TenisBrasil - Tenis.Com Chiquinho
O reconhecimento ao talento de Guga
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 11, 2014 às 3:10 pm

Mais do que o palpite de Gustavo Kuerten, o Guga, de que este ano Rafael Nadal não leva o título de Roland Garros, uma das mais significativas revelações do tricampeão de Roland Garros em recente entrevista em Florianópolis tratou-se de um dos capítulos mais importantes de sua gloriosa e atraente história: o confronto com a Espanha pela Copa Davis, em Lérida, em 1999. No ano anterior, Guga havia conquistado o seu primeiro Roland Garros, mas o verdadeiro reconhecimento ao tenista brtasileiro só consolidou-se nesta competição.

A história veio em tom de depoimento. Uma constatação de fatos concretos, imprevisíveis, que se tratou de um divisor de águas na carreira deste brasileiro. Para entrar nesta atmosfera, com todas as suas nuânces, é preciso voltar ao mesmo confronto entre Brasil e Espanha, só que em Porto Alegre, em 1998.

O torcedor brasileiro vivia um período de euforia. Era o início da “Guga mania” com a então recente conquista de Kuerten em Roland Garros. Com o campeão em quadra, o Brasil tinha sim chances diante da forte armada espanhola de Carlos Moya e Alex Corretja. Só que a recepção dada aos espanhois não foi das mais amigáveis. Usou-se de algumas artimanhas, que particularmente não aprecio. Vestiário sem água quente, ou completamente sem. Quadra de treino com a rede fora do padrão. Barulho de operários justamente no horário dos visitantes em prática. Enfim, coisas que podem ser justificadas ao acaso. Mas não foi esta a interpretação dos tenistas espanhóis. Mas ao final vieram e venceram.

Justamente um ano depois, o sorteio da Davis reservou um novo encontro entre Brasil e Espanha, só que desta vez na cidade de Lérida, em região próxima a Barcelona. Dá para entender que o clima não era dos melhores. Até na sala de imprensa tive de ouvir calado provocações, incluindo funcionários como instalador de linhas de telefonia. Nenhum espanhol era capaz de acreditar num outro resultado que não fosse a vitória.

No primeiro dia do confronto Guga bateu pela primeira em sua carreira Alex Corretja: 3 a 0, parciais de 63, 64 e 75. Na dupla, ao lado de Jaime Oncins, os dois brasileiros superaram momentos difíceis e fortes provocações da torcida para realizarem uma façanha memorável em cinco sets. No domingo, Kuerten enfrentaria o então número um do mundo, Carlos Moya. Quadra cheia e um admiravel show de tênis daquele que viria a ser o tricampeão de Roland Garros.

Na vitória sobre Moya por 62, 64 e 61, o jogo apresentado por Guga esteve tão fascinante que, mesmo em clima de revanche, os espanhois transformaram a torcida pelo seu tenista por olhos de admiração ao bom tênis do brasileiro. Um reconhecimento ao talento. Até então, como confessou Kuerten na entrevista em Florianópolis, ele não tinha ainda a consciência de toda sua capacidade. Passou a encontrar com frequência um elevado nível técnico. Um jogo da mais profunda arte, de dom divino, digno de um gênio da raquete.


Comentários
  1. Lucas

    Guga é Lenda, o vídeo dos lances dele contra RF em 2004 é sensacional, ele faz muita falta, ele poderia ter feito ainda mais!

    Responder
  2. Denis

    Sem dúvida aquela foi uma das maiores vitórias brasileiras na Davis, com certeza a maior que eu acompanhei. Chiquinho, não rolou também uma volta olímpica dos espanhóis em 98, depois de fecharem o confronto?

    Responder
  3. Hélio Samary

    Olá chico, assisti ao último “Ace” e senti necessidade de falar- lhe a respeito do que foi dito sobre “RG” no programa. Penso sim que Rafa pode perder lá, pois “Nole” joga de igual para igual com rafa na terra batida,há algum tempo, isto é fato, porém aposto meu suado salário que o resultado do torneio não fugirá disto: “Nole” ou Rafa. No final, quero deixar claro, no ano em que foi derrotado pelo antipático sueco, Rafa perdeu para ele próprio, jogou com bolas curtas e estava exausto, pois naquele ano já tinha ganho vários torneios de nível, inclusive um “slam”, se me lembro bem. Após isto, o destino se revelou com um “doce” senso de humor e o espanhol não só ganhou todas as partidas para “Soderling” , como também na grama de “Winbledom” e em uma final de “Roland Garros” três “sets” a zero, dando o merecido “troco”. Abraço, meu “velho” amigo!

    Responder
    1. Sergio Ribeiro

      As Vitorias de Soderling sobre Federer e Rafa Nadal foram Incontestáveis. Se nao conseguiu vencer Rolanga perdendo para ambos nas duas Finais, em nada o desmerece. Rafa perdeu pra si próprio? Será que perdeu pra WAWRINKA também do mesmo modo? Ta bom parceiro.Abs!

