Nova York: onde tudo acontece
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2021 às 2:41 pm

Com a volta do público, o US Open confirmou sua fama de ser o torneio mais eletrizante dos quatro do Grand Slam. Só que desta vez pode marcar o início de uma nova era. O aparecimento de nomes até então pouco conhecidos, a jovialidade de diversas jogadoras e os recentes resultados de uma maneira geral definem um divisor de águas no tênis. E, de uma certa forma, já era mesmo de esperar pelas ausências de estrelas como Roger Federer, Rafael Nadal e Serena Williams. Enfim, Nova York, a cidade que nunca dorme, revela um torneio onde tudo acontece, com polêmicas, novidades e, sobretudo, muita emoção.

Se estamos prestes a viver novos ares, com o provável esvaziamento do Big 3, o US Open mostrou que há a necessidade de adequações. Os atos de Stefano Tsitsipas, que o levaram de herói a vilão, mostram que é preciso conter os abusos. Não que o grego tenha cometido alguma infração, mas não ficou bonito, e mereceu severas críticas de nomes como Andy Murray. No feminino, infelizmente, não foi diferente, com Barbora Krejcikova usando do recurso de atendimento médico para conter a reação de Garbine Muguruza.

Este tipo de comportamento não é novidade. Não há como negar que Novak Djokovic já tenha ido ao vestiário para reencontrar o seu jogo em diversas oportunidades. E, por isso, o experiente treinador Toni Nadal ao comentar o acontecido com Tsitsipas no US Open afirmou que Nadal e Federer jamais fariam a mesma coisa.

Um detalhe que me chamou atenção foi que o Tsitsipas, em especial, no jogo contra Murray ficou muito mais tempo no vestiário do que no encontro contra Carlos Alcaraz, o que demonstra que o grego percebeu que estava havendo um exagero. Então, o que poderia ser usado a seu favor, transformou-se em obstáculo, pois passou a ter torcida contra.

Apesar desses momentos nada agradáveis, esta reta final do US Open promete vir repleta de emoções. No masculino, Novak Djokovic vem enfrentando desafios incríveis, embora siga com o favoritismo. No feminino haverá uma campeã inédita em Nova York, com apenas uma jogadora já detentora de título de outro Slam, como Barbora Krejcikova, em Roland Garros. E na modalidade a se lamentar a situação de Naomi Osaka. Sem dúvida uma estrela de grande brilho que tomou uma decisão difícil, mas vai fazer falta ao tênis.


Comentários
  1. Flavio

    Chiquinho, se não me falha a memória na final de RG de 2019 após perder o segundo set o Rafa Nadal foi ao vestiário e depois disso perdeu apenas dois games até o final do jogo.
    Mesmo na final desse ano de RG o grego também foi ao vestiário na final, na semifinal entre Djoko vs Nadal ambos foram(o sérvio foi após VENCER o terceiro set), se não tem exagero não vejo problemas.
    Que mania de perseguição à imprensa tem com o povo do leste europeu.rss

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  2. Helena

    Olá, Chiquinho!

    Você saberia me dizer quando ocorreram essas diversas oportunidades que o Djoko foi ao vestiário?

    Obrigada

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Sim… vc lembra em RG, qdo a gente até brincou que ele abriu o armário e pegou seu bom jogo de volta… A questão é que agora estão exacerbando e, na minha opinião, terá de haver um controle maior. Será preciso estabelecer um tempo. Por exemplo, o saque sempre teve um limite. Mas só depois do relógio de serviço é que começaram as advertências. Só para vc ter uma ideia, antes o tempo para sacar era de 20 segundos, mas o árbitro de cadeira falava time. Então a ATP percebeu que todos esperavam esse “time” e resolveu mudar a regra para o jogo ficar mais dinâmico. Uma nova questão aparece agora, pois esse recurso não é de hj, nem exclusividade de Nole ou Tsitsipas…

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      1. Helena

        Olá, Chiquinho!

        Obrigada por essa resposta tão completa. Se não for incômodo, gostaria de seguir com o diálogo.

        Sobre a questão do Djoko, minha dúvida é: qual a relação entre ele e a polêmica do grego? Realmente não entendi, por isso minha pergunta original.

        Se não estou enganada (e aceito correções), mas as pausas para o banheiro são para que o jogador possa atender às suas necessidade fisiológicas, dado ser perfeitamente natural que após horas de jogo e hidratação com água e isotônicos, que os jogadores queiram ir ao banheiro. Se vão usar essa pausa apenas para isso ou para também jogar uma água no rosto e refletir (quem nunca fez isso numa prova de matemática?), não vejo qual a relevância. O intervalo entre um set e outro é de dois minutos, então se um jogador vai ao vestiário e volta após três ou quatro minutos, significa que o tempo alargado foi de apenas um ou dois minutos além do normal, sendo difícil imaginar que sirva para se beneficiar ou prejudicar alguém.

        Um ponto completamente diferente é alguém que passa 6,8,10 ou até mesmo 12 minutos (!!!!!) Ora , é claro que passar todo esse tempo não é natural, embora não seja, por si só, capaz de provar alguma estratégia antiética, já que pode ser justificada pelas peculiaridades do caso (um problema intestinal, um pânico momentâneo, a distância do banheiro para a quadra ou até uma desconexão com o tempo). A coisa já muda de figura quando se observa que um mesmo jogador vem, repetidamente, extrapolando um período aceitável de tempo e raramente não indo ao banheiro ou pedindo atendimento médico após perder um set.

        Tomando como exemplo o jogo contra o Murray, além da longa ida ao banheiro, também tivemos o pedido de atendimento médico para o pé (mesmo que tenha corrido o jogo inteiro como uma lebre), a troca de raquete (trocando uma usada por outra) quando sacava em 0-30 , além do coaching de sempre.

