Monthly Archives: agosto 2021

É chegada a hora de mudanças
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 24, 2021 às 3:36 pm

Determinado a estabelecer novo recorde de títulos de Grand Slam, Novak Djokovic aterrissou em Nova York, sorrateiro e discreto. Sem alardes já foi treinar em Flushing Meadows, num cenário bem diferente do que foi nos Jogos Olímpicos de Tóquio, onde o sérvio era o rei das selfies. Se fosse ele continuaria assim… longe dos holofotes.

Em contraponto e curiosamente, o US Open foi o torneio onde Djokovic apareceu como um jovem tenista promissor e divertido. Numa das sessões noturnas da Arthur Ashe ele fez suas imitações com as performances de Maria Sharapova e Rafael Nadal. Um show, sem dúvida, engraçado, mas que não se repete mais.

Enquanto Djokovic se prepara para o US Open, os outros dois integrantes do Big 3, Nadal e Roger Federer, estão fora de combate, assim como Dominic Thiem. Dos atuais top ten, três tenistas não devem jogar mais neste ano. Por isso, com o fim do ranking da pandemia é chegada a hora de mudanças no tênis. E parece até que o mundo adaptou-se rapidamente às alterações. Tanto é que as semifinais de Cincinnati foram definidas como o novo Big 4, com Daniil Medeved, número 2, Stefano Tsitsipas, 3; Alexander Zverev, 4; e Rublev apenas o 7, mas entre os quatro melhores em ação no torneio.

Na atual temporada, Nadal deve permanecer entre os dez primeiros, mas tanto Federer como Thiem irão sair desse grupo. E a perspectiva é que jogadores como Zverev, depois do título importante em Cincy, deva ganhar confiança para brigar pelos campeonatos. Já o russo, Medvedev tem inclusive chances de se transformar no novo líder do ranking, enquanto Tsitsipas, em especial, e Rublev podem aparecer nas finais do Grand Slam americano.

Para o tênis brasileiro, Luisa Stefani volta a nos dar boas noticias. Pela primeira vez na carreira ocupa um lugar entre as 20 primeiras do ranking de duplas da WTA, criado em 1975. Mas devemos fazer justiça na lista dos jogadores que também estiveram nesse grupo. Muita gente esqueceu de citar os nomes de Carlos Kirmayr e Cássio Motta, que ocuparam um lugar entre os 5, assim como Marcelo Melo e Bruno Soares. Agora, citar Maria Esther Bueno como fora desse grupo causa-me um grande desconforto. Afinal em 1960, ela ganhou os quatro torneios do Grand Slam em duplas. Ora, com esses títulos não há dúvidas de que terminaria a temporada na liderança. Em 1964 fez final de Roland Garros em simples, foi campeã de Wimbledon e do US Open: lógico a número 1. Parabéns Luisa, a culpa não é sua, mas não podemos apagar a história de tantos tenistas do País, que também brilharam nas quadras.

 

Big 3 em xeque: peça importante, Federer, está fora de combate
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 16, 2021 às 3:57 pm

Como num jogo de xadrez o Big 3 está em xeque. Ainda não é um xeque-mate, mas vai exigir de Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer uma defesa ou um bom planejamento para um contra-ataque. Peça importante nesse tabuleiro, o tenista suíço está fora de combate. Com mais uma cirurgia não jogará o US Open, nem tem previsão de volta, nem de aposentadoria.

O fato mais dramático é que pela primeira vez em 20 anos, o Big 3 está fora de ação dos preparatórios para o US Open: os Masters do Canadá e Cincinnati. Isso não acontecia desde 2001, quando Federer sentiu uma lesão na virilha e não participou da temporada norte-americana de quadras duras. Desde então, pelo menos um dos três sempre jogou no Canadá ou em Cincy.

A situação é preocupante. Afinal, também Rafael Nadal deixou a América e viajou para a Espanha com objetivo de consultar-se com seu médico, Ángel Ruiz Cotorro. Ficou sem sequer treinar por 3 semanas após sua eliminação em Roland Garros. Abriu mão das participações em Wimbledon e dos Jogos de Tóquio. Tentou voltar em Washington, perdeu na segunda rodada, viajou para Toronto, mas não jogou. Sua volta é incerta. Mas mesmo que aconteça entraria num Grand Slam sem uma devida preparação. Além disso, o espanhol não disputa qualquer competição sem ter a certeza de que pode lutar pelo título. Jogar uma ou duas rodadas, não é com ele.

A situação de Novak Djokovic, ao meu ver, é estranha. No início do ano conquistou o  9° título do Aberto da Austrália, levou a segunda Taça dos Mosqueteiros em Roland Garros e brilhou também em Wimbledon, pela sexta vez na carreira. Mas em busca de uma medalha de ouro inédita na Olimpíada deixou a desejar. Não só saiu de mãos abanando de Tóquio, como colocou dúvidas para sua volta ainda marcada para o US Open. O sérvio terá a chance de fechar o Callendar Year Grand Slam e igualar os feitos do australiano Rod Laver (por duas vezes) e do norte-americano Don Budge.

Além de toda essa pressão, Djokovic está vendo Daniil Medvev ameaçar a sua liderança no ranking. Em função das alterações provocadas pela pandemia, agora nessas semanas irão cair pontos ganhos em 2019 e 2020. Por isso, o sérvio depende apenas dele para manter a posição de número 1 do mundo, mas já avista o segundo colocado no retrovisor.

Enfim, estamos diante de novos tempos. Por sorte temos uma nova geração de muito talento e carisma. Mas não me arrisco a dizer que chegou a hora da troca da guarda.

