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Federer, a entrevista
Por Chiquinho Leite Moreira
março 17, 2014 às 8:09 pm

De volta ao top 5 e com um dos melhores inícios de temporada de sua carreira, Roger Federer deu uma interessante entrevista em Indian Wells. Falou com o jornalista suíço René Stauffer, autor da biografia do tenista. O encontro aconteceu no players lounge, depois de vencer a semifinal, mas antes de ter perdido a decisão para Novak Djokovic. Entendo que o resultado do jogo não invalida o conteúdo, repleto de declarações reveladoras e esclarecedoras.

A princípio, Federer deixou claro de que está no caminho certo. Depois de um ano ruim, conta que levantar todas as manhãs sem dores é um alívio. É claro que admite contratempos e lesões, num calendário tão exigente como o do tênis.

Mesmo antes de disputar a final, já previa dificuldades, embora tenha se mostrado contente com o que fez em Indian Wells. Contou que em Brisbane o piso era muito rápido. Em Dubai e Aberto da Austrália rápido e na Califórnia mais lento. Por isso, revelou que não subiu tanto à rede. Disse que os adversários teriam mais tempo para buscar as passadas.

Está também satisfeito com a parceria com Stefan Edberg. Revelou um detalhe importante. Melhorou muito o seu footwork. Com o bom trabalho de pernas, ele conta, que seu jogo está fluindo ainda melhor e lhe dá confiança. “Não poderia estar mais feliz”, afirmou na entrevista.

A mudança de raquete, aumentando o tamanho para 98 polegadas, ele define como significativa e uma opção que não deve ser subestimada. Ficou surpreso com a facilidade para jogar. E diz que já se sente tão bem adaptado que nem lembra mais da mudança.

Perto dos 33 anos, faz aniversário em agosto, Roger Federer não confirmou que pretenda se aposentar depois da Olimpíada no Rio. Acha que sua despedida irá ocorrer no tour. Mas não sabe quando. “Seria bom se soubesse, pois assim poderia planejar”. Sua esperança é de seguir em quadra por um bom tempo ainda.

Também não fará como Pete Sampras, que ficou a espera de um Slam para dizer adeus. Disse que vencer mais um major está dentro de seus objetivos, mas considerou importante ganhar também os outros torneios.

Ele reservou muitos elogios ao parceiro Stanislas Wawrinka. E fez uma curiosa comparação sobre a Copa Davis. Definiu que no começo da carreira foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Depois a pior… e agora acha ‘bonito’. Com Federer e Wawrinka a Suíça é uma das fortes favoritas à conquista do título.

Discreto, como sempre, preferiu não comentar a notícia veiculada pelo Daily News, de que sua esposa estaria esperando gêmeos, novamente. “Isso eu não falo. Sei que há rumores. Mas este é um assunto meu e da Mika”, concluiu.

 


Comentários
  1. Thiago

    É inegável que Federer deu uma melhorada em seu jogo..mas há de se reconhecer que a chave dele foi facilitada pelas quedas precoces de Nadal, Wawrinka…
    Precisamos de mais tempo para constatar sua real e efetiva melhora..

    Só uma coisa a pontuar, Sampras não ficou a espera de vencer um Slam para dizer o adeus. Até o final de 2002 pouquíssimo se especulava sobre sua aposentadoria mesmo apesar de resultados ruins, embora fosse bi-vicecampeão de US OPEN. Depois que ele venceu Agassi no final do USOpen e devido as suas constantes ausências nos torneios seguintes é que se começou a especular sobre sua retirada, o que ele confirmou justamente na abertura do torneio de 2003, alegando não ter mais o que conquistar no circuito após tantos anos de domínio.

    Ao contrário, do que acredito que Federer projete para sua vida, mesmo ele dizendo ao contrário. É inegável que o suíço busca o “canto do cisne” para se retirar. Voltar a ser dominante no circuito é praticamente impossível e além disso, não creio que ele se esteja satisfeito da forma que tem terminado os torneios nos últimos anos.

