Wimbledon traz boas recordações ao tênis brasileiro
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 21, 2021 às 4:56 pm

Enfim de volta (*) e com boas recordações. Além dos vários títulos de Maria Bueno, das quartas de final de Guga Kuerten, André Sá, Armando Vieira e também – por que não? – o troféu de Bob Falkenburg, o Torneio de Wimbledon marcou uma das melhores fases de tênis brasileiro.

Por vários anos, o time brasileiro em Wimbledon era numeroso. A ponto de o press officer da época, Richard Berens, procurar-me para tirar a limpo uma informação: a de um número recorde de tenistas nas chaves principais de simples, masculina e feminina. Contou que eram 7 entre os homens e mais duas mulheres. Não soube responder na hora, mas vivemos situações parecidas por diversas temporadas.

O segredo para este sucesso estava numa série de atitudes: amor pelo esporte, determinação, coragem e sacrifícios. Mas a meu ver a união fez a força. O grupo de brasileiros andava sempre junto e havia um incentivo mútuo.

O endereço dessa história era “49 Lancaster Gate”, onde tudo começou. Era a Casa do Brasil, local para estudantes do Itamaraty em que Carlos Kirmayr conseguiu abrir as portas para os tenistas brasileiros. Eu entrei de intruso. Longe do luxo dos hotéis cinco estrelas dividíamos quartos, jantares, opiniões e. sobretudo, muita união. Cada um ajudava o outro da melhor forma, todos compartilhando seus conhecimentos e experiências.

Confesso que hesitei em divulgar alguns dos nomes desse verdadeiro exército, mas quis enfatizar para dar dimensão. Por isso, esquecendo alguém, favor lembrar-me para atualizações. É claro que alguns iam para hotéis, mas na Casa do Brasil ficavam nomes como Givaldo Barbosa (nosso líder dos musicais londrinos), Ivan Kley, que detestava jantar com a luz do sol do verão inglês invadindo a janela do restaurante, talentos como o saudoso José Amin Daher e seu treinador o Gringo, Neco Aerts e Danilo Marcelino, que depois virariam sócios, os irmãos Marcos e Alexandre Hocevar, o bem humorado Fernando Roese, o falante Dácio Campos, o criativo Ricardo Acioly, não por acaso Pardal, Mauro Menezes, Nei Keller, Meca Goes, entre vários outros em Londres como Cassio e Nico. As meninas também pisavam na grama sagrada do All England Club, como Niege Dias e Gisele Miró, Pat Medrado e não lembro se Dadá Vieira era dessa época.

Lamento que estes jogadores não emprestem seus conhecimentos e experiências para cuidar de jovens tenistas brasileiros. Conhecer o caminho das pedras – como buscar parceiros para treinos, locais para hospedar-se, troca de informações – poderia contribuir para facilitar a vida dos que estão nos primeiros passos do profissionalismo.

* Por problemas técnicos fiquei fora do ar por um bom período. No último post coloquei em cheque se “a troca da guarda, enfim, poderia acontecer em 2021”. Mas até agora, com exceção do título de Dominic Thiem, o Big 3 segue reinando. Só que neste Wimbledon alguns já falam de um fim de uma era. Roger Federer está instável, mas jamais duvide do suíço, enquanto Rafael Nadal desistiu da competição.

Tenistas da categoria de Nadal jamais entram num torneio de Grand Slam apenas para participar. O espanhol se não tiver certeza de que pode vencer sete jogos para ser campeão, prefere nem participar. É bom lembrar que certo ano em Roland Garros, ele desistiu do torneio na segunda rodada. Seu médico, Angel Gottorro, avisou que não teria condições físicas para mais cinco partidas. Sendo assim, resolveu sair antes mesmo do terceiro jogo.

Enfim, os próximos dias em Wimbledon prometem muitas emoções e talvez surpresas.


Comentários
  1. Rafael

    Nem uma nota sobre a conquista do Djoko em RG?! O sérvio vem fazendo história a cada ano e a mídia insiste em ignorar…Mas, vida longa ao sérvio e rumo ao 20th em Wimbledon!

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    1. Flavio

      Rafael, cada um tem suas preferências.
      Também acho que RG merecia algum destaque nessa volta, mas o Chiquinho tem total direito de escrever sobre o que quiser.

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    2. Chiquinho Leite Moreira

      Calma … estava impossibilitado de postar. O Zé Nilton já falou tudo sobre a conquista de Djoko em RG

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  2. Jorge Diehl

    Bom te ler de novo Chiquinho!!!
    Djokovic favorito pra Wimbledon???
    Muito boa as coberturas do bandsports e os comentários!!!

