Wimbledon chega à reta final com emoções e casa cheia
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 4, 2021 às 9:21 pm

O mais antigo torneio do planeta mantém sua tradição de competição emocionante e polêmica. A grama era a superfície de três dos quatro Grand Slams, mas hoje revela-se traiçoeira, escorregadia e cruel. Tirou de cena Adrian Mannarino, Serena Williams e puniu Stefano Tsitsipas, que subestimou sua preparação.

Agora, Wimbledon chega a reta final com perspectivas de duelos incríveis e uma atmosfera eletrizante. Afinal, a organização do All England Club já anunciou que a partir das quartas de final iremos ter casa lotada. Difícil entender esta atitude diante de uma pandemia, que sei lá se está sob controle. Nestes primeiros dias vimos arquibancadas bem cheias, com gente sentada lado a lado, sem máscara, mas com entrevistas pós jogo respeitando o distanciamento. Ora, se na arquibancada pode ficar tudo junto e misturado, por que não numa área livre como a quadra? Enfim, o melhor mesmo é ficar na torcida para nenhuma nova onda.

Em quadra, Novak Djokovic mantém seu favoritismo, mas ainda distante de seu melhor tênis. Segue vencendo, mas sem ser aplaudido como gostaria. O sérvio jamais esquece o fato de não contar com apoio da torcida. Acho bem curioso, pois é um gênio da raquete e vejo como um privilégio ser seu contemporâneo.

O queridinho da torcida – e não poderia mesmo ser diferente – Roger Federer chegou a seu objetivo declarado de ir a segunda semana. Só que o sonho seria um novo título para coroar sua brilhante carreira. O suíço tem uma chave bastante difícil e talvez tenha mesmo de se conformar em estar nas oitavas de final neste ano. Mas jamais devemos duvidar de um jogador como ele.

A chave masculina também revela um número dois do mundo, que saiu do buraco no seu último jogo. Perdia por 2 sets a 0 para Marin Cilic e ressurgiu com uma força assustadora. Ele tem ainda uma remota chance de terminar Wimbledon na liderança do ranking. Para isso precisa levantar o troféu de campeão, ou ir a final, desde que Djokovic seja eliminado nas rodadas anteriores, como lista o informativo da ITF desta segunda feira.

Confesso que no fundo hoje deu uma vontade de reviver os bons tempos em Wimbledon. Se estivesse lá não iria perder a chance de ver o jogo de Sebastian Korda contra Karen Khachanov. O tenista americano filho do campeão do Australian Open, Petr Korda, na sua primeira participação no Grand Slam inglês mostra um tênis de qualidades invejáveis e carrega no sangue o espírito vencedor.

Entre tantos bons duelos também não dá para perder o das campeãs de Roland Garros: Ashleih Barty e Barbora Krejcikova. A australiana, na minha opinião, tem o estilo mais apropriado à grama. Mas, até agora, não jogou seu melhor. Enquanto a tcheca é considerada versátil em qualquer superfície. Enfim, o ideal seria poder estar de olho em todas as quadras do All England Club. Um sonho para todos nós amantes do tênis…

 


Comentários
  1. rafael

    Chiquinho, é impressionante como você tem dificuldade em elogiar o Djokovic. Mesmo querendo ser simpático, tem sempre que, de alguma forma, diminuir o nº 1 do mundo.
    “Em quadra, Novak Djokovic mantém seu favoritismo, mas ainda distante de seu melhor tênis. Segue vencendo, mas sem ser aplaudido como gostaria. ” Como diz o sensato Saretta: “O Djoko incomoda, porque quem ganha incomoda”! Vida longa ao Djoko e ao Saretta!!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Poxa … só estou revelando o que o próprio Djoko diz. Ele pode jogar mais do que apresentou até agora, como ele mesmo reconheceu. É um tipo de jogador que cresce nos momentos importantes. Não é justo vc colocar seu fanatismo acima da razão. Tenho a maior simpatia e respeito por Djoko, um tenista que sempre atendeu me muito bem. Mas não posso faltar a realidade, já que Djoko reclamou de estar sempre com torcida contra. Ora, desculpe se parecer agressivo, mas se vc sabe ler o texto diz “ somos privilegiados por sermos contemporâneos de um gênio da raquete como ele”

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      1. FLAVIO

        É isso aí chiquinho concordo 100% com você, o problema que a maioria da galera do Djokovic são doentes e insensatos como o idiota Rafael.

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  2. Marcelo Moraes

    Olá, Acompanho seu trabalho no Band Sports aqui. Li o comentário anterior sobre o Djoko e achei o leitor totalmente equivocado, você foi preciso na análise. Mas realmente existe um ranço contra o sérvio, e ele queixou -se disso hoje. Mas a melhor resposta dele está prestes a vir, quando se tornará, pelos números e fatos, o maior tenista de todos os tempos. Tenho o mesmo amor por Federer (o mais elegante) e Nadal (o mais intenso), mas o Djoko tem a “quinta marcha”, e não é à toa que leva a melhor sobre seus rivais de grandeza e é o mais equilibrado entre os pisos. Em no máximo dois anos ele estabelecerá essa marca de melhor de todos os tempos. Se jogar até os 40, como brincou em relação a Federer, se tornará inalcançável. E que privilégio do amante do tênis ter visto essa “tri-rivalidade” , coadjuvada por outros excelentes tenistas, se tornar única em toda a história do Esporte Mundial, de todas as modalidades. Temos de lembrar isso sempre! Cheguei a chorar na semifinal de RG entre Nadal e Djoko. Que privilégio!!!

    Ps.: apesar de o tênis ser um esporte para classes A e B – sem chorumelas pseudo socioeconômicas de minha parte -, aqui está um pobretão da classe D, negro, morador da Vila Vintém, Padre Miguel, Rio-RJ. Apesar de achar o esporte plasticamente lindo e conhecer de nome e curtas matérias tenistas lendários (Borg, Lendl, Martina etc.), comecei a ter real interesse por tênis, como muitos no Brasil, quando um certo Manequinho hipercarismático surgiu em Roland Garros, em 1997. E isso transmitido em TV aberta, desde as primeiras rodadas, num esforço lindo da extinta TV Manchete, da Cock Tavares, sem esquecer de Rui Viotti. Se o tênis fosse mais transmissível e transmitido em TV aberta, atrairia outros mais apaixonados, e de todas as classes sociais.

    Um abraço para você, Saretta, Dadá e cia.

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  3. Jorge Diehl

    Grande Chiquinho! Não per o um ave e agora que o blog voltou melhor ainda! Chiquinho qual sua opinião do Medvedev não jogar nem na central nem na quadra 1? Pergunto isso pq o Medvedev é n 2 do ranking, batalhou por isso, e na hora de colher algumas vantagens (que as melhores colocações proporcionam) não recebeu!

    Forte abraço

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