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  2. Maurício Luís

    Se a esposa do Federer estiver mesmo esperando gêmeos (não sei pra quê fazer segredo: vai durar no máximo 9 meses), quer dizer que ele tem mais facilidade pra fazer filhos do que pra ganhar títulos. Porque títulos ele só ganha um por vez. Já os filhos…

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      1. Maurício Luís

        É verdade, Chiquinho. Mas título de simples, acho que só dá 1 por vez.
        Tô achando que a TV da casa dele pifou e o computador deu pau. Daí, um olhando pra cara do outro, sabe como é…

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Maurício foi só uma ironia. Afinal, tenistas como Federer quando estão nas finais de simples e duplas, sacrificam as duplas.

          Responder
    1. benjamin button

      De quem esse Mauricio está realmente está falando? Do Federer? Acho que ele acompanha tenis pela internet, e deve ser bem jovenzinho,…

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      1. Maurício Luís

        Benjamin, eu só fiz uma brincadeira sobre a possibilidade da esposa do Federer estar esperando gêmeos de novo. Mas eu, apesar de não me considerar tão fã dele, reconheço que é um grande campeão e sei que tem um caminhão de títulos.
        Quanto a eu ser jovenzinho, bem que eu gostaria, mas não sou. Abr.

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  3. Leonardo

    Não acredito que o Federer esteja esperando ganhar um Grand Slam ou algum título específico para se aposentar.
    Acho que isso esta fora dos planos dele neste momento e não deve ocorrer tão cedo.
    Pegue o exemplo de Tommy Hass com 35 anos e jogando em um bom nível.
    Caso continue jogando bem e sem se machucar, nao vejo o por que de se aposentar
    No caso do Federer, embora eu acredite o quão difícil seria vencer um grand slam (e ele também!), vendo-o ganhar partidas com extrema facilidade de tenistas fora do TOP 10 e avançando sempre na maioria dos torneios, nao vejo motivos para se especular em sua aposentadoria.
    Na minha opinião o que poderia estar o motivando são as possíveis quebras de recordes, como maior numero de vitórias, de títulos, de finais, de semis, etc, aliado ao fato de ele perder, na maioria das vezes, para jogadores dentro do TOP 10.
    .

    é a quabra de recordes

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  4. Jacks Santos

    Chiquinho;

    Por favor explique melhor a opinião do Federer sobre a Davis…

    Melhor? Pior? Bonito? Não ficou muito claro…

    (Se algum internauta tiver compreendido melhor do que eu, por favor responda também! )

    Abraço

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Pois é… no início da carreira foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Foi o reconhecimento de um jovem tenista, ainda em busca de um lugar ao sol.
      Depois o pior… com tantos compromissos para defender pontos, não perder a liderança do ranking, preparar-se para todos os eventos, lembrando que, como favorito, jogava a semana inteira. Jogadores do grupo intermediário p’ra frente jogam menos, pois perdem nas primeiras rodadas. No melhor momento da carreira de Federer, a Davis era o pior para ele. Teria de perder, pelo menos, quatro semanas em compromissos, viagens e adaptações aos confrontos.
      Agora, em ‘melhor idade’, num momento em que não se sente mais tão pressionado pelos compromissos, defesas de pontos, chega ao momento mais bonito. Curtir a dupla com Stan, divertir-se em nome das cores da Suíça e sem mais brigas de discussões com dirgentes e técnicos da equipe da Davis. É bonito jogar a Davis.

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  5. Toni

    Federer este ano disputou 4 torneios e fez 3 finais e uma semifinal no Australia Open, tem 19 vitórias e 3 derrotas.
    Apesar de perder do Nole do Tie-brake do 3o set, havia vencido o mesmo Nole em Dubai.
    O que ele ainda faz com seus quase 33 anos é mágico.
    É claro, o homem não é mais absoluto como foi, mas ficaria muito feliz se um único brasileiro estivesse jogando metade do que o Federer ainda joga.
    Será que é pedir demais?

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      1. Marcos Ribeiro

        Como eu, quem perguntou tb. nao deve jogar tenis e estranhou, imaginando ser o diâmetro ou diagonal do aro, como nas TVs. Pensando um pouco, concluo que só pode ser o perímetro do aro, o que esclarece a dúvida.

