos que assumiram este estilo.

Em recente entrevista em alemão, traduzida pelo jornalista René Stauffer, Federer revelou seu desejo de buscar mais o saque e voleio em Wimbledon este ano. Na sua estreia não esteve assim tão desvairado como faria Ivanisevic. O suíço de 42 subidas à rede, ganhou 30 pontos, com aproveitamento de 71%. Uma boa média, sem dúvida, mas ainda longe que que mostrava, por exemplo, o alemão Boris Becker.

O ‘big game’ viu o seu fim com o atual estilo do tênis. Golpes agressivos e regulares de fundo de quadra. Subir á rede transformou-se em tática suicida. A tendência está clara nas marcações das quadras de grama de Wimbledon. De uns tempos para cá, o desgaste fixa-se apenas no fundo quadra, linha de base. Há muitos anos formava-se um triângulo com uma das pontas próxima à rede.

O estilo saque e voleio tem sua beleza. Mas não pensem que era o preferido da torcida. Certo ano, em Wimbledon, lembro de uma polêmica criada pelo croata Ivanisevic. Era dono de um dos saques mais poderosos da história do tênis. Por outro lado, surgiam reclamações com a falta de ralis e pouco tempo de bola em jogo. Apareceram estatísticas mostrando que os confrontos tinham mais tempo de intervalos do que propriamente disputas. Questionado sobre o assunto, Ivanisevic respondeu com sua habitual sinceridade. Disse que em Wimbledon estava em busca do título e dos prêmios em libras esterlinas. Se o público queria vê-lo trocando bolas, que o pagassem por uma exibição, que aí sim estaria disposto a dar espetáculo..

Diante deste cenários, os conservadores organizadores do All England Club resolveram interferir no que é mais sagrado em Wimbledon: a grama. Pediram ao jardineiro para buscar um tipo que diminuísse a velocidade do jogo. A bolinha também mudou. E o estilo dos atuais jogadores tratou do resto.

Com o sonho de ganhar mais um título de Grand Slam, Roger Federer tenta reinventar um estilo que estava desaparecido. Seu jogo permite, sua empunhadura também. Tudo á sua maneira de olhar… afinal uma das coisas que o tempo nos reserva é definida pelo suíço com certa nostalgia: “o difícil de chegar a Wimbledon hoje em dia é saber que não poderei ter a perspectiva de jogar por mais 15 anos”. O desafio está lançado.


Comentários
  1. Mário Fagundes

    Para uma primeira rodada, o aproveitamento de 71% de pontos ganhos junto à rede está bom. Federer não é um tenista que se prende à estratégias para vencer. Não seria novidade se ele apresentasse um jogo diferente com percentual abaixo de saque-e-voleio na segunda rodada. Em Wimbledon 2013, ele perdeu na segunda rodada para um adversário que provou que o saque-e-voleio ainda pode ser aplicado na grama com muita eficiência. Talvez aquela derrota tenha servido para alguma coisa em 2014. Chegando aos 33 anos, sabedor de suas chances de vencer mais um GS, seria ótimo que ele também se reinventasse na aplicação tática dentro de uma partida.

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    1. Sergio Ribeiro

      Federer estava numa péssima temporada quando chegou em Wimbledon 2013. Fora quando travou tudo em I.Wells em função das Costas. Curado, optou pela troca de Equipameto e entrou 2014 com Edberg . Definitivamente a nível de tática nunca será um Rafa Nadal . Mas ninguém faz 24 Finais de Slam, e vence 17( so perdeu uma para um destro) se nao tiver um bom mental. Além de ser o recordista de vitorias em Tie-Breaks. O Sueco esta mais do que certo quando diz que 5, 6 anos mais velho( o jogo de pernas nao e’ o mesmo) tem que encurtar os pontos na Grama Sagrada utilizando todo o seu talento nos Voleios. Me parece totalmente coerente.Abs!

