Monthly Archives: abril 2022

As grandes estrelas voltam em Madri, mas quem brilha é Alcaraz
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 29, 2022 às 2:52 pm

Com a óbvia exceção de Roger Federer, as grandes estrelas voltam em Madri. Desde Roland Garros de 2021 que Novak Djokovic e Rafael Nadal não se encontravam no mesmo torneio, por uma série de razões, como vacina ou lesões. Do último duelo, nas semifinais em Paris, muita coisa mudou. E, infelizmente, nem o sérvio nem o espanhol parecem estar em excelente forma.

Não é segredo para ninguém que as condições de jogo em Madri são consideradas as mais rápidas da temporada europeia. Claro que não agrada o espanhol e também o sérvio não demonstra estar em boas condições de ritmo para aproveitar a oportunidade. Mas não restam dúvidas de que essa rivalidade por si só já é um tremendo atrativo. São 58 encontros, com 30 vitórias para Djoko.

A ESTRELA BRILHA – Mesmo com Djokovic e Nadal de volta a Madri, o maior sucesso na cidade chama-se Carlos Alcaraz. Ele, pela primeira vez em sua carreira, participou de um programa de entretenimento de enorme audiência na TV espanhola, o ‘El Hormiguero”.

O jovem tenista revelou todo seu carisma e fez revelações incríveis. É claro que seu treinador, o experiente Juan Carlos Ferrero, vigiou de perto todas as perguntas e respostas. Mas ainda assim Carlito saiu com histórias incríveis. Em certo momento deixou claro que apesar de todo seu sucesso nas quadras tem uma vida normal. Confessou que nas raras vezes em que vai a uma festa bebe gin com limão. “Não posso negar que já fiquei meio bêbado alguma vez.”

Não fosse, porém, seu bom preparo físico, certamente Alcaraz não teria conquistado o título em Barcelona. Por causa das chuvas precisou fazer dupla jornada no domingo. Disse que entre o jogo das semifinais (contra Alex de Munar) e a decisão com Pablo Carreño Busta descansou por apenas três horas. Contou que dormiu um pouquinho – “durmo em qualquer lugar” – e levantou com o pé esquerdo. Afinal, escorregou numa escadaria, mas ficou feliz em não comprometer sua atuação na decisão do título.

É muito legal que “Charlie”, como ele diz que se chama para se motivar durante as partidas mais duras, mantém uma contagiante simplicidade. Contou que a parte financeira fica com seus pais. “Se for para comprar um jogo de tacos de golfe, que me encanta, não preciso pedir permissão. Mas para, por exemplo, comprar um carro sim”.

Carlito, Charlie, Carlos Alcaraz demonstra ter uma forte personalidade. Por isso, é de se acreditar que vai saber superar todo esse assédio. Já provou isso esse ano, quando perdeu para Sebastian Korda em Monte Carlo. Disse ter encarado o fato apenas como mais uma derrota. Mas, sem dúvida, tem muito crédito. Afinal, não só ganhou Barcelona, como Miami e o Rio Open. Um tenista de muito sucesso, talento e carisma.

 

O lado obscuro do esporte branco
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 25, 2022 às 3:53 pm

O número um do mundo, Novak Djokovic, segue pagando um alto preço por suas escolhas. Embora tenha aumentado sua margem de pontos na liderança do ranking, em relação a Daniil Medvedev, ainda sente a falta de ritmo e o desgaste físico por uma doença misteriosa. Garante não ser sequela da Covid-19, mas não aguentou o terceiro set diante de Andrey Rublev, mesmo jogando em casa, com apoio da torcida.

Este mesmo fim de semana viu, mais uma vez, o carisma e o talento do jovem espanhol Carlito Alcaraz. Num dia em que fez jornada dupla celebrou mais um título e manteve a tradição ao mergulhar na piscina do clube, ao lado de pegadores de bolas. Além disso, teve uma semana memorável, com sua estreia no grupo dos top ten, como um dos mais jovens da história, repetindo o feito de Rafael Nadal em 2005.

Mas o ‘esporte branco’, como era conhecido o tênis, única e exclusivamente pela predominância da cor nos uniformes, hoje revela também o seu lado mais obscuro. A política invadiu a quadra e os organizadores do Wimbledon seguiram as recomendações governamentais e irão banir jogadores russos e bielorussos do próximo torneio. É possível ainda que as federações da Itália e França sigam o mesmo caminho, o que causaria mais transtornos no Aberto de Roma e em Roland Garros.

