TenisBrasil - Tenis.Com Chiquinho
Nem só o glamou conta a história de Maria
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 26, 2020 às 8:10 pm

Por trás do glamour das vitórias, do  sucesso, da fama e fortuna, a vida de Maria Sharapova conta uma história de superação, sacrifícios e muita luta. Aos 32 anos, com 28 dedicados ao tênis, ela deixa as quadras, mas jamais deixará de existir como uma grande campeã, uma vencedora em todos os aspectos.

Tive a sorte e o privilégio de acompanhar por alguns bons anos a carreira de Maria. E um dos momentos mais marcantes aconteceu já há muito tempo no torneio de Miami. Ela surpreendeu a todos ao abrir seu coração e  contar fatos de sua luta solitária para vencer no esporte e os episódios quase que diários de perseguição e discriminação.

Tudo começou muito cedo. E a cena é daquelas de filmes em que uma criança é deixada numa cesta à porta de uma família para ser criada. Com seis para sete anos, Maria embarcou com seu pai, Yuri, para a América. Ambos chegaram a Flórida em um ônibus da famosa companhia de transportes rodoviários Greyhound e foram a uma das mais conceituadas academias de tênis dos Estados Unidos. Sem falarem inglês e com apenas 700 dólares no bolso, pai e filha convenceram Nick Bolletieri e treinar a garota magrela, desengonçada, mas com apelos talentosos. Em outros tempos, a menina russa não foi bem recebida e iniciou um longo período longe da família.

Para quem começou a jogar com apenas 4 anos, com uma raquete quase do tamanho da garota, o sucesso de Maria veio precoce. Aos 17 anos, ela celebrou o primeiro dos 5 títulos de Grand Slam, em Wimbledon 2004. Sem entender muito bem a magnitude do que havia conquistado, a jovem campeã quebrou o protocolo do conservador All England Club, pegou um celular e ligou para sua mãe Yelena, a quem há muito nem sequer via. Já na época, a cena foi interpretada como uma jogada de marketing. Verdade ou não, meses depois a tenista russa assinou contrato de patrocínio com uma marca de celulares, que inclusive disponibilizou aparelho com toques de chamadas com os gritinhos típicos de Sharapova nas quadras.

Enfim, para uma garota que ainda tinha como uma de suas maiores preferências a coleção de selos, o sucesso estava garantido com o troféu de Wimbledon. Mas não parou por aí. Seguiu ganhando títulos e inclusive completou o Slam de carreira, com conquistas nos quatro maiores torneios do planeta.

Seu sucesso incomodou. Por muitos anos faturou muito mais fora das quadras, em publicidade e licenciamentos, do que com a  premiação dos vários torneios. As vitórias seguiam até surgir o primeiro grande impacto: a punição por doping. Aliado a isso, uma série de lesões. A primeira cirurgia foi ainda em 2008 e último no ano passado. Foram incontáveis os meses que passou em sessões de fisioterapia.

A consequência chegou agora aos 32 anos de idade. Maria Sharapova pede perdão ao tênis, mas anunciou o fim de sua carreira. Garante que tem outras montanhas íngremes a escalar, mas sem mais uma raquete na mão.

 


Comentários
  1. Walter Souza

    Chiquinho, parabéns pelo posto! Admiro ela como esportista, por tudo o que ela fez pelo tênis. Pessoalmente eu não gostava do estilo: muito grito e pancadaria e pousa ou quase nenhuma variação técnica e tática.

    Responder
  2. Rafael

    Chiquinho, parabéns por mais um grande texto. Apenas uma pequena correção: a famosa empresa americana de transportes rodoviários se chama “Greyhound”, não “Greywood”. :)

    Responder
  3. Antônio Luiz Júnior

    Muito esclarecedor a sua coluna Chiquinho, para quem só consegue enxergar somente o Glamour conquistado pela tenista russa, provavelmente desconhece os sacrifícios por que passou para alcançar o estrelato. Por mais que queiram imputar o caso do doping como o fator responsável por suas conquistas, não faz o menor sentido a tentativa de destituir o seu talento. Sempre foi e sempre será uma diva do tênis.

    Responder
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>