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Nadal vive drama na final, mas deu show em IW
Por Chiquinho Leite Moreira
março 21, 2022 às 10:28 pm

Longe… muito longe de dizer que o título de Taylor Fritz não tenha sido merecido. Nem ouso dizer que o americano perderia caso Rafael Nadal não tivesse apresentado problema físico, mesmo porque ao entrar na quadra para mim vale aquela: “o jogo é jogado e o lambari é pescado”. Mas também não há como negar que o espanhol tenha realizado uma campanha brilhante e deu show em praticamente todos os seus jogos no ATP 1000 de Indian Wells.

A primeira rodada em Palm Desert já deu um belo exemplo da frase de Carlos Alcaraz (para mim Carlito) a de que Nadal tem mil vidas. Ao estar perdendo por 5 a 2, com dois breaks abaixo, o próprio espanhol disse ter pensado que realmente perderia o jogo. Só que, dentro de suas características e virtudes, manteve o espírito de acreditar sempre e lutar até o final. O resultado foi uma vitória super ameaçada também no tie break do terceiro set.

Curioso é que com uma derrota como essa a que sofreu Korda, o normal seria  o tenista não conseguir dormir e demorar alguns dias para digerir o resultado. Mas não foi o que aconteceu com o americano. Ele deixou a quadra com a convicção de que pode enfrentar qualquer adversário. Além disso, enfatizou que o tenista espanhol foi um dos motivos pelo qual animou-se a pegar uma raquete, como fazia com competência seu pai Petk Korda, campeão do Australian Open em 1998, mas depois teve o mérito manchado por uma suspensão por doping. Sebastian Korda tem também duas irmãs que fazem sucesso enorme no golfe profissional, como Jessica e Nelly, esta última ouro da Olimpíada de Tóquio e que já ocupou a liderança do ranking mundial da milionária modalidade.

De volta a Nadal, o espanhol talvez tenha feito o seu jogo mais tranquilo em Indian Wells contra Daniel Evans. Mas sua estrela brilhou novamente contra o gigante americano Reilly Opelka. Teve paciência e competência para segurar os canhões do adversário e vencer em dois dois breaks.

E o que seria o jogo mentalmente mais desafiador veio com Nick Kyrgios. Nadal deu uma lição de foco e concentração. E para o duelo mais esperado contra Carlito Alcaraz soube usar toda sua experiência para superar o jovem talento espanhol. Nas horas em que o vento bateu forte, Nadal usou um recurso curioso de toss baixo para conseguir colocar o serviço em quadra, enquanto o adversário sofreu com seu primeiro saque. Deixou mais uma lição.

Para a decisão os dois jogadores enfrentaram problemas físicos. Taylor Fritz mostrou o seu melhor tênis desde que saiu em cadeira de rodas num jogo em Roland Garros para passar por uma cirurgia no joelho direito. Vindo de uma família de tenistas está alcançando o sonho de ser um grande jogador. Pelo seu lado, Nadal deu o seu melhor dentro de suas limitações e reconheceu a vitória do americano.

Por situações como essa em Indian Wells ainda parece cedo para se falar na tão esperada troca da guarda. O circuito vai ter de esperar, pelo menos, a sempre charmosa e gostosa temporada europeia de quadras de saibro, quando dois dos big 3 (Nadal e Novak Djokovic) têm encontro marcado.

Importante atualização: notícia que vem da Espanha revela que Nadal sofreu fratura por estresse na costela em jogo contra Alcaraz e deve ficar de 4 a 6 semanas em recuperação. Possivelmente estaria fora de Monte Carlo e Barcelona.

Tenistas querem a paz e não merecem animosidades
Por Chiquinho Leite Moreira
março 1, 2022 às 7:24 pm

Justamente na semana em que um russo assume o reinado no tênis masculino, com a liderança do ranking da ATP nas mãos de Daniil Medvedev, o mundo vive um conflito dos mais execráveis com a guerra na Ucrânia. Mas este momento de animosidades não deve gerar o ódio no esporte. Afinal, alguns dos principais jogadores e jogadoras do circuito já se manifestaram contra a invasão russa e merecem também a paz.

Um dos melhores exemplos partiu do também russo Andrey Rublev. Ao conquistar o título do ATP de Dubai ele fez um bonito e marcante apelo pela paz. Escreveu na lente da câmera em quadra a frase “No War Please”, não a guerra, por favor. O vice-campeão da competição, Jiri Vaseli seguiu na mesma escrita com os dizeres de “Não a guerra”.

É claro que na entrevista coletiva, pós jogo, foi questionado sobre o conflito e foi enfático ao dizer que quer a paz, não a guerra. Contou que coisas terríveis estão acontecendo na Ucrânia e pede a união entre os jogadores.

Mesmo assim, a ucraniana Elina Svitolina ameaçou não entrar na quadra diante de adversárias russas se as autoridades não seguissem a determinação do COI (Comitê Olímpico Internacional) de banir o hino e a bandeira russa nas competições esportivas.

A adversária de Svitolina no WTA de Monterrey, no México, a russa Anastasia Potapova considerou-se refém de uma situação em que não teve qualquer participação. Também confessou-se contra a guerra na Ucrânia. E esse tipo de ação, como a exigida por Svitolina, atingiu também outra russa Anastasia Pavlyuchenkova, que revelou estar com medo de represálias.

Jogar com as cores de sua bandeira é um fato raro no tênis. Apenas surge em algumas competições como Copa Davis, a ex-Fed Cup, Jogos Olímpicos, entre outas poucas oportunidades. Na verdade, alguns tenistas nem mesmo revelam interesse, pois muitos são brigados com suas federações e cresceram mundo afora, sem qualquer ajuda de seus países.

Ainda assim, os principais órgãos governamentais do tênis, como a ITF (Federação Internacional de Tênis), ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) e WTA (Associação das Tenistas Profissionais) rapidamente elaboraram um manifesto dizendo-se fortemente contra a ação russa na Ucrânia. Além disso, determinaram o cancelamento do torneio, masculino e feminino, de Moscou; a suspensão das federações da Rússia e Belarus; e o que já era esperado o fato de reafirmar que jogadores russos seguirão aceitos no circuito, mas sem serem representados por bandeira e hino de seu país. O que me assusta um pouco é a advertência no início da frase de ‘por agora’. Ora, jogadores em busca de paz declarada não devem de forma alguma sofrerem ameaças ou restrições.

Nunca é demais lembrar que por muitos e muitos anos, jogadores da chamada “Cortina de Ferro”, países do Leste Europeu, não eram bem vindos ao circuito de tênis. Podia-se contar nos dedos, os tenistas que obtinham autorização para participar de eventos internacionais. Mas, assim que houve a liberação, o tênis feminino foi o que mostrou maior impacto. Afinal, das 128 vagas dos Grand Slams, cerca de 1/3 passaram rapidamente a serem ocupadas por jogadoras do Leste.

A esperança é de que paz reine no mundo e no tênis. Mas fica a expectativa como rivais em quadra irão se comportar em meio a um conflito que envolve praticamente todas as nações. A começar pelo exemplo do tenista ucraniano Sergiy Stakhovsky, que se alistou no exército de seu país e ainda publicou em mídias sociais que gostaria de dançar sobre o túmulo de Putin. A meu ver colocar armas na mão de quem sabe bem manusear uma raquete, diante de soldados bem preparados e treinados, só irá servir para justificar o ataque a civis.

O esporte sempre jogou pela paz… e que sirva para este fim, sem animosidades.