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Sem Serena, Europa domina o WTA Finals
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 24, 2015 às 8:21 pm

Sem Serena Williams o WTA Finals transforma-se num torneio bem mais disputado. Tanto é que para apontar uma favorita o risco é grande. Tenho colegas viajando para Cingapura pedindo palpites para, dependendo das citações, criar uma referência. Eu coloquei o nome de Garbine Muguruza. Mas, sim sei, que estou correndo grande risco.

Na briga pelo prêmio recorde, de mais de dois milhões de dólares para a campeã, de um total de sete milhões estão Simona Halep, Garbine Muguruza, Maria Sharapova, Petra Kvitova, Agnieszka Radwanska, Angelike Kerber, Lucie Safarova e Flávia Pennetta. Deu para notar que todas são europeias, não é mesmo? Nem americanas, asiáticas ou da Oceânia.

Entendo a dificuldade em apontar favoritismo. Simona Halep não está no seu melhor neste ano, muito menos neste final de temporada. Porém, fez uma estreia brilhante diante de Flávia Pennetta.  Muguruza já vejo com fase ascendente. Esteve na final de Wimbledon, mas ainda sofre com o arrojo de seu jogo. Arrisca muito e, é claro, comete muitos erros. Mas gosto de vê-la em ação e penso que a tendência é dela melhorar cada vez mais.

A seguir vem Sharapova. A tenista russa quase não jogou neste semestre. Deve sofrer com a falta de ritmo e recentemente disputou apenas dois sets, em Wuhan, antes de abandonar a quadra diante de Barbora Strycova. Tanto é que alternou altos e baixos em sua vitória sobre Radwanska, de virada. Petra Kvitova pode sim entrar na lista – bem, pelo menos, a minha – de fortes candidatas. A tenista tcheca tem um estilo lindo e bem adaptado às condições de jogo de Cingapura.

Outra jogadora também em boa fase é Radwanska. Ganhou um bom torneio recentemente e depois de bater a cabeça no primeiro semestre conseguiu bons resultados neste últimos meses. Mas não teve intensidade para superar Sharapova na primeira partida, pois optou por uma tática muito defensiva. Mais esperou erros da adversária do que propriamente investiu em vencer.

A alemã Angelike Kerber também vem forte, mas não conseguiu jogar bem na final de Hong Kong com Jelena Jankovic, muito em função de problemas na região lombar. Poupou-se esta semana não jogando Moscou. Lucie Safarova depois do vice de Roland Garros parece ter caído um pouco de produção e ficou com a última vaga no Finals. Para fechar o grupo aparece Flávia Pennetta, que deverá jogar muito mais com o coração, no que será o último torneio oficial de sua vida. Sentiu, sem dúvida, esta pressão na partida de estreia, permitindo um pneu.

No sorteio dos grupos, em tese o vermelho estaria mais forte. Afinal, tem a número dois e número três do ranking mundial, respectivamente, Simona Halep e Maria Sharapova. Mas como já disse ambas não esbanjam confiança no atual momento. Radwanska e até mesmo Pennetta podem surpreender.

O grupo branco reúne três canhotas: Kvitova, Safarova e Kerber. Todas contra Muguruza. Se for para arriscar mais uma vez ficaria com a espanhola e a tcheca Kvitova.

Enfim, dá mesmo para entender a dificuldade de se encontrar uma grande favorita. Tudo por conta de Serena Williams. Uma pena que a número um esteja fora, mas, por outro lado, a competição ganha um outro tipo de emoção.

 

Um novo Nadal pode surgir em 2016
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 5, 2015 às 4:08 pm

Depois de um ano de algumas frustrações, como não ganhar o 10. troféu de Roland Garros e de nenhum outro Grand Slam. Ou mesmo de perder nesta semana a posição de número 1 da Espanha para David Ferrer, um novo Rafael Nadal poderá surgir na temporada de 2016. Pela primeira vez, seu tio e mentor, Toni, apresentou-se de forma condescendente. E admitiu que se o pupilo não conseguir resultados esperados no início da próxima temporada poderão surgir mudanças na equipe e no estilo de seu jogo.

