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Nadal vive drama na final, mas deu show em IW
Por Chiquinho Leite Moreira
março 21, 2022 às 10:28 pm

Longe… muito longe de dizer que o título de Taylor Fritz não tenha sido merecido. Nem ouso dizer que o americano perderia caso Rafael Nadal não tivesse apresentado problema físico, mesmo porque ao entrar na quadra para mim vale aquela: “o jogo é jogado e o lambari é pescado”. Mas também não há como negar que o espanhol tenha realizado uma campanha brilhante e deu show em praticamente todos os seus jogos no ATP 1000 de Indian Wells.

A primeira rodada em Palm Desert já deu um belo exemplo da frase de Carlos Alcaraz (para mim Carlito) a de que Nadal tem mil vidas. Ao estar perdendo por 5 a 2, com dois breaks abaixo, o próprio espanhol disse ter pensado que realmente perderia o jogo. Só que, dentro de suas características e virtudes, manteve o espírito de acreditar sempre e lutar até o final. O resultado foi uma vitória super ameaçada também no tie break do terceiro set.

Curioso é que com uma derrota como essa a que sofreu Korda, o normal seria  o tenista não conseguir dormir e demorar alguns dias para digerir o resultado. Mas não foi o que aconteceu com o americano. Ele deixou a quadra com a convicção de que pode enfrentar qualquer adversário. Além disso, enfatizou que o tenista espanhol foi um dos motivos pelo qual animou-se a pegar uma raquete, como fazia com competência seu pai Petk Korda, campeão do Australian Open em 1998, mas depois teve o mérito manchado por uma suspensão por doping. Sebastian Korda tem também duas irmãs que fazem sucesso enorme no golfe profissional, como Jessica e Nelly, esta última ouro da Olimpíada de Tóquio e que já ocupou a liderança do ranking mundial da milionária modalidade.

De volta a Nadal, o espanhol talvez tenha feito o seu jogo mais tranquilo em Indian Wells contra Daniel Evans. Mas sua estrela brilhou novamente contra o gigante americano Reilly Opelka. Teve paciência e competência para segurar os canhões do adversário e vencer em dois dois breaks.

E o que seria o jogo mentalmente mais desafiador veio com Nick Kyrgios. Nadal deu uma lição de foco e concentração. E para o duelo mais esperado contra Carlito Alcaraz soube usar toda sua experiência para superar o jovem talento espanhol. Nas horas em que o vento bateu forte, Nadal usou um recurso curioso de toss baixo para conseguir colocar o serviço em quadra, enquanto o adversário sofreu com seu primeiro saque. Deixou mais uma lição.

Para a decisão os dois jogadores enfrentaram problemas físicos. Taylor Fritz mostrou o seu melhor tênis desde que saiu em cadeira de rodas num jogo em Roland Garros para passar por uma cirurgia no joelho direito. Vindo de uma família de tenistas está alcançando o sonho de ser um grande jogador. Pelo seu lado, Nadal deu o seu melhor dentro de suas limitações e reconheceu a vitória do americano.

Por situações como essa em Indian Wells ainda parece cedo para se falar na tão esperada troca da guarda. O circuito vai ter de esperar, pelo menos, a sempre charmosa e gostosa temporada europeia de quadras de saibro, quando dois dos big 3 (Nadal e Novak Djokovic) têm encontro marcado.

Importante atualização: notícia que vem da Espanha revela que Nadal sofreu fratura por estresse na costela em jogo contra Alcaraz e deve ficar de 4 a 6 semanas em recuperação. Possivelmente estaria fora de Monte Carlo e Barcelona.

Tenistas querem a paz e não merecem animosidades
Por Chiquinho Leite Moreira
março 1, 2022 às 7:24 pm

Justamente na semana em que um russo assume o reinado no tênis masculino, com a liderança do ranking da ATP nas mãos de Daniil Medvedev, o mundo vive um conflito dos mais execráveis com a guerra na Ucrânia. Mas este momento de animosidades não deve gerar o ódio no esporte. Afinal, alguns dos principais jogadores e jogadoras do circuito já se manifestaram contra a invasão russa e merecem também a paz.

Um dos melhores exemplos partiu do também russo Andrey Rublev. Ao conquistar o título do ATP de Dubai ele fez um bonito e marcante apelo pela paz. Escreveu na lente da câmera em quadra a frase “No War Please”, não a guerra, por favor. O vice-campeão da competição, Jiri Vaseli seguiu na mesma escrita com os dizeres de “Não a guerra”.