        Responder
        1. Chiquinho Leite Moreira

          98 polegadas de aro – cabeca da raquete para alguns. Antigamente jogava se com raquetes menores. A primeira de cabeca grande – raquetao foi a Prince de Gene Mayer- agora todosusam

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  6. Rodrigo Campos

    O kra que chega no nível do Federer (ou seja, só ele próprio até hoje) não precisa de mais nada, ele joga por prazer. Nem por dinheiro, já que pode continuar ganhando uma fortuna só com a venda de sua imagem. Ele tem tanto prazer em jogar tênis que se submete a inúmeras especulações e comparações idiotas do tipo: “o Nadal é melhor q ele”, “ele quer ganhar mais um Slam”, “será que ele é o melhor de todos os tempos”, “quando vai parar”, “nunca deu muita importância pra Davis”, etc, além de ficarem em cima da mulher dele. Isso deve ser um pé no saco, mas ele sabe que é o preço da fama. Fora isso ele deve pensar apenas que seria interessante ganhar uma Olimpíada em simples, uma final de Roland Garros em cima do Nadal e o octa em Wimbledon (nessa ordem), mas certamente ele não perde uma única noite de sono por isso e nem é por isso que ele ainda não se aponsentou…

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    1. Marcos Ribeiro

      Uhmm…. Não posso concordar, levando em conta que, numa entrevista ainda em Indian Wells 2014, ele afirmou : “Ganhar resolve todos os problemas”. Não, não joga só pelo prazer de jogar, parece que é mais pelo prazer de ganhar. :)

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  7. Maurício Luís

    Tomara que o Roger “Topete” Federer continue jogando por mais algum tempo. Porém, com essa idade, mulher e filhos pra cuidar, não dá pra fazer milagres.
    Já não é mais aquela “Brastemp”. Mas ainda é bem melhor do que muito novato por aí.
    Lembro-me que Jimmy Connors protagonizou alguns verdadeiros duelos entre gerações. No US Open 1991, aos 39 anos, venceu AAron Krikstein, de 24 anos, no tie-break do quinto set de virada, após estar em desvantagem de 5 games a 2. O estádio veio abaixo.
    Quem sabe o Federer também não chega lá. Classe pra isso ele tem.

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  8. Érico - BSB

    Perdoem minha ignorância, mas me parece que o Federer (a partir de agora) sempre vai perder para o Nadal e Djoko porque estes dois são muiiiiito mais raçudos…estou errado Chiquinho? Antes que me detonem sou muito fã dele, só me parece que falta raça, gana de lutar por cada ponto ao Federer.
    Abs

    Responder
    1. Rafael

      Amigo, o problema do Fed nunca foi raça. 2013, indiscutivelmente o pior ano de sua carreira, foi causado primeiro pelas dores nas costas (que começaram em Indian Wells), o que o incomodou pela maior parte da temporada. Esse problema prejudica demais o saque (o que, para um jogador tão ofensivo quanto ele, é fundamental para ditar e encurtar os pontos). Isso gerou uma grande fragilidade no seu jogo, e, consequentemente, falta de confiança. Jogar sem grande confiança contra Nadal, Djokovic, e os outros do Top 10 é MUITO complicado.
      No final da temporada passada, notavelmente Basel e Paris, ficou ainda mais evidente o quanto ele estava lutando para ganhar jogos, mesmo contra adversários bem abaixo de seu nível. Falta de confiança.

      Com o descanso, a pré-temporada muito bem feita, a nova raquete, as novas opções de jogo, temos o bom o velho Roger de volta.

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    2. Chiquinho Leite Moreira

      Não sei se sempre vai perder. Recentemente ganhou de Djoko em Dubai. Mas, vc tem razão, ele já não é mais o favorito…
      abs
      Chiquinho

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  9. Chiquinho Leite Moreira

    Sempre pode evoluir. Está com novo equipamento e novas opções de jogo. Mas agora quanto a cansar fica uma dúvida. Certamente, com a idade o físico cai. Só que ele fez o mais difícil no terceiro set e perdeu-se no tie break. O que vc acha… foi o físico ou o mental?

    Responder
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