Em Pequim, na China, Toni Nadal não descartou a ideia de Rafael Nadal seguir o exemplo de dois outros grandes tenistas. E procurar um ex-tenista para estar ao seu lado. Assim, como Stefan Edberg trabalha com Roger Federer e Boris Becker com Novak Djokovic.

Há tempos em que se discute a parceria de Toni e Rafael. É claro que o tio seguiria na equipe, mas na área de gerenciamento. A parte técnica iria para alguém que pudesse dar ao ex-número um do mundo melhores resultados do que conseguiu este ano. Ele ganhou três títulos: Buenos Aires, Stuttgart e Hamburgo, nada desprezível, mas muito pouco para um jogador do seu nível.

Para Roger Federer as mudanças foram boas. É claro que ele ainda busca outro Grand Slam. Não se pode negar, porém, que se reinventou, com novas jogadas e um estilo bem mais adaptado aos seus 34 anos.

A parceria de Djokovic com Becker começou um pouco lenta, ainda sob a influência de Marian Vajda. Só que agora não restam dúvidas de que o sérvio está em fase esplendorosa.

Acho que os fãs de Rafael Nadal merecem uma injeção de esperança. Talvez novas ideias, novas alternativas de jogo possam recolocar o espanhol perto de seu melhor nível. Só que se existe mesmo a intenção de mudanças, por que não aproveitar este final de ano? Uma nova parceria na pré-temporada poderia ser bem mais interessante e proveitosa. Ora, testar e realizar mudanças durante o circuito pode custar caro, exigir muito mais tempo.

Por que Serena parou?
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 1, 2015 às 6:31 pm

Difícil analisar o repentino anúncio de Serena Williams, de não jogar mais este ano. Abre mão de torneios fortes e milionários. Mas, sem dúvida nenhuma, pontos e dinheiro não fazem mais parte das prioridades da americana. Costumo dizer que atletas desse quilate jogam pela glória, recordes e história.

A temporada de 2015 de Serena é uma das mais brilhantes. Ganhou 53 partidas, perdeu apenas três – todas em semifinais – e ganhou cinco títulos. São três Grand Slams, mais os Premiers de Miami e Cincy.

Seu anúncio de fim de temporada puxou pela emoção. Em comunicado afirmou não ser segredo para ninguém todo o sacrifício dos últimos meses, com lesões no cotovelo, joelho, mas o que a teria machucado mais foi “um certo jogo” que afetou seu corarão, seus sentimentos.

Ora, perder faz parte do jogo. Não é fácil para ninguém, ainda mais para quem poucas vezes experimenta este gosto amargo. Compartilhei esta teoria com um tenista profissional, de grande experiência, vivência e vitórias marcantes em torneios importantes como os Slams. Contou-me que algumas derrotas machucam mais que as outras. Mas deixou claro que superar estes momentos fazem parte do perfil de um profissional.

Acredito que na decisão da tenista pesou a opinião do treinador Patrick Mouratoglou. Não é segredo para ninguém que seu envolvimento com a pupila ultrapassou a parte técnica. Ele já havia declarado que preferia ver Serena fora das quadras a jogar sem motivação. Ora, será que ele não deveria buscar formas de motiva-la? Existe uma verdade que não há combustível mais eficiente para os atletas do que as  vitórias. Ninguém inventou nada melhor para levantar o ânimo de jogadores com este alto grau de competitividade. Mas, enfim, Serena Williams terá de esperar até o próximo ano – passar Natal e Revellon – pensando em como é doce o gosto da vitória. Afinal, de alguma forma lhe foi tirada a oportunidade de recuperar o ânimo, mostrar sua arte e fazer o que gosta e, não há dúvidas, faz tão bem.

O fator Davis no tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 21, 2015 às 6:30 pm
Federer não quer mais

Federer não quer mais

Mjurray só pensa nisso

Murray só pensa nisso

 

Não dá para apontar culpados na derrota do Brasil para a Croácia pelo playoff do Grupo Mundial da Copa Davis. Thomaz Bellucci foi até onde deu. Sentiu um problema que já não é de hoje. Também a escolha do Santinho, em Florianópolis, não pode ser apontada pelas suas características: nível do mar, bola lenta. Ora, nestas condições os bons serviços de Bellucci e de João Souza, o Feijão, não funcionam bem. Mas o esquema estava armado para um sacador ainda mais eficiente: Marin Cilic, que vinha de verdade e desistiu nos últimos dias. Para completar, Borna Coric, com apenas 18 anos, não sentiu o peso da responsabilidade. E as longas trocas de bolas só lhe deram ainda mais confiança.