É claro que na entrevista coletiva, pós jogo, foi questionado sobre o conflito e foi enfático ao dizer que quer a paz, não a guerra. Contou que coisas terríveis estão acontecendo na Ucrânia e pede a união entre os jogadores.

Mesmo assim, a ucraniana Elina Svitolina ameaçou não entrar na quadra diante de adversárias russas se as autoridades não seguissem a determinação do COI (Comitê Olímpico Internacional) de banir o hino e a bandeira russa nas competições esportivas.

A adversária de Svitolina no WTA de Monterrey, no México, a russa Anastasia Potapova considerou-se refém de uma situação em que não teve qualquer participação. Também confessou-se contra a guerra na Ucrânia. E esse tipo de ação, como a exigida por Svitolina, atingiu também outra russa Anastasia Pavlyuchenkova, que revelou estar com medo de represálias.

Jogar com as cores de sua bandeira é um fato raro no tênis. Apenas surge em algumas competições como Copa Davis, a ex-Fed Cup, Jogos Olímpicos, entre outas poucas oportunidades. Na verdade, alguns tenistas nem mesmo revelam interesse, pois muitos são brigados com suas federações e cresceram mundo afora, sem qualquer ajuda de seus países.

Ainda assim, os principais órgãos governamentais do tênis, como a ITF (Federação Internacional de Tênis), ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) e WTA (Associação das Tenistas Profissionais) rapidamente elaboraram um manifesto dizendo-se fortemente contra a ação russa na Ucrânia. Além disso, determinaram o cancelamento do torneio, masculino e feminino, de Moscou; a suspensão das federações da Rússia e Belarus; e o que já era esperado o fato de reafirmar que jogadores russos seguirão aceitos no circuito, mas sem serem representados por bandeira e hino de seu país. O que me assusta um pouco é a advertência no início da frase de ‘por agora’. Ora, jogadores em busca de paz declarada não devem de forma alguma sofrerem ameaças ou restrições.

Nunca é demais lembrar que por muitos e muitos anos, jogadores da chamada “Cortina de Ferro”, países do Leste Europeu, não eram bem vindos ao circuito de tênis. Podia-se contar nos dedos, os tenistas que obtinham autorização para participar de eventos internacionais. Mas, assim que houve a liberação, o tênis feminino foi o que mostrou maior impacto. Afinal, das 128 vagas dos Grand Slams, cerca de 1/3 passaram rapidamente a serem ocupadas por jogadoras do Leste.

A esperança é de que paz reine no mundo e no tênis. Mas fica a expectativa como rivais em quadra irão se comportar em meio a um conflito que envolve praticamente todas as nações. A começar pelo exemplo do tenista ucraniano Sergiy Stakhovsky, que se alistou no exército de seu país e ainda publicou em mídias sociais que gostaria de dançar sobre o túmulo de Putin. A meu ver colocar armas na mão de quem sabe bem manusear uma raquete, diante de soldados bem preparados e treinados, só irá servir para justificar o ataque a civis.

O esporte sempre jogou pela paz… e que sirva para este fim, sem animosidades.

 

 

 

 

Rio Open: Carlito Alcaraz é o presente
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 22, 2022 às 1:31 pm

Curiosa e verdadeira a declaração de Diego Schwartzman, após perder a final do Rio Open para Carlos Alcaraz. O argentino, respondendo a uma pergunta na coletiva, disse que o espanhol “é o futuro”, mas logo corrigiu. “Carlito já é o presente”.

Não há duvidas de que não só ‘El Peque’, mas também o mundo do tênis já reverencia a façanha de Alcaraz como o mais jovem tenista a vencer um ATP 500, desde a criação desta série de eventos, e também ganhar um lugar entre os 20 primeiros do ranking em idade inferior ao ‘Big 3’. Esperto, o tenista espanhol aprendeu a evitar comparações. Não incentivou o rótulo de ‘novo Nadal’ quando surgiu nas primeiras competições.

