Djokovic abre Wimbledon e vem com inédita preparação
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 26, 2021 às 9:41 pm

Como campeão do ano passado, Novak Djokovic tem a honra de abrir o Torneio de Wimbledon, numa tradição nem sempre possível. Depende, muitas vezes, dos defensores do título, que por vários motivos aceitáveis, como recuperação de lesão ou vindo de outra competição, pedem para estrear apenas na terça, ou mesmo na quarta feira. Mas Nole este ano fez, na minha opinião, a preparação dos sonhos para chegar ao AELTC em boa forma.

O torneio de Wimbledon, além de ser disputado numa superfície não muito comum nos dias de hoje, é infernal nesses primeiros dias. Não há muitas condições para treinos tranquilos. Algumas quadras estão fechadas e resta o Aorangi Park. Trata-se de um canto do All England Club reservado aos treinamentos. Já vi muitos astros do circuito tendo de dividir espaço. Ora uma dupla fica cruzando bola de direita. Depois combina com a outros dois jogadores e cruzam de esquerda. E para jogar um set então as dificuldades aumentam. Sem contar que nos dias de chuva ficam liberadas umas quadras de carpete num galpão do outro lado da rua. Por isso alguns tenistas, os mais abonados especialmente, chegam até a alugar casas nos arredores com quadra exclusiva.

Djokovic saiu de tudo isso na semana de preparação. Participou de um torneio – o que não é comum para jogadores que sonham com um título de Slam – mas apenas disputou a chave de duplas. A modalidade é muito boa para quem busca adaptação à grama. Treina-se o saque, a devolução e os voleios. Armas muito poderosas na superfície de Wimbledon.

Além disso, em Maiorca Djokovic fugiu do estresse e da tensão de Londres. É claro que como grande astro de uma competição menor, teve quadra livre a hora que quisesse. Vi até um vídeo dele batendo bola com seu filho. Entre outros detalhes também não perdeu. Apenas teve de abandonar a competição pois seu parceiro Carlos Gomes-Herrera sentiu uma lesão. O único fato que pode tirar o foco do número 1 é o reaparecimento dos comentários da sua associação a PTPA. Pelo que conheço da imprensa britânica, seja a séria ou a sensacionalista, este será um assunto em todas a suas coletivas.

Para seu jogo de estreia Djokovic vai precisar estar muito tranquilo e bem preparado. Seu adversário é pouco conhecido e nem tem um ranking dos melhores. Jack Draper é um inglês que nasceu nas quadras de grama e vem de vitórias importantes no torneio de Queen’s. Bateu Jannik Sinner e Alex Bublik. E a primeira rodada sempre é um pouco mais nervosa.

Se tudo correr como o esperado, Djokovic pode cruzar novamente com Stefano Tsitsipas. O duelo está longe ainda, mas, sem dúvida, seria um jogo de tirar o fôlego.

Chegar a segunda semana de Wimbledon é o sonho do super campeão Roger Federer. Para quem reinou muitos anos na grama sagrada de Wimbledon pode parecer pouco, mas a previsão é real. Nessas situações sempre lembro de Pete Sampras. O norte-americano ficou longo período sem títulos e, de repente, ganha o US Open, na sua despedida. Por isso, não arrisco palpites sobre o suíço, embora a situação seja claramente ruim.

A chave masculina de Wimbledon este ano, para alguns analistas, ficou boa para um lado, o de cima, onde está o número 1, Djokovic, e mais difícil no quadro inferior. Só que na grama, o jogo é muito peculiar. É uma superfície traiçoeira e rápida. Por isso, certamente nos primeiros dias vamos ter a impressão de que vários tenistas estariam batendo na bola ‘atrasados’, mas é resultado do solo escorregadio.

No lado da chave feminina, com Serena Williams distante de seu melhor tênis, fica tudo muito aberto. Mas há a expectativa de grandes duelos. Vejo Ashleigh Barty com estilo perfeito para a grama. Muita curiosidade sobre o que vai fazer a campeã de Roland Garros, Barbora Krejcikova. O mesmo sentimento para Bianca Andrescu, que não vem repetindo as boas atuações que a levaram a vencer o US Open. Também a espera do que podem jogar Aryna Sabalenka, Maria Sakkari, Garbine Muguruza entre outras como Jelena Ostapenko, que reapareceu em Eastbourne.

Enfim, já com saudades do Torneio de Wimbledon, que não foi disputado ano passado, a expectativa é de muitas emoções desde o primeiro dia. Afinal, dos quatro eventos do Grand Slam de tênis, três eram jogados na grama, agora só o do SW-19 em Londres.

