TenisBrasil - Tenis.Com Chiquinho
A nova realidade do tênis brasileiro
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 18, 2013 às 1:57 pm

O ranking desta semana – no encerramento da temporada – revela uma nova realidade do tênis brasileiro. Na ATP não há nenhum jogador entre os cem primeiros. Portanto, sem vagas garantidas na chave principal do Aberto da Austrália. Em compensação, na WTA Teliana Pereira, com a 97a. posição, está apta a encerrar um jejum de mais de 20 anos, sem mulheres na chave de um Grand Slam. Outra boa notícia é que, pelo menos em duplas, são dois jogadores entre os dez. Bruno Soares poderá ser cabeça dois em Melbourne e Marcelo Melo, o quatro.

Este cenário, porém, revela boas perspectivas, sem cometer o pecado do excesso de otimismo. Thomaz Bellucci, nestes últimos torneios, recuperou seu bom tênis e confirmou o potencial para estar numa posição de elite no tênis internacional. Sinceramente gostaria de vê-lo no início do próximo ano na Oceânia, se o seu abdômen permitir.

Também vejo com bons olhos a nova geração. Guilherme Clezar não passou para as semifinais do ATP Challenger Finals, no Clube Hamonia, em São Paulo, mas isso não tira seu valor. É, assim como Bellucci, um jogador com tênis moderno, capaz de alcançar boas colocações no ranking mundial. Mais atrás está Tiago Monteiro. Ele tem uma característica cada vez mais rara nos dias de hoje mas de extrema eficiência, o toque de bola, a mão. E isso para um canhoto é ainda mais interessante.

Para Teliana Pereira o atual ranking é um prêmio pela sua perseverança e dedicação. Como recompensa pode, enfim, entrar na sonhada chave de um Grand Slam. Afinal, a carreira de um tenista não se completa plenamente sem, pelo menos, uma participação em um torneio desse nível.

Nas duplas uma realidade. Tanto Bruno Soares como Marcelo Melo têm sim a possibilidade de concretizar o sonho de um título de duplas masculina num Grand Slam. Não seria surpresa se isso já viesse na Austrália. Afinal, os dois brasileiros estão cheios de confiança. E isto é um ingrediente eficaz quando se entra em quadra.


Comentários
  1. REnato

    Boa tarde Chiquinho. Seu comentário traduz o que todos sabemos: nem sei se vc quis dizer isso mas é o desencanto sobre um tênis medíocre, abaixo do mediano em nível técnico e físico, jogadores tal qual iguais. Contentar-se com a possível participação de uma tenista sem condições técnicas de participar de um grand slam é muito conformismo. Ou vc acha que tem condição de enfrenta a Serena? Em meio hora acabou o jogo!Devemos nos conformar que o tênis além de mal gerido, especialmente pela CBT com patrocínio dos Correios, é apenas o 16 em preferência nacional. Portanto não tem apelo popular. E pior dando apoio a CBT a jogadores medíocres para fazerem turismo por aí. Clezar, rapaz simpático e atencioso, cheio de vontade, não chega em lugar algum. É mais um Romboli, Nicolas, Ghem, Fernandes, Camilo, Alves e outros da mesma baixa categoria técnica. Quem tem no juvenil além da Bia ? Tem o nosso primeiro, segundo, terceiro daqui é bom que se diga -, que quando vão prá fora só levam ferro! Tênis no Brasil existe para poucos que gostam igual eu. No exterior não serve para coadjuvante. Abcs! Ah dupla é outro jogo de tênis!

    Responder
    1. Chiquinho Leite Moreira

      Renato entendo sua indignacao. Mas quem vive o tour – e posso falar isso depois de 28 RG outros 20 US Open mais 18 Wimbledon e outros cinco Ao – sabe como o funil do tenis eh apertado. O ranking desses meninos como Clezar o rank alcancado por Bellucci e toda a historia de superacao de Teliana vai entender o que escrevi.
      abs
      Chiquinho

      Responder
      1. Samuel

        A questão, Chiquinho, é que nós – os torcedores do tênis – temos que nos resignar a desenvolver a arte de sermos comentaristas inteligentes, espirituosos e interessantes. Os três bons (Thomaz Koch, Patrícia Medrado e Thales de Menezes) estão fora de circulação há cerca de uma década.

        De resto, não há qualquer esperança para que surja um tenista profissional compatriota de alto nível nos próximos anos. Sabemos muito bem que seriam necessários talvez seis elementos para o desenvolvimento do tênis no Brasil: barateamento dos materiais, construção de numerosas quadras públicas, qualificação dos professores de academias e de clubes, incentivo para a prática do tênis universitário, aumento do número de centros de excelência e um grande número de torneios futures e challenger.