Agora é de se esperar e torcer para que o ‘fator Davis’ não atrapalhe o restante da temporada de Bellucci. Ele já manifestou pelas redes sociais sua frustração por não ter conseguido lutar até o fim. O ideal seria levantar a cabeça, porque  a vida continua.

A situação do Brasil, na verdade, não muda muito. Há tempos que ouço e concordo que a segunda divisão na Davis é a nossa realidade. Nesta quarta-feira será realizado o sorteio em Santiago do Chile. A ITF manteve a equipe brasileira como cabeça de chave. Assim, o time de João Zwetsch só entra em ação na segunda rodada, de 15 a 17 de julho, com boas perspectivas de voltar a disputar o playoff para 2017.

O fator Davis manifestou-se em duas diferentes formas neste fim de semana. De um lado, Roger Federer pode ter feito sua última participação no time suíço. Ele já declarou que deveria ter parado quando conquistou o sonhado título. Voltou para atender aos apelos do técnico Severin Luthi e fazer companhia a Stan Wawrinka. Com atuação em três jogos – inclusive duplas, na qual perdeu – o ex-número um do mundo recolocou os suíços no Grupo Mundial, mas já teve ter avisado para não ser chamado na hora de apagar outro incêndio.

Bem diferente e em ritmo de Federer há anos atrás, Andy Murray fez uma declaração das mais contundentes para a rede BBC. Afirmou que não pretende disputar o ATP Finals, caso a Bélgica anuncie na próxima semana a escolha do saibro como superfície para o confronto decisivo em novembro. O escocês já entrou para a história ao vencer Wimbledon em 2013, depois de mais de 70 anos, e agora tem a chance de levar a Grã-Bretanha a um título que não acontece desde 1936.

O ATP Finals, como se sabe, é disputado em Londres e não há dúvidas que muitos dos ingressos já comprados são para ver e torcer por Andy Murray. Mas as condições na O2 Arena não bem diferentes, com quadra rápida. E a Davis, possivelmente na terra batida, será disputada apenas uma semana depois do milionário e importante torneio em Londres.

Por essas e por outras a Davis é ao mesmo tempo uma das mais empolgantes e controvertidas competições do tênis. Pode rapidamente fazer heróis e destruir astros. Tem um lado sentimental muito grande, mas compromete a vida no circuito do tenista… é o X Factor.

Djokovic é 10; não vilão
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 14, 2015 às 1:31 pm

djokovic

Novak Djokovic conquistou o 10. troféu de Grand Slam com honra e mérito. Seu tênis foi tão convincente nesta final do US Open que sequer pode merecer o título de vilão, por ter eliminado o preferido da torcida, Roger Federer. Não só na Arthur Ashe, mas acredito que em todos os cantos do planeta, a maioria torcia pelo 18. do tenista suíço. Mas também creio que houve um total reconhecimento ao jogo do sérvio.

Com dois gigantes em quadra, a decisão do título em Nova York correspondeu às expectativas de um belo espetáculo. Assim, não só Djokovic ganhou, mas também o tênis. Afinal, se o tenista sérvio mostrou competência, Roger Federer encantou a todos com sua espetacular técnica, suas inovações e incontestável beleza.

O próprio Novak Djokovic admitiu que vê como normal a preferência por Roger Federer. Disse também que algum dia espera merecer este apoio do público. Vejo que o sérvio também tem seu carisma, mas, é claro, é preciso entender o momento do tenista suíço e a preferência da torcida, seja lá onde ele jogue.

Os 28 anos, Novak Djokovic confirma uma das mais impressionantes temporadas de sua carreira. Conquistou três Slams e apenas deixou escapar a Copa dos Mosqueteiros para um outro suíço, Stan Wawrinka. Perto dos 30 de idade, o sérvio pode, sem dúvida, alcançar vários recordes. O segredo para isso, ele revelou na entrevista coletiva após o jogo: o fato de cuidar do corpo, respeitar seus limites e a enorme dedicação.

