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Escândalo do tênis promete os peixes grandes
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 18, 2016 às 10:50 pm

Há muito tempo que o tênis exerce um rígido controle na manipulação de resultados. Mas até agora só foram fisgados os peixes pequenos. Nomes que caem no esquecimento. Provavelmente a única exceção seja de Nikolay Davydenko. Desta vez, porém, a BBC promete divulgar uma lista incluindo até campeões de Grand Slam. E em se confirmando que sejam punidos.

Não restam dúvidas de que da suspeita à comprovação existe uma grande distância e um difícil caminho. Quando este trabalho de investigação começou a ser feito de forma mais rigorosa, ouvi de autoridades no assunto que iriam pegar Yevgeny Kafelnikov. Estava tudo o certo: o russo teria se traído nas contas do cartão de crédito. Até hoje só restou a promessa.

O tênis colocou à frente deste trabalho um competente agente: Chris Gayle, que esteve por muito tempo ligado a USTA e a ATP. Conhece como poucos os corredores dos grandes torneios. Entre as diversas determinações estavam as proibições de acesso a sites de apostas nos locais de competição. Tentou-se impedir o livre trânsito de agentes de jogadores. Jornalistas que acompanham o circuito assinaram documento que não usariam as informações privilegiadas para apostas ou mesmo dar detalhes sintomáticos, como, por exemplo, tal jogador está machucado, não treinou bem, etc e tal. Enfim, pedidos que um bom repórter não pode atender, pois afinal de contas sua função é informar e não camuflar.

Com o cerco apertando à máfia das apostas, o assédio aos tenistas saiu dos locais de competições. Hotéis oficiais, restaurantes passaram a ser os pontos de contato. Assim, tanto nos torneios, como fora deles, muitos e muitos jogadores receberam propostas. Até mesmo, Novak Djokovic abriu o jogo ao dizer que lhe foi oferecido US$ 200 mil, mas, é lógico, recusou.

Esta tentação sempre esteve mais próxima de jogadores no nível intermediário. São tenistas que lutam pela sobrevivência e na hora da fome, a aproximação de um agente da máfia das apostas pode acabar se convertendo em pecado. Ao mesmo tempo, para um tenista deste nível as derrotas são uma constante. Perdem todas as semanas, caso contrário seriam campeões.

Agora, a história é diferente. A promessa de peixes grandes, vencedores de Grand Slam, expõe a integridade de uma centenária modalidade. E, por isso, é importante o total esclarecimento, comprovação dos fatos e punição exemplar.

Duas questões para o AO
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 13, 2016 às 8:49 pm

A história conta que o Aberto da Austrália era (era) o menos interessante dos Grand Slams. Mas tudo mudou. No tênis de hoje, de tamanha competitividade e valores financeiros, ninguém pode dar-se o luxo de desprezar um torneio dessa categoria. Este ano, a ensolarada Melbourne recebe novamente os maiores estros da modalidade, mas com duas questões básicas. No lado masculino é quem pode bater Novak Djokovic? No feminino, o que esperar de Serena Williams. A americana não joga uma partida inteira desde a dolorida eliminação nas semifinais do US Open. Isso foi em setembro do ano passado. Portanto, há mais de quatro meses.

O Slam australiano passou realmente por um longo período de desinteresse. Primeiro a distância. Poucos jogadores queriam ir ao outro lado do mundo. Depois veio a questão da data. A competição até 1985 era jogada no mês de dezembro. Os principais tenistas já estavam em busca de descanso, férias e desprezavam sim um torneio da categoria de um Slam.

Hoje disputado na segunda quinzena de janeiro, o torneio ainda ganha críticas. Roger Federer e Rafael Nadal já declararam que gostariam de ver a competição em fevereiro, um pouco mais distante dos feriados de Natal e Ano Novo. Mas como reclamar de calendário, se estes mesmos jogadores jogam exibições na virada do ano. etc e tal. Os organizadores dizem que mudar de data, colocaria a disputa fora do período de férias escolares australianas. E o público em Melbourne é o segundo maior dos Slams, atrás apenas do US Open.

Além  do sol forte e calor – para quem já foi ao torneio sabe – as moscas incomodam muito. É isso mesmo… não dá p’ra acreditar. Ainda bem que lá não tem dengue, zika….