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    2. Fernando Brack

      É verdade. Se tem um aspecto que Federer poderia e deveria reinventar em seu jogo é a
      aplicação tática. Nunca é tarde para ele fazer isso. Pelo contrário, viria em boa hora, pois
      outras reinvenções provavelmente nem lhe sejam permitidas pelo fator físico.
      Aliás, uma boa disciplina tática poderia ajudar-lhe a poupar tanto o físico quanto o mental.

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  2. Valdir Passos

    Sr. Chiquinho!!!!! Será quem nesse torneio teremos o ponto: DRIBLE DA VACA? Igual aquele que o Sr. comentou numa jogada em Roland Garros.. aviiiii

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  3. Sergio

    Federer não usaria deste estilo se estivesse jogando contra um adversário mais gabaritado. Conforme avançar no torneio o numero de subidas na rede vai diminuir. A chave para vencer Wimbledon este ano esta na regularidade, apesar de Nadal e Djokovic estarem em um patamar um pouco acima a disparidade entre eles e o resto do circuito nunca esteve tão pequena. Foi esta lógica que levou Wawrinka no inicio do ano a vencer o AO, em boa fase bastou ele realmente acreditar que podia, e conseguiu.

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  4. Luiz Fernando

    Não creio q seja uma reinvenção, mas sim uma medida de desespero. Federer sabe q não tem a menor condição de vencer torneios importantes trocando bolas com seus principais adversarios do fundo da quadra, em especial nos torneios em melhor de 5 sets. Então é obvio q ele tenta uma mudança estratégia, p tentar encurtar os os pontos e a duração das partidas, pois tambem é obvio que quanto mais prolongado é o jogo menores são suas chances de vitória. O alicerce de tudo isso é q dos atuais jogadores, sem duvida é o tenista q tem a maior habilidade no voleio, o q talvez tenha sido algo aprimorado pela escolha do Edberg p treinador. O detalhe é q até agora isso não funcionou, nem mesmo nas quadras rapidas. Vejamos o q ocorre em Wimbledon, pois se não surtir efeito na grama, não surtirá em piso nenhum.

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    1. Sergio Ribeiro

      Nao melhorou parceiro? Subiu do TOP 8 , para a cola do TOP 3 , com mais de 3000 pontos na Corrida para Londres. Nas 3 contra Novak em 2014, venceu 2. Semi do AOPEN e duas Finais de Master1000. Levou Dubai e Halle. Quem faz isso aos 33 ? E’ nítido que o Amigo acompanha o Esporte sem ver os jogos. E so depois do surgimento de Rafa Nadal. Acompanha a pessoa do Espanhol, e nao o Tenis como um todo.Abs!

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  5. Leonardo de Castro

    Chiquinho,
    O Federer têm tênis para usar o estilo saque e voleio e vejo como a unica possibilidade de vencer em Wimbledon este ano ou você acha que a ele poderia vencer Wimblendom através dos ralis? Penso que para vencer desta forma precisará ser mais do que um gênio.

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  6. Julio Calleja

    Chiquinho, o curioso é que acho que o ultimo grande jogo de saque voleio no tenis, foi aquele duelo histórico Pete Sampras vs Roger Federer em 2001 em Wimbledon.

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    1. Sergio Ribeiro

      Se esses “torcedores” de hoje em dia , tivessem assistido aquele moleque aos 19, enfrentando o Mestre Pistol Pete em sua casa amigo, teriam mais respeito ao Genial Suíço , em contrapartida aos jovens robotizados de hoje. As variações que ambos apresentaram , com direito a bate-prontos Fantásticos , direitas e esquerdas na corrida, Voleios e Smash ate do fundo da quadra, ou seja, todos os golpes que este maravilhoso Esporte pode proporcionar. Mas o destino os colocou como HeptaCampeos de Wimbledon. E o Garoto como o verdadeiro Rei da Grama.Abs!

