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Djokovic sente a pressão e cogita não jogar mais em 21
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 14, 2021 às 3:37 pm

Primeiro foi a Noami Osaka, que resolveu dar um tempo, tirar um pouco a pressão e tratar da saúde mental. Fora da quadra brilhou no Met Gala, em Nova York, com modelo e penteado que causaram. A parte física já tirou Roger Federer, Rafael Nadal e Dominic Thiem da temporada. Agora, vem Novak Djokovic revelar não ter planos para este ano e deixa em aberto a possibilidade de não jogar mais, mesmo com Indian Wells, Paris e Finals pela frente. Talvez tudo não passe do calor do pós jogos, com uma derrota dura para Daniil Medvedev por triplo 64, aliás merecidíssima.

Sobrenatural, com as conquistas do Aberto da Austrália, Roland e Wimbledon, o tenista sérvio mostrou seu lado mais humano na final do US Open. Ao desabar em lágrimas, deixou claro todo o peso que estava sentindo com a possibilidade de entrar para a história como o terceiro homem a conquistar os quatro Grand Slams no mesmo ano, repetindo os feitos de Rod Laver e Don Budge.

Curiosamente confesso que jamais tinha visto Novak Djokovic tão conformado com uma derrota, como aconteceu em Nova York. Possível que o fato de ter contado com intenso apoio da torcida tenha servido de alento para um atleta que tem dificuldades para ver reconhecido seu talento e conquistas.

Os próximos dias podem confirmar o futuro de Djokovic nesta temporada. Mas só fato de cogitar uma pausa já evidencia toda pressão que o tênis exige, em especial aos grandes astros. Forte mentalmente, o sérvio não fez uma boa apresentação na decisão em Nova York. Mas, mesmo que tivesse jogado o seu melhor, Medvedev poderia sim vencer, como fez com muita competência.

Com mais esse capítulo, o tênis masculino deixa muitas incertezas. Djokovic pode só voltar em 2022. O espanhol Rafael Nadal enfrenta novamente problemas físicos e nesta temporada tomou decisões difíceis, como não ir aos Jogos Olímpicos, não disputar Wimbledon e ver que não tinha condições de estar no US Open. Roger Federer vive uma situação parecida. A desconfiança é de que o suíço possa estar sim preparando uma turnê de despedida para o ano que vem.

Neste cenário o tênis já começa a experimentar vida fora do Big 3. Assim como Medvedev há muitos outros jogadores com boas perspectivas para os Slams. E uma prova disso veio com o feminino, com duas inéditas finalistas em Nova York. Emma Raducanu e Leilah Fernandez representam o futuro de uma modalidade que teve um forte domínio de Serena Williams, mas hoje bem mais entusiasmada com seu sucesso também fora das quadras.

Nova York: onde tudo acontece
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2021 às 2:41 pm

Com a volta do público, o US Open confirmou sua fama de ser o torneio mais eletrizante dos quatro do Grand Slam. Só que desta vez pode marcar o início de uma nova era. O aparecimento de nomes até então pouco conhecidos, a jovialidade de diversas jogadoras e os recentes resultados de uma maneira geral definem um divisor de águas no tênis. E, de uma certa forma, já era mesmo de esperar pelas ausências de estrelas como Roger Federer, Rafael Nadal e Serena Williams. Enfim, Nova York, a cidade que nunca dorme, revela um torneio onde tudo acontece, com polêmicas, novidades e, sobretudo, muita emoção.

Se estamos prestes a viver novos ares, com o provável esvaziamento do Big 3, o US Open mostrou que há a necessidade de adequações. Os atos de Stefano Tsitsipas, que o levaram de herói a vilão, mostram que é preciso conter os abusos. Não que o grego tenha cometido alguma infração, mas não ficou bonito, e mereceu severas críticas de nomes como Andy Murray. No feminino, infelizmente, não foi diferente, com Barbora Krejcikova usando do recurso de atendimento médico para conter a reação de Garbine Muguruza.

Este tipo de comportamento não é novidade. Não há como negar que Novak Djokovic já tenha ido ao vestiário para reencontrar o seu jogo em diversas oportunidades. E, por isso, o experiente treinador Toni Nadal ao comentar o acontecido com Tsitsipas no US Open afirmou que Nadal e Federer jamais fariam a mesma coisa.

Um detalhe que me chamou atenção foi que o Tsitsipas, em especial, no jogo contra Murray ficou muito mais tempo no vestiário do que no encontro contra Carlos Alcaraz, o que demonstra que o grego percebeu que estava havendo um exagero. Então, o que poderia ser usado a seu favor, transformou-se em obstáculo, pois passou a ter torcida contra.

Apesar desses momentos nada agradáveis, esta reta final do US Open promete vir repleta de emoções. No masculino, Novak Djokovic vem enfrentando desafios incríveis, embora siga com o favoritismo. No feminino haverá uma campeã inédita em Nova York, com apenas uma jogadora já detentora de título de outro Slam, como Barbora Krejcikova, em Roland Garros. E na modalidade a se lamentar a situação de Naomi Osaka. Sem dúvida uma estrela de grande brilho que tomou uma decisão difícil, mas vai fazer falta ao tênis.