Para resolver um dos problemas, o Aberto da Austrália foi pioneiro ao colocar tetro retrátil na principal arena, a Rod Laver (hoje mais duas). Uma curiosidade – que pode ser observada nas transmissões pela tevê – é que nos dias de sol as sombras são controladas pelo movimento do teto, na quadra central.. Reparem como ela está sempre a alguns metros da linha de base. Só percebi isso certa vez sentado na arquibancada. Estava no sol e sobrou um lugar algumas cadeiras ao lado, na sombra. Calculei… daqui a pouco também vou ficar em local mais agradável. Mas que nada. Olhei para cima e reparei que enquanto do outro lado da quadra o teto retrátil estava se abrindo, do meu lado estava fechando. Tudo para proporcionar sol na área de jogo e sombra na tela do fundo.

Todos estes detalhes fazem a diferença do Aberto da Austrália. Até mesmo para os jogadores. Afinal, as condições mudam em caso de chuva, com teto fechado, ou mesmo nos jogos da sessão noturna.

Diante deste cenário vejo que Novak Djokovic está preparado para enfrentar qualquer grau de dificuldade. Se vale a pena arriscar um palpite, já tão cedo, acredito que Andy Murray poderá ser sim o maior obstáculo para o sérvio.

No feminino, melhor aguardar por Serena. Ela sobra em quadra e mesmo fora de suas melhores condições técnicas ou físicas pode vencer qualquer adversária. Um detalhe mostrado pelo site do torneio revela a americana treinando fortemente os saques e voleios. Será que a americana irá arriscar-se junto à rede? Acho que seria legal. Mas não se deve esquecer das novas caras do tênis feminino. São muitas, todas de grande talento.

Agora é esperar que o sol ilumine as quadras e jogadores para um torneio que promete ser dos mais interessantes e ter as respostas para as duas questões básicas deste ano.

Federer sonha com o 18.
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 4, 2016 às 2:13 pm

A temporada do tênis de 2016 começa repleta de expectativas e algumas dúvidas: será que Novak Djokovic conseguirá repetir o incrível ano de 2015, sem ser prejudicado por lesões? A mesma pergunta serve para Serena Williams, absoluta no tour da WTA mas ameaçada por problemas físicos.

Já Rafael Nadal tira dúvidas. Começou bem o ano, de volta ao seu melhor, com novos ingredientes: subiu bem mais à rede do que de costume, pelo menos em Abu Dhabi. O espanhol demonstra que pode reconquistar seu lugar e deve entrar na briga pelos principais troféus do ano.

No lado feminino, Maria Sharapova participou de uma reveladora entrevista com Roger Federer em Brisbane, na Austrália, e destacou o surgimento de novos talentos. Sabe que seu ano não será fácil e espera uma temporada das mais disputadas.

Também o tenista suíço confessou-se esperançoso para um bom ano, em Brisbane. Acredita que em 2016, enfim virá o 18. troféu de Grand Slam. Ele não levanta uma taça dessa importância desde Wimbledon 2012, mas confia em seu estilo para repetir o sonhado gesto.

Enfim, 2016 tem tudo para transformar-se numa das temporadas mais interessantes do tênis. Ainda mais com o fato da disputa do Torneio Olímpico no Rio. E estes primeiros torneios do ano já começam dar a cor do que se pode esperar.

Um bom ano Olímpico para o tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
dezembro 21, 2015 às 1:56 pm

A tentativa da ATP em esvaziar o Torneio Olímpico de Tênis tirando os pontos no ranking da competição não funcionou, pelo menos até agora. Os principais astros da modalidade deram de ombros para esta decisão. E imbuídos do mais puro espírito olímpico caminharam em sentido contrário à estratégia da associação de classe.

As últimas notícias dão conta de um enorme interesse na competição que irá se realizar no lindo complexo de tênis do Rio. A mais recente informação veio do espanhol Rafael Nadal. Em franca recuperação no circuito profissional, ele não só confirmou sua participação no torneio olímpico em simples, como também em duplas. E acrescentou uma boa novidade: quer formar dupla mista com Garbine Muguruza.

Roger Federer também foi além. Não concordou com as recomendações do técnico suíço da Davis, Severin Luthi, que, em razão da idade, queria ver o ex-número um do mundo, apenas nas competições de simples e duplas, com Stan Wawrinka. E para felicidade geral da nação, ele confirmou o convite feito por Martina Hingis para que formem dupla mista.

