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Dobradinha à mineira
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 31, 2016 às 9:19 pm

Em silêncio, ao estilo mineiro, Bruno Soares deu a volta por cima. Depois de um 2015 difícil e algumas frustrações, revela um início de temporada brilhante, de fazer história. Dois títulos de Grand Slam não acontecia para o tênis brasileiro há 50 anos. Desde Maria Esther Bueno, que nos tempos do ye, ye yé, conquistou os troféus de simples e duplas no US Open de 1966.

A virada de Bruno Soares começou no ano passado. Primeiro enfrentar a delicada decisão de trocar a parceria. Enfrentar uma forte pré-temporada e não desanimar, nunca. Pelos corredores dos torneios caminhou com humildade, até ouvir o convite de Jamie Murray. Aceitou o desafio e foi uma dádiva para o escocês.

Digo isso pelo fato de no 5 a 4 e saque para Murray, o britânico ter sentido o momento. Acontece … não se pode culpá-lo, ainda mais porque ele mesmo, em certo momento do jogo, foi quem segurou a barra. Mas, ao final, o temperamento mineiro de Bruno Soares foi decisivo. Afinal, passou-me a impressão de que assumiu a responsabilidade, tipo… pode deixar que eu cobro o pênalti e fez o jogo da vitória.

Sonho realizado, Bruno Soares voltou à quadra horas depois para fazer história. Ao lado de Elena Vesnina ganhou também o troféu de duplas mistas.

Nem só Bruno Soares ganha com estes títulos. Mas conquistas como estas fazem bem ao tênis brasileiro. Incentivam a torcida, aquecem o interesse pelo esporte. Ainda mais num ano olímpico. E fica então a expectativa de que Soares se junte a Marcelo Melo tanto no Rio Open, como no Brasil Open, o que seria uma grande atração para os dois maiores eventos do País.

Foto de Eleanor Preston.

SEIS VEZES DJOKOVIC – Já no início do Aberto da Austrália uma das perguntas era de quem seria capaz de bater Novak Djokovic. A cara de Andy Murray, na foto acima, revela que este momento não chegou para ele ainda.

Hexacampeão na Austrália, a possibilidade de um Golden Slam já toma conta dos comentários pelo mundo do tênis. Mas, Djokovic deu apenas o primeiro passo para esta façanha. E é sempre bom lembrar que Giles Simon confirma a tese de que vencer um Grand Slam não é coisa simples. Estar bem por duas semanas é pra lá de complicado e os tropeços podem acontecer. Mas se o sérvio estiver dentro de suas atuais condições, só nos resta aplaudir o melhor jogador de tênis da atualidade.

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RECONHECIMENTO DE UMA CAMPEÃ – O abraço ao final da decisão feminina, com o sincero reconhecimento da campeoníssima Serena Williams à vitória em Melbourne de Angelique Kerber foi marcante. A americana não buscou desculpas para o resultado. Limitou-se a dizer que não é ‘robô’ e que por ser humana está sujeita a ser superada em quadra.

Confesso que após a eliminação de Serena para Roberta Vinci, em Nova York, fiquei ansioso e curioso para ver a reação da americano ao término na partida. Restou uma grande emoção… coisas que fazer a gente cada vez mais se apaixonar pelo esporte tênis.


Comentários
  1. Pedro

    A final feminina foi fantástica. As duas jogaram muito. Não dava pra saber quem ia ganhar até porque já vi a Serena sair atrás e depois de ficar brava atropelar as adversárias, mas desta vez esta alemã segurou a onda e conquistou merecidamente o título. E parece que além de determinação, a alemã também mudou a parte física pois está mais magra. Em relação às duplas, estamos muito bem posicionados com nossos jogadores. Falando de final de simples masculina, é incrível como o Djokovic cresce com os grandes jogadores e em momentos importantes, realmente uma atitude de campeão. O que eu vejo de realmente diferente no jogo do Djokovic, é o quanto é difícil ganhar um ponto dele, pois ele corre demais e cobre muito bem a quadra (coisa que o Nadal fazia muito bem antes das lesões). O Nadal sucumbiu às lesões, então não sei até quando o físico do Djokovic vai aguentar. Mas até lá, só está dando ele.

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  2. marcos daniel

    Jogaço a final feminina. Achei que só Azarenka ou Muguruza poderiam deter Serena. Pensei que Serena fosse tratorar Kerber como fez com as outras, mas a alemã teve um desempenho glorioso diante da americana que também jogou muito. Kerber fez a alegria de Steffi Graf, certamente.
    Djoko atropelou Murray, surpresa zero. Difícil é ganhar Roland Garros. No saibro francês a confiança do sérvio não é a mesma e ainda pode bater de frente com a ressurreição do rei daquele território, Rafael Nadal.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Tb tinha Azarenka ou Muguruza como minhas favoritas, mas se pegaram logo nas oitavas e depois a bielorussa foi superada. Kerber está com um físico espetacular… chega bem em todas as bolas. Parece o Djokovic de saias. Uma curiosidade apenas: ela mora na Polônia. Agora, acho sim que o Djoko pode ganhar RG. No último ano perdeu por que Stan estava jogando de maneira incrível. Nunca vi mais o suíço repetir atuações iguais.