      Responder
  4. Eduardo

    A esquerda paralela do Guga foi espetacular nessa Davis…talvez a maior vitória brasileira na Davis…jogando contra um timaço e inclusive contra o número 1 e fora de casa…showwww

    Responder
  5. Carlos Rossi

    Chiquinho , a primeira vez que assisti o Guga jogar foi na Davis de 1996 contra a Aústria do Muster e ele virou o placar numa partida incrível quando perdia por 2 a 0 e depois de ganhar 2 sets nos tiebreaks fechou o 5′ set em 6/1 era o segundo jogo e o adversário era o Markus Ripfl. O Meligeni perdeu para o Muster 6/3,6/3 e 6/3. O resto é lenda! Salve Guga ! Agora que venha a Espanha com o Nadal!

    Responder
  6. Matheus mossmann

    Excelente, chiquinho.
    apenas uma correção: o confronto do brasil x espanha ocorreu em 1998 em poa, enquanto o de lérida foi em 1999, e crucial para a arrancada fenomenal de guga rumo aos titulos de montecarlo, roma, e aquele resto de ano em que ele acabou entre os 5 melhores.
    abraços

    Responder
  7. igor piotrovski

    OLÁ, com todo respeito gostaria de informar que ambos confrontos pela TV. Só que o confronto em Porto Alegre foi em 1998 (e não 1997) e o na Espanha em 1999 (e não 1998), quando Moyá era n. 2, e não 1.

    Responder
  8. lEvI sIlvA

    Olá, Chiquinho! E o que me diz da aceitação e torcida por Guga em RG por parte dos franceses? Creio que acompanhou e viu de perto, não foi? Abraço!

    Responder
      1. Henrique Farinha

        Chiquinho, aproveitando a deixa: quem é mais querido, Nadal ou Guga?! Antes que algum torcedor mais exaltado diga algo, não estou perguntando sobre quem ganhou mais, ou quem é o melhor de todos os tempos no saibro, mas sobre quem é apenas o mais querido pelo público que frequenta o torneio. Vc, que quase perdeu as contas de quantas vezes foi a RG, é sem dúvida o mais indicado a dizer isso. Abs!

        Responder
        1. Chiquinho Leite Moreira

          Henrique desconfio que seja o Guga. Franceses e espanhóis curtem uma certa rivalidade, comum em países vizinhos. Franceses são severos nas críticas à esportistas espanhóis.Noah já bateu forte em Nadal. A tevê francesa exibiu clipping do tenista espanhol ‘turbinando’ um carro num posto de gasolina, tudo repleto de insinuações de dopping. A rivalidade no ciclismo tb dá passos semelhantes. Por isso, Guga bresil é mais querido. Estou indo ao meu 29. RG. O primeiro em 85, faltei em 2010 w 2011, retomando em 2012, 13 e agora 14.
          abs

          Responder
          1. Mario Cesar Rodrigues

            Meu caro Chiquinho deixa de ser chato cara já não basta no Ace..risos você não sabe o mal que fez para Guga ao perguntar se Rafa iria ganhar RG..nem se sabe se Rafa vai jogar se vai para final..completamente descabido o comentário do Guga soou como inveja!

          2. Marquinhos

            Nadal sofre grande rejeição na França. Quem me falou isso foram os amigos do meu cunhado, que é Frances. Também dá para perceber que em seus jogos em RG, Rafael está longe de ter a maior torcida.

          3. Henrique Farinha

            Chiquinho, eu tinha certeza de que vc diria isso, mas nada como levantar a bola para quem realmente conhece, ou seja, vc, para bater de primeira! Abs!

  9. lEvI sIlvA

    Opa, Chiquinho! rsrsrs Cuidado pra não “cutucar onça com vara curta”, viu? Um simples comentário pertinente que, sequer fala de alguém podendo incomodar Nadal, pode dar comichões em certos cidadãos! Ser ou não mais querido, não torna Guga maior que o espanhol em RG, não é mesmo?!? Agora, se Guga não pode opinar sobre este assunto, quem mais poderia? hehehe Abraço!

    Responder
  10. Maurício Luís

    Achei que depois que o Guga ganhou RG e atingiu o primeiro lugar no ranking, o tênis no Brasil deslancharia. Teria mais prestígio, mais patrocínio, novos talentos surgiriam.
    Mas ficou nisso. O Bellucci, com todo o respeito que tenho pelo profissional, não é nem sombra do Guga, tanto no jogo quanto no carisma. No feminino, então, nem se fala. Depois de Maria Esther Bueno, nadica de nothing.
    Uma pena. Continuamos na longa espera.

    Responder
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>