Monthly Archives: fevereiro 2022

Rio Open: Carlito Alcaraz é o presente
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 22, 2022 às 1:31 pm

Curiosa e verdadeira a declaração de Diego Schwartzman, após perder a final do Rio Open para Carlos Alcaraz. O argentino, respondendo a uma pergunta na coletiva, disse que o espanhol “é o futuro”, mas logo corrigiu. “Carlito já é o presente”.

Não há duvidas de que não só ‘El Peque’, mas também o mundo do tênis já reverencia a façanha de Alcaraz como o mais jovem tenista a vencer um ATP 500, desde a criação desta série de eventos, e também ganhar um lugar entre os 20 primeiros do ranking em idade inferior ao ‘Big 3’. Esperto, o tenista espanhol aprendeu a evitar comparações. Não incentivou o rótulo de ‘novo Nadal’ quando surgiu nas primeiras competições.

E neste aspecto há de se admirar os olhos de Lui Carvalho, o diretor do Rio Open. Há dois anos, em uma participação no Ace BandSports, ele contou que daria um wild card para uma jovem promessa espanhola. Após o programa falou “Chiquinho o convite vai para o Alcaraz. É apontado como sucessor de Nadal”. E percebi que ficou realmente decepcionado quando fiz aquela cara de ‘quem é?’. Afinal, já não sigo mais o tour como há tempos. Mas o Rio nos apresentou este futuro campeão de Grand Slam e possivelmente um líder do ranking mundial.

CARLITO SEMPRE – Aos 18 anos, Alcaraz esbanja alegria, descontração e bom humor. Em uma rápida e divertida entrevista para o Ace BandSports, o espanhol explicou a origem de seu apelido. E, embora as apresentações formais exijam o sobrenome, o jovem tenista quer mesmo ser conhecido como Carlito.

“Carlito sempre”, afirmou. “É assim desde criança que gosto de ser chamado”. Então viva Carlito.

 

Torcida dá o tom da emoção no Rio Open
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 19, 2022 às 4:34 pm

Nem mesmo as muitas interrupções dos jogos por conta das fortes chuvas foram capazes de apagar o ânimo da torcida. O Brasil, infelizmente, não conta mais com um jogador de ponta para as disputas de simples. A última esperança de um título por um tenista da casa nesta competição foi no encontro de Thiago Monteiro contra o italiano Matteo Berrettini. As chances eram poucas, mas ainda assim o público conseguiu criar uma atmosfera eletrizante na quadra Guga Kuerten do Jockey Club do Rio de Janeiro.

Não foi apenas em jogos envolvendo brasileiros que a torcida deu o tom da emoção. Alguns tenistas ganharam o curioso apoio em suas disputas. São nomes conhecidos e de muito talento como Fabio Fognini. E a situação se justifica. Afinal, não são muitas e nem fáceis as oportunidades de se ver de perto um habilidoso jogador como este italiano.

Alguns jogadores até se surpreenderam com essa torcida. Este foi o caso da revelação espanhola Carlos Alcaraz. Jovem, talentoso e dono de um jogo impressionante que dá perspectivas de no futuro levantar um troféu de Grand Slam, ele reconheceu que este apoio foi importante, especialmente no seu jogo de estreia. Simpático e atencioso, Alcaraz correspondeu com gestos gentis, como chamar os pegadores de bola para se protegerem da repentina chuva no seu box de quadra.

Aliás a simpatia e educação de diversos jogadores chamou minha atenção. Não gosto de me colocar como personagem. Mas apenas passar a longa experiência nos torneios do tour internacional. O café da manhã na bolha da Covid-19 num local específico do Sheraton Hotel levou-me a lembrar dos velhos tempos. Em muitas viagens costumava ficar por um bom tempo curtindo os bons buffets, em especial nas competições na Alemanha, como no hotel Intercontinental, em Hamburgo, ou o Maritim, em Stuttgart.

O grupo de jogadores aqui no Rio mostrou-se respeitoso. Não se atropelam em filas, cedem lugar, usam máscara, quando não estão na mesa e cuidam bem da alimentação. Omelete para alguns só de claras. Azeite… só um fio. E quando um treinador pediu uma tapioca com doce de leite foi um protesto geral “não, não, não”… “não pode começar o dia assim”. Divertido e descontraído.

Hoje em tempos de mídias sociais é o local para cumprirem alguns compromissos. Ao lado de agentes e equipe técnica enviam mensagens para fãs, respondem manifestações e cumprem bem o papel junto aos seus seguidores de todos os cantos do planeta. Por isso, fica até difícil acreditar que em quadra, alguns são capazes de quebrar raquetes em atos de pura raiva…

Rio Open de braços abertos para o tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 16, 2022 às 6:37 pm

Uma das imagens mais marcantes para quem chega ao Jockey Club Brasileiro, sede do Rio Open, no Rio de Janeiro, é o Cristo Redentor braços abertos sobre  a Guanabara (Minha alma canta/ Vejo o Rio de Janeiro/ Estou morrendo de saudades/ Rio teu mar praias sem fim) Esta também parece ser a missão do maior torneio de tênis da América do Sul: abrir a modalidade, mesmo em tempos difíceis. Não temos atualmente grandes jogadores, infelizmente. Mas ainda assim os brasileiros podem sentir a atmosfera de uma grande competição, passando a admirar muitos outros astros do esporte.

Não há dúvidas de que o Rio Open deixou saudades, com o cancelamento do ano passado. Mas nesta semana os amantes do tênis estão reunidos, tanto presencialmente, como nas transmissões pela tevê. Andar nesses dias pelas quadras e alamedas do Jockey Club é de reviver bons tempos, cruzando com muita gente amiga de antigas viagens pelo circuito internacional e também observar um público apaixonado pelo esporte da bolinha amarela. É uma emoção diferente.

O Rio Open é um torneio de múltiplas funções. Além da competição entre os tenistas profissionais, o evento cumpre uma função social, com iniciativas como o tênis Kids e o Winners, que abre as portas para o esporte a crianças que normalmente não teriam essa oportunidade de jogar e conhecer uma modalidade tão interessante. Tem ainda a vocação de reunir num ambiente saudável música, arte e a tão badalada atualmente gastronomia. Um destes pontos tem como chef convidada Carol Vaz. Ou seja há muito mais o que se fazer além das quadras. Em certos lugares, o cenário lembra um pouco Roland Garros, como o espaço La Boutique e o poster oficial, conhecidas tradições do Grand Slam francês.

Nos palcos mais importantes 63 atletas jogam por um total de US$ 1.915.485 em prêmios. Desde de sua primeira edição o Rio Open já teve como campeões Rafael Nadal, David Ferrer, Pablo Cuevas, DominicThiem, Diego Schartzman, Laslo Djere e Cristian Garin. Este ano são vários jogadores bem ranqueados em busca do troféu de campeão.

Nem só os atuais astros são lembrados nesta competição. Agora em 2022, o Rio Open homenageia dois grandes nomes do tênis brasileiros, como Flávio Saretta e Rogerinho Dutra Silva. A ideia é de toda organização, mas, sem dúvida, tem um toque genial do diretor do torneio Lui Carvalho. E no mundo do tênis este evento tem um carisma tão especial que após mais de 20 anos sem vir ao Brasil, o hoje vice-presidente da ATP, o italiano Nicola Arzani deu o ar da graça… prestígio.