E neste aspecto há de se admirar os olhos de Lui Carvalho, o diretor do Rio Open. Há dois anos, em uma participação no Ace BandSports, ele contou que daria um wild card para uma jovem promessa espanhola. Após o programa falou “Chiquinho o convite vai para o Alcaraz. É apontado como sucessor de Nadal”. E percebi que ficou realmente decepcionado quando fiz aquela cara de ‘quem é?’. Afinal, já não sigo mais o tour como há tempos. Mas o Rio nos apresentou este futuro campeão de Grand Slam e possivelmente um líder do ranking mundial.

CARLITO SEMPRE – Aos 18 anos, Alcaraz esbanja alegria, descontração e bom humor. Em uma rápida e divertida entrevista para o Ace BandSports, o espanhol explicou a origem de seu apelido. E, embora as apresentações formais exijam o sobrenome, o jovem tenista quer mesmo ser conhecido como Carlito.

“Carlito sempre”, afirmou. “É assim desde criança que gosto de ser chamado”. Então viva Carlito.

 

Torcida dá o tom da emoção no Rio Open
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 19, 2022 às 4:34 pm

Nem mesmo as muitas interrupções dos jogos por conta das fortes chuvas foram capazes de apagar o ânimo da torcida. O Brasil, infelizmente, não conta mais com um jogador de ponta para as disputas de simples. A última esperança de um título por um tenista da casa nesta competição foi no encontro de Thiago Monteiro contra o italiano Matteo Berrettini. As chances eram poucas, mas ainda assim o público conseguiu criar uma atmosfera eletrizante na quadra Guga Kuerten do Jockey Club do Rio de Janeiro.

Não foi apenas em jogos envolvendo brasileiros que a torcida deu o tom da emoção. Alguns tenistas ganharam o curioso apoio em suas disputas. São nomes conhecidos e de muito talento como Fabio Fognini. E a situação se justifica. Afinal, não são muitas e nem fáceis as oportunidades de se ver de perto um habilidoso jogador como este italiano.

Alguns jogadores até se surpreenderam com essa torcida. Este foi o caso da revelação espanhola Carlos Alcaraz. Jovem, talentoso e dono de um jogo impressionante que dá perspectivas de no futuro levantar um troféu de Grand Slam, ele reconheceu que este apoio foi importante, especialmente no seu jogo de estreia. Simpático e atencioso, Alcaraz correspondeu com gestos gentis, como chamar os pegadores de bola para se protegerem da repentina chuva no seu box de quadra.

Aliás a simpatia e educação de diversos jogadores chamou minha atenção. Não gosto de me colocar como personagem. Mas apenas passar a longa experiência nos torneios do tour internacional. O café da manhã na bolha da Covid-19 num local específico do Sheraton Hotel levou-me a lembrar dos velhos tempos. Em muitas viagens costumava ficar por um bom tempo curtindo os bons buffets, em especial nas competições na Alemanha, como no hotel Intercontinental, em Hamburgo, ou o Maritim, em Stuttgart.

O grupo de jogadores aqui no Rio mostrou-se respeitoso. Não se atropelam em filas, cedem lugar, usam máscara, quando não estão na mesa e cuidam bem da alimentação. Omelete para alguns só de claras. Azeite… só um fio. E quando um treinador pediu uma tapioca com doce de leite foi um protesto geral “não, não, não”… “não pode começar o dia assim”. Divertido e descontraído.

Hoje em tempos de mídias sociais é o local para cumprirem alguns compromissos. Ao lado de agentes e equipe técnica enviam mensagens para fãs, respondem manifestações e cumprem bem o papel junto aos seus seguidores de todos os cantos do planeta. Por isso, fica até difícil acreditar que em quadra, alguns são capazes de quebrar raquetes em atos de pura raiva…

Rio Open de braços abertos para o tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 16, 2022 às 6:37 pm

Uma das imagens mais marcantes para quem chega ao Jockey Club Brasileiro, sede do Rio Open, no Rio de Janeiro, é o Cristo Redentor braços abertos sobre  a Guanabara (Minha alma canta/ Vejo o Rio de Janeiro/ Estou morrendo de saudades/ Rio teu mar praias sem fim) Esta também parece ser a missão do maior torneio de tênis da América do Sul: abrir a modalidade, mesmo em tempos difíceis. Não temos atualmente grandes jogadores, infelizmente. Mas ainda assim os brasileiros podem sentir a atmosfera de uma grande competição, passando a admirar muitos outros astros do esporte.

