Mulheres já ganham mais que os homens
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 21, 2013 às 11:35 pm

O que seria uma luta pela igualdade, transformou-se em vitória. Pelo menos no tênis atual as mulheres já ganham mais do que os homens. Esta é a nova realidade demonstrada pelo WTA Championships, torneio que reúne esta semana, as oito melhores tenistas da temporada em Istambul. E para desdenho dos marmanjões que estarão em breve em Londres, para o ATP Finals, a campeã invicta na Turquia irá embolsar um cheque de US$ 2.145 milhões, contra US$ 1,923 milhão de quem vencer de forma invicta na O2Arena.

Este fato ainda não é capaz de alterar o ranking de premiação. Este ano, o número um da ATP, Rafael Nadal recebeu só em prêmios US$ 10,8 milhões, enquanto a líder da WTA,.Serena Williams faturou US$ 9,9 milhões. A diferença torna-se ainda mais favorável aos homens se comparados os vice-líderes. Novak Djokovic embolsou até agora em 2013 US$ 8,5 milhões, enquanto Victoria Azarenka US$ 5,8 milhões.

O movimento feminino por prêmios iguais no tênis é histórico, com capítulos memoráveis e muitos outros polêmicos. Porém, jamais poderia se pensar que os ideais de Billie Jean King – a precursora na briga por prêmios iguais – pudesse superar as cifras pagas para os homens.

Tudo começou nos anos 70 de maneira humilde, simples, até transformar-se em realidade. Nos últimos anos os Grand Slams se adequaram e a este novo momento. O primeiro a aderir foi o US Open, que não criou subterfúgios. Resolveu e pagou todos com a mesma quantia. Outros Slams usaram uma linha mais sinuosa. Primeiro colocaram cheques de mesmo valor para os campeões de simples – homens e mulheres – mas o restante da chave de 128 jogadores apresentava diferenças.

Nos Grand Slams apareceram os críticos mais vorazes. Entre eles, uma lista enorme de tenistas famosos. Muitos não aceitam a batalha vencida pelas mulheres. Dizem que as mulheres só jogam partidas em melhor de três sets, enquanto homens suam a camisa em melhor de cinco. Eles ficam mais tempo em quadra do que elas. Porém, alguém me alertou nestes dias que Usain Bolt acumula fortunas em menos de dez segundos.

Parece ser uma briga sem fim. Nos primórdios da luta pela igualdade, no ano de 1971, Billie Jean King foi desafiada por Bobby Riggs, um ex-campeão de Wimbledon. O jogo ficou conhecido como a ‘Batalha dos Sexos”. O resultado da estranha exibição foi a vitória de Billie Jean, muito mais em forma na época do que seu soberbo oponente.

Na verdade, o resultado desta batalha dos sexos não refete o que acontece em quadra.  A mais forte tenista da WTA, a americana Serena Williams, não teria qualquer chance nem mesmo diante de um jogador de nível intermediário da ATP. Só que este não é o assunto em discussão. Afinal, se hoje elas estão recebendo mais é porque alguém está pagando. Ou seja, o tênis feminino está muito mais atraente, com bons patrocinadores e condições de premiar de forma condizente. Esta semana, as oito melhores da temporada de 2013 estarão em ação em Istambul dividindo uma premiação de US$ 6 milhões… em melhor de três sets.

 


Comentários
  1. Henrique Farinha

    Chiquinho, vc tocou no ponto fundamental: há quem banque o tênis feminino. Veja que a WTA trabalha muito mais do que a ATP na promoção do seu produto. A campanha “Strong is Beautiful”, que a própria BandSports veicula, demonstra isso. Os torneios femininos são mais equilibrados, as vencedoras, mais distribuídas. Ah, mas Serena é muito superior às demais… É fato. Mas essa supremacia não tem sido tão avassaladora quanto a do “Quarteto Fantástico” no masculino, apesar deste estar se transformando num trio com a decadência mais do que natural de Federer. Se Serena sobra, entre as demais prevalece um enorme equilíbrio. E Azarenka tem aos poucos desafiado essa superioridade de Serena. Além disso, as mulheres se habituaram a vender muito mais do que os homens para arrecadarem mais. É muito mais comum se ver Serena, Sharapova, a aposentada Kournikova e outras promovendo produtos. No masculino, isso está bem mais restrito. Nadal e Federer são garotos-propaganda com muito mais frequência do que os demais. Creio que a discussão precisa sair do machismo, da comparação entre quem fica mais tempo em quadra, o que é uma estupidez, migrando para a questão fundamental: o tênis feminino é interessante para muita gente e os patrocinadores concordam. E a distribuição de prêmios obedece a essa lógica. Abs!