Além da final masculina, este US Open reservou outros momentos inesquecíveis, como a derrota de Serena Williams para Roberta Vinci. E, é claro, a emocionante decisão contra Flavia Penetta e, de quebra, mais um título de Martina Hingis. Por isso, o último Grand Slam de 2015 não tem vilões, apenas novos e antigos ídolos.

Quebra-quebra em Nova York
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 8, 2015 às 1:08 pm

raquetequebrada

Alguns tenistas marcaram época, fizeram fama e até utilizaram como jogada de marketing as cenas de horror, ou melhor, momentos de fúria em que as raquetes se tornaram vítimas fatais. Destruições de equipamentos, temperamento explosivo fizeram parte memorável da carreira, por exemplo, do norte-americano John McEnroe. Ao final, inclusive, faturou com isso, como no episódio do ‘you cannot be serius’ em que a reclamação com o árbitro de cadeira em Wimbledon entrou para a história e rendeu ao jogador bons cachês em comerciais.

Na época as punições eram brandas. Só que com o tempo e a frequência apresentada por McEnroe fizeram a ATP tomar atitudes mais drásticas e até mesmo impor uma longa suspensão ao mimado tenista americano. Ao longo dos anos, diversos outros jogadores também estiveram marcados por episódios parecidos. O croata Goran Ivanisevic era um. Marat Safin, sempre muito sincero e franco, até chegou a confirmar numa entrevista que se o proibissem de quebrar raquetes pararia de jogar.

De todas as cenas uma das que mais chamaram atenção aconteceu com o cipriota Marcus Baghdatis. Parece ter sido a primeira vez em que houve uma destruição em série. Sentou-se no banco e quebrou quatro… algumas ainda dentro do plástico. E, é claro, foi vaiado…

Agora neste US Open o quebra-quebra envolveu alguns dos líderes do ranking e verdadeiros astros do esporte, como Novak Djokovic e Andy Murray. O mais curioso é que, diferentemente das vaias de Baghdatis, hoje o público em Nova York parece estar curtindo a cena. A ponto de uma raquete quebrada transformar-se em objeto de desejo, quase um troféu para o torcedor que a recebe. Onde será que isso vai parar? Afinal, é polêmico. Tem gente que curte e entende, outros vaiam e os resultados são imprevisíveis. Djokovic quebrou a raquete e ganhou. Murray fez o mesmo e perdeu.

 

US Open sempre inovador
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 2, 2015 às 2:42 pm

interview

Na foto acima a tenista CoCo Vandeweghe aparece dando entrevista para a ex-tenista americana Pam Shriver e hoje repórter de TV. Nada a se estranhar, não fosse que a cena aconteceu durante um jogo do US Open. Mais uma inovação do Grand Slam americano, que como tantas outras causa polêmica no começo e depois transforma-se em mais uma atração da vanguarda nova-iorquina.

Não é de hoje que o US Open apresenta novidades. Uma das mais marcantes foi a revolucionária mudança de sede. Saiu de uma zona sofisticada como Forest Hills e instalou-se no Queens. Foi para um reduto bem mais popular, repleto de imigrantes. Na época os mais conservadores acharam ousada demais a iniciativa. Os resultados, porém, foram incontestáveis. Afinal, não há torneio no mundo que reúna tanto público e disponha de instalações tão grandiosas.

O respeito a media – ou mídia – nos Estados Unidos vem desde a sua constituição com a “First Amendment”, que estabelece logo no primeiro artigo a liberdade de imprensa, entre outras importantes questões. Dentro disso, o US Open manteve-se por muito tempo fiel às tradições dos jornalistas do país. Os vestiários, por exemplo, como em outros esportes dentro dos Estados Unidos, era aberto. Neste tempo, costumava entrar para procurar jogadores brasileiros, falar com treinadores e até mesmo, confesso, jogar conversa fora. Tive a honra até de ao lado de Guga Kuerten e Larri Passos ser um dos primeiros a conhecer as instalações do Arthur Ashe, com lindos armários de madeiras. Só para ilustrar, aconteceu de Guga ser o primeiro tenista e treinar no novo estádio, antes da inauguração oficial. Como ele havia sido eliminado no torneio de Long Island, seu técnico resolveu leva-lo para Flushing Meadows para ele adaptar-se ao novo ambiente.