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  3. bike boy colorado

    Olá Chiquinho

    Vai aí uma pergunta: Por que os brasileiros tem feito sucesso como duplistas?

    Sobre a vitória merecida da A. Kerber vamos destacar o gabarito, a classe, a categoria e a imensa simpatia da campeoníssima Serena. Linda Serena e emocionante Angelique!

    Quanto ao Djoko, sai da frente meu irmão. O cara está patrolando tudo que vem pela frente. O único que ainda faz uma frente é o “velhinho” Federer, mas cada vez menos. Mental e fisicamente fortíssimo, Djoko está abrindo a porta para ingressar na galeria dos monstros sagrados do tênis.

    Se nenhuma lesão atrapalhar ou seus concorrentes se aprimorarem, tem bala na agulha para reinar por alguns bons anos.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      O tênis brasileiro criou uma tradição de bons jogadores de duplas há tempos. O time formado por Thomaz Koch e Edison Mandarino inspirou muitos. Depois veio Cassio Motta e Carlos Kirmayr. Danilo Marcelino e Mauro Menezes ganharam Roma, João Soares e Givaldo Barbosa e por aí vai.
      Outro detalhe é que os brasileiros descobriram que existe vida no tênis, além das simples. Hj vejo o Demoliner buscando este seu lugar. Para isso, precisou praticamente abrir mão das simples, pois as duplas atualmente estão extremamente especializadas e exigem um tipo diferente de treinamentos.
      Tb gostei da atitude de Serena… confesso que há tempos estava esperando isso da americana… perdeu o título, mas ganhou o coração de toda a torcida.
      E Djokovic merece estar onde chegou.

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  4. Marco Aurélio

    Chiquinho,

    Foi comparado no comentário acima a parte física do djokovic e do nadal.

    Sou da seguinte opinião:

    Vejo que o Nadal sempre lutou muito nos seus jogos, desde as primeiras rodadas e sempre utilizou de força excessiva para vencer seus pontos, além de um calendário com inúmeros torneios. Nadal fisicamente não é mais o mesmo e não conseguiu se reinventar no circuito com uma forma que não exiga tanto dele. Tenta jogar em cima da linha e ser agressivo mas não consegue por muito tempo, comete alguns erros e já volta para o seu antigo plano tático, além de uma grande falta de confiança, pois sobram bolas no meio da quadra e ele não consegue matar o adversário, questão essa que não dependeria tanto do físico para dar um winner, mas sim a falta de confiança. Em momentos complicados que ele sempre era um leão, tem jogado de maneira precipitada e cometendo erros.

    O Djokovic depende da sua parte física é claro, mas a diferença que vence seus jogos com extrema facilidade e não faz nem perto do esforço que o nadal faz para vencer seus jogos de primeiras rodadas, além de fazer um calendário com poucos torneio (os principais) e não tem sofrido nenhuma lesão. Na questão de qualidade no golpes, vejo o sérvio com uma qualidade maior, faz muito menos força pra jogar, consegue liquidar adversário com poucas trocas de bola, com a exceção do péssimo jogo que fez contra o Simon na austrália, além de se cuidar muito na parte física.
    Com isso não vejo o djokovic com 30 anos caindo seu tenis e não sendo mais competitivo, pelo contrario, vejo que ele pode jogar em alto nível até seus 33 anos, como temos o exemplo de davi ferrer que é um jogador que depende extramente do seu físico e com 33 anos corre muito mais que jogados de 20 e temos o exemplo do agassi que ganhou um slan aos 34 anos. Além do que a nova geração não vejo nenhum tenista que me encanta, assim o big 5 pode vir a dominar o circuito mesmo acima do 30 anos.

    Gostaria da sua opinão chiquinho, sempre te assisto no ace!

    Abs

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Marco Aurelio muito boa sua analise. Li um comentario do Moya falando justamente o que vc disse sobre Nadal. Estou convencido de que seria saudavel uma troca
      radical de treinador para o espanhol. Veja o q aconteceu dom o Raonic. No caso do Djoko confesso que me
      transfornei num fan do servio. Mesmo pq nos tempos recentes em q viajava o circuito existia uma certa campanha contra o servio. Enfim, ele deu a volta por cima e estah por cima. Mas duad temporadas brilhantes nao eh para qualquer um… vamos aguardar

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  5. Alan

    Sou admirador do WTA e da Kerber graças ao canal Bandsports. Começei a gostar da Kerber no ano passado em Stuttgart ao vencer Sharapova e a Wozniacki na final. Ao todo, foi a tenista que mais passou no canal em 2015 graças a seus 4 triunfos. Ela tem um espírito de luta na quadra, é discreta fora e de um comportamento ótimo. Um abraço ao sempre simpático Chiquinho. até quarta no bandsports, o canal do WTA e ponto.

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