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Nadal é um monstro… de 21 Slams
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 30, 2022 às 7:22 pm

Não dá para discordar da palavra que mais ouvi nas últimas horas: “Nadal é um monstro”. E acrescento com 21 troféus de Grand Slam. O que o espanhol fez neste Aberto da Austrália é de se guardar num lugar especial da memória. Afinal, não chegou a Melbourne no auge da preparação, vinha de um bom período sem jogar e havia passado pela Covid-19.

Mas não dá para subestimar nenhum dos jogadores do “Big 3”, em especial Rafael Nadal. Nessa decisão diante do bom tenista russo e favorito Daniil Medvedev, o espanhol fez lembrar Fênix, o pássaro lendário da mitologia grega, que ressurgia das cinzas. Diante de um cenário tão sombrio poucos poderiam acreditar que depois de estar dois sets abaixo teria força para um renascimento na partida, a ponto de vencer no quinto set, em mais de cinco horas da mais pura e emocionante batalha.

Das muitas coisas que li depois da decisão uma chamou minha atenção. Em entrevista a Eurosport, Nadal reconheceu que esteve diante de um drama. Falou que quando sacou com 5 a 4 e vantagem de 30 a 0 veio um pensamento na sua cabeça ao perder o serviço. “Será que vou perder como em 2012 e 2017?, afirmou o espanhol. “Ele (Medvedev) pode ganhar, mas não vou me entregar jamais e seguirei lutando”.

Este é o retrato da carreira deste brilhante tenista que passa a ser o maior vencedor de torneios de Grand Slam de todos os tempos com 21 troféus. Jamais deixou de acreditar. Sempre lutou em quadra e fora dela. Seu histórico de lesões é grande. Reconheceu que pensou sim em não jogar o Aberto da Austrália e que esse seria o seu último ano em Melbourne Park. Mas depois de tudo o que aconteceu nesta decisão pode-se esperar que o espanhol vai seguir emocionando e dando ainda maior brilho ao mundo do tênis.

Para Medvedev sobrou o conformismo. Não dá para dizer que o russo tenha jogado mal. Fez o que podia e esteve sim muito próximo de conquistar o seu segundo troféu de Grand Slam. Só que viu um monstro pela frente.

 

Depois do jogo em que todos perderam, o AO começa bem
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 17, 2022 às 11:52 pm

A disputa de Novak Djokovic e Aberto da Austrália não teve vencedores. Foi na verdade um episódio, um jogo, em que todos perderam. O tenista não conseguiu seu intento de defender o título e nem buscar o recorde de Grand Slam. O diretor do torneio, Craig Tiley saiu desgastado. O próprio evento perdeu, por ter sido obrigado a colocar no lugar mais nobre da chave masculino um jogador de ranking baixo, como o italiano Salvatore Caruso. E a culpa é da justiça australiana, que aprovou e depois não, em longas audiências, impossibilitando a mudança entre alguns cabeças de chave, como está no regulamento da ITF, a Federação Internacional de Tênis. Os advogados do sérvio também foram derrotados, ao apresentarem argumentos não convincentes e documentos com informações não comprovadas.

A repercussão internacional do caso, é claro, abalou a imagem já bastante polêmica de Novak Djokovic. E seu intento de jogar o AO, sem o imunizante virou uma bandeira entre prós e contras, além de incentivar o movimento antivacina.

Um assunto que pouco foi comentado é não fosse o suspeitoso atestado de que Djokovic teve Covid no último dezembro, qual argumento seria usado para requerer a isenção vacinal?

A situação pode piorar para Roland Garros. O governo francês já antecipou que não irá permitir exceções, o que coloca o tenista sérvio contra a parede, numa forma que jamais enfrentou em sua difícil vida, formação e competente atuação nas quadras de todo mundo. Assim, se a pandemia não melhorar e muito, a vida do atual numero 1 do mundo estará bastante prejudicada. A verdade é que por ser um naturalista, Djoko tem o direito de não querer se vacinar, mas as autoridades de qualquer país também têm o direito a exigir os comprovantes de imunização.

Enquanto Djokovic voltava para casa e foi recebido em Belgrado por uma multidão de fãs, o Aberto da Austrália começou bem. Como disse Rafael Nadal, nenhum tenista por melhor que seja, jamais será mais importante do que o esporte. É que os jogadores passam e o tênis permanece.

As quadras de Melbourne Park desde os primeiros jogos se encheram de emoção. Alexander Zverev sofreu um susto, mas passou. Nadal ganhou tranquilo, mas ainda diz que precisa melhorar. Matteo Berrettin, o maior beneficiado com o fato de a organização ter sido obrigada a colocar um lucky looser na linha 1, mostrou estar em boa forma ao superar uma das esperanças dos Estados Unidos, Brandon Nakashima.

Entre as mulheres Ashleigh Barty só cedeu um game na sua estreia diante de Lesia Tsurenko. Paula Badosa, que vem crescendo muito, venceu Alija Tomijanovic. E o que se deve festejar com entusiasmo foi a volta de Naomi Osaka, que passou por Camila Osorio, e deu até risadas na entrevista coletiva pós jogo.