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Título de Halle mantém privilégio de Federer em Wimbledon
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 25, 2019 às 4:09 pm

Longe de insinuar que o melhor de todos os tempo, Roger Federer, não seja digno de privilégios, mas o fato de mais uma vez o All England Club não respeitar o ranking da ATP para designar seus cabeças de chave merece uma reflexão. O tênis mudou. E uma prova disso está nas marcas de desgaste das quadras de grama. Em outros tempos, o pisoteio dos jogadores demarcava uma triângulo saindo da linha de base e fechando junto à rede. Agora não. O que significa que jogadores de fundo são eficientes nesta superfície.

Engana-se quem pensa que o critério de designação de cabeças de chave em Wimbledon sempre existiu. O tradicional torneio londrino já passou por diversas formas. Por curiosidade em 1924, quatro representantes de diferentes nações eram distribuídos nos diversos quartos da chave. Em 1927 isso mudou e os cabeças eram selecionados por suas habilidades, independente de onde vieram.

E vejam só que interessante: desde 1927 apenas dois jogadores que não eram cabeças de chave venceram o torneio masculino de Wimbledon. Foram eles Boris Becker em 1985 e Goran Ivanisevic em 2001.

Só em 2002 surgiu o uso do ranking da grama, que é baseado em dar créditos adicionais aos resultados dos jogadores nesta superfície. São dados 100% de pontos a mais para os resultados na grama dos últimos 12 meses e 75% para os 12 meses anteriores. E foi assim, que Federer com o título de Halle subiu de 3. para o 2. cabeça este ano.

Este critério também colocou Kevin Anderson entre os quatro primeiros cabeças, deixando Dominic Thiem em quinto, o que faz muita diferença. Rafael Nadal, rebaixado de dois para três, reclamou durante sua preparação em Maiorca, na Espanha. Mas preferiu não polemizar, revelando que se sente forte para buscar seu terceiro título no All England Club. Federer também evitou discussões. Disse em Halle que sempre que venceu o torneio alemão chegou bem a Wimbledon e o mais importante é que está livre de lesões.

Mas nem sempre foi assim, com os jogadores aceitando as regras e pronto. No ano de 2002, quando prevaleceu o ranking da grama, vários jogadores importantes e bem colocados na ATP boicotaram Wimbledon, especialmente os espanhóis. E, por ironia do destino, o torneio desse ano apresentou resultados p´ra lá de surpreendentes. Federer perdeu na estreia para o então qualifyier Mario Ancic. O sete vezes campeão Pete Sampras caiu na segunda rodada diante do suíço George Bastl. E um total de 17 cabeças de chave não passaram das quartas de final. E a decisão foi entre dois tenistas que não marcavam a quadra de forma triangular, com o australiano Lleyton Hewitt vencendo o argentino David Nalbandian.

 

Dozen Rafa revela seus segredos em Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 10, 2019 às 8:01 pm

Um post do tenista Celso Sacomandi trouxe a resposta a uma pergunta que gostaria de ter feito a Rafael Nadal. Qual seria o segredo, a fórmula,  para vencer em Roland Garros? A postagem diz “I don’t go to practice everyday to practice. I go to practice to learn something”. Ou seja, a busca pela perfeição é constante, jamais se acomoda e revela a humildade que sempre se pode aprender algo novo.

A questão de saber usar um treino para elevar o nível e estar de mente aberta para captar tudo que pode ser tirado de uma prática marca a carreira de grandes esportistas. Li em um dos livros de Novak Djokovic um curioso episódio. Em certa época de sua formação como tenista, o sérvio viajou a Alemanha para um período de treinamento na academia de Niki Pilic, um ex-tenista da antiga Yugoslávia, que havia treinado Boris Becker. Entre outras atividades ele teria diariamente 45 minutos com o head pro. Esperto o menino Nole chegava bem antes do início da sessão. Fazia o aquecimento e na hora do início do treino já estava pronto e, assim, ele conta, não perdia um minuto sequer do pouco tempo que tinha diante de Pilic.

Certa vez viajei ao Balneário de Camboriú para acompanhar uma pré-temporada de Guga Kuerten, na academia de Larri Passos. Na hora dos treinos em quadra notei o alto nível de concentração do tenista brasileiro. Acostumado a vê-lo descontraído, nessas horas era uma pessoa séria, sisuda, muda. Repetia os golpes com intensidade, sem se distrair com o que acontecia ao seu lado. Entre seus ‘sparring’ estavam bons tenistas, alguns juvenis, e o que se via era que nenhum deles conseguia manter o nível de atenção por tanto tempo. Ora ou outra abandonavam a quadra para alguma coisa, enquanto Guga só parava para se hidratar, tomar uma água.

Vindo de encontro a isso, ouvi nesta segunda feira após o 12. título do espanhol em Paris, uma entrevista do Tio Tony. Ele com sua experiência agora também na formação de novos tenistas na academia Rafa Nadal, enfatizou a capacidade de concentração do seu sobrinho e ex-pupilo. Comparou que o estudo não rende sem a necessária concentração. E revelou que o maior campeão de Roland Garros de todos os tempo é uma pessoa que não se distrai, não perde a concentração constantemente. Tem foco. Está sempre em busca do melhor e buscando o aperfeiçoamento para cada golpe.

Tudo isso, aliado a uma tremenda garra e uma técnica única faz de Rafael Nadal este grande campeão. E toda essa história me leva a uma frase do golfista Tiger Wood: “quando mais eu treino, mais eu tenho sorte”.