 

Big 3 enfrenta uma nova era de desafios
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 9, 2021 às 3:24 pm

Trio de maior sucesso da história do tênis, o chamado Big 3 entra numa era agora repleta de imensos desafios. Novak Djokovic amargou resultados negativos na recente participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio e deixa dúvidas de como irá digerir esta situação. Roger Federer comemorou 40 anos, mas o peso da idade apareceu. Com duas cirurgias no joelho e poucas jogos oficiais segue fora das quadras. Rafael Nadal voltou, depois de dois meses. Revelou que sentiu muitas dores numa lesão no pé esquerdo, desistiu de Toronto e coloca dúvidas sobre seu futuro na temporada norte americana.

Já Djokovic admitiu, segundo o site TennisWorldUSA, que não teve nenhum arrependimento de ter viajado a Tóquio. Disse que se sentiu bem ao interagir com atletas de outras modalidades na Vila Olímpica. Porém, informou que sentiu problemas físicos no Japão, mas não buscou essa justificativa para suas derrotas nos Jogos.Superar frustrações faz parte da vida de qualquer tenista profissional. Afinal, como diz o genial John McEnroe “o tênis é um esporte de perdedor. A semana que você não perde é campeão”. Só que não parece ser tão simples assim. Algumas derrotas doem mais e deixam profundas cicatrizes. Este parece ser o caso dos Jogos de Tóquio. Tanto é que o desânimo bateu na porta do sérvio, a ponto de colocar em dúvida até mesmo sua participação no US Open, o que não acredito.Enfim, o número 1 do mundo ainda tem tempo e tranquilidade para o US Open. O Grand Slam norte-americano dá ainda algumas semanas para o sérvio e Djokovic segue com um bom saldo a liderança do tênis masculino.

O ranking passa a ser uma preocupação a mais para Rafael Nadal. O tenista espanhol perdeu a terceira posição para Stefano Tsitsipas nesta semana. Mas, sinceramente, ser três ou quatro do mundo pouca diferença faz, na minha opinião. Para Flushing Meadows, por exemplo, se a lista de classificados seguir como está, Djokovic abre a chave e Daniil Medvedev fica na posição de número 128. Tsitsipas e Nadal vão a sorteio para saber que fica no quadro de cima ou de baixo. Recuperar o terceiro lugar funcionaria sim no aspecto de confiança, que sempre foi uma das maiores virtudes de Nadal. Com bons resultados nesta temporada norte-americana de quadras duras, o espanhol poderia chegar a Nova York em boas condições de defender o título de 2019. Digo defender, pois em função da pandemia, ele ainda tem os 2000 pontos referentes a vitória sobre Medvedev, que só irão cair no dia 13 de setembro.

Situação envolvida em muitas incertezas enfrenta Roger Federer. Era aposta certa que o suíço jogaria em Tóquio, não só pela importância do evento e conquistar uma medalha de ouro em simples, como pela relação com seu patrocinador. Mas nada disso aconteceu. Respeitou os pedidos do seu corpo e recentemente anunciou que não joga nem Toronto, nem Cincinnati.

Toda este cenário, aliado ao crescimento da nova geração, só cria ainda mais expectativas para o quarto e último Grand Slam do ano: o sempre eletrizante US Open.

Meninas do Brasil vivem um conto de fadas
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 2, 2021 às 5:39 pm

No clima agitado dos Jogos de Tóquio ainda há tempo para celebrar a histórica medalha de Luisa Stefani e Laura Pigossi. A façanha soou como um conto de fadas, com final feliz. Em um evento com tantas desistências, o espírito olímpico invadiu o coração das meninas brasileiras. E a conquista também premiou o esforço e insistência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), através das ações do seu diretor Eduardo Frick.

O título acima “meninas do Brasil” é uma forma também de homenagear o tênis feminino brasileiro, como enfatizou a jornalista Diana Gabaniy.  Em um post muito bem escrito nas mídias sociais, ela  exaltou o esforço e dedicação de todas as jogadoras do País que, de uma maneira ou de outra, também escreveram seus nomes na história.

Assim como muitos contos de fadas, o resultado final é improvável, mas revela a importância do imaginário no pensamento positivo. É acreditar sempre. Tanto Luisa como Laura estavam num caminho difícil, mas certeiro para obter sucesso na carreira, ou seja, buscando um lugar ao sol, fora do Brasil. Afinal, para os sul americanos jogarem tênis em nível competitivo as viagens são imperativas.

Os acontecimentos que levaram o Brasil a conquistar a sua primeira medalha no tênis já são conhecidos. Mas creio que nunca é demais enfatizar que Laura Pigossi estava no Cazaquistão e foi surpreendida pela notícia – depois de insistentes tentativas de contato por Frick -. Sem contar ainda com a corrida contra o tempo do diretor da CBT para acordar Luisa, nos Estados Unidos, e fechar a inscrição da dupla brasileira lá no último minuto.

O improvável começou já na estreia, com vitória sobre as cabeças de chave número 7, as canadenses Dabrowski e Fichman. Seguiu com um verdadeiro milagre nos quatro match points diante de Pliskova e Vandrousova. E depois de passarem por Mattek-Sands e Pegula, não desistiram após a derrota para Bencic e Golubic. A ponto de num entusiasmo de encher os olhos saíram de um buraco enorme, com desvantagem de 9 a 5 no match tie break para garantir um lugar no pódio depois de superarem Kudermetova e Vesnina.

Essa medalha representa o resultado de um esforço coletivo. O time brasileiro contou com a experiência e competência do capitão Jaime Oncins. Não se pode esquecer que Daniel Melo – irmão de treinador de Marcelo Melo – também colocou todos os seus conhecimentos para ajudar uma outra dupla e merecer também festejar com todos essa incrível conquista em Tóquio.