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  3. José Eustáquio Masculino Cruz

    Sinceramente este Chiquinho deveria era ir para praia,jogar frescobol o cara some 1 ano em que tem a responsabilidade de escrever um Blog,colocar sua impressões depois o cara chega com cara limpa e escreve tem texto dele que tem um comentário em 6 meses faça me o favor.

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  4. Marlon

    O Djoko passeia na grama e em algumas ocasiões nem disputava torneios preparatória. Ai vem Chiquinho falar de Nadal! Fala sério!! Era melhor nem ter voltado!

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  5. Marlon

    Dalcin, num tem como mandar o Chquinho pro RH do tênis Brasil não? O cara demora a vir, ta devendo no blog aqui o post dele sobre a conquista de Djoko do AO 2020, ta devendo o de roland garros 2021 , ai vem e faz um desserviço a esse site nem sequer mencionando o nome mais provável da grama sagrada Nole, pra sdr o campeão, que, inclusive, ja ganhou e ainda vai ganhar do ídolo dele Federer! Faça-me o favor!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Não seja injusto… o assunto do post foi sobre o tênis brasileiro, que viveu bons momentos no Torneio de Wimbledon. Conto um pouco da minha experiência e vivência no tênis internacional. Vc tem a opção de não ler

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  6. Marlon

    O problema Chuauinho é que vc menciona a ausência de Nadal e comenta sobre isso e sequer cita o nome do favorito , se nào me engano, depois de Federer e Sampras, é o melhor nesse piso. Eu sei que vc tem o direito de escrever o que quer, o que eu acho injusto é o que vcs da mídia fazem com o Djoko! Jornalismo precisa ser imparcial. Paul annacone vai dizer numa reportagem do site português Bola Amarela, que é uma vergonha Djolovic não ter o reconhecimento que merece! Eu não estou pedindo que vcs da midia tenha preferência por ele, só que reconheçam o cara e dê o prestígio necessário. O cara já ganhou 50% dos slans, venceu Nadal no seu piso favorito, virou de forma espetacular contra Tissitsipas, pô, vamos comentar a altura do a o cara fez. Se fosse o Federer, esse site seria pequeno, pois tudo q ele faz as pessoas supervalorizam. Mas, fazer o quê!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Marlon, sorry, mas vc está tremendamente enganado. Tanto é que defendemos com todos os méritos a conquista de Djoko em Paris no Ace especial. O problema, a meu ver, é que o fanatismo cega. A imparcialidade sempre fez parte de minha carreira, caso contrário não poderia apresentar meu currículo. Para vc entender e não se ofender os nadalistas dizem que sou federista e estes dois grupos dizem que sou Djoko. Aliás já declarei por aqui que o sérvio sempre foi muito atencioso e simpático nas vezes em que o entrevistei. Certa vez seguiu a conversa mesmo com o agente da ITF pedindo para encerrar a entrevista. Não tenho motivos e mesmo se tivesse continuaria a agir como faço há mais de 30 anos no Tour

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  7. Vinicius Faria

    O problema Chiquinho foi ter citado os dois e não Djoko…… se tivesse citado os três era diferente, com todo respeito a você, mas hoje em dia citar os nomes de Federer e Nadal e não citar Djoko, a não ser que seja algo específico entre os dois apenas, está sendo parcial, pois o cara é tão o maior que os outros dois….. já que era um assunto “brasileiro” e citou dois, “poderia” sim ter citado o outro….. ainda mais que é o atual campeã e favorito natural da atual edição
    Apenas minha humilde opinião

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Vinicius é uma questão do que chamamos no jornalismo de “gancho” . Não estava analisando chances de Wimbledon, mas sim tinha, ou tem, um fato: Nadal não joga o torneio. É só isso. Djoko não fez parte do contexto né

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  8. Davi Poiani

    Prezado Chiquinho saudações! Em primeiro lugar meus cumprimentos a toda equipe do Bandsports pela cobertura de Roland Garros. Esta última edição foi sensacional. Que privilégio acompanhar esta era do tênis, com estes 3 gênios!

    Peço a devida licença, pois gostaria de aproveitar este canal para prestar uma pequena contribuição. Creio que a pronúncia correta do nome dos jogadores é algo importante, até mesmo a título de educar o público a respeito. Vou citar o exemplo do grego finalista de Roland Garros. Já faz um tempo que durante as transmissões eu ouço o pessoal pronunciar TsiTSIpas (com ênfase na sílaba do meio).

