Salve Bia: o tênis tem muito a ensinar
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 28, 2022 às 1:18 pm

O tênis é um esporte difícil. E eu costumo dizer que por muitas vezes é cruel. Criou-se muitas expectativas do que Bia Haddad Maia poderia conseguir no Torneio de Wimbledon. Teve até quem disse que ela era favorita. E, por isso, vou repetir uma frase que usei na coluna anterior aqui no Tênis.com Chiquinho: “Insisto é preciso ser cauteloso nas comparações e expectativas.”

Sinto que é preciso lembrar que a Bia vem de uma família de esportistas. Além disso, a vida já a ensinou a enfrentar obstáculos. Aos 26 anos sabe muito bem o que significa a palavra superação. Passou muito cedo pela alta expectativa de uma carreira brilhante e também viu de perto problemas físicos e outros que poderiam ter acabado com seus sonhos. Mas ela tem persistência e competência. Afinal, há poucos meses estava jogando torneios pequenos na Europa e hoje já ocupa uma posição entre as 30 melhores do mundo.

Por isso mesmo e por ela ter valor próprio as comparações me incomodam. São na verdade desnecessárias. O tênis já existia antes da criação do ranking, assim como os Grand Slams. Mas para os que não sabem a Bia ganhou recentemente dois torneios 250, enquanto Maria Esther Bueno foi campeã de, pelo menos, sete 2000. Não que a Bia não possa também chegar longe, mas esse tipo de pressão não ajuda em nada.

Inteligente e vinda de boa família, Bia reconheceu seus erros e culpou a falta de agressividade pela eliminação na primeira rodada de Wimbledon. Sem contar que um Grand Slam sempre tem suas naturais dificuldades. Após o jogo deu declarações francas, sinceras e verdadeiras. Sabe muito bem como o tênis é um esporte exigente. E, por isso, não restam dúvidas de que ainda tem muito pela frente e irá alcançar um sucesso ainda maior.. salve Bia.

 

 

 


Comentários
  1. Sandra

    Concordo plenamente com você , foi de cortar o coração , mas ela ainda é jovem e ela tem o dom de aprender com os seus erros .

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  2. Fabio Riella

    É como aquela frase que Wawrinka tatuou no braço: “Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.”, não acha Chiquinho?

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  3. Luiz Henrique

    Brasileiro é uma máquina de moer atletas. Até alguns dias atrás, ninguém dava atenção pra Bia. Foi ela ganhar 2 torneios que já virou um novo Guga e a esperança da nação. Acompanhei as notícias sobre ela nos últimos dias aqui no tênis Brasil e a quantidade de gente comentando era absurda, a maioria que nunca deu bola pra carreira dela. Agora que ela perdeu na primeira rodada, voltou ao de antes, já chamaram ela de decepção, pipoqueira, e por aí vai.

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  4. Marcelo

    O Tiago Braz, nosso medalhista de ouro do salto com vara na Rio 2016, teve um último ciclo olímpico muito abaixo, foi muito criticado e perdeu seus patrocínios. Mas chegou em Tokyo e deu a volta por cima, medalhando novamente. Penso que o atleta brasileiro é muito prejudicado pelo “resultadismo” da torcida e mídia, carente de ídolos num país com pouca tradição esportiva em nível mundial. Bia também é vítima disso, mas agora parece um pouco mais vacinada pra não cair nessa pilha. .

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