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ATP: associação de classe ou empresa lucrativa?
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 5, 2013 às 12:27 pm

Há muito tempo que se discute os atuais rumos da ATP e seu verdadeiro e real propósito. A associação nasceu em setembro de 1972 com a firme determinação de proteger os interesses dos tenistas masculinos. O primeiro presidente foi Cliff Drysdale, o famoso Jack Kramer (que se transformaria em sinônimo de raquete por uma boa época) criou o ranking, fugindo ao controle da ITF (a Federação Internacional. A associação conquistou respeito ao ser o primeiro esporte profissional a instituir um programa de controle de doping.

Ao longo dos anos muitas mudanças e capítulos marcantes como a famosa reunião dos tenistas no estacionamento do US Open. Um verdadeiro grito de independência da associação.

Esta voz forte dos tenistas perdeu volume ao longo dos anos. As decisões não parecem atender o princípio da associação de ‘proteger os interesses dos jogadores’ e o sucesso da ATP hoje é de uma empresa lucrativa.

Este assunto ressurge e ganha força quando os líderes do ranking, o número um Rafael Nadal, e o número dois, Novak Djokovic revelam descontentamento com os rumos do ATP Finals. A competição nasceu com o interesse de desenvolver a modalidade, levando o melhor do tênis a diversas praças. Mas agora, como diria Caetano (nem sei se os membros do Procure Saber autorizam esta citação) ‘a força da grana’ praticamente fixou o Finals em Londres.

Os motivos são vários. A arena O2 é ótima. A bilheteria excelente. Os direitos de transmissão também e o patrocinador, Barclays, nem se fala. Não dá para reclamar da lucratividade.

Só que os interesses dos jogadores ficaram para segundo plano. Rafael Nadal reclama do imperialismo do piso rápido para esta competição. Não sem interesses próprios, gostaria de ver o Finals sendo jogado no saibro. Longe de defender os interesses do Brasil, o Rio tentou ser a sede do evento. E neste caso o saibro seria a superfície. Mas a ATP, embora tenha recebido o dinheiro do patrocínio da cidade do Rio, não fez força para levar pela primeira vez a competição para a América do Sul. A justificativa é que os lucros no Brasil não seriam os mesmos e a compensação financeira só viria depois de alguns anos. Ora, o Finals nasceu com a vocação nômade. Esteve em Tóquio, Paris, Barcelona, Boston, Melbourne, Estocolmo, Houston, Nova York, Frankfurt, Hannover, Lisboa, Sydney, Xangai e por aí vai…

Seria importante atender também os interesses de Djokovic. Imaginem o incentivo ao desenvolvimento do esporte que não se teria com a disputa em Belgrado. Como seria bom também ser disputado em outra superfície. Mas quem será que manda na ATP?


Comentários
  1. Carlo

    Ñ podemos ser ingênuos… os tenistas tbém adoram $$$, e o fato da ATP focar no resultado financeiro, certamente, contra com a aprovação da esmagadora maioria, señ a unanimidade.
    Compare o volume total de premiação distribuído no primeiro ano da ATP (ou no ano anterior), com 2012, p. ex. Alguém acha q os tenistas discordam disso?
    Essas críticas de Rafa e Nole são pontuais, e refletem interesses individuais. Mas, no geral, ñ peça aos 2, ou a qq outro tenista profissional, q abra mão de qq vantagem financeira por conta de uma mudança de foco, pq será absolutamente espancada pela esmagadora maioria.
    Claro q há alguns conflitos com a tradição e ética do esporte, mas, no geral, até onde for possível, impera a mais sagrada das regras universais: follow the fucking money!

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    1. Marcos RJ

      Perfeito Carlo! E tambem tem o velho ditado que diz…
      “Money talks, bulshit walks” (ou “Dinheiro fala, conversa-fiada passa”)

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  2. Eddy Beutter

    Amigo meu, Rio está brinado, não? Eles não tem a minor condição de organizar a Final do ATP. São amadores totais. Precisa lembar o Pan-Am o meeti g de atletismo? Fracassos

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  3. José Benedito da Silveira Filho

    Então porque não transformar a quadra da Arena O2 em outra superfície para o próximo Finals, por exemplo o saibro, já que o contrato vai até 2015? lá? No WTA este torneio é itinerante e já na próxima tempora será jogagda em outro local. tanto Djokovic quanto Nadal tem razão.

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    1. Lucas

      Atente q o saibro não agrada os povos de origem inglesa …
      São eles, efetivamente, quem mandam no Tênis.
      E quem manda no espetáculo põe o dinheiro e quer lucro.

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  4. Carlos

    Muito bom o tópico, Chiquinho.
    O importante é faturar, competir já deixou de ser o objetivo faz tempo.
    E quanto as reclamações dos jogadores, garanto que o Nadal não se importaria que o Finals ficasse para sempre em Londres, se optasse pelo piso de saibro.

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