        Isso permitiria tranquilamente ao Brasil, uma nação que tem mais de 200 milhões de habitantes, possuir de 5 a 10 homens e de 5 a 10 mulheres entre os 100 melhores simplistas do mundo e o mesmo número entre os 100 melhores duplistas no circuito profissional.

        Porém, em um país onde há apenas 0,5% de praticantes de tênis e em que alguns pequenos centros de excelência em tênis lutam para manter-se vivos, é muito improvável que consigamos todos esses fatores juntos.

        Assim, no quesito “jogadores”, teremos que aguardar décadas para o surgimento muito casual de pessoas como Maria Esther, Thomaz Koch, Gustavo Kuerten, Niége Dias, Andréa Vieira, nas simples, e de Cássio Motta, Bruno Soares, Marcelo Melo, Kirmayr e André Sá, nas duplas.

        Por isso, aposto muito mais na qualificação de nossos comentaristas, a fim de que ao menos fique cada vez mais agradável ouvir e ler sobre tênis em língua portuguesa.

        Responder
        1. Henrique Farinha

          Samuel, sou bem menos pessimista do que vc. Já temos muito mais recursos do que em tempos passados, o número de futures e challengers já é bem razoável e há projetos com perspectivas. Há pontos, como a massificação, em que ainda engatinhamos e eu concordo com vc, porém vejo que não é tão necessário construir quadras públicas quanto utilizar os equipamentos públicos ociosos, especialmente em escolas, praças etc. para esse trabalho, além da qualificação dos professores de educação física. Precisamos menos de dinheiro do que de racionalidade na gestão. Há jovens talentosos e a ascensão no mundo do tênis depende de inúmeros fatores. Países como a Suécia, com maior tradição do que a nossa, também padecem com a falta de jogadores. A Suíça tem hoje Federer e Wawrinka. Quem vai sucedê-los? Aparentemente, haverá um vazio quando pararem. Assim sendo, além de problemas estruturais, há uma oscilação natural entre as gerações. Temos de levar isso em conta, faz parte da vida. Abs!

          Responder
          1. Samuel

            A Suécia está sem jogadores de destaque neste momento. Essa é uma situação isolada, excepcional. Em regra durante todo o período do profissionalismo o país nórdico teve inúmeros jogadores entre os 100 melhores, vários sucessos na Copa Davis, diversos vencedores de Slams em simples e em duplas. Recentemente caiu um pouco de produção e teve apenas Johanson, Soderling e Bjorkman. É apenas questão de tempo até aparecer um talento.

            Reafirmo aquilo tudo que eu disse, ressaltando que espero que se desenvolvam bons críticos de tênis e agora acrescento que torço para que custe mais barato praticar esse esporte no Brasil e para que haja uma massificação de professores competentes de tênis.

    2. Rogerio Ramos

      Renato, o mais lamentavel é ler um comentario ignorante como o seu. Falar que a Teliana não tem nivel tecnico de estar em um Grand Slam, dizer que Clezar não vai a lugar nenhum, e que o tenis é o 16 em preferencia nacional, é uma enorme idiotice. Teliana é a 97 do mundo, venceu muitas tenistas top 100 e tem nivel de 50 do mundo. Clezar tem 20 anos, 150 do mundo, e potencial para chegar no top 80 ano que vem. Quanto a preferencia nacional, como um esporte que passa tanto na TV, sportv, fox sports, band sports, espn, sky, entre outros, praticamente temos todos os torneios da ATP e WTA sendo transmitidos no Brasil. Diria que o tenis esta somente atras do futebol na preferencia. Ah e coloque seu nome completo da proxima vez, e va assiistir outro esporte ao invez de só criticar e ser tao ignorante! Ou procure ler, ver e ouvir especialistas. Abraco