Enfim, tudo caminhava bem, com respeito de ambos os lados. Jornalistas entravam nos vestiários, mas não incomodavam os tenistas, nem avançavam linhas. Enquanto jogadores eram amistosos, entendendo os costumes americanos. Até que um idiota do Leste Europeu entrou no feminino, passou a sala de estar que antecede os chuveiros e, é claro, diversas meninas ficaram incomodadas. A USTA sugeriu então mudanças para a ITWA (International Tennis Writers’s Association) da qual faço parte. Como os não membros desta associação não poderiam ser controlados,  resolveu-se pelo impedimento de acesso aos vestiários, o que enfureceu os jornalistas americanos, com entrada somente ao players lounge.

Talvez tenha me estendido neste assunto, mas acredito que histórias de bastidores servem para definir bem como é o relacionamento com a media nos Estados Unidos. E agora surge a novidade destas entrevistas entre os sets. No caso de CoCo Vandeweghe, curiosamente ela disse que nem se lembrava das perguntas. Serena Williams comentou se considera ‘das antigas’ e espera que não se torne algo obrigatório. Roger Federer afirmou que não se preocupa. Lembrou que há algum tempo não se dava entrevista antes do jogo e agora isso é normal.

A ideia é boa, dá ainda maior dinamismo às transmissões de tevê e torna-se uma outra atração para o público presente que pode ouvir a jogadora. Tem tudo para dar certo, mas estará baseado no respeito mútuo.

 

Quem quer ser um milionário?
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 31, 2015 às 12:22 pm

Começou a corrida do mais rico e popular torneio de tênis do planeta: o US Open. São vários os candidatos ao prêmio recorde de US$ 3,3 milhões, que em alguns casos pode chegar a US$ 4.3 milhões. Mas os desafios em Flushing Meadows são enormes. Vencer sete jogos em 14 dias em condições das mais variáveis reflete um digno campeão.

Há muitas perguntas que começam a ser respondidas a partir desta segunda feira. Pode Novak Djokovic vencer três Slams em 2015? Será que Roger Federer vai faturar o primeiro Major desde 2012? Andy Murray poderá ganhar o segundo US Open? Rafael Nadal, será que o espanhol voltará a jogar o seu melhor? E Marin Cilic irá repetir a incrível atuação do ano passado?

No lado feminino, ao meu ver, há apenas uma questão: quem pode parar Serena Williams? A americana está a caminho do seu quinto título seguido e pode completar o calendar Grand Slam. Motivações que devem incentivar ainda mais a número um do mundo.

Para quem quiser dar seus palpites ou mesmo apostar suas fichas li um interessante comentário estes dias. Dizia o porquê de Novak Djokovic ter vencido apenas um US Open nos últimos cinco anos. E apresentava a justificativa para suas dificuldades em jogar em Nova York: “o sérvio não é o melhor no vento”. É algo para se pensar, mas também refletir sobre todas as dificuldades apresentadas neste último Slam da temporada. Já peguei dias de ventos muito fortes, fruto de furacões no sul dos Estados Unidos.

Com jogos durante o dia, com sol forte e muito calor, e sessão noturna não há dúvidas de que a versatilidade faz parte do acervo dos campeões em Nova York. O público é também diferente. Barulhento e festivo, especialmente nas noites da Arthur Ashe, onde a atmosfera é eletrizante. Bem, pelo menos, nas arquibancadas… sei lá se todos jogadores gostam disso. Pois lembro que, certa vez, Andre Agassi reclamou com a organização de que não queria música, DJ, telão e etc nos intervalos dos games. Não adiantou nada… teve mesmo de se acostumar com o clima festivo.

Não há dúvidas de que os americanos sabem promover eventos. A noite de abertura promete inúmeras atrações. Uma delas é Josh Groban. Para quem o conhece mando um link abaixo com a minha preferida. A música chama “Per Te”. Para quem ainda não teve a oportunidade, o US Open oferece o prazer de ouvir um dos maiores talentos da atualidade… bem… pelo menos eu sou super fã.