        Aliás, achei muito pertinente o Murray ter levantado essa polêmica, já que graças a essa atitude, todos os jogadores que foram ao banheiro, e foram vários (Djokovic, Berrettini, Alcaraz, Tsitsipas, Brooksby, Tiafoe, Zverev….) passaram a ter o tempo longe das quadras analisados, e se pôde constatar que os únicos a exagerar foram Tsitsipas e Brooksby, sendo o grego o único a agir de forma reiterada. Outro ponto interessante é que o rapaz defendeu seu longo período nos vestiários alegando que suava muito e que esse tempo era normal, mas foi só tomar umas vaias e ser questionado pela imprensa que na partida contra o Alcaraz já saiu por um tempo normal, o que apenas demonstra que ele poderia ter feito isso desde sempre.

        Voltando ao DJoko, já vi questionarem o momento de pedir atendimento médico, e acredito que em certos exemplos caiba discussões. Não estou aqui para dar um passe livre a qualquer atitude de seja lá quem for. No entanto, não vejo qualquer razão para o seu nome ser envolvido no “toilet gate”, já que. costuma ir aos banheiros após longos períodos em quadra, não demora e vai tanto quando perde um set (Musetti e Tsitsipas em RG) ou quando ganha (Berrettini no US Open e Nadal em RG). Ainda por cima, não vejo qualquer diferença entre o uso do banheiro por Nole e outros jogadores, como Nadal, aproveitando para usar o exemplo do Tio Toni (fiquei curiosa para imaginar a opinião dele sobre coaching…. rsrs). Aliás, após perder o terceiro set contra Nole, Rafa também fez uma pausa e voltou após o sérvio, fato que não gerou qualquer polêmica, como realmente não havia razões para tanto.

        Portanto, me parece que o único culpado pela polêmica em que se meteu foi o próprio Tsitsipas, e tentar isentá-lo disso ou até mesmo tentar misturar essas ações com outras distintas seria agir da mesma forma que o seu pai tanto faz (e que tanto criticamos), que é a questão de terceirizar a culpa.

        Finalizando, e pedindo desculpas por ocupar o espaço com um texto desse tamanho, concluo que: Sobre o Djoko, comparação é bem forçada; sobre o Grego, me parece que se queimou de forma gratuita. Visou ganhar benefícios com manobras antidesportivas, ficou ainda mais popular do que já era entre os jogadores, mas agora expandiu essa antipatia ao público. E como torcedora do Djoko, posso dizer que não é fácil fazer o público do tênis mudar após estabelecer uma opinião.

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  3. Paulo Sérgio

    Você, na condição de jornalista, deve se ater aos fatos e não agir como torcedor do Federer. Cita Novak e diz que ele foi ao banheiro “inúmeras vezes” como se ele fosse o responsável pelas atitudes de Tsitsipas. Só falta você dizer que Federer perdeu 3 vezes nas finais de Wimbledon porque Djokovic foi ao banheiro e também nas decisões dos ATP finals e Masters 1000, etc.
    Mostre as estatísticas de todos os jogadores top 10 para fundamentar que Djoko é o que vai mais ao vestiário, ou, então, prove que ele só ganha porque foi ao vestiário inúmeras vezes na carreira.
    O desespero de vocês é tão grande que agora enfatizam plasticidade e amor de público, ao invés, de destacarem as estatísticas que é o que define quem é o melhor em qualquer esporte profissional.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Como jornalista citei os fatos. Gosto muito do Djokovic, mas não há como negar que usou o vestiário diversas vezes. Não se trata de exclusividade do atual número um do mundo. Há muito tempo que isso acontece, mas,como já disse, agora a repercussão foi maior por conta do adversário, Murray, e da reação, sempre intensa, da torcida nova-iorquina. Enfim, acho que chegou a hora de se impor um maior controle

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  4. rafael

    Impressionante como os jornalistas precisam sempre citar o Djokovic em qualquer assunto, principalmente nos polêmicos. Como se o sérvio que tivesse descoberto “à ida ao vestiário”!! E a citação do Toni Nadal é outra pérola: “E, por isso, o experiente treinador Toni Nadal ao comentar o acontecido com Tsitsipas no US Open afirmou que Nadal e Federer jamais fariam a mesma coisa.” O sérvio incomoda demais!! Vida longa ao melhor de todos os tempos!!

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  5. Flavio

    Essas análises parciais começam a produzir efeito contrário. A má vontade evidente, a distorção, a superficialidade na abordagem de fatos e circunstâncias, a radicalização contra um e o endeusamento a intocáveis terminam por gerar um sentimento de indignação e de revolta. Que um público torcedor proteja seus ídolos faz parte do esporte. Torcedor é torcedor. Mas essa idolatria própria do torcedor não pode marcar o trabalho de jornalistas. Infelizmente o tênis está marcado por esse fenômeno.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Não entendi… sorry mate, como diria Pat Rafter. Mas gosto tanto de um como do outro. Jamais faria campanha contra Djokovic, ou qualquer outro. Aliás o sérvio sempre foi muito simpático comigo e admiro seu jogo em quadra. Mas os fatos são jornalísticos e não me recuso a reportar, seja a favor ou contra, ou nenhuma das coisas… apenas que aconteceu.
      E como diz o slogan de um veículo de comunicação “ aconteceu virou notícia “ hehehe

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      1. Paulo Sérgio

        Por que você não faz um levantamento estatístico de quantas vezes todos os top 10 ou big 3 foram ao banheiro durante toda a carreira e como essas idas ao vestiário mudaram a história do jogo? Dessa forma, você poderia dar mais credibilidade ao seu texto. Agora argumentar com a peróla “inúmeras vezes” e dizer que isso é levantamento jornalístico é lamentável.

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