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Hora de render homenagens a Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 28, 2016 às 3:47 pm

Para muitos, Novak Djokovic apareceu como um intruso à rivalidade de Roger Federer e Rafael Nadal. Mas está longe de ser um vilão. Deve sim ser admirado por ter encontrado um outro nível de jogo. E como disse o próprio tenista sérvio, tanto o suíço como o espanhol o fizeram jogar melhor. Não sem sacrifícios, sem buscar novos recursos, preparação física, mental, técnica. Investiu e hoje colhe os resultados.

É sim hora de render homenagens a Novak Djokovic. Ele chegou a este altíssimo nível, aprendendo com Federer e Nadal sim, mas também  soube como tirar proveito de situações importantes. Sempre lembro de parte de sua biografia – não oficial – em que conta sua passagem, ainda adolescente, pelas mãos de Nici Pilic, na Alemanha.

Para quem não conhece, Nikola Pilic foi um grande tenista nascido na Croácia. Nos tempos ainda da ‘cortina de ferro’ acabou se radicando na Alemanha. Transformou-se num concorrido treinador. Responsável por alguns dos melhores anos de Boris Becker.

Em certa época de sua formação, Djokovic ganhou a chance de treinar com Pilic na Alemanha. Tinha apenas cerca de 40 minutos com o competente treinador. Então, o menino vindo da Sérvia traçou um plano. E por iniciativa própria, sem orientação de ninguém. Antes do horário marcado para a aula, ele fazia o aquecimento. Entraria assim já pronto para aproveitar os ensinamentos desde o começo. Para não perder um minuto sequer, corria para pegar as bolinhas o mais rapidamente possível e devolvê-las ao treinador.

Este foi só o começo do surgimento de um campeão. Hoje fica claro que Novak Djokovic não desperdiçou qualquer minuto de sua vida. Encarou dificuldades com firmeza e foi criativo o bastante para aproveitar todas as oportunidades que surgiram. Se um dia olhou para os ensinamentos de Niki Pilic, em outro momento viu em Federer e Nadal exemplos a serem seguidos. Humildade e inteligência fazem parte da vida deste assombroso campeão.


Comentários
  1. Ligia

    Só agora? Djokovic vai completar o quinto ano como melhor do mundo em 2016 e, se não me falha a memória, é top 3 desde os 20 anos e vem vencendo Federer desde que tinha 19 anos.
    Precisou esperar até agora para “render homenagem” ao tenista sérvio?
    Cordiais saudações

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  2. Ernesto

    Chiquinho, vocês que acompanham tênis há anos, estatísticas, torneios, etc, qual seria o melhor quadro para aposentadoria nesse esporte, se tratando de grande nomes como Sampras, Federer? O termômetro seria o fato de deixar o top 10? No caso de Sampras, quando abandonou estava no top 20… Desde já agradeço caso tenha algum palpite mais técnico…

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Ernesto escolher a hora da aposentadoria é sempre muito complicado. Mas no caso do tênis vejo estar ligado a duas coisas, uma delas depende da outra, mas a vice versa não é verdadeira: estado físico e curtir a vida de jogador.
      Em muitos casos a aposentadoria foi motivada pelo primeiro critério. É, na minha opinião, o caso de Guga Kuerten. Acho que ele ainda gostaria de estar jogando, mas o seu corpo não permite.
      Roger Federer não sofre com lesões graves. Disse na sua mais recente coletiva, em Melbourne, que não está velho – como ousaram insinuar na pergunta – e se pode correr por três ou quatro horas é porque tem condições de seguir no circuito.
      No caso de Sampras vejo que não sentia mais aquele fervor por jogar o circuito. Estava realizado… comprou uma mansão na Califórnia, casou-se bem, e aproveita a vida jogando golfe. Não fosse uma inesperada visita de Roger Federer, talvez o americano nunca mais tivesse um contato direto com o tênis. Mas, foi a Wimbledon quando o suíço igualou seu recorde de títulos.
      Sampras sempre foi muito metódico. Os dias lhe custavam muito em poder de concentração. Em Wimbledon, por exemplo, alugava uma bela casa nos arredores do clube e ficava praticamente sozinho. Seu treinador hospedava-se em Londres. Jantava só e só saia para ir ao jantar dos campeões, quando podia-se vê-lo tomando a única taça de vinho do ano.
      Este seu comportamento até nos dava a oportunidade de um irônico comentário. Ao sair, todas as noites do All England Club caminhava em direção a casa alugada por alguns jornalistas e ao passar à frente da de Sampras, a gente sempre brincava. Será que não tem um quarto pra gente? Afinal, tínhamos mais um 20 minutos de caminhada… he he he. No caminho, é claro, a gente passava pelo Dog and Fox…