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    1. Renato

      Henrique, você foi preciso em seus comentários. Não há nada mais a acrescentar. Essa lenga-lenga machista é de irritar qualquer um.

      Apenas como curiosidade, estive pensando que esse ano foi interessante nos Grand Slams. Tivemos os mesmos vencedores do Autralian Open do ano passado: Djokovic e Azarenka.
      Tivemos 3 vencedores diferentes nos 4 Slams, sendo que masculino e feminino venceram os mesmos 2 Slams. Nadal e Serena venceram Roland Garros e o US Open.
      Tivemos um novo vencedor em Wimbledon: Andy Murray e Marion Bartoli, onde ambos já haviam sido vice-campeões.

      Interessante…

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    2. Lucas

      Henrique, bacana o seu comentário, mas há uma incoerência qdo vc diz q no feminino “essa supremacia não tem sido tão avassaladora quanto a do “Quarteto Fantástico” no masculino”.
      Pera lá, no feminino a Serena qdo quer , e ganha qdo não quer tb, tamanha a diferença dela p/ as demais atletas. Não se disputa Título ali pois todos sabemos de antemão q a Serena vai ganhar.
      Ao menos no masculino vc tem um disputa de 4 jogadores pelo TÌTULO.

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  2. Vinicius Biscaro

    Oi Chiquinho!!! eu prefiro muuuuuuuuito mais a WTA, é muito mais divertido, mais emocionante e mais e previsivelmente imprevisível! As mulheres conseguiram esse status por méritos próprios, muita gente gosta de vê-las em ação, acho que as tenistas expões mais seu lado emocional durante as partidas/temporada e isso faz com que elas se tornem um pouco mais “próximas” de seus fãs sabe? Acho que em geral a WTA tem mais personagens inusitados que cativam/odeiam;mexem com a atenção do público, pelo menos a minha:
    (1) SERENA: a ogra, a terríve,l a impiedosa, o trator humano que passa sem dó e piedade por quem aparece em sua frente (uma vilã quase invencível)
    (2) SHARAPOVA: uma princezinha que mais do que um rostinho bonito, é valente, corajosa, e não desiste dos seus sonhos (uma barbie praticamente)
    (3) Azarenka: é linda e talentosa, menos q Sharapova mas é mais perigosa pra Serena, apela se preciso for e tbm, como as melhores tenistas, não desiste nunca.
    (4) Na Li: Pode ir do céu ao inferno em qq momento, é craque mas perde a cabeça, uma oriental bem ocidental rsrs[
    (5) Agniseka Radwasnka: Não é forte, não é rápida, não é bonita, não é terrivelmente temida, mas é inteligente, astuta, sábia e com a cabeça domina a adversária.
    (6) Marion Bartoli: o patinho “feio”, pois não é a mais bonita, nem a mais forte, muito menos a que joga mais bonito, nem com gestos plásticos, nem sorri muito, é esquentadinha, é toda diferentona, mas ganhou o mais tradicional de todos os torneios, Wimbledon, que coisa pode ser mais interessante que essa combinação?
    (7) Caroline Wozniacki: foi a melhor do mundo por 2 tempradas seguidas sem um Slam, Masters no fim da temporada, sem winners, sem criatividade, sem ousadia, sem “coragem” (pq ela tinha coragem de desafiar o cirucito inteiro no quesito paciência e estratégia tática), tinha um tremendo físico, hj está virando uma modelo e tentando mudar seu jogo
    (8) Ala russa; são na maioria dos casos belas, habilidosas, promissoras, campeãs mas com a cabeça no mundo da lua…
    (9) Ala tcheca: defende a história do tênis, sempre com pelo menos uma tenista top, perigosa e talentosa
    (10) Ala americana: em geral novas, em geral agressivas, em geral fortes, em geral promissoras
    (11) Ala da paciência: em geral dominada por orientais, são tenistas que apostam na consistência e troca de bolas pra vencer seus jogos
    (12) Ala das alemãs: renascimento do tênis do país da Steffi, geração abusada, de muita força e espírito de luta
    (13) Ala das italianas: vibrantes, presam pela habilidade e efeito em suas jogadas, não tem como não começa a torcer por elas qdo estão em quadra
    (14) Ala das ex-top10: aqui coloco as demais tenistas que não estão em nenhum dos grupos acima mas que já foram destaques do circuitos, todos sabem de seu potencial, mas por questões físicas principalmente já nao sao mais no topo (Hantuchova, Stosur, Kimiki Date, Venus)