Não há dúvidas de que o Rio Open deixou saudades, com o cancelamento do ano passado. Mas nesta semana os amantes do tênis estão reunidos, tanto presencialmente, como nas transmissões pela tevê. Andar nesses dias pelas quadras e alamedas do Jockey Club é de reviver bons tempos, cruzando com muita gente amiga de antigas viagens pelo circuito internacional e também observar um público apaixonado pelo esporte da bolinha amarela. É uma emoção diferente.

O Rio Open é um torneio de múltiplas funções. Além da competição entre os tenistas profissionais, o evento cumpre uma função social, com iniciativas como o tênis Kids e o Winners, que abre as portas para o esporte a crianças que normalmente não teriam essa oportunidade de jogar e conhecer uma modalidade tão interessante. Tem ainda a vocação de reunir num ambiente saudável música, arte e a tão badalada atualmente gastronomia. Um destes pontos tem como chef convidada Carol Vaz. Ou seja há muito mais o que se fazer além das quadras. Em certos lugares, o cenário lembra um pouco Roland Garros, como o espaço La Boutique e o poster oficial, conhecidas tradições do Grand Slam francês.

Nos palcos mais importantes 63 atletas jogam por um total de US$ 1.915.485 em prêmios. Desde de sua primeira edição o Rio Open já teve como campeões Rafael Nadal, David Ferrer, Pablo Cuevas, DominicThiem, Diego Schartzman, Laslo Djere e Cristian Garin. Este ano são vários jogadores bem ranqueados em busca do troféu de campeão.

Nem só os atuais astros são lembrados nesta competição. Agora em 2022, o Rio Open homenageia dois grandes nomes do tênis brasileiros, como Flávio Saretta e Rogerinho Dutra Silva. A ideia é de toda organização, mas, sem dúvida, tem um toque genial do diretor do torneio Lui Carvalho. E no mundo do tênis este evento tem um carisma tão especial que após mais de 20 anos sem vir ao Brasil, o hoje vice-presidente da ATP, o italiano Nicola Arzani deu o ar da graça… prestígio.

Nadal é um monstro… de 21 Slams
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 30, 2022 às 7:22 pm

Não dá para discordar da palavra que mais ouvi nas últimas horas: “Nadal é um monstro”. E acrescento com 21 troféus de Grand Slam. O que o espanhol fez neste Aberto da Austrália é de se guardar num lugar especial da memória. Afinal, não chegou a Melbourne no auge da preparação, vinha de um bom período sem jogar e havia passado pela Covid-19.

Mas não dá para subestimar nenhum dos jogadores do “Big 3”, em especial Rafael Nadal. Nessa decisão diante do bom tenista russo e favorito Daniil Medvedev, o espanhol fez lembrar Fênix, o pássaro lendário da mitologia grega, que ressurgia das cinzas. Diante de um cenário tão sombrio poucos poderiam acreditar que depois de estar dois sets abaixo teria força para um renascimento na partida, a ponto de vencer no quinto set, em mais de cinco horas da mais pura e emocionante batalha.

Das muitas coisas que li depois da decisão uma chamou minha atenção. Em entrevista a Eurosport, Nadal reconheceu que esteve diante de um drama. Falou que quando sacou com 5 a 4 e vantagem de 30 a 0 veio um pensamento na sua cabeça ao perder o serviço. “Será que vou perder como em 2012 e 2017?, afirmou o espanhol. “Ele (Medvedev) pode ganhar, mas não vou me entregar jamais e seguirei lutando”.

Este é o retrato da carreira deste brilhante tenista que passa a ser o maior vencedor de torneios de Grand Slam de todos os tempos com 21 troféus. Jamais deixou de acreditar. Sempre lutou em quadra e fora dela. Seu histórico de lesões é grande. Reconheceu que pensou sim em não jogar o Aberto da Austrália e que esse seria o seu último ano em Melbourne Park. Mas depois de tudo o que aconteceu nesta decisão pode-se esperar que o espanhol vai seguir emocionando e dando ainda maior brilho ao mundo do tênis.

Para Medvedev sobrou o conformismo. Não dá para dizer que o russo tenha jogado mal. Fez o que podia e esteve sim muito próximo de conquistar o seu segundo troféu de Grand Slam. Só que viu um monstro pela frente.

