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Novos campeões agitam a temporada de saibro
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 29, 2019 às 1:38 pm

Os títulos de Fabio Foginini, em Monte Carlo, e Dominic Thiem em Barcelona colocam um ingrediente bem apimentado na atual temporada europeia de saibro. Mas, antes de qualquer conclusão, é preciso deixar claro uma verdade: tanto Rafael Nadal, como Novak Djokovic são jogadores que, de repente, voltam ao melhor nível e começam a levantar troféus e troféus.

Não resta dúvida, porém, que novas caras agitam ainda mais este lindo período do circuito da ATP. E um detalhe que colabora para colorir ainda mais a Primavera europeia está na volta de Roger Federer aos torneios da quadra batida. Madri, considerada a superfície mais rápida destas competições, ganha ênfase com a presença do suíço.

Thiem chega muito forte. Este ano, o austríaco já ganhou dois títulos em diferentes superfícies. Em Indian Wells bateu Federer na final. E, em Barcelona, atropelou Rafael Nadal. Costumo dizer que existem três grandes desafios quando se desafia o tenista espanhol. O primeiro é vencê-lo; o segundo é superá-lo no saibro; e o terceiro é batê-lo jogando em casa. E Thiem alcançou os três estágios.

Apesar da excelente fase, Dominic Thiem ainda não fala em Roland Garros. É, lógico, pois o pior que poderia fazer neste momento é acrescentar uma grande dose de pressão e cobrança. Mas não se pode esquecer que ele já esteve na final de Paris. Perdeu o título de forma categórica para Nadal.

Nesses casos, gosto de relembrar um fato que aconteceu justamente em Roland Garros, que comprova a tese de que chegar a uma final de Slam, seja com quem for, pode sim revelar um novo campeão. Certo ano, a alemã Steffi Graf dominava o circuito feminino. Na decisão teria pela frente uma jovem jogadora espanhola, meio cheinha, aparentemente sem grandes recursos, mas que que tinha passado por grandes desafios nas duas semanas do torneio. A presença de Arantxa Sanches num duelo com Steffi causou até um certo mal estar na imprensa espanhola. Os mais chegados comentavam comigo que estavam receosos de um vexame, como um duplo 6/0. Mas, de repente, a espanholinha (como a chamava na época) venceu e sem deixar dúvidas de sua capacidade.

Portanto, os títulos de Fognini e Thiem deixam a perspectiva de que muito ainda está para acontecer nestes próximos torneios do saibro que culminam com Roland Garros.

 

RF: só faltam 8 para igualar Jimbo
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 1, 2019 às 5:58 pm

Tem muita gente que gosta de dizer que “Roger Federer nem suou a camisa para vencer”. Mas, desta vez, nem sequer amarrotou o colarinho ao estilo Charlie Sheen, do seriado ‘two and a half men’. Esteve impecável para garantir o título de Miami, o 101. da carreira e ficar a apenas oito de igualar a marca de Jimmy Connors, conhecido ao seu tempo como “Jimbo”.

Nos últimos jogos em Miami dá para acrescentar que Roger Federer nem precisou trocar a camisa. Ganhou de Kevin Andersson por 60 e 64, superou Denis Shapovalov por 62 e 64 e na final bateu o grandalhão John Isner por 61 e 64. Não despenteou o cabelo, como nos filmes do ‘Superman’.

Igualar ou estabelecer um novo recorde de números de títulos conquistados é uma questão de tempo. E aos 37 anos, o tempo é uma das coisas mais valiosas para o tenista suíço. Capacidade para ir ainda mais longe na carreira, não há como duvidar. Afinal com dois títulos em 2019 é o líder no ranking da temporada, deixando Novak Djokovic, em segundo; e Rafael Nadal, em terceiro. Sem contar que também supera dois dignos representantes da Nex Gen: Stefano Tsitsipas e Dominic Thiem.

A longevidade de Federer e uma consequente quebra de um novo recorde vai estar ligado a manutenção de seu atual ritmo e performance. Enquanto estiver ganhando e sem ‘suar a camisa’, ou seja, enfrentando dificuldades físicas, lesões etc, é claro, que o suíço vai continuar fazendo o que gosta: jogar tênis e bem.

Aliado a tudo isso, o momento de Federer ainda é animador. A temporada europeia de quadras de saibro esta para começar e ele vai poder jogar sem pressões. Afinal, não defende sequer um ponto nesta série de torneios que culmina em Paris, em Roland Garros.

Apesar de o saibro ser mais exigente para suas pernas, Federer ainda terá um bom período para descansar, treinar, adaptar seu jogo e seguir em busca de vitórias. Além disso, seu calendário na chamada terra batida não será assim como o de outros jogadores especialistas na superfície. Selecionou bem os torneios e pronto.

Para o público e amantes do tênis este período que se aproxima promete ser eletrizante com a participação de Federer na temporada europeia de saibro. O circuito passa por lindas cidades, tem muito charme e muito pra acontecer…