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O tênis não deveria desafiar o Coronavírus
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 27, 2020 às 4:39 pm

O tradicional Torneio de Wimbledon tomou a vanguarda e assim que se viu diante do Coronavírus cancelou a competição. Algum tempo depois anunciou o pagamento de prêmios bem razoáveis aos jogadores, usando os recursos de um seguro. Um exemplo a ser seguido. Mas não… a toda poderosa USTA está mesmo disposta a desafiar a pandemia e mostra-se disposta a realizar o US Open, baseado em protocolos e uma bolha protetora, que ninguém sabe se pode estourar ou não.

A Associação de Tênis dos Estados Unidos, dona da mais milionária competição do mundo do tênis, alega não ter seguro e não se dispõe a arcar com prejuízos. Ora, o que se sabe, com exceção pelo menos dos supermercados, o mundo todo vem sofrendo prejuízos enormes.

É mais ou menos aquela história da força da “grana que ergue e destrói coisas belas”. Não há como acreditar que a USTA não tenha uma reserva capaz de evitar um possível drama, dentro do maior torneio de tênis do circuito. Nos tempos em que viajava pelo tour, muitos tenistas, entre eles e principalmente Yvgeny Kafelnikov, não se cansavam de reclamar das premiações em comparação a outros esportes, em especial o golfe. O russo dizia que nos torneios do Grand Slam apenas 20% do faturamento era destinado aos jogadores. Recentemente ouvi uma entrevista do Bruno Soares, apos ele ter participado de uma reunião na ATP, dizendo que esse percentual atualmente ficava em 5%. Ou seja, ao invés de aumentar a participação, diminuiu. Não vou entrar no mérito se os jogadores ganham bem ou não, mas um fato fica evidente. Os organizadores dos quatro maiores torneios do planeta não devem ter apertos financeiros.

O US Open desse ano, se realmente acontecer, promete estar repleto de procedimentos. Pretendem criar uma bolha aos participantes. Mas uma dessas já estourou recentemente numa competição pequena nos Estados Unidos, que culminou com a expulsão da tenista Danielle Collins. Ora, imagine o que não pode acontecer num Slam.

Em consonância a este possível cenário recebi nesses dias um post de um companheiro de muito tempo, Nicolas Arzanni, atual vice-presidente da ATP. Italiano de origem, há muitos anos radicado em Monte Carlo. Sua mensagem dizia mais ou menos o seguinte: ‘Por que algumas pessoas são tão idiotas? Poderíamos ter uma vida semi-normal se todo mundo usasse máscara ADEQUADAMENTE, baseado em ESTUDOS CIENTÍFICOS. Mas se quiserem ter uma segunda ou terceira onda continuem se comportando dessa forma”.

Ora, esse relato deixa claro que não só no Brasil, mas no mundo todo a pandemia do Coronavírus serviu para provar que o planeta tem muitos, mas muitos ignorantes espalhados pelos quatro cantos.

Os principais tenistas, tanto do masculino como do feminino, mostram-se reticentes quanto a participação no US Open. Novak Djokovic, que viveu uma experiência dolorosa com o Adria Tour, pediu as bolinhas que serão usadas no Slam americano. Ou seja, dá um belo sinal de que planeja viajar a Nova York. Rafael Nadal, campeão do ano passado, parece seguir outro caminho e treina no saibro para os torneios europeus. Andy Murray avisou que pretende ir aos Estados Unidos e até jogaria o qualifying de Cincy (que será no complexo do US Open) caso não receba wild card.

Os eventos europeus também desafiam uma segunda onda. Roland Garros, por exemplo, mostrou ousadia ao anunciar que abrirá as portas para um público restrito. Mas como evitar aglomerações, por mais reduzida que seja a bilheteria, no caso de uma chuva repentina. Só a quadra central possui teto retrátil, o pessoal das outras teria de se proteger em poucos corredores cobertos no complexo.

Enfim, existe uma forte vontade de ver o tênis de volta, especialmente nas grandes competições. Mas não há como negar que o desafio é grande.

