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Djokovic: o comedor de grama
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 15, 2019 às 6:44 pm
A saborosa grama de Wimbledon

A saborosa grama de Wimbledon

Nada na vida de Novak Djokovic foi fácil. Desde os bombardeios da OTAN ainda quando era criança, a severidade de seu pai, que não admitia uma derrota sem um castigo, ao difícil período de formação na Alemanha, na academia de Niki Pilic, até a antipatia que carrega por uma boa parte do mundo do tênis. Enfim, desde cedo comeu grama, mas nenhuma com o sabor tão agradável como a da quadra central do All England Club.

Até mesmo na heroica vitória em Wimbledon seu sucesso é combatido. Mais especificamente agora pelos números. Há quem conteste a legitimidade da vitória do sérvio. Afinal, Roger Federer aplicou 25 aces contra 10; cometeu seis duplas faltas x nove; conseguiu 94 winners contra 54; e o suíço ainda venceu 218 pontos, 14 a mais que seu rival. Para contemplar esse cenário, Djokovic jogou por quase cinco horas, com torcida contra.

Ora, mas o que é o barulho de uma torcida contra para quem aos nove anos de idade refugiou-se na casa de uma tia durante os bombardeios da OTAN, numa das mais violentas guerras da história da humanidade.

A adversidade faz parte da formação da personalidade de Novak Djokovic. Alguém com esta história, certamente, pode ser interpretado com antipatia em suas decisões. É duro em suas opiniões e arregimentou um exército de inimigos. Basta lembrar o irônico twitter de Nick Kyrgios, pedindo o favor para Federer vencer a final de domingo. Mas, aparentemente, sem traumas ele vai levando a vida. Uma prova recente foi a convocação do croata Goran Ivanisevic para fazer parte de seu staff. Sofreu críticas, especialmente da mídia sérvia.

Poucas vezes, Novak Djokovic refere-se a sua infância, aos anos dos conflitos da antiga Yugoslávia, mas certa vez revelou seu mais forte sentimento ao declarar: “a guerra é a pior coisa que um ser humano pode viver”.

Com uma experiência dessas, Novak Djokovic caminha diante de tudo e de todos para uma história de sucesso. Ao salvar dois match points e vencer o jogo no tie break do quinto set, ele colocou novos números no tênis masculino: 20 Slams para Federer; 18, para Rafael Nadal; e 16 dele. Algo inimaginável lá pelos anos de 2002, quando Pete Sampras chegou a 14 troféus de Grand Slam, o que pareceria ser um recorde inigualável.

Hoje, Novak Djokovic coloca novos desafios e mostra força e determinação para passar de terceiro maior vencedor de Slams para primeiro. Afinal, quem pode duvidar da capacidade deste tenista sérvio?