 

Depois do jogo em que todos perderam, o AO começa bem
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 17, 2022 às 11:52 pm

A disputa de Novak Djokovic e Aberto da Austrália não teve vencedores. Foi na verdade um episódio, um jogo, em que todos perderam. O tenista não conseguiu seu intento de defender o título e nem buscar o recorde de Grand Slam. O diretor do torneio, Craig Tiley saiu desgastado. O próprio evento perdeu, por ter sido obrigado a colocar no lugar mais nobre da chave masculino um jogador de ranking baixo, como o italiano Salvatore Caruso. E a culpa é da justiça australiana, que aprovou e depois não, em longas audiências, impossibilitando a mudança entre alguns cabeças de chave, como está no regulamento da ITF, a Federação Internacional de Tênis. Os advogados do sérvio também foram derrotados, ao apresentarem argumentos não convincentes e documentos com informações não comprovadas.

A repercussão internacional do caso, é claro, abalou a imagem já bastante polêmica de Novak Djokovic. E seu intento de jogar o AO, sem o imunizante virou uma bandeira entre prós e contras, além de incentivar o movimento antivacina.

Um assunto que pouco foi comentado é não fosse o suspeitoso atestado de que Djokovic teve Covid no último dezembro, qual argumento seria usado para requerer a isenção vacinal?

A situação pode piorar para Roland Garros. O governo francês já antecipou que não irá permitir exceções, o que coloca o tenista sérvio contra a parede, numa forma que jamais enfrentou em sua difícil vida, formação e competente atuação nas quadras de todo mundo. Assim, se a pandemia não melhorar e muito, a vida do atual numero 1 do mundo estará bastante prejudicada. A verdade é que por ser um naturalista, Djoko tem o direito de não querer se vacinar, mas as autoridades de qualquer país também têm o direito a exigir os comprovantes de imunização.

Enquanto Djokovic voltava para casa e foi recebido em Belgrado por uma multidão de fãs, o Aberto da Austrália começou bem. Como disse Rafael Nadal, nenhum tenista por melhor que seja, jamais será mais importante do que o esporte. É que os jogadores passam e o tênis permanece.

As quadras de Melbourne Park desde os primeiros jogos se encheram de emoção. Alexander Zverev sofreu um susto, mas passou. Nadal ganhou tranquilo, mas ainda diz que precisa melhorar. Matteo Berrettin, o maior beneficiado com o fato de a organização ter sido obrigada a colocar um lucky looser na linha 1, mostrou estar em boa forma ao superar uma das esperanças dos Estados Unidos, Brandon Nakashima.

Entre as mulheres Ashleigh Barty só cedeu um game na sua estreia diante de Lesia Tsurenko. Paula Badosa, que vem crescendo muito, venceu Alija Tomijanovic. E o que se deve festejar com entusiasmo foi a volta de Naomi Osaka, que passou por Camila Osorio, e deu até risadas na entrevista coletiva pós jogo.

 

AO determina match point na vacinação dos tenistas
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 30, 2021 às 3:47 pm

O surgimento da variante ômicron vai aumentar ainda mais as restrições do governo australiano aos participantes do primeiro Grand Slam de 2022. A frase de Daniel Andrews, Primeiro Ministro do Estado de Victoria, de que “ranking não irá determinar a entrada no país” tem endereço certo, mas serve para um número maior de jogadores. Há duas semanas li, com surpresa, que 25 dos 100 primeiros da ATP não tinham sido ainda vacinados. Ao longo dos últimos dias diversos atletas resolveram ceder e aderiram aos imunizantes.

Como primeira determinação da ômicron, a data inicial de entrada na Austrália, que seria 1º de dezembro, passou para o dia 15. O recém calendário distribuído pela ATP coloca uma série de competições na Oceânia. Uma decisão louvável, pois ajudaria na adaptação dos jogadores às diferentes condições de um país tão distante.

É claro que devemos sempre respeitar as diferentes opiniões, ainda mais num assunto tão novo e cheio de mistérios como a Covid-19. Mas vejo a atitude de não se vacinar como egoísta, palavra que no dicionário é definida como “pessoa que só pensa em si mesmo”. Ao mesmo tempo, não dá para esquecer o acontecido com o espanhol Carlos Alcaraz na Copa Davis. Embora o jovem tenista tenha se vacinado, ainda assim contraiu o vírus e não pôde representar seu pais na competição.

Nesse ponto mesmo os vacinados ou os que já contraíram a Covid-19 aparentemente não estão imunes, livres de cuidados. A OMS – Organização Mundial de Saúde – classificou a ômicron como variante de preocupação e “evidências sugerem que pode facilitar a reinfecção”.