 


Comentários
  1. Maurício Luís *

    Concordo inteiramente com o seu ponto de vista. Criam-se regras pra justificar certas coisas, mas muitos não seguem as regras, simplesmente. Os cartolas do tênis querem de todo jeito organizarem o torneio por causa de uma mistura de ganância com ignorância. Mais a primeira do que a segunda. E mesmo seguindo todos os protocolos de segurança, segundo os infectologistas, ” Quanto + tempo você fica num lugar, + chance tem de cometer erros.”

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  2. Daniel Bittencourt

    As pessoas que não são do grupo de risco devem retomar suas atividades que, por sinal, nem deveriam ter sido paralisadas. O tratamento para covid 19 existe e é eficaz. Vamos trabalhar!!!

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    1. José Lima

      Como bem disse o Chiquinho no post, “a pandemia do Coronavírus serviu para provar que o planeta tem muitos, mas muitos ignorantes espalhados pelos quatro cantos”…

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    2. Maurício Luís *

      A maioria das pessoas que não são do grupo de risco convivem com pessoas que SÃO do grupo de risco. Então não é assim, que nada deveria ter sido paralisado. Se não acredita em mim, digite “Guayaquil”, cidade litorânea do Equador, e vai ver o que aconteceu lá durante março e abril, graças a essa sua ideia. E o tratamento para o coronavírus não é tão eficaz quanto o senhor diz, senão não estaríamos com 1000 a 1300 mortos POR DIA aqui, sem nenhum sinal de que isto vai diminuir a curto prazo.
      Sugiro que reflita um pouco mais sobre as consequências das suas palavras, que podem induzir pessoas ao ERRO.

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    3. Sandro

      Concordo plenamente contigo Daniel!
      Wimbledon deu mole e vai ficar pra trás, porque o USOPEN está com jogos incríveis com Pablo Carreño Busta, Dominic Thiem, Azarenka, Bruno Soares jogando tênis de altíssima qualidade!
      Wimbledon deu mole, vai ficar pra trás! Até porque Roland Garros também vem aí com tudo!

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  3. Periferia

    Olá….

    A USTA andou sonegando informações sobre lucro do torneio em anos anteriores…..para não ter que pagar impostos para a cidade de Nova Iorque….chegou a ser condenada a pagar milhares de dólares em 2019.
    Será que a USTA tem “café no bule” para cancelar o USOpen???
    Para quem anda sonegando algumas “moedas” não parece que tem tanto dinheiro assim no cofre.
    Essa obsessão por fazer o torneio é exclusivamente financeiro……como bem escreveu….ninguém quer segurar o prejuízo.
    Alguém disse que esporte de alto rendimento não tem nada a ver com a saúde…..verdade.

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  4. Reinaldo

    Chiquinho, parabéns pelo post. Penso muito próximo disso também. Acho que Wimbledon deu um passeio de sabedoria nos outros torneios. Abraços.

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  5. Bruno Gama

    “Nos tempos em que viajava pelo tour, muitos tenistas, entre eles e principalmente Yvgeny Kafelnikov, não se cansavam de reclamar das premiações em comparação a outros esportes, em especial o golfe. O russo dizia que nos torneios do Grand Slam apenas 20% do faturamento era destinado aos jogadores. Recentemente ouvi uma entrevista do Bruno Soares, apos ele ter participado de uma reunião na ATP, dizendo que esse percentual atualmente ficava em 5%. Ou seja, ao invés de aumentar a participação, diminuiu. “

    Esse 5% de premiação pago aos tenistas tá totalmente equivocado.
    Dados de 2019:
    Austrália: Faturamento: US$ 190 milhões sendo US$ 40 milhões pago aos tenistas, o que dá 21,05%.
    Roland Garros: Faturamento: US$ 210 milhões sendo US$ 45 milhões pago aos tenistas, o que dá 21,42%
    Wimbledon: Faturamento: US$ 250 milhões sendo US$ 50 milhões pago aos tenistas, o que dá 20%.
    Us Open: Faturamento: US$ 270 milhões sendo US$ 50 milhões pago aos tenistas, o que dá 18,51%.

    Fonte: https://tenisbrasil.uol.com.br/blogs/blogdotenis/index.php/2019/05/21/quanto-fatura-um-grand-slam/

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  6. George

    Eh, mas falar de Roland Garros duas semanas depois vc não fala neh? Eh pq o Bandsports faz a transmissão? Aguardo seu post criticando os franceses. Obrigado.

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