 


Comentários
  1. Alex

    Que belo texto, Chiquinho.
    Concordo que Djokovic é o favorito natural. Afinal, não fossem aqueles dois games em que caiu no US Open (e a bolinha…. rsrs), estaria com GS em sequência.
    E olha que no final do ano eu onsiderava que a era das lendas tinha se encerrado….
    Concordo tb que o grego é o maior adversário. Mas um torneio desses tamanho sem Nadal fica esvaziado.
    Vamos ter que nos acostumar com isso, pois ele preferiu jogar golf do que tênis. Fazer o quê?
    E sobre o Kyrgios, qual sua opinião sobre esse cara?
    Gde abraço,

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Kirgyos é um show man. Mas tb gosta muito de frequentar o Dog&Fox um pub que fica no Wimbledon Village… mas é genial em quadra

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  2. Fábio

    Os 4 semifinalistas de RG podem repetir o feito em Wimbledon… Fico na torcida por Djokovic.
    Lamento bastante a ausência de Osaka e Nadal… Seria o princípio do fim pra ele? Não se pula um Slam por nada. Nadal salta Londres e Tóquio, o que me parece um recado claro: corpo cobrando ritmo e bastante desinteresse em disputar jogos, ainda que desse quilate.
    Halep também faz falta. Mesmo com tantas jogadoras de qualidade emergindo. Abs, Chiquinho

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Ainda não vejo Nadal perto do fim. O Guy Forget disse que o espanhol sentiu uma lesão em Paris. Acho sim que vai fazer co
      O outros em outros tempos, ou seja, selecionar torneios como conseguiu Ivan Lendl com autorização especial da ATP. Osaka sim uma pena.

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      1. Fábio

        Tomara, Chiquinho!
        Sendo assim o Nadal vem firme pro USOPEN.
        Se no masculino o top 5 larga com todo favoritismo, no feminino é complicado apontar uma grande favorita.
        Vai ser um grande torneio.
        Valeu, Chiquinho! Abs

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  3. Willian Rodrigues

    A meu ver, um dos principais aspectos envolvidos na participação de Novak Djokovic nesse torneio de WB não foi mencionada por você, Chiquinho…
    Trata-se do ENORME nível de confiança estabelecido após uma vitória maiúscula sobre o mais difícil adversário da história do tênis: Rafael Nadal em Roland Garros. E o melhor foi que, eme seguida, confirmou o título! De virada… Para cima do melhor tenista dentre os mais jovens…
    Este foi o maior feito no tênis, sem dúvidas. No grand slam francês, o espanhol perdera em apenas outras duas oportunidades (2009 e 2015), e assim mesmo, porque estava em condições físicas precárias.
    Convenhamos, isso é muito maior do que derrotar Federer em três finais de Wimbledon! Rrsrs…
    Só vejo duas opções: ou o sérvio entra com um tremendo “salto alto” e perde na primeira semana, ou conduz o torneio de forma avassaladora e atinge as finais. Essa última hipótese me parece bem mais provável.
    Saudações

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Sem crise… hj em dia está muito difícil acompanhar tudo em tempo real. Ainda mais quem precisa checar a fonte diante de tantas notícias falsas né

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  4. Gabriel Potin

    Grande Chiquinho. Excelente texto, bem como sua postura e comentários na TV. Minha esposa já sabe e fala: “Esse é aquele comentarista que você gosta né? Ele é legal mesmo”. Que Deus continue a abençoar você e sua família e que você possa continuar trabalhando muito tempo no tênis, se essa for sua vontade! Grande abraço!

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  5. Julio Cesar

    Kyrgios é quase um Ronaldinho Gaúcho, a diferença é que este último ganhou alguma coisa relevante rsrsrssr… Parabéns pelo trabalho Sr. Chiquinho

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    1. Paulo F.

      Kyrgios tá mais para um Denílson, extremamente habilidoso mas pouco vencedor.
      Só que o Denílson é muito gente boa e de ótima índole, bem diferente do insuportável do Kyrgios

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  6. Paulo F.

    Chiquinho:
    Que satisfação em ver o retorno do teu blog aqui.
    Grata surpresa!
    Posso te fazer dois questionamentos?
    1 – Surpreendente a queda antecipada do Tsitsipas hein? Com isso, o senhor acha que se Djokovic passar de Kevin Anderson amanhã, praticamente pavimenta seu caminho rumo à OITAVA final de Wimbledon?
    2 – Agora que o Grupo Band detém os direitos de Wimbledon, minha opinião é que não há com o maior torneio de tênis o carinho, cuidado e esmero que vocês têm com Roland Garros. Cadê o Elia Junior para fazer reportagens sobre Londres e etc? A única desculpa aceitável é a pandemia.

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  7. Marcos Cançado Ribeiro

    Muito boa esta sua análise da preparação que o Djokovic escolheu para Wimbledon, Chiquinho.

    Muitas pessoas confundem criatividade com apenas fazer diferente, mas a definição de criatividade que eu gosto é a capacidade resolver problemas, se necessário ou vantajoso de forma inovadora, mas com a ênfase na solução dos problemas. Neste sentido, por exemplo, devolver uma bola com a raquete entre as pernas sem necessidade e perder o ponto não tem nada de criativo. Já a preparação do Djokovic para Wimbledon foi muito criativa e o mostra bem mais criativo do que, por exemplo, o Kyrgios, citado nos comentários e que muitas vezes é visto como criativo, mas é apenas exótico, diferente ou aparecido, fraco na solução dos seus problemas e portanto pouco criativo.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      O Kyrgios parece estar jogando fora uma carreira brilhante. Deus lhe deu um dom invejável e se deixar passar um dia acredito que irá se arrepender. Uma pena, pois poderia ir longe no tênis.

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