O lado obscuro do esporte branco
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 25, 2022 às 3:53 pm

O número um do mundo, Novak Djokovic, segue pagando um alto preço por suas escolhas. Embora tenha aumentado sua margem de pontos na liderança do ranking, em relação a Daniil Medvedev, ainda sente a falta de ritmo e o desgaste físico por uma doença misteriosa. Garante não ser sequela da Covid-19, mas não aguentou o terceiro set diante de Andrey Rublev, mesmo jogando em casa, com apoio da torcida.

Este mesmo fim de semana viu, mais uma vez, o carisma e o talento do jovem espanhol Carlito Alcaraz. Num dia em que fez jornada dupla celebrou mais um título e manteve a tradição ao mergulhar na piscina do clube, ao lado de pegadores de bolas. Além disso, teve uma semana memorável, com sua estreia no grupo dos top ten, como um dos mais jovens da história, repetindo o feito de Rafael Nadal em 2005.

Mas o ‘esporte branco’, como era conhecido o tênis, única e exclusivamente pela predominância da cor nos uniformes, hoje revela também o seu lado mais obscuro. A política invadiu a quadra e os organizadores do Wimbledon seguiram as recomendações governamentais e irão banir jogadores russos e bielorussos do próximo torneio. É possível ainda que as federações da Itália e França sigam o mesmo caminho, o que causaria mais transtornos no Aberto de Roma e em Roland Garros.

O mundo do tênis está dividido sobre esse assunto. E, portanto, como sempre é preciso respeitar as opiniões. Mas vale lembrar que para quem viveu o circuito mundial por muitos anos sabe que há muito os jogadores russos nem sequer vivem mais no seu país de origem. Vários são até brigados com sua federação e se radicaram em outras nações. Isso já acontecia desde os tempos de Marat Safin, que passou uma temporada na Espanha. O mesmo se vê com Rublev ou Medvedev, que escolheu a França. É válido também o pensamento de que qualquer ação pode ajudar a pressionar Vladimir Putin a buscar a paz e decretar o fim da invasão na Ucrânia.

Muitos, porém, são enfáticos de que russos e bielorussos têm mesmo de ser banidos do esporte. Um desses casos é o da ex-número 1 do mundo, a belga Justine Henin. Mas entre as muitas manifestações, uma me chamou bastante a atenção. Foi a do australiano John Millman. Ele contou num Twitter que na primeira vez que se qualificou para Wimbledon pediu dois ingressos para seus familiares. A reposta dos organizadores é de que essas pessoas poderiam pegar a fila na calçada. Ele seguiu dizendo que o dinheiro significa muito no All England Club e sugere que no lugar de banir atletas o clube poderia doar os lucros para as vítimas da guerra.

Enfim, o lado sombrio do tênis também tomou conta da falta de punições mais severas para os tenistas. Casos como o Jenson Brooksby, Nick Kyrgios e Alexander Zverev tiveram ações brandas. Mas isso é compreensível, pois a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), como já diz o nome, é uma entidade de classe, que parece mais estar passando a mão na cabeça dos jogadores do que exigindo comportamento digno. A expectativa fica para eventos como Roland Garros ou Wimbledon, torneios geridos pela ITF, a Federação Internacional de Tênis, que historicamente não anda de braços dados com as associações de classe do tênis.

 


Comentários
  1. Sandra

    As milhares de pessoas que estão morrendo também não tem culpa e os refugiados não tem para onde ir e muito menos o dinheiro que eles tem

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Sim vc te razão…. Sabemos quem é o culpado e vamos fazer tudo o que é possível para acabar com essa guerra

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  2. Antônio Vieira

    O australiano acertou na veia. Questões políticas se resolvem pelos políticos. O esporte só tem a perder quando se mete onde não é chamado.

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    1. Guilherme Klauser

      Alcaraz promete e muito. Tem todos os golpes e um respeito pelo esporte enorme. Dá pra apostar que ele será uma lenda ao fim da carreira.

      Sobre o banimento dos russos, uma questão muito difícil realmente

      Os tenistas russos podem não morar mais na Rússia, porém certamente possuem familiares que moram lá. Ou seja, para bom entendedor…meia palavra basta.

      E essa questão extrapola e muito uma desavença com federação esportiva.

      Assunto complicado, onde qualquer decisão irá desagradar a uma parcela.

      Ps: me incomoda usarem o termo “assunto político” para descrever a guerra. Guerra é assunto humanitário, acima de tudo.

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  3. Periferia

    Olá Chiquinho

    Muito infeliz o título do seu post… até mesmo a abordagem do conteúdo.
    Ligar o lado ruim com o lado escuro…
    É uma frase racista….muitos são racistas e não sabem.
    O esporte não deveria ter “lado escuro” como referência de algo ruim….nem a vida.
    Vc é um jornalista (branco)…está a muito tempo na profissão…deveria saber que nos dias atuais é necessário um cuidado maior…

    Vc deveria refazer seu post…um total desrespeito.

    Abs

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Lado escuro = a não claro, sombrio, pouco transparente, como manda o nosso vernáculo. A punição aos jogadores deveria ser mais clara, evidente. São coisas do idioma.

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      1. Periferia

        Olá Chiquinho

        Pensei que não poderia piorar…mas piorou.
        Vc liga uma coisa ruim com “escuro” e uma coisa boa com o “claro”.
        Não devemos se esconder atrás do “vernáculo”…devemos nos atualizar…principalmente formadores de opinião.
        São demandas de uma parcela da sociedade que deseja mudanças (até no “vernáculo”).
        Vc deveria refletir sobre o assunto… é algo necessário.

        Abs e fique bem

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Olha… infelizmente não se o seu nome, pois não se identifica. Peço desculpas, mas, sinceramente, se houve alguma conotação de racismo partiu de quem me chamou de branco. Afinal, não importa a minha cor, a minha raça, mas sim o conteúdo.

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  4. Juliano Fabrício de Souza

    Acho essa atitude do All England Club uma covardia sem tamanho aos atletas russos. Eu concordaria, no caso de algum tenista russo se manifestasse a favor de Putin, aí sim deveria ser excluído.
    Ficar em silêncio sobre a guerra, para um russo, ainda que não mais viva em seu país é questão de segurança para si e para seus familiares que lá ainda moram, pois um confronto com o Kremlin, obviamente, deixaria o atleta, seus amigos e familiares numa condição de absoluta insegurança.

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  5. Maria Izabel

    Essa guerra de um homem só, Putin é um massacre insano desse louco!O banimento de Russos e Ucranianos da disputa é uma aberração.
    Djockovic está colhendo o que plantou,com suas convicções erradas,mas foram suas escolhas.
    Alcaraz está mostrando aos 18 anos,como é ser um profissional de personalidade,tenis refinado,cabeça focada,carismático e educado.Enfim, dando
    banho nos ex Next Gean Zverev,Kyrgios e Brooksby.A ATP passando flanela em tudo que esses Nutella fazem em quadra.
    Agora até o Paire aprontando.
    Como era bom ver Federer( foi também ,de fazer das suas ,quando mais novo).Quando acompanhava meus Slans in loco,era uma delícia!Hoje provavelmente, teria receio dos voos das raquetes.

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