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    2. Claudio

      Realmente 2001 foi o último ano do saque-voleio em Wimbledon. Esse jogo Sampras x Federer (que tenho o DVD e já assisti N vezes) os dois jogaram o jogo inteiro (5 sets) no saque-voleio. Foi nas oitavas de final e Federer viria a perder no jogo seguinte, nas quartas, para Tim Henman, em outro jogo totalmente no saque-voleio. A final acabou sendo entre Ivanisevic e Rafter, mais dois no saque-voleio. Em 2002, que deve ter sido quando trocaram a grama e as bolinhas, a final foi entre Hewitt e Nalbandian, dois jogadores de fundo e contra ataque.

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  7. joao sawao ando

    acho difícil,ele tem que tentar dirves vencedores e voleios na medida do possível, assim e possível ganhar wimbledon

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  8. Carlos Henrique

    Bateu um saudosismo agora lendo esse post. Saudades daquela época não tão distante em que jogadores de saque e voleio como Sampras, Rafter, Ivanisevic e Henman duelavam com jogadores de fundo como Agassi, Guga, Kafelnikov e Hewitt. O jogo era muito mais bonito de ser ver, com várias alternativas de ambos os jogadores. Com a diminuição da velocidade das quadras e das bolinhas o tênis acabou se tornando um jogo muito mais físico do que técnico e a “trocação” com top spin no fundo da quadra se tornou o padrão de 99% dos jogadores. Não se vê mais saque e voleio, lob nem slice ofensivo e nem muita variação tática, é só porrada e correria. Prova que nem sempre a evolução do esporte o torna mais atrativo ao público.

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    1. Ricardo

      Sem dúvida, era bem mais bonito de se ver o tênis daqueles anos, e não só pelos jogos do Guga. Estilos diferentes, variações, saque-voleio…E o que foi aquela semi entre Agassi (baseliner) e Rafter (saque-voleio)! que jogo bonito de se ver! Pra quem não viu: vejam no Youtube como o mestre Sampras saca e voleia na grama – na minha opinião, o melhor desse estilo, mais que Federer. Pena que hoje só tem baseliner.

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  9. william laerte fenelon

    Excelente texto chiquinho, pode me responder uma coisa? vc não acha arriscado federer investir nesse estilo hj em dia? pq federer ganha de 90% do circuito jogando do jeito que quiser, inclusive usando saque e voleio, porém contra os tops(especialmente nadal que é um grande passador)esse estilo é praticamente suicídio,não sei do que adianta treinar e pegar ritmo de jogando usando um estilo que nas rodadas finais vai ser suicídio,essa percentagem de 71% contra qualquer top com certeza vai cair drasticamente…

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Vc tem razão… mas Federer quer fazer um jogo mais rápido. Nesta final, por exemplo, acredito que o terceiro set foi o ponto vital. Até reagiu ao levar para o quinto, mas sua chance seria maior em um jogo mais rápido. Méritos tb para Djokovic, sem dúvida, que não se entregou despois de desperdiçar grandes chances no quarto set.

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  10. william laerte fenelon

    Parte desse texto serve pra essa turma mala que fica reclamando da lentidão do circuito,sendo que as longas trocas de bola são o que torna esse esporte tão especial.

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  11. Willian Lopes

    Mas não acho que seja só em Wimbledon, Federer está indo muito mais pra rede em todos os pisos, ele já havia começado com essa mudança no Australian Open, principalmente quando ele jogou com o 1º serviço, muitos de seus pontos ganhos estavam sendo definidos na segunda bola com voleio ou com o forehand, essa mudança nitidamente tem influência de Edberg. O problema foi que quando ele enfrentou Murray e Nadal no Australian Open, ele tomou muitas passadas tanto na cruzada quanto na paralela, acho que contra eles e Novak, o suiço terá de esperar a hora certa de ir para a rede, caso contrário, continuará tomando passadas deles. Federer não pode e além disso não tem paciência de ficar trocando bolas com esses maratonistas de hoje.

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