Arquivo mensais:março 2020

Coronavirus deixa tênis em pé de guerra
Por Chiquinho Leite Moreira
março 20, 2020 às 6:15 pm

Tudo começou com a rápida e ousada decisão de Roland Garros em anunciar uma nova data para a realização do torneio. O mundo do tênis acusou os franceses de decisão unilateral e reagiu suspendendo o circuito até o dia 8 de junho, ou seja, um dia após o término do Grand Slam francês no calendário original.

A atitude mais provocativa  e que deixa o tênis em pé de guerra veio num recente comunicado sobre a decisão de mudar a volta do tour de 27 de abril para 8 de junho, em razão da pandemia. Um detalhe deixa bem claro a indignação com o franceses. Afinal, o documento é assinado pela ITF (Federação Internacional de Tênis), AELTC  ( o All England Club, organizador de Wimbledon), a USTA (faz o US Open), Tennis Austrália, WTA e ATP e só não tinha o aval da FFT (a Federação Francesa de Tênis).

A decisão de adiar Roland Garros foi tomada de maneira muito rápida, pois já se tinha uma certeza: não daria para cumprir o cronograma de obras no novo complexo e da Philippe Chatrier, em razão da proibição do governo francês de reunir 500 operários nas obras por causa do coronavirus.

Embora o presidente da FFT, Bernardo Giudicelli, tenha afirmado que escolheu uma quinzena tranquila – de 20 de setembro a 4 de outubro -na realidade o Grand Slam parisiense atropelaria uma série de outros eventos. Entre eles, a badalada Laver Cup, de Roger Federer. O dirigente francês reconhece que não consultou o tenista suíço, mas falou com seu agente Tony Godsick. Enfim, criou-se mais uma intriga. Afinal, Federer estaria disposto a jogar o US Open, mas não iria a Paris duas semanas depois.

Apesar deste clima, o cenário ainda é muito incerto. Nem sequer sabe-se se o Tour vai mesmo poder voltar dia 8 de junho. Nem mesmo o que vai acontecer com a Olimpíada, que achataria ainda mais o já complicado calendário do tênis. Mas uma coisa é certa: quem tinha Roland Garros nos planos, sabe que pode pedir o reembolso dos ingressos ou trocá-los para a nova data. Refazer os planos ou desistir de vez.

Indian Wells dá o sinal de alerta
Por Chiquinho Leite Moreira
março 9, 2020 às 3:22 pm

O cancelamento do ATP 1000 de Indian Wells não pegou apenas jogadores de surpresa. A decisão foi drástica e tomada sob pressão. A organização do torneio já havia anunciado diversas medidas preventivas, como o uso de luvas pelos pegadores de bola e a proibição dos boleirinhos de tocar nas toalhas dos tenistas. Chegou-se até mesmo a se cogitar a disputa da competição sem público, apenas com transmissões de TV. Mas, nem tudo isso foi suficiente. E, embora o discurso seja de “não pânico”, o sinal de alerta está acionado.

A expectativa fica agora para o Masters de Miami.  Segundo os twitters disparados pela rede internacional de notícias de tênis há muito mais casos confirmados de Coronavírus na Flórida, do que propriamente na Califórnia.

Diante da eminente possibilidade de não poderem trabalhar, os tenistas espernearam. A primeira reclamação foi a de que não foram avisados com a devida antecedência. Mas ganharam apenas o direito de utilizarem as instalações de Indian Wells para treinamentos. Ainda não oficial, mas os jogadores da chave principal de simples podem receber prêmio de primeira rodada, US$ 18,155, enquanto os outros terão mais alguns dias de acomodações pagas.

E neste clima de incertezas, enquanto Rafael Nadal usa as redes sociais para mandar mensagens otimistas, como a de que espera por soluções breves, jogadores menos afortunados correm para competições menores para seguir exercendo a profissão..

Não há dúvidas que o início do calendário de 2020 para a série dos torneios Masters 1000 está seriamente ameaçada. Mas também o ATP 500 do tradicional Torneio Conde de Godó, já se manifestou ao cancelar a apresentação à imprensa da competição. A Espanha, até a manhã desta segunda feira, dia 9 de março, contabilizava 999 casos de Corona Vírus, com a maior parte em Madri. Mas Barcelona também vive estas preocupações com eventos que reúnem milhares de pessoas.

Há situações consideradas piores. Os dois maiores exemplos são Monte Carlo, devido a proximidade com a Itália, e, é claro, o Aberto de Roma, no Foro Itálico.

A esperança para eventos como a Olimpíada de Tóquio,  segundo um amigo jornalista japonês, Kaoru Takeda, fluente em português, é a de que com a chegada do verão a situação melhore. Ele adverte que no período dos Jogos as temperaturas são muito altas no Japão. Por isso, mantém-se o clima de expectativa, acompanhado, é claro, por incertezas.

 

 

 

Wild está entre os destaques da semana da ATP
Por Chiquinho Leite Moreira
março 2, 2020 às 5:48 pm

Será que já é hora de colocar tanta pressão em Thiago Wild?Particularmente não gosto de comparações, como o primeiro brasileiro desde Guga a… o mais jovem desde Nadal … Mas, por outro lado, os fatos são inevitáveis. E a ATP diante das conquistas da semana no circuito colocou Wild entre os destaques e, como não poderia deixar de ser, ao lado dos títulos de Novak Djokovic, cinco vezes campeão em Dubai, e de Rafael Nadal, com o terceiro troféu em Acapulco.

Certa vez, uma revista de grande circulação no Brasil convidou-me para escrever uma reportagem sobre uma promissora tenista, a Bia Haddad. De primeira recusei. Não queria correr o risco de eventualmente estragar a carreira de uma jovem tenista de enorme potencial. Mas, aos poucos, fui convencido de que seria inevitável. E lá fui eu para o Clube Pinheiros exercer meu trabalho.

Hoje surge o Thiago Wild. Já não é a primeira grande conquista deste jovem paranaense. Afinal, ele tem um título de Grand Slam, na chave juvenil do US Open. E agora, aos 19 anos, ganha o seu primeiro troféu da ATP, em Santiago. Subiu 69 posições no ranking, para ser o número 113, e torna-se inevitável, mais uma vez, que não se dê o devido destaque para esta conquista histórica.

Apesar de Wild já ocupar um lugar entre os melhores da chamada Next Gen, a verdade é que a rotina de títulos de Djokovic e Nadal segue firme e forte. A única novidade é que o “Big 3″ perde o seu número três, com Roger Federer cedendo o seu lugar para Dominic Thiem.

Djokovic, para mim, é o que está em mais impressionante forma. Tem o melhor começo de temporada desde 2011, quando obteve 41 vitórias. Atualmente tem 20 seguidas e 18 no ano. Mas o que realmente merece especial atenção é seu desempenho impecável, apenas arranhado na semifinal contra Gael Monfils, em que salvou 3 match points. Mas esta foi uma virada daquelas da série “eu já sabia”.

O sérvio também mostrou incrível confiança ao revelar na entrevista pós jogo que seu objetivo é ser imbatível na temporada. Entre ser uma ironia ou brincadeira, o certo é que está jogando um tênis de altíssimo nível, acompanhado de sua já conhecida força mental.

Nadal não deixa para trás. Se Djokovic conquistou o 79. título, o espanhol levantou o 85. troféu. E ao colocar, uma vez mais, o ‘sombrero’ mexicano em Acapulco, deixou a quadra com uma frase marcante: “não poderia estar mais feliz”. Enfim, como já disse por aqui, o ano promete…