Não tenho informações concretas sobre o interesse de Novak Djokovic em jogar a chave de duplas mistas. Mas não há dúvidas de que o atual número um do mundo estará no Rio com toda força e favoritismo para disputar a medalha de ouro.

A decisão em não contar pontos na Olimpíada, se confirmada, só irá mesmo afetar tenistas de ranking intermediário. São jogadores que precisam ver seus interesses próprios. Afinal, teriam de disputar um torneio sem compensações financeiras, muitas vezes defendendo federações que jamais tiveram qualquer apoio. E não somar pontos seria mesmo um desastre. Enfim, li um comentário dos mais válidos: ” A ATP só volta seu olhos para os grandes nomes e mais uma vez deixa jogadores de ranking intermediário em situação delicada, difícil e constrangedora”.

 

ATP está certa em tirar os pontos da Olimpíada?
Por Chiquinho Leite Moreira
dezembro 3, 2015 às 5:52 pm

Os grandes nomes do tênis, como Novak Djokovic, Andy Murray, Roger Federer, Rafael Nadal acredito que virão pela honra e glória dos Jogos Olímpicos. Mas não há dúvidas de que a decisão da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) em tirar a pontuação no ranking irá prejudicar a competição.

A decisão, na verdade, ainda não é oficial. Nasceu de um pedido insólito da ATP. A associação quer da ITF uma compensação financeira aos Masters 1000 de Toronto, no Canadá, e de Cincinnati, Estados Unidos, que estarão colados ao torneio olímpico e, por isso, podem sofrer prejuízos.

A ITF sequer paga prêmios em dinheiro na Olimpíada. Foge ao espírito. E não cogita dar qualquer compensação aos eventos do Canadá, na semana anterior ao torneio no Rio, e Cincy, na seguinte.

O campeão no torneio olímpico do Rio receberia 750 pontos para o ranking. Nada, que possa ser tão significativo para Djokovic, Murray, Federer ou Nadal acostumados às finais de eventos de maior peso, como um Grand Slam, que dá dois mil pontos ao vencedor.

Jogadores integrantes do meio da chave, ranking intermediário, podem sim chorar a perda de pontos no torneio olímpico. Estes deverão investir em competições como Toronto e Cincy que podem sim sofrer ausências de alguns dos principais nomes do tênis.

Aliás, muita gente pode ficar aborrecida, mas a grande maioria dos tenistas não curte a Olimpíada. Para eles é mais importante ganhar um Grand Slam, ou mesmo um Masters 1000. Além disso, aqueles que não ostentam fortunas como os líderes precisam pagar suas contas e jogar sem premiação em dinheiro no Rio não seria um bom negócio. Existe apenas uma outra opção para esta semana, o Aberto Mexicano, em Los Cabos.

Brigas entre a ATP e a ITF vem de longa data. Certa vez, na tentativa de valorizar seus eventos, a Associação dos Tenistas dava maior peso às suas competições. Os Grand Slams disputados em chave de 128 e em jogos de cinco sets foram praticamente equiparados, ou melhor, quase rebaixados. A Federação Internacional reagiu com a proposta de criar um ranking próprio. Quem sabe agora, esta possibilidade não ganhe força para solucionar este impasse.

Curiosamente a WTA não se manifestou e, à princípio, manterá a pontuação no ranking feminino.

Djokovic: o incrível ser humano
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 23, 2015 às 7:27 pm

Ao perder para Roger Federer no round robin, Novak Djokovic mostrou ser humano. Ao levantar mais um título no domingo revelou ser o mais incrível jogador da atualidade. Seus números na temporada são impressionantes: 82 vitórias contra seis derrotas, três troféus de Grand Slam e seis Masters 1000. Para completar tem um físico invejável e uma força mental capaz de se superar rapidamente após a derrota para o suíço.

Suas conquistas e comportamento só ajudam o tênis. Não vejo, como muitos, que Djokovic tenha inveja de Federer, pelo fato de o suíço ser carismático, genial. Acredito que o sérvio, no seu íntimo, também seja fã de seu adversário de domingo. Para dirimir esta situação contei com uma rede de mais de 100 jornalistas ao redor do mundo, que andam pelos corredores dos torneios nos quatro cantos do planeta. Queria saber o que se fala pelos bastidores sobre essa rivalidade, que vimos em quadra, mas que poderia ter provocado reações. Nada…, ou seja, não há indicações de que o sérvio tenha outra coisa a não ser respeito pelo suíço.

