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Murray desafia outro big gun
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 8, 2016 às 6:57 pm

Assim como aconteceu com Novak Djokovic, diante de Sam Querrey, Roger Federer também foi vítima de um ‘big gun’, como os ingleses gostam de definir os grandes sacadores em Wimbledon. O suíço alimentava o sonho de levantar outro troféu de Grand Slam justamente no piso em que lhe seria mais favorável. Mas, por ironia, a grama é que acabou determinando seu adeus à competição. Perdeu para Milos Raonic, um canadense de herança dos Balcâs, origem de tantos outros jogadores de saques poderosos, como Goran Ivanisevic, Ivo Karlovic e, até o atual treinador de Federer, Ivan Ljubicic.

Desde a derrota de Djokovic venho recebendo uma enxurrada de perguntas de como o número 1 do mundo pode ter sido eliminado por Querrey. Estaria o sérvio ainda na ressaca pela conquista de Roland Garros? Não… pois vejo que a grama é capaz de proporcionar este tipo de situação. O tempo estava úmido, a quadra escorregadia, os saques do americano ganharam ainda mais velocidade, enquanto o trabalho de pernas de Djoko não tinha a mesma agilidade neste traiçoeiro piso.

As condições do duelo de Federer com Raonic não estavam tão adversas para o suíço. Há de se valorizar o tremendo desenvolvimento do tenista canadense. Seu investimento na busca de um título de Slam é ousado Mas não se pode negar que seu saque foi determinante em importantes momentos do jogo.

Raonic está com um forte staff. Gosto da ideia de dividir opiniões e acrescentar novos ingredientes. Carlos Moya tem sua importância, assim como também John McEnroe. No caso do temperamental americano acredito que sua força tenha sido muito decisiva no aspecto mental, dar confiança e fazer o pupilo acreditar.

Aliás sobre este assunto, meu grande colega italiano Viincenzo Martucci, da Gazzetta Dello Sport,  postou um interessante twitter. Um recado para quem questionava a parceria de Raonic com McEnroe, já que o americano durante as semifinais estava comentando o jogo para a rede britânica BBC. Ele ironizou: será que Raonic está conectado com a BBC para ouvir as sugestões de McEnroe?

A situação deve se repetir para a final deste domingo. Como estaria McEnroe com um pupilo em quadra e comentando para uma rede britânica, num jogo de um escocês em ação. Posso assegurar uma coisa, pelos anos que vi o americano jogando e acompanhando seu admirável trabalho. McEnroe pode parecer louco, mimado, mas está muito longe de ser um idiota. Não iria ser parcial.

Tudo isso não invalida o título deste post. Murray desafia outro big gun. Nas semifinais, diante de um bom sacador como Tomas Berdych, dominou o jogo. Será que poderá fazer o mesmo neste domingo. E para o mundo do tênis fica outra questão: Raonic vai passar de vilão a herói?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Comentários
  1. Pedro

    Em relação a derrota de Federer, foi estranho. O suiço estava com o jogo nas mãos e tremeu. Acontece até com ele. O jogo com o Cilic foi muito mais complicado. No caso do Cilic, o Federer não perdeu o foco, mas no caso do Raonic, aconteceu algo, talvez um cansaço mental. E todos nós sabemos que o suiço tem problemas no lado mental, quando se requer muita intensidade, e era uma das constantes derrotas para o Nadal, que antes de aparecer o Nole, era o cara que mais tinha mental no circuito. Em relação à final, posso dar meu palpite sem medo de errar: vai dar Murray. E não é porque sou fã do Federer, é simplesmente porque o Murray é mais jogador. E mesmo se o Federer tivesse passado pelo Raonic, o Murray ainda seria o favorito. O ranking está certo: Nole, Murray, são atualmente os dois melhores e ponto final. Em relação ao Nole, que eu não sou fã, acredito que perdeu porque perdeu, afinal, onde está escrito que ele não pode mais perder? Com certeza estava cansado mentalmente. Vai jogar o ano todo com a obrigação de vencer, com todo mundo cobrando, e a expectativa de fechar um golden slam, e vê se o mental não fica sobrecarregado. O melhor de tudo isso, é que, o suiço ainda joga alguma coisa. Acho que o ranking real dele deva estar entre 3 e 4. Valeu.

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  2. Sergio

    Acompanhei Federer x Raonic pela BBC – e o McEnroe foi impecável. Imparcial o tempo todo, ótimos comentários, trazendo muito da experiência dele como jogador. Quando, em tom de brincadeira, foi perguntado para quem torceria, ele foi sensato e, com humor, falou que não ia comentar sobre isso.
    Aliás, é impressionante a cobertura da BBC. Por exemplo, antes de Murray x Berdych, estavam McEnroe, Becker e Hewitt analisando a evolução do 2o saque do britânico – e fazendo comparações com o segundo saque do “Pete” (para os íntimos), afinal os 3 juntos jogaram 31 vezes contra o tal Sampras. Muito enriquecedora a discussão, assim como tantas outras.

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