 

 

 

 

New York a espera de Federer
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 24, 2015 às 1:03 pm

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Roger Federer conquistou 87 títulos, sendo 24 Masters, sete só em Cincinnati. São números impressionantes. Poderiam satisfazer a qualquer um. Só que, ao meu entendimento, seus olhos miram o 18. Isso mesmo o 18.o troféu de Grand Slam. E para tanto, não há dúvidas de que New York irá recebê-lo com todas as honras e expectativas.

Os 34 anos o tenista suíço se reinventou. É um novo Roger Federer. Ele ressuscitou o saque e voleio, reviveu o chip-and-charge. E quem já o viu jogando, vai querer revê-lo agora, nesta nova fase, não menos deslumbrante do que toda sua carreira.

A expectativa é mesmo de que Roger Federer sonhe alto com o número 18. Mas o US Open também tem suas peculiaridades. É jogado no distrito de Queens, um dos cinco que formam New York – ao lado de Bronx, Brooklin, Staten Island e Manhattan, o mais glamoroso -.Tem a vocação popular. Cerca de 50 mil pessoas cruzam diariamente as bilheterias de Flushing Meadows e proporcionam duas atmosferas distintas, com diferentes velocidades de jogo.. Na sessão diurna o calor é arrasador e um público apaixonado. Na sessão noturna as condições mudam com uma torcida mais sofisticada e que mistura os amantes do esporte aos convidados das suítes num clima de festa. Vencer este Slam é, sem dúvida, um tremendo desafio. Os organizadores costumam colocar Federer nas noites da Arthur Ashe, mas ao longo do campeonato ele terá de conhecer também o calor do alto verão nova-iorquino.

Com a conquista em Cincy, Roger Federer recuperou a vice-liderança do ranking. Assim só poderia rever Novak Djokovic numa eventual decisão de título. Mas não se pode deixar de lado um fato. O sérvio não esteve bem durante toda a semana passada. Sofreu diante de David Goffin, quase foi embora contra Dolgopolov e na final com Federer parece que só resistiu ao primeiro set. Não tenho dúvidas de que o número um do mundo joga mais do que mostrou em Cincinnati e deve reviver seu bom tênis em Nova York.

Também Federer deve adotar em Flushing Meadows a mesma tática agressiva com a qual jogou em Cincy. Este torneio marcou também a primeira conquista do suíço com vitórias sobre o número dois do mundo, Andy Murray, e sobre o líder, Djokovic. Não há dúvidas de que este último Slam da temporada promete ser um dos mais emocionantes e disputados do ano.

O que Serena quis dizer?
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 17, 2015 às 12:47 pm

SW

Há tempos que Serena Williams vem apresentando um comportamento polêmico. Foi assim em Roland Garros. Disse que estava mal, doente… cambaleou em quadra, mas saiu como grande campeã. Entrou num vale tudo de difícil interpretação. Ora parece que desistiu de jogar.. Ora grita ufanamente e impõe uma vitória arrasadora.

É assim que vem marcando seu estilo. Longe de precisar de qualquer outro recurso para ser campeã. Basta jogar o que sabe e, pronto, vence qualquer adversária. Mas a vida sempre nos reserva bons exemplos de como encarar as dificuldades e refletir sobre as adversidades.

Acostumada a vencer quando quer, Serena Williams foi surpreendida em Toronto pela talentosa suíça Belinda Bencic. Ao contrário de outras oportunidades não conseguiu virar o jogo e sofreu a segunda derrota na temporada. Nada que vá mudar o seu domínio do tênis feminino. Mas um motivo para pensar na sua maneira de encarar o tênis.

Sem preconceitos – ou seja já ter uma resposta definida antes mesmo de analisar o tema – fiquei na dúvida sobre o que realmente Serena Williams quis dizer ao declarar que ‘jogou como uma amadora’.

Ao primeiro instante parece que menosprezou Belinda Bencic. Tirou os méritos da adversária pela vitória. Mas a americana seguiu em frente falando em ser politicamente correta e fez elogios a uma das mais talentosas estrelas da nova geração da modalidade.

Falar que jogou como uma amadora será que foi simplesmente uma metáfora para definir a má atuação? Que esteve abaixo de seu nível, o que, sem dúvida, é realmente verdade. Afinal, apesar de todo talento de Belinda Bencic, a suíça ainda não tem jogo para superar a atual número um do mundo.

Não sei… um assunto para refletir… sem preconceitos.