Arquivo mensais:janeiro 2014

Jogar ou não jogar… eis a questão
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 6, 2014 às 5:23 pm

Com a responsabilidade de defender o título do Aberto da Austrália, Novak Djokovic chegou a Melbourne praticamente sem jogar. Participou apenas de uma espécie de exibição em Abu Dhabi e levantou o título do Mubadala Championships, ao vencer David Ferrer na final. Enquanto isso, Rafael Nadal deu a cara para bater em Doha, no Catar, e se deu bem. E Roger Fededer esteve em Brisbane e colocou mais dúvidas ainda sobre seu futuro, além de arranhar seu valioso currículo.

A decisão de não jogar na semana que antecede a um Slam é compreensível. Ninguém quer entrar para um torneio em melhor de cinco sets, com chave de 128 jogadores, cansado ou sentindo lesão. Mas não testar seu estágio, desperdiçar a chance de ganhar ritmo é polêmica e arriscada. A primeira rodada em Melbourne pode ser mais complicada do que o norma para o tenista sérvio..

A ideia de não se expor é inteligente. Afinal, Djokovic inicia o ano sob uma nuvem de questões. Contratou o alemão Boris Becker para treinador, em ano que disse querer buscar o único Slam que não possui, o de Roland Garros. Becker, para quem não sabe, escorrega e cai no saibro…

Como o assunto agora é Austrália, Djokovic talvez tenha mesmo preferido não se expor. Afinal, por que mostrar as possíveis novidades em seu jogo, antes da hora certa?

O fato de não jogar, também permitiu a Djokovic ser o primeiro dos grandes a pisar em Melbourne Park. O torneio da Austrália é, depois de Wimbledon, o que apresenta o maior número de variáveis. Como seus jogos só devem acontecer nas grandes arenas, o tenista sérvio tanto poderá jogar a céu aberto como sob teto. Dizem também que jogar durante o dia é uma coisa e à noite, outra completamente diferente.

Melbourne também está do outro lado do mundo. O fuso horário pega a todos. Os tenistas brigam para hospedarem-se nos últimos andares do hotel, onde o barulho é menor e a chance de ter uma noite bem dormida aumenta. Djokovic chegou primeiro. Também já treinou na Rod Laver Arena, antes de qualquer outro. E comprovou uma especulação, a de que o piso estaria este ano mais lento do que o ano passado.

Enfim, jogar ou não jogar é uma questão difícil de ser respondida. Se por um lado, Djokovic não teve chance de testar suas novas armas, também não ganhou ritmo. Só que em termos de adaptação pode estar um passo à frente dos demais. Só o tempo dirá se ele está certo ou não.

 

Out of office
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 2, 2014 às 2:07 pm

Sempre tive mais de um emprego: jornal, rádio, tevê, assessoria, free-lancer, ou frila, como a gente fala em nosso jargão, editoras. O glamour dos grandes torneios, como Roland Garros, Wimbledon, US Open, Miami costumam esconder essa realidade.

Em certa época costumavam me perguntar como dava tantos furos sobre a carreira de Gustavo Kuerten, suas cirurgias, seus contratos, seu calendário, sua turnê de despedida, suas decisões. As reportagens exclusivas como a de André Agassi, que se transformou num tablóide de oito páginas encartado na edição de Esportes do Estadão. As especiais com John McEnroe, Steffi Graf, Ana Ivanovic e, mais recentemente, a única entrevista ao vivo de Roger Federer em sua turnê pelo Gillette Federer Tour, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

Certa vez, em Paris, nos jantares anuais com o saudoso Reali Júnior tive de confessar. Como sempre, passava em sua casa, é claro, às margens de La Maison de La Radio, e depois um bistrô. Certo dia, com Luiz Fernando Veríssimo como testemunha, fiz a revelação. Contei amargamente que não vinha a Paris e sim a Roland Garros. Vivia o tênis desde o primeiro momento, até a significativa frase de um locutor local anunciando ‘fermeture de la porte du stade, ou seja, fechamento das portas do estádio. Seguia na sala de imprensa. Meus companheiros diários, ou melhor noturnos, Tom Tebbut, Chris, Matt Cronin, todos com fuso horário da América. No US Open começava com o café da manhã e seguia até as madrugadas. Diferença que a sala mantinha-se cheia e fez surgir a célebre frase ‘hate de night session”. Era uma ironia dos que gostam do que fazem, mas não deixam passar em branco. Afinal, tudo tem de estar registrado.

Para o AO, que está chegando, troca-se o dia pela noite, a ponto de se perder a noção. Viagem cansativa, o que levou e minha esposa dizer que tinha TPA – Tensão Pré-Austrália -.  Fazia a rota São Paulo – Los Angeles – Melbourne. Algumas vezes, de Los Angeles tinha escala em Auckand. Um tempinho gostoso para esticar as pernas, tomar um café com torradas num dos aeroportos mais aconchegantes que conheço. Ao voltar para o avião da United, a surpresa. Senhor estava a sua procura, disse a mulher da companhia aérea. Trocou meu bilhete para executiva. Sentei-me entre duas mulheres lindas. A minha direita uma australiana. A minha esquerda uma nova-iorquina. Esta é quem definiu bem como a gente perde a noção do tempo. A aeromoça ofereceu champanhe. Eu pensei… acabei de tomar café?… “Bem não sei que horas são em Nova York… vamos brindar o ano novo. Boa viagem e um Feliz Ano Novo a todos.

Para 2014 temos grandes planos. Em parceria com o José Nilton Dalcin vamos montar um especial para os Slams. Do meu lado várias histórias como as que contei. Para a Austrália tem ‘O Parque das Moscas”… ‘Uma Noite no Cassino, com Celine Dion”, e muitas outras que prometem revelar todo o clima dos bastidores e das quadras dos Slams, começando pelo AO.

Em tempo: estou ‘out of office’ ´só até segunda-feira. Até lá.