Não sei muito bem, mas há sempre especulações sobre as atitudes de Djokovic fora das quadras. Primeiro àquela cômica e divertida série de imitações, que tanto fizeram a alegria da torcida durante o US Open, depois ao redor de todo o mundo. Imagens como dividir água com pegador de bolas. Fazer aquecimento com os meninos e meninas durante Roland Garros só acrescentam qualidades ao seu mais puro comportamento. Enfim, podemos dizer que ele é um campeão dentro ou fora de quadra.

No ano que vem acredito que os torcedores, amantes do tênis terão ainda novos motivos para curtir os jogos e rivalidades. Neste Finals de Londres Djokovic empatou com Federer (22 a 22) e também com Rafael Nadal (23 a 23). O suíço revelou estar em boa fase e fala em treinar mais para melhorar. O espanhol está mais competitivo a cada torneio. Duas grandes ameaças a atual soberania de Novak Djokovic. Sem contar, é claro, com outros grandes talentos que devem dar um forte tom de boa rivalidade no tênis.

 

 

 

Finals no saibro? Pq não?
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 16, 2015 às 1:33 pm

Na sua já longa história, que começou em Tóquio no ano de 1970, o hoje chamado ATP Finals jamais foi disputado numa quadra de saibro. Estanho? Não… apenas uma tendência. Afinal, como é jogado ao final da temporada, quase sempre no hemisfério norte, o frio do outono inverno levam a um ginásio coberto, onde as quadras sintéticas são as mais comuns.

A grande maioria dos torneios foi jogado numa superfície já em desuso: o carpete. O principal fabricante era o Supreme. Uma espécie de borracha que era colocada em cima do piso original dos ginásios e o jogo era rápido. Curiosamente esta foi a superfície utilizada na única edição do Finals disputada na Espanha, em 1972, em Barcelona. A grama também chegou a ser usada apenas uma vez, em 1974, em Melbourne, no antigo parque que abrigava o Australian Open.

Indignado com o império das superfícies rápidas, o rei do saibro e nove vezes campeão de Roland Garros, Rafael Nadal reclamou com a mídia britânica. Disse que não considera justo sempre ter de jogar em condições adversas. As piores para seu estilo, definiu o espanhol. E não por acaso jamais conquistou o título desta competição.

Este ano o maior ídolo do tênis britânico Andy Murray ameaçou não participar do Finals, pois queria dar prioridade aos treinamentos no saibro, visando a decisão da Copa Davis, diante da Bélgica. O título seria uma conquista história… mais uma para a já brilhante carreira do escocês. E meio sem muitas explicações, Murray decidiu jogar na O2 Arena de Londres.

Para surpresa de muitos, o então rápido piso do Finals londrino apresentou-se lento… muito lento. E pelo menos nos dois primeiros jogos não se viu um tênis de alto nível. Nem na pouco emocionante partida de Novak Djokovic sobre Kei Nishikori, muito menos de Roger Federer sobre Tomas Berdych. Neste segundo jogo, especialmente, bolas curtas e quiques altos. Enfim, acredito que tentaram favorecer Murray, que espera um jogo muito lento diante dos belgas.

Esta decisão favorece a opinião de Nadal, ao meu ver. Por que não experimentar o saibro no Finals? A ATP caiu de amores com Londres e a O2 Arena. Não por acaso, mas sim pelos altos lucros nas últimas edições. Só que neste ano a história não parece ser a mesma.

A utilização do saibro em ginásios não é comum. Mas também não é impossível. Um exemplo bem próximo é o Brasil Open, há alguns anos disputado no Ginásio do Ibirapuera. E no ano passado, particularmente, a quadra estava em excelente condição.

 

Djokovic ganha unanimidade
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 9, 2015 às 8:34 pm

Como diria o polêmico Nelson Rodrigues “toda unanimidade é burra”, mas como ele também dizia que “nem todas as mulheres gostam de apanhar… só as normais” vou me permitir discordar. E no maravilhoso mundo do tênis Novak Djokovic ganhou unanimidade. Conquistou respeito e reconhecimento. Até mesmo os fervorosos torcedores de Rafael Nadal ou os amantes do tênis clássico de Roger Federer devem estar contentes em ver que seus ídolos perderam, mas não para qualquer um, mas sim para um tenista do porte do atual número 1 do mundo.