    enfim, pra mim a WTA tem muita coisa interessante, acho q elas estão de parabens e deixarei aqui registrada minha toricda pela volta do dominio russo ano que vem!

    Abraços

    Vini

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  3. Lucas

    Chiquinho, o título do seu texto é: “Mulheres já ganham mais que os homens”.

    O único número maior é o relacionado entre ATP Finals e WTA Championships. O restante dos números apresentados são todos maiores para os homens.
    Assim não consigo ver pelos seus argumentos que elas ganham mais que eles.
    Não entendi o gancho, muito menos o objetivo, já que não há confirmação do que propõe no título.

    Deixo claro que sou extremamente favorável a premiações iguais. Acho que o machismo, ainda mais no esporte, é revoltante. Se é um esportista de alto nível, não importa o sexo!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Lucas o título justifica-se pelo prêmio de Istambul, maior do que de Londres. Esta é a relação. Observe tb que não está no texto os ganhos off court, historicamente favorável às mulheres como Anna Kournikova e Maria Sharapova. Também no mercado de trabalho há muitas mulheres com ganhos superiores a homens de mesmo nível profissional. Mas Lucas no overall os homens ainda são mais bem bonificados.
      abs
      Chiquinho

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  4. Everton Falcão

    “…Porém, alguém me alertou nestes dias que Usain Bolt acumula fortunas em menos de dez segundos.” Longe do xauvinismo envolvido, mas existe alguma competidora de 100 metros que ganhe igual ao Usain Bolt? O que eu tenho percebido, inclusive em entrevistas de top ten, é que por exemplo você jamais verá, me arrisco a dizer, um 6×0 6×0 numa quartas de final de um grand slam masculino e que, devido a intensidade dos jogos, os homens levam mais tempo para se recuperar fisica e emocionalmente falando do que as mulheres. Sobre meritocracia me parece uma reclamação justa, mas que então diminuam os jogos masculinos. As mulheres estão de parabéns pois no mundo plural em que vivemos não se pode pensar de maneira diferente que não seja a de igualar os vencimentos entre homens e mulheres, este exemplo do Master Feminino então é sensacional!!!

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  5. Everton Falcão

    Chiquinho, mudando um pouco de assunto: Ontem a SONY, devido a celeuma envolvendo os preços do seu novo videogame PS4, que custará nos EUA U$ 400,00 e no Brasil R$ 4.000,00, resolveu publicar a sua planilha de preços, inclusive as porcentagens de ganhos dela, dos dealers e dos impostos imbutidos para justificar que, devido exclusivamente à taxação brasileira, o console no Brasil custará cinco (5!!!) vezes mais que nos EUA.
    Analogamente, não seria hora de as fabricantes de materiais (raquetes, cordas e bolas) publicarem a mesma planilha justificando como num câmbio de R$ 2,20 (o mesmo usado pela SONY) uma raquete de ponta de U$ 190 – preço de venda custe em terra brasilis R$ 600 (em média) , e que as de lançamento anterior (2011) ainda custe R$ 400 contra os U$ 120, para que possamos, enquanto sociedade sabedora de quanto paga de impostos, pressionar o governo a tornar mais acessível a a quisição dos materiais e o esporte alcance mais praticantes?
    Abs e boas raquetadas

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    1. Henrique Farinha

      Everton, a Sony não explicou. Disse “esperar fazer isso em breve”, segundo seu general manager para a América Latina, Mark Stanley. Agradeceu os comentários, disse-se “frustrado”, mas nada além disso… Trabalhei com importação e posso lhe assegurar que esse valor cobrado aqui está muito acima do necessário, e o mesmo ocorre com os equipamentos de tênis. O problema é que todo mundo se acostumou a ganhar muito por aqui e não quer arriscar para ganhar em volume. Mesmo com os impostos elevadíssimos, daria para cobrar mais barato, sem dúvida! Abs!

