Arquivo mensais:outubro 2020

Será que é justo eleger o melhor de todos os tempos pelo número de Slams?
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 20, 2020 às 1:39 pm

O 13º título de Rafael Nadal em Roland Garros provocou outro número que, à princípio, o espanhol não quis dar importância. Afinal, vinha de uma conquista incrível e não seria a hora de desviar o assunto. Mas aos poucos o mundo do tênis passou a dar importância aos 20 troféus de Grand Slam, marca igualada a Roger Federer. Com 17 títulos e também na corrida vem Novak Djokovic severamente machucado com a desclassificação do US Open e pela derrota em três sets em Paris.

Embora amigos, a rivalidade entre Federer e Nadal segue forte. No twitter de congratulações enviado pelo suíço entre tantos elogios à 13ª conquista em Roland Garros fica um alerta de que a marca de 20 troféus trata-se apenas de “mais um degrau em nossa jornada”. O que deixa claro que essa disputa é boa e deverá seguir nos próximos anos.

Essa busca pelo melhor, com um empurrando o outro para o topo, coloca a atual geração em momento histórico. Afinal, é um privilégio ter três jogadores com tanto talento e conquistas numa mesma época. Um fenômeno que, acredito eu, nunca mais acontecerá no tênis.

Mas será possível definir ‘o melhor de todos os tempos’ pelo número de títulos de Grand Slam? Há alguns anos, quando Pete Sampras conquistou o 14. Slam, a ATP elegeu o norte-americano como o melhor, mas evitou usar ‘de todos os tempos”. Isso em respeito a outros jogadores do passado.

O melhor exemplo é o de Rod Laver. Em tempos em que dos quatro Grand Slams três eram jogados na grama, ele conquistou 11 troféus. E incrível, quatro no mesmo ano de 1962, como amador, outros quatro em 1969, já como profissional. O australiano era praticamente imbatível nas quadras de grama, assim como Nadal no saibro de Paris.

Um detalhe importante levou a ATP a respeitar e evitar o uso de “todos os tempos’. Afinal, Laver foi impedido de jogar de 1963 a 1967, pois os Slams eram restritos a jogadores amadores. A era aberta começou em 1969 com o segundo “Calendar Slam” do australiano.

Se se pode definir o melhor de todos os tempos pelo número de Slams é polêmico. Há outros elementos importantes na luta por esse reinado. Mas, sem dúvida, essa briga só acrescenta ao tênis, ainda em tempos de “big three”, mas com a nova geração chegando também forte e talentosa.