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      1. Ernesto

        Minha nossa… que resposta… gostei mesmo… estou mais do que satisfeito pelas palavras ; esse esporte eh diferenciado mesmo… rsrs

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      2. Maurício

        Chiquinho, parabéns pela coluna, realmente essa torcida toda contra o Djoko na verdade é a meu ver porque hoje ele é identificado como o principal responsável por Federer não ampliar mais ainda suas marcas extraordinárias. Mas o lugar na história dos dois jogadores já está garantido, assim como o do Nadal.
        Legal saber mais sobre os hábitos do Sampras, só você mesmo que estava lá pra nos brindar com isso.

        E sobre quando um ex-número 1 para, é um assunto interessante. Há dias pesquisei no site da ATP para ter uma ideia do ranking no último torneio antes da aposentadora. A regra geral é os tenistas caírem bem no ranking antes de se aposentar. Até mesmo Borg, sempre lembrado por sair no auge, continuou disputando um ou outro torneio depois da última temporada regular, com resultados medíocres, além do péssimo retorno muitos anos depois. Então o único que se aposentou no Top10 foi Rafter, justamente o que menos tempo ficou na liderança do ranking. No último torneio que disputou valendo pelo ranking ele iniciou como nº 5 e não tinha nem 29 anos completos. Você sabe por que Rafter se aposentou tão cedo, mesmo tendo um ranking tão bom?

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        1. Chiquinho Leite Moreira

          Mauricio realmente não sei o porquê da precoce aposentadoria do Rafter. Para ser sincero nem sequer tinha dado conta que ele deixou as quadras tão cedo. Sei lá… vou chutar… acho que foi surfar. Trocava muitas ideias com Guga sobre ondas e que tais…

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          1. Pricilla

            Na época, li uma reportagem que dizia que Rafter queria ter saúde pra aproveitar a vida. Estava cansado de viver em aeroporto, etc…mas Tb teve uma lesão no ombro. Abandonou o primeiro tour do US open contra Cedric Piolone no 5 set…

        2. Pedro

          Maurício, o Rafter se aposentou cedo devido a lesão no ombro. Era um grande voleador, e era interessante vê-lo jogar contra o Sampras. Teve um jogo nos EUA em que o saque do Sampras furou as cordas da Prince Response do Rafter (lógico que foi por problemas na corda ou no serviço de encordoamento), mas a cena foi engraçada. Mas,enfim, tinha um estilo de jogo que não se vê muito hoje em dia.

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  3. Fábio

    Bela crônica, Chiquinho! O momento do Djokovic é incrível… E ainda tem um longo horizonte a sua frente. Também tem uma outra passagem interessante. Pilic relata que nunca tinha visto um tenista (mesmo um profissional) tão cuidadoso com o aquecimento e alongamentos. Ele nunca precisava falar nada: 30 minutos de alongamentos antes e depois dos treinos. Sua consciência corporal durante toda vida o previne de graves lesões. Só outro fato deste grande campeão dentro e fora das quadras.

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  4. Juscelino

    Boa tarde, Chiquinho!
    Me desculpe, mas eu tenho que discordar de você, pois eu não acho que a pessoa que fez o comentário acima, Ligia, está mau humorada, só pelo fato da colocação dela. Eu concordo com ela, Nole, é e já faz tempo que tem de ser respeitado e reconhecido como um dos grandes de todos os tempos, taí os números que são incontestáveis quanto a qualquer questionamento contrário. E olha, que isso é só o início, pois acho que agora ele chegou num estágio de excelência em todos os quesitos para ser ser um grande campeão, ele é verdadeiramente um monstro, todos, sem exceção, seus oponentes, já entram em quadra, abatidos.É mérito dele, por tudo que ele fez, que investiu, conforme você tão bem explanou. Agora se ele vai se tornar o melhor do mundo, vai depender dele conseguir manter esse nível, por mais uns dois ou três anos.
    Forte abraço.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Juscelino fique a vontade para discordar… ainda mais com todo o respeito demonstrado. Ok vc tem razão. Peço desculpas a Ligia.