    No entanto, a pronúncia correta é TsitsiPAS (a sílaba tônica, com ênfase, deve ser a última). Para alguns isto possa parecer secundário, mas não é. Eis por exemplo que ninguém pronuncia “Jokovíqui” ao falar sobre o gênio sérvio. Eu acredito que são pequenos detalhes como este que contribuem para melhorar ainda mais a qualidade da transmissão.

    Há no site da ATP uma ótima ferramenta que ajuda neste sentido. Convido-lhe a conferir. No perfil de cada jogador há o símbolo de um pequeno alto falante próximo ao nome. Ao clicar neste ícone, podemos ouvir o áudio do próprio jogador dizendo como se pronuncia o seu próprio nome. Bem bacana. Lá é possível ouvir o grego pronunciar o seu nome: STEfanos TsitsiPAS. Isto não está presente para todos, mas no perfil da maioria dos jogadores do alto escalão há esta ferramenta. O mesmo recurso existe também no site da WTA, no perfil de cada jogadora.

    Espero ter contribuído. Desejo a todos vocês um excelente trabalho na transmissão de Wimbledon e dos próximos torneios. Um abraço!

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Davi vamos entrar numa esfera difícil. Muitos cobram pronúncias corretas (e com razão, pois estou com vc) de vários jogadores, mas jamais
      se importam com outros que tb usamos uma pronúncia diferente. Sem querer entrar em discussão, mas é o caso de Serena Williams. Como devemos falar? Jamais ouvi reclamação de falarmos Serena e não com a pronúncia dos americanos. Certa vez chamei a Carolina Woszniack para uma entrevista – da forma que falamos por aqui – e ela nem percebeu que a estava chamando, pois deveria ter dito Carolaine hehehe…. Difícil né Davi. O Kirgyos tb sofre esta discussão, pois embora seja australiano é de origem grega e mãe tb não é australiana. Aliás Davi, nos tempos que frequentava Melbourne, a cidade tinha 1,5 milhão de habitantes, como m 800 mil de origem grega. Imagine a confusão com as pronúncias. Mais importante a meu ver é a questão da linguística. Está é uma cadeira – matéria – dos melhores cursos de comunicação em que enfatiza o se fazer entender. Por exemplo: quando eu falo “vão “ tem de estar claro que o quero dizer: ou é do verbo ir ou um espaço entre dias coisas… sentiu o drama. O melhor é estar claro, o assinante saber de quem estamos falando. Lembro muito bem dos velhos tempos de Roland Garros em que Agassi era Agassiiiii e Boris era Beckeeeer. Vamos então curtir o bom jogo do Tsitsipas de forma oxítona ou paroxítona…. Hehehe

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      1. Davi Poiani

        Caro Chiquinho, muito obrigado pela resposta e pela educação como sempre! Entendi bem o seu ponto, se considerar todos os detalhes de fato é uma seara complexa. Minha intenção foi das melhores, acredite! Contribuir ao invés de criticar. De fato não dá para acertar tudo, talvez somente o aquilo que conseguirmos. Como o grego está em evidência, acreditei que seria algo útil. Mas é isso aí, vamos curtir Wimbledon acima de tudo. Admiro o trabalho de vocês e desejo uma excelente cobertura a todos da equipe. Um grande abraço!

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  9. Alex Sandro Teixeira dos Reis

    Boa tarde calma pessoal o Chiquinho vai ter que escrever muito aqui sobre Novak Djokovic ……

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  10. Fábio Fernandes

    Nossa. Que paciência vocē tem hein Chiquinho! Parabéns! És
    um gentleman. Muita educação. Assim que deveríamos todos ser.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Obrigado Fábio … entendo as opiniões diferentes, só não gosto ( e acho que ng ) do radicalismo. Tenho sim muita simpatia por Djokovic. Tenho admiração por Federer. E tenho sim respeito por tudo que representa o Nadal. Temos sim um privilégio de sermos contemporâneos dessa incrível geração. Era muito fã do Connors, do Borg, nem tanto do Macarrão, mas vivemos diante de jogadores de números que jamais serão alcançados, na minha opinião

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  11. Fernando Calazans Xavier

    Grande Chiquinho
    Tem muita gente que tem que se informar melhor sobre sua pessoa. Ninguem fica no mercado tanto tempo se fosse tratar o jornalismo só com o coração.
    Voce é considerado a anos como um grande jornalista do tenis, são poucas pessoas no mundo que tem as credencias de Rolan Garros, por exemplo.
    Fica meu abraço e continue seu trabalho maravilho dentro desse esporte.

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