Não fosse pela derrota para Stan Wawrinka na final de Roland Garros se poderia dizer que Novak Djokovic fez, até agora, uma temporada beirando a perfeição. Mas até mesmo diante desta adversidade tirou com bom humor as tristes lembranças da primavera parisiense deste ano. Agora, no outono europeu, confessou em Bercy que estava muito contente com o título do Masters 1000. Mas olhando para o presidente da FFT, Jean Gachassin, revelou que seu sonho mantém-se em Roland Garros.

Os números estatísticos de Djokovic, além dos dez títulos conquistados este ano, incluindo três dos quatro Grand Slams, não deixam dúvidas de seu atual momento. Só que ainda resta uma semana para a coroação. Em Londres, no ATP Finals, num formato contando com round robin e diante de adversários de grande categoria a perspectiva é de fortes emoções. Não precisa vencer para contemplar este incrível ano… mas seria importante.

Números 1 – Paris reuniu os dois tenistas que lideram os rankings da ATP: Djokovic e Marcelo Melo. Para o duplista ser lembrado pelo mestre de cerimônia que ele era o segundo brasileiro a liderar o ranking deve ter sido uma emoção enorme. Acredito até que o jogador mineiro tinha isso na cabeça. Mas não quis fazer a lembrança para não colocar-se no mesmo nível de Guga Kuerten. Preferiu ouvir e foi bem.

E uma outra boa informação para Marcelo Melo é que – como já disse na coluna anterior – há anos vem batalhando pela valorização de seu irmão como treinador. E desta vez, o nome de Daniel aparece no topo das opções do Prêmio Tênis 2015. Já teve o meu voto e acho que vai dar na cabeça.

Daniel e Marcelo a dupla # 1
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 27, 2015 às 7:29 pm

Com conquistas como as de Roland Garros, ou do Masters 1000 de Xangai, entre outras tantas vitórias, Marcelo Melo irá aparecer na liderança do ranking mundial de duplas no próximo dia 2. Mas seu caminho para o topo não foi construído apenas com parcerias como as de Ivan Dodig, Raven Klaasen ou Lukasz Kubot. Mas sim quando decidiu ter seu irmão, Daniel, que também foi um bom tenista, como seu treinador.

Não é segredo para ninguém que as duplas hoje são formadas por especialistas. É um jogo completamente diferente das simples. São jogadas novas, outras opções daquelas em que um defendia a direita e outro cobria a esquerda. Nem mesmo àquela de ‘vou cruzar no segundo serviço’. Um treinador de olho nestas novas alternativas é imprescindível.

Em outras épocas as duplas contavam com jogadores de simples. Uma das mais famosas parcerias era formada pelos americanos John McEnroe e Peter Fleming. O primeiro usava todo o seu talento e genialidade para os toques de bolas. O outro distribuía pancadas… só dava tiro. Os espanhóis Emílio Sanchez e Sergio Casal também fizeram uma ótima parceria. Só que hoje em dia um duplista não se daria bem nas simples e nem mesmo um jogador de simples teria condições de disputar todas as duplas. É necessário ter prioridades.

O trabalho de Daniel foi o de entender e colocar em prática esta nova linguagem. Certa vez conversei com ele nos corredores do Rio Open, mas mineiramente revelou-se discreto. Não quis falar muito sobre si, seu trabalho, preferindo elogiar o esforço, dedicação e talento do caçula.

A interferência de um bom treinador numa dupla não é privilégio do brasileiro. Há um certo tempo os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah contrataram o sul africano Jeff Coetzee e fizeram estrondoso sucesso. Só aqui no Brasil conquistaram tanto o título do Brasil Open, em São Paulo, como do Rio Open.

Para Marcelo Melo falta este tipo de reconhecimento ao trabalho dos treinadores de duplas. Certa vez na entrega do prêmio dos melhores do ano, na Costa do Sauipe, colocou-me na parede, pois acredita que se a mídia não dá atenção, seu irmão jamais seria indicado. Confesso que realmente votei no Daniel Melo para treinador do ano, no lugar de nomes como Larri Passos ou João Zwetsch. Mas a valorização dos técnicos especialistas em duplas vai além.