Mesmo diante de um cenário desses há de se respeitar escolhas. Mas, sinceramente, achei exagerada a declaração do pai de Novak Djokovic, Srdan, de que “obrigação da vacina é chantagem”. Considero o termo forte, embora a decisão de se imunizar seja um direito pessoal, mas um país exigir não vejo como chantagem, mas sim determinação.

Assim é muito provável de que não seja possível mesmo a participação do atual número 1 do mundo no Aberto da Austrália. É uma pena para o esporte. Afinal, Djokovic em quadra é garantia de um lindo espetáculo.

 

Djokovic coroa uma geração de tenistas geniais
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 8, 2021 às 6:05 pm

Com mais uma marca histórica, a de terminar o 7º ano na liderança do ranking, Novak Djokovic caminha para ser o maior recordista de todos os tempos. Isso numa geração de números inimagináveis como os 20 troféus de Grand Slam de cada um dos integrantes do Big 3. Há tempos, quando Pete Sampras conquistou o seu 14º Major, não se acreditava que algum tenista seria capaz de superar o norte-americano. Um pouco antes, em 1981, também era difícil esperar que alguém poderia levantar por sete vezes a Taça dos Mosqueteiros, em Roland Garros, numa das façanhas de Bjorn Borg.

Na realidade, nunca é demais enfatizar, temos o privilégios de sermos contemporâneos de geniais jogadores como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. O sérvio, porém, se apronta para reinar absoluto em termos numéricos. Já avisou que seu objetivo é esse.

Na atual temporada, Djokovic chegou a 346 semanas na liderança do ranking, terminou o ano no topo pela 7ª vez, chegou ao maior número de Masters 1000, com 37 troféus e não deve parar por aí.

Só que existe ainda um grande desafio pela frente: o número de títulos na ATP. Este recorde está nas mãos de Jimmy Connors, com 109 troféus. Nos últimos quatro anos, Djokovic ganhou 18 torneios. E para igualar o norte-americano, o sérvio precisa vencer mais 23.

Há uma diferença também na relevância dos campeonatos conquistados. Connors ganhou muitos torneios pequenos, que entram na conta, é claro, mas não representam a mesma dificuldade de, por exemplo, 20 Grand Slam, cinco Finals, ou 37 Masters 1000. Mas se Djokovic avisou que espera estabelecer todos os recordes, o melhor é mesmo esperar para ver.

Tênis masculino também revela tendência a novos campeões
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 18, 2021 às 5:07 pm

Assim como já aconteceu com o tênis feminino, que passou a ficar muito aberto ao término no período de domínio de Serena Williams, também o masculino revela essa tendência com o big 3 fora de combate. Afinal Indian Wells, considerado o quinto maior torneio do planeta, atrás apenas dos Grand Slams, teve uma final bem aquém das expectativas. Cameron Norie venceu Nikoloz Basilashivi num jogo de pouca emoção, muitos erros e compreensível nervosismo de ambas as partes. Até mesmo o público não foi condizente para um Master 1000.

Já nas semifinais não havia mais nenhum top 20 nas quadras de Palm Desert e o que salvou a competição foi a bela decisão do feminino, com Paula Badosa superando Victoria Azarenka em três lindos sets. O inédito título da espanhola em uma competição desse nível confirma o que já se vê há um bom tempo. Na WTA quase não se repetem as campeãs. Será que o mesmo irá acontecer com o masculino?

Paris Bercy está chegando para mostrar se o masculino seguirá o caminho de Indian Wells, com muitas surpresas, ou se as novas estrelas irão assumir o domínio. A chamada nova geração tem realmente muitos talentos e jogadores carismáticos. Mas resta saber como fica o interesse do público. Lembro de quando cheguei para o US Open de 2019: Roger Federer perdeu para Grigor Dimitrov e no dia seguinte a procura de ingressos para a final caiu em cerca de 40%.

Pelo menos para Paris haverá a anunciada volta de Novak Djokovic, que também jogará a Davis e o Finals. O torneio costuma ter desfalqueis de tenistas que já estão se poupando, mas tem tremenda importância para aqueles jogadores que ainda buscam uma vaga para o Finals. Enfim esse final de temporada tem muito a revelar sobre o futuro do tênis.