      Responder
  2. Rafael

    Olá Chiquinho e amigos do blog

    Venho acompanhando a anos os torneios pela televisão e percebo que o tenis brasileiro não tem condição de chegar ao nivel dos grandes tenistas que temos hoje. A começar que faltam é talentos, porque o Guga chegou a onde chegou, porque tinha talento. Que adianta o tenista ganhar Challenger e chegar num torneio de nivel ATP ou Grande Slam e não conseguir se quer passar da primeira rodada. Os poucos tenistas que estão dando certo, como é o caso das duplas e da própria Teliana é fruto de muito trabalho, estrutura, investimento, apoio não só financeiro mas psicologico etc. Lembro que uma vez o Guga deu uma declaração que na época da DAVIS ele jogou lesionado para pelo menos tentar levar o pais a algum lugar. E hoje? O cara mal sente uma dor, que resolve não jogar. É uma pena que o nosso pais a unica coisa que é apoiada de fato é o Futebol. Para vocês terem uma ideia fiquei sabendo da Teliana através do jornal, do blog, porque o próprio UOL está com as informações desatualizadas, inclusive sem contar os torneios de grande SLAM, sou obrigado a procurar em outros sites, agora rescentemente descobri o seu blog Chiquinho, que por sinal é um dos melhores que já vi.

    Espero que para as Olimpiadas de 2016 não passemos o vexame de ter um tenista brasileiro que perdeu na primeira rodada.

    Um forte abraço a todos

    Rafael

    Responder
  3. marcelo r a b silva

    Me perdoem os críticos ditos entendidos do assunto, saudade de Maria Ester Bueno, essa sim nasceu para o tênis e honrou o nome e as cores do Brasil. Mais recentemente Thomas Kock e Edson Mandarino nostrouxeram alguma alegria e respeitabilidade nesse segmento esportivo. E um esporte para poucos, para riquinhos e descomprometidos, uns boyzinhos medíocres que quiseram extrapolar seu mundinho e aventurarem-se em torneios que jamais tiveram condições para disputar, so derrotas sem aprendizado, prova que não havia qualidade intrínseca, as derrotas não ensinaram,as lições não foram aprendidas, a culpa não foi dos professores, os alunos eram maus, não traziam qualidade só ambição em aparecer e jogar dinheiro e esperanças do povo fora(muitos usaram dinheiro do Brasil).
    Não estou esquecendo do Guga não esse fugiu a regra. Nosso tênis e ridículo, não se pinça o melhor e sim o que tem porque não há chances pra quem tem efetivamente vocação.

    Responder
  4. Tiago

    Duplas, Teliana, Bellucci voltando…que bom! Para um país que só valoriza a vitória, e não a luta diária dos atletas, é ótimo vermos essa diversidade no nosso tênis.
    Quem apareçam mais!
    Abrçs

    Responder
  5. Henrique Farinha

    Chiquinho, eu até acho que a temporada de 2013 está acima do nível do esporte por aqui. Poderia ser ainda pior… Ter duas duplas em semi de ATP Finals é um “aborto da natureza”, fruto de talentos muito acima da média com empenho idem. Dos recém-profissionalizados no masculino, penso serem Guilherme Clezar e Tiago Monteiro os que nos dão mais esperanças. Thiago Fernandes foi prejudicado pelas contusões, mudança de trabalho e, na minha visão, ainda está refém da pressão que põe sobre seus próprios ombros. Ele precisa esquecer a hipotética obrigação de ser o substituto de Guga por ter sido #1 do mundo no juvenil. Monfils e Tipsarevic, para ficarmos nesses dois, também foram e nem por isso viraram líderes do ranking profissional. E ainda penso que o feminino pode nos dar mais alegrias do que se imagina em médio prazo, seja pela pobreza da nossa história nas últimas duas décadas, em que qualquer evolução é notada, seja pelo esforço da guerreira Teliana Pereira – não me canso de admirá-la, essa menina é um exemplo! – ou pelo despontar de jovens que prometem, com Bia Maia à frente. Abs!

    Responder
    1. Chiquinho Leite Moreira

      Henrique concordo com vc. Mas vejo potencial para os jogadores de simples masculina tb colocarem-se entre os cem primeiros. Acredito em melhoras na próxima temporada. O funil do tênis é muito apertado. Difícil jogar um Slam. Por isso valorizo o que todos fazem dentro de quadra.
      abs
      Chiquinho

      Responder
  6. Caco Mauricio

    Po não to entendo a de uns caras acima, esculachando os atletas nacionais… O tenis brasileiro, no meu entendimento, apresenta os mesmos defeitos encontrados no esporte nacional como um todo… Alias, isso e reflexo da sociedade brasileira… Temos que ter conciencia que somos um pais de péssimas condições educacionais, sociais e políticas… Pais de terceiro mundo, com honrosas exceções, dentre elas os atletas nacionais que se destacam em qualquer seguimento esportivo… Enquanto não tivermos uma evolução qualitativa na educação padeceremos no inferno, vivendo em um lugar que tem tudo para ser um paraíso … Abraços

    Responder
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>