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  6. Caco Mauricio

    Chiquinho, que me perdoem as feministas de plantão, mas o tenis masculino, tecnicamente falando, e muito superior …. Não da pra comparar… Não gosto de assistir jogo feminino … Parece jogo de segunda classe … Desculpe-me novamente… Mas tem quem gosta… e com certeza os patrocinadores sabem disso, por isso investem tanto… Nada contra…. Abraços a todos

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  7. oswaldo e. aranha

    A diferença ainda prevalece nas transmissões de televisão, inclusive no noticiário da internet, que dá todos os detalhas dos torneios e não procede da mesma forma quanto aos torneios femininos. Quanto à remuneração, convenhamos que nos torneios femininos une-se o útil ao agradavel, conforme uma tenista já mencionou.

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  8. Samuel

    A igualdade pode ir além da mera premiação nos torneios de Grand Slam. A igualdade que realmente me interessa (e ao torcedor) é aquela que se estende à própria disputa dos jogos, oras! As mulheres têm total capacidade física, tática e mental para competir os torneios de Grand Slam em melhor de cinco sets. Obviamente que será prudente haver um intervalo de um ou dois dias entre as partidas, para que a qualidade do espetáculo seja preservada. Se não me engano, esse sistema de placar já aconteceu durante algum tempo no Aberto dos Estados Unidos.

    Eu mesmo já assisti a vários jogos femininos disputados em melhor de cinco sets: eram a partida final do Masters que reúne as melhores da temporada. Alguns deles foram disputados em cinco sets (Seles x Sabatini, Graf x Huber e Graf x Hingis) e outros em quatro sets (Graf x Navratilova e Seles x Navratilova). À época, o último torneio do ano reunia as 16 melhores da temporada, iniciando-se nas oitavas de final – algo que era muito mais interessante do que esse sistema meio ridículo que reúne apenas as 8 melhores, que consiste na disputa de todas contra todas em duas chaves distintas e foi copiado do torneio Masters masculino.

    As partidas femininas em melhor de cinco sets a que vi – tanto aquelas que tiveram o placar de 3×2, quanto aquelas que tiveram o placar de 3×1) – mantiveram o alto nível desejado pela torcida. Infelizmente a WTA cedeu a apelos que certamente surgiram da mídia para reduzir o tempo da partida que encerra a temporada das melhores do mundo.

    Em resumo, meus votos são para que os torneios do Grand Slam sejam todos disputados em melhor de cinco sets, tanto na chave feminina, quanto na chave masculina e, além disso, que seja expungida essa palhaçada chamada “tie breaker no set decisivo” do Aberto dos EUA. Apesar que isso tudo é mais improvável do que enxugar gelo: por um lado não é tradição e por outro a tendência é que as partidas de Slam – mesmo no masculino – gradualmente tenham seu tempo reduzido.

    Nada disso me impede de torcer pelo melhor.

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  9. Fernando

    Talvez no princípio igualem os prêmios pela igualdade, mas o apelo do tênis feminino ainda fica devendo. O Championships deste ano estava bem esvaziado. O poderoso EUA perdeu dois torneios pra próxima temporada. Muitos ainda zombam da modalidade, como se fosse duplas ou duplas mistas.
    Eu diria que a WTA é bem sucedida comercialmente, apenas. Está cada vez mais levando torneios pra Ásia, que tem dinheiro pra pagar. E tem um grupo de jogadoras de elite com bastante apelo econômico (Sharapova, Serena, Li…), assim como ATP. Mas poderia ser além disso. O sucesso está concentrado em alguns(mas).

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