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      1. Lígia Leal

        Chiquinho, não tem com que desculpar. Sou sua fã, assim como do Nilton e do Paulo Cleto. Vocês são feras as quais devemos o respeito quando se trata em noticiar assuntos relacionados ao TÊNIS, já que são mestres.O Maurício, o qual agradeço soube muito bem ponderar e colocar de maneira sucinta o meu pensamento, melhor do que tentei expor. Mas é visível por outro lado observar sua tendência e dos grandes jornalistas esportivos, de ignorar o sérvio, que é o número 1 do mundo. Conseguem criar manchetes na mídia que nem sentido fazem, somente para divulgar imagens de FEDERER ou NADAL. Essa sua manchete:” NADAL BRILHA NO RIO OPEN”, foi realmente como diria minha avó:” de amargar”. Nadal está jogando o normal e não o mais que normal e ganhar do Almagro, seria o mínimo. Quero ver sim ele brilhar em GRAND SLAM, jogando contra DJOKER, FEDERER ou MURRAY….Então veremos se brilhará. Sucesso Chiquinho !

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    2. Lígia Leal

      Juscelino, obrigada por ser tão sucinto na mensagem deixada para o Chiquinho. Você realmente está certo, Djokovic, se encontra em um estado de excelência que é difícil não prever de que ultrapassará Nadal e Federer. Aliás, Nick Bollettieri, o mestre dos técnicos , em recente entrevista mencionou que DJOKER é imbatível e ultrapassará FEDERER em pouco tempo….A questão não é se ele ultrapassará as marcas de Federer e sim de uma vez por outra, o tenista número 1 do mundo deve ser respeitado. Notas são colocadas pela grande mídia, tentando destruir a imagem do tenista, como agora soltaram que ele pode ter ganho 800 mil dólares para perder uma partida onde jogava com tenista francês se não me engano em 2007. Meu DEUS, se aconteceu ou não , a ATP em 2007 é quem deveria ter investigado o caso. Soltam justamente agora essas notas sensacionalistas para tentarem desconcentrar o sérvio. Veja você, que Federer alegou recentemente ter feito cirurgia no joelho e a mídia não o filmou no Hospital em Zurique e muito menos tentou levantar mais dados com os cirurgiões do suiço. Quem garante que ele não amarelou em ter que jogar contra Djokovic em DUBAI , já que perdeu do sérvio na Austrália? Djokovic paga um alto preço por ser PATRIOTA e orgulhar-se por ser sérvio….

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  5. Edson

    Chiquinho, o tênis não corre o risco de ficar meio monótono com essa hegemonia tão avassaladora de Novak? Antes tínhamos o clássico Federer x Nadal, mas agora ninguém parece fazer sombra ao sérvio. E dos novos tenistas não enxergo gente com potencial para evoluir e chegar nesse nível. Qual a sua opinião?

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Edson… nada de monotonia. Djokovic ainda não ganhou o título em Melbourne. Tanto Murray como Raonic podem ameaçar a conquista do sérvio. Sei lá, mas Murray pode vencer sim Djokovic. Raonic acho mais difícil, porém, vem em fase ascendente e cheio de confiança e serviços a 200 por hora.

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  6. Hudson

    Eu penso que está na hora do Federer se aposentar, curtir a família e a vida. Talvez, o que o motiva a se manter no circuito é a motivação de enfrentar um adversário que o está vencendo de forma indiscutível em todos os pisos nos últimos anos, no caso Djokovic. Nem Nadal fazia ele se sentir assim. porque nessa época Federer estava no auge da sua forma, consequentemente ganhava muitos títulos. Hoje, ele só ganha um grande título se não enfrentar Djoko ou se este estiver em um dia ruim.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Hudson acho que o Federer tem uma boa chance em Wimbledon. Tb vai estar no Brasil para os Jogos Olímpicos. Mas difícil aposentar quando faz um jogão no primeiro Grand Slam. Perdeu, mas foi nas semifinais, não se trata de derrotas e derrotas em primeiras rodadas. Enfim, ainda acho que tem muita gente comprando ingressos para o ‘velhinho’ em quadra. Permita-me um comentário: RF perdeu, mas foi dono de jogadas maravilhosas diante de Djoko… jogão

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  7. Marco A.