O mundo do tênis está dividido sobre esse assunto. E, portanto, como sempre é preciso respeitar as opiniões. Mas vale lembrar que para quem viveu o circuito mundial por muitos anos sabe que há muito os jogadores russos nem sequer vivem mais no seu país de origem. Vários são até brigados com sua federação e se radicaram em outras nações. Isso já acontecia desde os tempos de Marat Safin, que passou uma temporada na Espanha. O mesmo se vê com Rublev ou Medvedev, que escolheu a França. É válido também o pensamento de que qualquer ação pode ajudar a pressionar Vladimir Putin a buscar a paz e decretar o fim da invasão na Ucrânia.

Muitos, porém, são enfáticos de que russos e bielorussos têm mesmo de ser banidos do esporte. Um desses casos é o da ex-número 1 do mundo, a belga Justine Henin. Mas entre as muitas manifestações, uma me chamou bastante a atenção. Foi a do australiano John Millman. Ele contou num Twitter que na primeira vez que se qualificou para Wimbledon pediu dois ingressos para seus familiares. A reposta dos organizadores é de que essas pessoas poderiam pegar a fila na calçada. Ele seguiu dizendo que o dinheiro significa muito no All England Club e sugere que no lugar de banir atletas o clube poderia doar os lucros para as vítimas da guerra.

Enfim, o lado sombrio do tênis também tomou conta da falta de punições mais severas para os tenistas. Casos como o Jenson Brooksby, Nick Kyrgios e Alexander Zverev tiveram ações brandas. Mas isso é compreensível, pois a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), como já diz o nome, é uma entidade de classe, que parece mais estar passando a mão na cabeça dos jogadores do que exigindo comportamento digno. A expectativa fica para eventos como Roland Garros ou Wimbledon, torneios geridos pela ITF, a Federação Internacional de Tênis, que historicamente não anda de braços dados com as associações de classe do tênis.

 

Miami revela que há vida além do “Big 3”
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 4, 2022 às 12:57 pm

É claro que Novak Djokovic e Rafael Nadal seguem dominando e que Roger Federer já provoca uma supervalorização nos ingressos em torneios que supostamente voltará às quadras. Mas mesmo dentro desse cenário, Miami revelou que existe sim vida além do “Big 3”. Há muito tempo  se fala do Next Gen, mas a conquista de Carlos Alcaraz, nos Estados Unidos, confirmou que o futuro do tênis está garantido, com jogadores talentosos e carismáticos.

Uma das provas desse fenômeno veio através do twitter de Nicola Arzani, vice-presidente da ATP. O dirigente italiano conta que nasceu um superstar no tênis, com Carlos Alcaraz brilhando tanto dentro, como fora das quadras, ao passar mais de duas horas atendendo a mídia em Miami. Esse mesmo interesse dá para se notar nas arquibancadas do torneio, com uma torcida entusiasmada e vibrando com o jovem espanhol, assim como nas conversas dos fãs do esporte. Carlito veio para ficar.

E não se trata apenas dele, mas o incrível jogo com o sérvio Miomir Kecmanovic assegurou que as emoções seguirão fortes em diversos duelos dessa nova geração. Não são substitutos dos grandes ídolos, mas sim a continuação em alto nível de um esporte apaixonante.

Carlito, como revelou gostar de ser chamado em uma divertida entrevista concedida ao final do Rio Open, tem atributos que atraem o interesse de todos. Soube com maestria impor sua personalidade, afastando com todos os cuidados a fama de “novo Nadal” e revela que o multicampeão de Roland Garros segue sendo seu maior ídolo. Ainda assim demonstra uma bonita relação com seu treinador desde os tempos de juvenil, o também ex-campeão em Paris, Juan Carlos Ferrero. A alegria demonstrada pelo jovem jogador com a surpreendente chegada do seu técnico a Miami é contagiante.

Além do feliz resultado no ATP 1000 de Miami, o WTA também confirmou o bom jogo e o carisma da polonesa Iga Swiatek. Deu um show na final diante de Naomi Osaka e distribuiu simpatia e reconhecimento na cerimônia de premiação. Em clima de comemoração postou nesta segunda feira sua alegria, dizendo que ‘agora e oficial’ e ocupa com todos os méritos a posição de número 1 do mundo.

Essa ascensão de Swiatek vem num momento curioso do tênis feminino. Afinal, a modalidade por um bom período apresentava um forte domínio das principais favoritas. Mas em Miami, logo na primeira rodada, um pouco mais de uma dezena de cabeças de chave foram eliminadas da competição. Para colaborar com essa situação, a australiana Ashleigh Barty também surpreendeu o mundo ao anunciar a aposentadoria com apenas 25 anos. Mas um bom sinal de que mais jogadoras poderão brigar pelos títulos e posições no ranking veio com Osaka. Jogadora de enorme talento sorriu na cerimonia de premiação, mesmo depois de um pneu, demonstrando que aos poucos vem conseguindo vitórias internas e deixa boas esperanças de retornar aos seus melhores momentos.