Chuvas em RG causam prejuízos estimados em 100 mi Euros
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 30, 2016 às 9:28 pm

O problema não é novo. Só esta semana, as chuvas já interromperam diversas partidas. Só que a solução pode ser definida como um sonho distante. O atual diretor do torneio, Guy Forget, em seu primeiro ano na função, já pegou de imediato um assunto espinhoso. Reconheceu que o complexo de Roland Garros precisa de urgentes modernizações. Além do teto na Philippe Chatrier, planeja-se remodelar a Suzanne Lengle e construir um novo estádio para cinco mil pessoas.

Só que todos os planos esbarram na “democracia francesa”. Afinal, diversas associações impedem qualquer obra, com argumentos que a atual arquitetura é intocável. Se nos outros Slams, como no US Open, Wimbledon e Australian Open já se solucionou o problema, na França talvez isso chegue apenas em 2020.

Este prazo, porém, pode ser estendido. A desconfiança veio do ex-tenista e hoje empresário de sucesso, o romeno Ion Tiriac. Ele construiu em Madri o complexo da Caixa Mágica, com três quadras cobertas. E numa conversa em Paris com jornalistas confessou que se aparentemente todos querem as modernizações, há muitos que são contra. A situação é que o governo francês aprova a ideia, a prefeitura de Paris também, a Federação Francesa tem o dinheiro suficiente, mas parte da população diz não.

O projeto de construção do teto retrátil prevê uma altura de 18 metros acima do limite das arquibancadas. Vizinhos já pararam por diversas vezes qualquer iniciativa da Federação Francesa. Quem mora ao lado do complexo não quer ter sua vista alterada. Comprou a propriedade com um horizonte e não quer perder.

Roland Garros é hoje o maior evento esportivo de Paris, a parte da prova de ciclismo do Tour de France, que passa por diversas regiões. A cidade arrecada de forma direta certa de 400 milhões de euros e muitas vezes mais em outras fontes. E, por isso, haveria o que se chama de ‘interesse nacional’ para as reformas em Roland Garros. Na França se existe a necessidade de se construir uma estrada, o governo pode desapropriar, pagando o valor devido. Mas se o proprietário não ficou contente, pode ir aos tribunais e se ganhar a causa receberá dez vezes mais o que lhe foi pago. Só que a estrada será construída. Não é o caso de Roland Garros.

Sem quadras cobertas, Roland Garros nesta segunda feira não teve sequer uma hora de jogo. Isto significa que a organização deve reembolsar os valores pagos pelos ingressos. Mas, segundo avalia o bem informado Ion Tiriac os prejuízos devem alcançar a casa dos cem milhões de euros. São 210 países transmitindo os jogos, com impressionantes perdas de publicidades, entre tantos outros transtornos.

Roland Garros já viveu situação semelhante. Também durante a segunda semana de 2013 nenhum jogo chegou a ser completado. Porém, houve bate bola por mais de uma hora, sem a necessidade de se reembolsar ingressos. Em 30 de maio de 2000 aconteceu a mesma coisa. Nem sequer os jogos foram iniciados. Portanto, o problema vem de longe, mas a solução também parece estar longe.

 


Comentários
  1. Maurício

    Chiquinho, mas quem arca com esse prejuízo milionário? Roland Garros vendeu os direitos de transmissão por um preço x, então tem um valor fixo a receber, ou os contratos prevêem algum desconto por problemas na programação? As emissoras que compram é que devem ter prejuízos maiores, se a final ao invés de domingo de manhã for realizada na segunda de manhã, não? Ou se duas semifinais são realizadas no mesmo horário, impedindo a transmissão ao vivo de ambas. Mas também tem que ver como são os contratos das emissoras com os patrocinadores… depende de horas de transmissão, e em horário nobre, de jogos ao vivo? Você poderia falar um pouco mais sobre como funciona esse mundo das finanças nas transmissões?

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      O estimado prejuizo de 100
      milhões é para todos os envolvidos.. não só da federacão francesa, mas mundial

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  2. Maurício Luís *

    Chiquinho, achei excelente esse seu post. Isso sim é colocar os pingos nos ‘is’. Nós, como torcedores, ficamos reclamando e questionando, mas é preciso saber o porquê das coisas. E você cumpriu à risca sua função de jornalista: explicando, esclarecendo, pontuando com competência.
    Em uma palavra, IMPECÁVEL.
    “Congratulations”.

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  3. André Aguiar

    Democracia é isso. Não se podia esperar outra coisa dos bravos gauleses. Bem diferente daqui onde milhares de cidadãos (pobres) foram removidos à força de suas casas em nome dos grandes negócios (e negociatas) esportivos, leia-se Copa do Mudo e Olimpíadas.

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  4. João ando

    Agora e um absurdo não ter teto retrátil bem iluminação. ..o tocador para a fica sem ver jogos de ténis…fora o prejuízo dia que compraram pacotes para ver o Federer e aí…

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  5. Lázaro Zardini

    Chiquinho,

    Li em outro post que a Federação Francesa insiste em ampliar o espaço ocupado pelo complexo, substituindo, inclusive, um jardim botânico centenário que é patrimônio francês. Se apegando na expansão dos limites horizontais, os responsáveis pelo Major deixam de lado a possibilidade de trazer iluminação e teto retrátil sem a necessidade de aumentar terreno (como fizeram US Open e Wimbledon). Além disso, tribunais de Paris vem aprofundando a discussão sem manifestar qualquer empolgação com as melhorias propostas pela Federação.

    Talvez a visibilidade dos vizinhos não é o único fator que emperre a ampliação do complexo.

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  6. Estevam Luiz

    Isso que uma população com mente comunista faz. Dane-se a necessidade ou a economia que gera, quero meu mundo de bolhas de sabão intocado. É igual aqui no Brasil: “ohh, não queremos que nada mude, viva o mofo, viva as velharias, viva a arquitetura da época do caixa prego”, quem gosta disso é esquerdista caviar.

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  7. Rafael Pereira

    Essa historia de desapropriação é, e deve ser complicada mesmo. Normalmente os desapropriados não são indenizados de forma adequada, isso em qualquer tipo de necessidade. Talvez na Dinamarca…
    Entretanto toda visão, como no caso dos vizinhos do complexo RG, têm seu preço. Se os caras pagarem bem, todos vão encontrar belas paisagens em outros lugares. Se quiserem pagar valor comum, tem-se a resistência…
    Não dá pra entender como um negócio multimilionário como esse fica estagnado por conta de vizinhos!!!

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