    Ótimo texto!
    A história de vida do Djokovic é sensacional, certamente é a mais bonita entre os grandes nomes, sobretudo pela superação e condições em que chegou a viver, tudo isso faz este momento vitorioso ainda melhor.

    Que dure longos anos mais!

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  8. Douglas Marques

    Chiquinho, todo ser humano, independente de sua condição, deve estar aberto a ouvir críticas.
    Até mesmo Rafael Nadal declarou nunca ter visto um atleta em tão alto nível, e você ainda não coloca Novak Djokovic ao lado deles na história do Tenis? O que mais você precisa ver para acabar com seu fanatismo, principalmente por Rafael Nadal e reconhecer que Novak Djokovic é Top 3 da história do Tenis e que em breve se tornará o N° 1?

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  9. Valmir

    Chiquinho,
    Com esse título de post… a hora é agora…
    acho que você se esqueceu do título do seu proprio post após a final do AO2012…

    … O mundo se rende a Djokovic….
    Lembra ???

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      É verdade, mas o que quis dizer é que o sérvio não pode ser considerado vilão por frustrar os inúmeros torcedores do Federer ou do Nadal. Acrescentou mais ao tênis.

      Responder
  10. Pedro

    Bom dia Chiquinho. Já vi que és fã de carteirinha do Djoko. Eu torço pelo Federer, mas está difícil hoje em dia devido a diferença de tênis dos dois, em que o Djokovic está acima. Não que o Federer não possa ganhar uma ou outra, pois ele pode, mas no geral o Djoko vai levar vantagem. Eu particularmente reconheço o talento do Djoko. E faço um comentário interessante. Ver pela TV é bem diferente de ver ao vivo. Vi a partida do Djoko contra o Nadal em Miami há alguns anos e pude ver o quanto esses caras jogam de tênis. É um absurdo como eles cobrem a quadra e a precisão dos golpes. Um espetáculo. Na TV, se tem a impressão que tudo é mais fácil. Enfim, acho que nunca serei fã do Dojokovic, mas reconheço que ele chegou a um nível nunca antes alcançado de tênis. Espero sinceramente que apareça algum adversário, pois está chato atualmente ele ganhar todas.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Não é o caso de ser fã de carteirinha… mas sim respeito ao que ele fez para chegar a este nível e tb como está jogando. Vc tem razão, o jogo em quadra é impressionante. O nível destes jogadores está altíssimo. E, especialmente, em Miami dá pra ver o efeito que a bola toma em certos golpes,

      Responder
      1. Pedro

        Obrigado por responder, Chiquinho. Espero que não tenhas ficado chateado com meu comentário sobre ser fã. Não foi um comentário negativo. Dos torneios que você já cobriu em quadra, qual o que você acha com maior estrutura? Isto é, se fosse viajar para ver um torneio, qual valeria mais a pena?

        Responder
        1. Chiquinho Leite Moreira

          Os mais fáceis para se assistir são os dos Estados Unidos, como Miami ou US Open. Indian Wells e Cincinnati tb são bacanas. Mas , em Miami, os brasileiros se sentem em casa. A propósito não fiquei chateado com nada abs

          Responder
  11. Rubens

    fiquei com dó do Raonik, ele teria ganhado do Murray se não tivesse se contundido…uma pena, dessa nova geração acho que os únicos que vingarão será ele e o kirgios, o resto é coadjuvante. Esse Koric ai que falaram tanto não joga é nada.
    Djocko campeão de novo, tavez ele possa impor uma dominância no AO igual fez Nadal em RG.

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  12. Milton

    Djokovic reconhecido?????Head to Head contra Nadal????contra o Federer contra o Murray o número – -3 – 30 x 1
    6 vezes no AO, sem adversários atualmente. Federer sim um mosntro, mas Nadal……???????

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