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A troca da guarda, enfim, virá em 2021?
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 23, 2020 às 3:58 pm

Muito se fala sobre esta nova geração do tênis. São realmente jogadores carismáticos e talentosos. Mas ainda vejo o Big 3 reinando nos principais torneios do circuito. No início de 2019, quando Stefano Tsitsipas bateu Roger Federer na Austrália, o sete vezes campeão de Grand Slam, John McEnroe afirmou que aquela temporada marcaria a “changing of guard”. Errou e, apesar da espetacular campanha de Daniil Medvedev no ATP Finals, dificilmente ainda teremos esta ‘troca da guarda’.

Não se pode negar que esta nova geração vem para substituir o Big 3 com qualidade, beleza no jogo e emoção. Só que Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic reinam há mais de uma década nos torneios do Grand Slam e não devem abandonar esse domínio em 21. Sem contar com Andy Murray e Stan Wawrinka, que também podem ser considerados os “big prizes”, dá para contar nos dedos os vencedores das quatro maiores competições do tour. Gaston Gaudio ganhou Roland Garros, em  2004; Marat Safin, o Aberto da Austrália, em 2005; Juan Martin Del Potro o US Open, em 2009; e Marin Cilic também o US Open em 2014.

Este ano Dominic Thiem conquistou o título em Nova York. Show, muito legal para um tenista que pode brigar pela liderança do ranking. Mas o US Open de 2020 tem de entrar para a história com um asterisco. Afinal, Federer não pôde jogar, Nadal não quis e Djokovic teve de sair pela porta dos fundos, infelizmente.

E também louvável o que fez Medvedev nesta reta final. Aliás, vou abrir um parêntese: acho que o russo, se tivesse acreditado desde o início da partida, poderia ter vencido Nadal na final do US Open do ano passado. Estava lá e confesso que nunca tinha visto o espanhol terminar um jogo tão exausto e em tanto perigo.

Medvedev fez recentemente o que parecia impossível. Não vinha de bons resultados. Estava com a confiança abalada. E, de repente, chega a 10 vitórias consecutivas, depois de vencer Paris Bercy e levantar o troféu em Londres fazendo história ao bater na mesma competição o número 1 do mundo, Djokovic, o dois Nadal e o três Thiem. Apenas outros três jogadores fizeram o mesmo: David Nalbandian em 2007, em Paris; Djokovic, também em 2007, em Montreal; e Boris Becker, em Estocolmo, em 1994.

Esse duelo de gerações certamente ainda vai muito o que falar. Muitos torcendo pelo Big 3 e outros pelos novos. Mas ao meu ver quem ganha com tudo isso é o tênis. Se os tempos permitirem, com queda dessa pandemia, 2021 deve apresentar uma das melhores temporadas dos últimos anos, tanto no masculino, como no feminino.